Caro Júlio:
1. Acredito perfeitamente que para esses sacerdotes seus amigos, para o seu pároco e para os seus comparoquianos seja o Terço a única questão sensível, assim como acredito que dos poucos ou muito poucos conteúdos que ouvem da Renascença, se não mesmo o único seja o Terço. Daí ser a única questão sensível. Infelizmente, é o que me parece que acontece com muitos católicos que o são de facto. Deixaram de se rever na Renascença e de a ouvir. Por culpa da própria RR, mas tb da Igreja, que não cuidou devidamente de tão precioso meio para difundir a sua mensagem evangélica por diferentes e criativos métodos e linguagens em antena;
2. Uma rádio católica, assim como um católico, não o deve ser só ao domingo de manhã. E, a propósito, pergunto lhe: o que tem de tão relevante catolicamente o programa matinal de domingo desde o final de abril? A Renascença mantém mesmo todos os espaços religiosos que tinha? E, mesmo que isso seja verdade, qual a sua duração e, por consequência, profundidade? Aliás, atualmente não há programas religiosos na RR, nem formativos nem informativos. Não há. Há apenas rubricas, não programas. Programas religiosos radiofónicos, com duração adequada e consequente profundidade, existem nomeadamente na Antena 1 "A Fé dos Homens" e "E Deus Criou o Mundo". Já para não falar da rubrica DIÁRIA da TSF "Que mundo, meu Deus!". Já viu que bizarro? Numa rádio pública (que tb transmite EM DIRETO a Eucaristia Dominical) tem mais programas de religião (embora não exclusivamente de catolicismo, obviamente) do que na rádio oficial da Igreja Católica em Portugal (se excluirmos o Rosário diário). O Júlio foca se muito na insustentabilidade material da Renascença, e com razão. Mas para mim e outros esta situação (pouco) espiritual da Emissora Católica Portuguesa é que é mesmo insustentável! Falou na manutenção de um magazine religioso na antena da Renascença. Qual? Quando? Quanto tempo de emissão? E da forma como escreve até parece que a RR faz um grande favor em incluir notícias religiosas nos seus agora ainda mais reduzidos jornais ou em destaca las no site ou na app... É sua obrigação! Mas, de facto, a Renascença passa a ideia de que os conteúdos religiosos são um sacrifício, pura obrigação de produção e transmissão, e nada mais.
3. Já não parece ser um sacrifício, nem tão pouco escrupulosa (como o Júlio disse, e bem, que a Renascença costuma ser com questões fraturantes como o aborto e a eutanásia) a rubrica de MEIA HORA "Geração Z", em que um dos últimos episódios, se não mesmo o último, teve um entrevistado a defender uma posição ou posições contrárias à ética da Igreja, nomeadamente em relação à identidade de género, SEM QUALQUER TIPO DE DEBATE OU CONTRADITÓRIO. Isto é aceitável num órgão de comunicação social católico? Aconteceria, por exemplo, na Rádio Vaticano? Não me parece...
Cumprimentos.