Autor Tópico: Renascença  (Lida 1079732 vezes)

joao_s

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Re: Renascença
« Responder #165 em: Março 10, 2017, 09:53:57 pm »
No que diz respeito ao enquadramento musical... passar One Direction e Queen na mesma hora... Enfim.

Isso, acho que fazem bem, Luís. Ou seja, transmitirem temas musicais que se ouvem agora, em equilíbrio com temas do passado, música portuguesa a par da música estrangeira, etc. Não é por aí. Enquadro com um exemplo: suponha um pai que leva os filhos à escola, bem como para uma série de atividades. A rádio digere-se às duas faixas etárias e quer os filhos ficam a conhecer o que o pai ouvia, quer o pai fica a conhecer o que os filhos ouvem. A rádio faz o seu papel, contribui para aproximar os gostos de duas gerações (e já agora, a cultura de ambas).

O problema é o que a rádio, neste caso a RR, não passa. Os géneros musicais da RR são bastante limitados, e focados num período temporal da década de 80, inclusive, em diante, géneros POP e Rock comercial. Há excelentes temas do passado que rapidamente vão cair no esquecimento, temas de grande qualidade que usualmente não passam na rádio portuguesa (porquê?) e as atuais gerações nem sequer os vão conhecer. A RR não treina o ouvido do seu público, dá-lhe de bandeja mais do mesmo. Nada de cerebral nesta matéria, só o imediato.

Hoje passou no programa matutino da radialista “Carla Rocha” o tema “Al Green - How Can You Mend A Broken Heart (1972)”, no âmbito de um determinado contexto, algo de raro, parecia que estávamos a ouvir uma rádio de outro patamar. Mas isto é a exceção, não a regra. A música ouvia-se com ruídos de um disco de vinil “picado”, o que leva a concluir que não têm a música em suporte digital (esta e muitas outras emblemáticas e de grande qualidade), bem como que a cultura musical dos radialistas da RR é baixinha. Talvez, devam apostar mais na diversidade musical e equilíbrio entre temas passado e presente, a bem da memória coletiva. A maior parte dos jovens portugueses não devem conhecer uma terça parte da música que os jovens de outros países anglo-saxónicos conhecem. Era assim no passado, deve continuar a sê-lo no presente.

MCastro

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Re: Renascença
« Responder #166 em: Março 11, 2017, 03:34:56 pm »
No que diz respeito ao enquadramento musical... passar One Direction e Queen na mesma hora... Enfim.
Hoje passou no programa matutino da radialista “Carla Rocha” o tema “Al Green - How Can You Mend A Broken Heart (1972)”, no âmbito de um determinado contexto, algo de raro, parecia que estávamos a ouvir uma rádio de outro patamar. Mas isto é a exceção, não a regra. A música ouvia-se com ruídos de um disco de vinil “picado”, o que leva a concluir que não têm a música em suporte digital (esta e muitas outras emblemáticas e de grande qualidade), bem como que a cultura musical dos radialistas da RR é baixinha. Talvez, devam apostar mais na diversidade musical e equilíbrio entre temas passado e presente, a bem da memória coletiva. A maior parte dos jovens portugueses não devem conhecer uma terça parte da música que os jovens de outros países anglo-saxónicos conhecem. Era assim no passado, deve continuar a sê-lo no presente.

Soa a vinil, caríssimo João? Mas isso também faz parte da magia da rádio: encontrar temas não muito conhecidos e que não são facilmente encontrados - ou que  até nem sequer têm edição em CD. A Rádio Sim também passa diversos temas antigos que foram claramente digitalizados a partir do bom e velho disco de vinil - e não creio que a audiência reclame. Já que alude tanto à BBC, a rádio pública britânica não passará alguns temas antigos que não se encontram disponíveis em formato digital? Ainda há um mundo de música dos anos 50 aos anos 80 onde vários temas nunca tiveram edição digital, ou se o tiveram, é muito difícil encontrar no mercado.

joao_s

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Re: Renascença
« Responder #167 em: Março 12, 2017, 12:57:38 pm »
Soa a vinil, caríssimo João? Mas isso também faz parte da magia da rádio: encontrar temas não muito conhecidos e que não são facilmente encontrados - ou que  até nem sequer têm edição em CD. A Rádio Sim também passa diversos temas antigos que foram claramente digitalizados a partir do bom e velho disco de vinil - e não creio que a audiência reclame. Já que alude tanto à BBC, a rádio pública britânica não passará alguns temas antigos que não se encontram disponíveis em formato digital? Ainda há um mundo de música dos anos 50 aos anos 80 onde vários temas nunca tiveram edição digital, ou se o tiveram, é muito difícil encontrar no mercado.
Caro “MCastro”, praticamente todos os temas editados desde a década de 70, e até década de 60, foram convertidos do formato analógico para digital, restaurados e editados no formato digital. Portanto, cópias em formato digital com qualidade de som otimizada, obtida através de técnicas de processamento digital de sinal.

