Quase 25m de notícia às 16h, parece um pouco demais.
Mas tiveram mais notícias ou só deu Papa?
Isto quase parece um lamento daqueles feitos nos países muçulmanos, desculpem-me a crueza... mas é um tremendo de um exagero.
Às 16h de um dia de semana estar nesse patamar de coisas já é um bocado demais - o tema aconteceu às 06h35.
Daqui a bocadinho temos como o Eusébio, uma semana de exéquias... um absurdo.
A questão é, até à hora dos debates, ouve mais algum tema?
Talvez tenha havido, hoje, um excesso de palavra, porque acho que a RR em modo playlist mais "de luto" também se propiciava, visto que na RFM durou nem 3horas. Porque, caso não, não acho que seja injustificável. As TV's de notícias estão há quantas horas com emissões especiais e milhentos comentadores a falar do Papa? Até o Imã da Mesquita de Lisboa por lá andou a comentar.
Se em Espanha tens uma Rádio Maria que faz a cobertura essencial da parte religiosa, e a COPE tem de fazer todo o restante papel, da análise geopolítica, aqui as três demais rádios estiveram com esse papel. Portanto, a RR tem a obrigação moral de assegurar a parte "de consolo espiritual". Por isso digo, e reafirmo, parece-me que a emissão da RR foi, globalmente, do que fui picando em Espanha, melhor que a da COPE.
Aliás, a rádio portuguesa, no geral, esteve muito melhor. Com exceção da Bauer, que nem sequer teve a ligeireza de moderar um pouco a playlist e a animação, o que seria o mínimo solicitado ao maior grupo de rádio em Portugal, país maioritariamente Católico, e da Rádio Maria que se revelou profundamente amadora, todas as demais estiveram impecáveis.
A começar pela RR, que teve essa função, de natureza mais espiritual, por contraponto à COPE, que 3 horas depois do anúncio, tinha como primeira entrada no site que este era "uma oportunidade de ressureição para a Igreja", referindo-se à morte de Francisco, o que não deixa de ser, profundamente lamentável. A RNE1 estava em emissão especial com uma animadora ou jornalista, que conseguiu a proeza de dizer umas piadolas, a propósito do conclave, profundamente lamentáveis, além de que, dos 10 ou 15 minutos que deixei sintonizada, pareciam mais focados num registo Yola! do que político. A Antena 1 parecia a BBC por contraponto à RNE1. RNE5, Esradio, OndaCero e SER, a terem programação normal, a falarem de política e dos jogos da Liga do dia anterior, isto a meio da manhã. Também aqui, TSF e OBSRVDOR metem as primas espanholas ao Bolso.
Do ponto de vista das musicais, mesmo a RFM tendo estado muito pior do que aquando da morte de Bento XVI, merece um louvor por comparação à irmã CAD-100, que vergonhosamente, continua com piadolas sem graça do Hueso, que faz parecer qualquer animador português um catedrático, gossip, publicidade e músicas como Juramento Eterno de Sal a abrir a hora. Aliás, entrando no site deles, nem se diria, de forma alguma que é uma emissora Católica. A RFM desta feita não pôs o site a preto e branco, e não esteve tão bem em termos musicais, mas, ainda assim, a marca está lá, percebe-se perfeitamente as raízes. Pese embora, para mim, fosse escusado continuar com trânsito e afins durante a tarde, mas até o Hélder esteve impecável.
Finalmente, a MegaHits, que para mim foi a excelente surpresa no dia de hoje, porque não esperava tanto. Desde as sinergias com a rádio mãe, à seleção, para mim até mais cuidada que a da RFM, às convidadas do Drive-In para falar sobre o impacto da Igreja e do Papa na vida dos jovens, ao tom da animação, à retirada dos jingles agressivos, foi tudo bem feito. No dia de hoje, só tenho de dar 10/10, porque, obviamente, não peço à Mega que ponha clássica e instrumentais, à RFM sim. Na MegaStar, também piquei, tudo absolutamente normal.
Em suma, isto para dizer que, em dia em que tradicionalmente muita gente ainda está em gozo de férias, das redações, à animação, a rádio portuguesa, globalmente, deu uma resposta que em nada ficou a dever às rádios da Economia com as quais é mais legítimo que nos comparemos. É a prova, isso sim, de que outras coisas não são feitas, não por falta de vontade, mas essencialmente, por falta de meios.