Caro Júlio:
1. A questão da fé ou falta dela dos profissionais da Renascença devia incomoda lo como católico que diz ser e tratando se da Emissora Católica Portuguesa;
2. Sim, faço a mesma pergunta relativamente aos professores da Universidade Católica Portuguesa e a todos os profissionais de todas as instituições da Igreja;
3. Sim, tal pergunta tem mesmo interesse na medida em que não há instituições verdadeiramente católicas sem um número significativo de católicos a trabalharem nelas, algo que é ÓBVIO, não há evangelização sem evangelizadores, que para o serem verdadeiramente têm de primeiro ser eles próprios evangelizados. A propósito, aqui há uns anos numa reunião entre as Comissões das Comunicações Sociais das Conferências Episcopais Portuguesa e Espanhola uma das conclusões a que se chegou foi a necessidade de formação católica para os profissionais (católicos ou não) dos media da Igreja. Na Renascença está se a aplicar isto?
4. Não sou ouvinte da Rádio Maria, nem de rádios católicas desse estilo, com programação exclusivamente piedosa ou devota, nem defendo esse modelo para uma rádio católica: são rádios que acabam por não ser verdadeiramente católicas, universais, na medida em que falam sempre apenas para um auditório muito reduzido e estagnado de católicos praticantes, não conseguindo ou conseguindo muito dificilmente chegar de forma considerável a novos públicos. Ora, isto representa tanto um problema pastoral ou apostólico, quanto um problema financeiro, devido às baixas ou mesmo baixíssimas audiências. Defendo um modelo de rádio católica mais ao estilo da Renascença ou da COPE espanhola, mas não da Renascença da atualidade e de desde há poucos anos;
5. EM MOMENTO ALGUM da minha resposta anterior ou desta leu algum escrito meu a defender que TODOS os profissionais de rádios e outras instituições católicas devem ser católicos, está a inventar;
6. Na Renascença houve, há e muito provavelmente continuará a haver profissionais católicos e não católicos, a questão NÃO É essa. A questão é outra, que é a da Renascença, me parece, não estar a conseguir evitar que uma maioria não católica exista dentro de si e comprometa a sua identidade e missão. O Papa João Paulo II, ao escrever o que escreveu, pretendia precisamente evitar que maiorias não católicas existissem dentro das instituições católicas e hipotecassem o ser e agir católicos dessas instituições;
7. Defende uma Renascença hipócrita e até objeto de gozo por dizer ser uma coisa e depois ser e fazer outra? É que isso é uma realidade, infelizmente, mas parece que tal não incomoda o Júlio. Lamento muito que assim seja.
Caro Atento,
Não tinha conhecimento disso. De qualquer forma, se assim foi, só posso aplaudir de pé a intervenção da Santa Sé na COPE. Mas com isto fiquei sem perceber qual a posição do Júlio em relação à questão da fé.
Posto isto, caro Júlio,
Coloco lhe a seguinte pergunta. Joana Marques, estrela maior da Renascença atualmente mas assumidamente não baptizada catolicamente e com um passado de Extremamente Desagradável na Antena 3 em que disse "Para mim , qualquer missa é uma seca" (isto aconteceu mesmo), deve ter lugar na Emissora Católica Portuguesa? A mim choca me que tenha (talvez já não me devesse chocar). E ao Júlio?
Cumprimentos a ambos.