Em relação à “RR”, pretendia referir que o registo sonoro é limitado, deixando de parte muito boa música que não encaixa no registo POP/Rock comercial que tem sido explorado desde a década de 80 até esta parte. Se esta faceta fosse tida em conta, engradeceria a banda sonora da estação. Repare que nem sequer dispõem desses temas. Falta cultura musical consistente por aqueles lados. Produziu-se muito boa música nas décadas de 60/70, e não só, composta e tocada de forma genuína, sem os artifícios multimédia, de imagem e produção que resultam em algo superficial e volátil que hoje é a norma.

Curiosamente, essa nem sempre foi a regra na Emissora Católica Portuguesa. No formato original, a “RFM” contemplava espaços na grelha com programas dedicados a outros géneros, arrojados e de vanguarda, bem como dedicados à preservação da memória dos grandes temas/ou temas emblemáticos das diferentes décadas. Hoje, tendem a cair no esquecimento. É uma pena. Sabia que, por exemplo, na FNAC Coimbra é dificílimo encontrar álbuns de Neil Diamond, Neil Young, etc. Assim que há alguma reedição, desaparecem rapidamente das prateleiras. Tenho aqui o álbum “Harvest  - Neil Young” de 1971, que foi o último que havia, restaurado e em suporte CD, já o grande clássico de “Miles Davis – Kind of Blue” de 1959, o álbum de jazz mais vendido de sempre, e continua hoje em dia, já está esgotado. Ainda o apanhei. De Neil Diamond, verificaram-se reedições de alguns álbuns, não há nada, esgotaram.

Na “BBC Radio 2”, tudo (ou quase) que for restaurado da década de 50 em diante, apresenta-se com qualidade sonora muito boa, idêntica às edições digitais de origem. O que for anterior à década de 50, a qualidade de som decai, isto porque os processos de gravação eram arcaicos. Como sabe, o disco de vinil e, processos de gravação subjacentes, surgiu em finais da década de 40 do séc. XX, tecnologia desenvolvida pela empresa americana “RCA Corporation”. O disco de vinil foi uma revolução ao nível da qualidade sonora, à época.

Boxx

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Re: Renascença
« Responder #168 em: Março 13, 2017, 11:13:19 pm »
Que saudades dessa RFM dos 80's, que misturava antigo e moderno com grande criatividade e qualidade. Afinal de contas tinha praticamente a audiência que a RR hoje tem. Não faria sentido recuperar esse formato agora no "principal" canal RR? Ou seria muito arriscado para o publico pouco exigente que hoje ouve rádio?

joao_s

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Re: Renascença
« Responder #169 em: Março 15, 2017, 06:50:45 pm »
Que saudades dessa RFM dos 80's, que misturava antigo e moderno com grande criatividade e qualidade. Afinal de contas tinha praticamente a audiência que a RR hoje tem. Não faria sentido recuperar esse formato agora no "principal" canal RR? Ou seria muito arriscado para o publico pouco exigente que hoje ouve rádio?

Viva, “Boxx”. Assim foi, de facto. As atuais gerações desconhecem, permita-me o termo, a Arte de Fazer Rádio. Não basta ser detentor de voz, é necessário muito mais, um background cultural que os atuais radialistas não têm. Encontro vários termos de comparação da antiga “RFM” com a “BBC Radio 2”, por exemplo, uma emissão relativamente ligeira durante o dia, quando a atenção dos ouvintes se divide em várias tarefas, e mais elaborada, com uma forte componente de conhecimento e de escolhas aprimoradas, em período noturno. A antiga “RFM” permitia explanar horizontes, era uma porta aberta para o mundo. Uma rádio com memória e, simultaneamente, focada no presente e procurando perspetivar o futuro. Tivemos excelentes radialistas na rádio portuguesa, e programas muito pertinentes. A antiga “RFM” foi uma das melhores rádios da Europa, é difícil de acreditar, mas foi assim. Agora deve ser das piores.

Nessa matéria a “RR” tem um longo caminho a percorrer,  não chega a ser uma sombra pálida dessa “RFM”. Essa escola de fazer rádio perdeu-se. A questão é se ainda é possível recuperá-la. Nós, ouvintes, questionamos como é feita a seleção dos recursos humanos. Há muitos quadros da rádio que não têm perfil para as funções que realizam.

Permita-me, “Boxx”, que lhe direcione uma pergunta. Alguma vez fez rádio?

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Re: Renascença
« Responder #170 em: Março 15, 2017, 06:59:26 pm »
Que saudades dessa RFM dos 80's, que misturava antigo e moderno com grande criatividade e qualidade. Afinal de contas tinha praticamente a audiência que a RR hoje tem. Não faria sentido recuperar esse formato agora no "principal" canal RR? Ou seria muito arriscado para o publico pouco exigente que hoje ouve rádio?
Isso foram outros tempos que não voltam. E não era só a RFM, nessa altura a Rádio tinha muito mais força e acima de tudo liderava os "movimentos musicais" juvenis. Hoje quem tem 15/25 anos pouco ou nada ouve rádio. Quem estava nessa faixa etário nos anos 80, tinha na Rádio o pilar para a musica, e hoje tal perdeu-se por completo.

Boxx

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Re: Renascença
« Responder #171 em: Março 15, 2017, 09:58:25 pm »
Caro João: nunca fiz rádio. Apaixonei-me pelo fenómeno em meados dos anos 80 e na altura foi a curiosidade de ouvir o Jorge Pego na Rádio, que na altura apresentava o program "Vivámusica" na RTP e um pouco depois o Marcos André que fazia o "Top Disco". O "TNT" da Rádio Comercial e a "Loja do mestre André" no então FM da RR, foram as minhas portas de entrada e desde aí nunca mais parei de seguir toda a evolução do meio Rádio ao longo mais do que 30 anos. As rádios que neste período mais me marcaram foi sem duvida a essa FM RR / RFM inicial (1985-1990), a NRJ (1993-1997), XFM (1993-1997) e Voxx (1998-2003). Tudo o resto, vou acompanhando, mas com um interesse limitado.

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Re: Renascença
« Responder #172 em: Março 15, 2017, 10:16:53 pm »
Caro Boxx nas datas que enunciou penso que tem um erro ou refere-se á existência dessas rádios no Porto, pois a NRJ tem o seu início em abril de 1991. Eu estava na tropa em Lisboa e lembro-me de nas poucas viaturas militares que tinham auto-radio eu (fui condutor) muito ouvi os 92.4.

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Boxx

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Re: Renascença
« Responder #173 em: Março 15, 2017, 11:06:03 pm »
certo. A NRJ chegou ao Porto (90.0 FM) no dia 25 Jan 1993 sobre o slogan "o que seria do Porto sem Energia?".

AG

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Re: Renascença
« Responder #174 em: Março 18, 2017, 04:46:59 pm »
Então a TSF esteve alguns meses fora do Porto?
É que só se "fundiram" com a Press em meados de 1993...

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Re: Renascença
« Responder #175 em: Março 19, 2017, 10:32:47 am »
Então a TSF esteve alguns meses fora do Porto?
É que só se "fundiram" com a Press em meados de 1993...
Se não estou errado nesse intervalo de tempo a TSF esteve a emitir nos 105.8 de Valongo

AG

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Re: Renascença
« Responder #176 em: Março 19, 2017, 10:23:25 pm »
Então a TSF esteve alguns meses fora do Porto?
É que só se "fundiram" com a Press em meados de 1993...
Se não estou errado nesse intervalo de tempo a TSF estive a emitir nos 105.8 de Valongo
Entretanto lembrei-me disso; julgo até que estiveram ambas a dada altura (antes de 93) a emitirem em simultâneo a TSF.

AG

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Re: Renascença
« Responder #177 em: Março 19, 2017, 10:25:07 pm »
E faz 24 anos hoje que a TSF foi adquirida pela Press, curioso.

 http://telefoniasemfios.blogspot.pt/p/blog-page_74.html?m=1

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Re: Renascença
« Responder #178 em: Março 20, 2017, 10:53:46 pm »
Antes de emitir na rede regional norte da Radio Press, a TSF chegou a emitir no Porto em simultâneo em 90.0 e 105.8, depois "cedeu" estas frequências ás duas estações do grupo: Energia (90.0) em Janeiro de 1993 e alguns meses depois (Outubro de 1993) à XFM (105.8).

AG

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Re: Renascença
« Responder #179 em: Março 21, 2017, 10:04:12 am »
Obrigado Boxx! Então os 105,8 fizeram a transição dos 90,0 para os 105,3 nesse ano de 93.