Autor Tópico: Bareme Rádio  (Lida 516682 vezes)

Julio Carvalho

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Re: Bareme Rádio
« Responder #255 em: Março 25, 2018, 10:12:03 pm »
Os jovens ouvem rádio, claro que ouvem!!!!

Basta estar atento aos passatempos dessas rádios, com centenas de participações.

Ou será que os responsáveis da R/com ou MC Rádios, andam a gastar dinheiro com estas rádios (e no caso da Mega, sei que o grupo Renascença gasta bastante) à toa, ou porque fica bem ter uma rádio jovem?

Ou porque será que várias marcas investem nestas rádios?

Por exemplo tenho um filha de 16 anos,  que ouve rádio, no caso a Cidade, quando estuda, no computador, ou quando vai é vem da escola. Quando sou eu que a transporta, sempre me pede para mudar para a Cidade. Sabe o nome dos locutores e ouve também os podcasts.

Agora, ouve tanta radio como eu? Claramente Não. Ou ouve tanta radio como eu ouvia na idade dela? Claramente Não.

Mas nesse tempo, tinha uma televisão com dois canais, que eu pouco via e os jovens da altura também, a rádio, principalmente o emergente FM eram ouvidos freneticamente. Eram outros tempos, sem grandes alternativas, ao contrário de hoje.

Ouvem durante pouco tempo, nem sempre todos os dias, mas ouvem....
« Última modificação: Março 25, 2018, 10:13:41 pm por R4 »

Rádio Europa Livre

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Re: Bareme Rádio
« Responder #256 em: Março 26, 2018, 12:49:15 am »
Uma andorinha não faz a primavera. Por cada rapariga ou rapaz de 16 que meta rádio terrestre em fundo para estudar, muitos mais disparam o Spotify ou o YouTube em reprodução automática.

Julio Carvalho

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Re: Bareme Rádio
« Responder #257 em: Março 26, 2018, 12:17:53 pm »
Caro ou cara REL

Para si, 5,3 de audiencia( 2,7 da Cidade, mais 2,6 da Mega), não é nada? Ou será que é a população idosa que dá audiência a essas rádios?

Claro que a minha miúda também ouve música através do YouTube ou Spotify, provavelmente mais do que da rádio, mas não deixa de a ouvir e gostar( por exemplo, só sintoniza a Cidade).

Rádio Europa Livre

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Re: Bareme Rádio
« Responder #258 em: Março 26, 2018, 02:21:16 pm »
Desses 5,3 de audiência, apostaria que mais de metade dela são universitários (relativamente poucos) e pessoal já perto dos 30 ou que está nos 30 e poucos (a maioria, diria eu). Não é por acaso que as festas da Cidade ou da Mega já não incluam liceus e já só contemplem instituições de ensino superior. Os fatores disto são óbvios e não vou estar a enumerá-los, até porque estou sem grande disponibilidade neste momento.

Julio Carvalho

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Re: Bareme Rádio
« Responder #259 em: Março 26, 2018, 02:57:19 pm »
Está enganado(a), por exemplo, agora as duas rádios vão fazer emissões especiais das viagens de finalistas do secundário ao Sul de Espanha. Para além disso vão com frequência em reportagem a essas escolas, por exemplo a oferecer bilhetes para festivais de Verão.

Mas enfim, se quiser continuar na sua, força...

Rádio Europa Livre

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Re: Bareme Rádio
« Responder #260 em: Março 26, 2018, 03:31:08 pm »
Viagens de finalistas = pessoal à beira da universidade ou, em alternativa, da idade adulta. Alguns deles, provavelmente, já com carta de condução, seja porque nasceram nos primeiros meses do ano ou por terem chumbado um ano ou dois anteriormente.
Pois continuo na minha. Como já disse, uma andorinha não faz a primavera.

ToLv

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Re: Bareme Rádio
« Responder #261 em: Março 26, 2018, 04:52:43 pm »
Considero que tanto REL como R4 têm a sua razão, mas acho que REL se aproxima mais da realidade. Isto porque é, de facto, visível a presença destas marcas junto de público mais velho (veja-se as festas académicas, por exemplo -- como os Swag On, os Lusts, etc.). E, acrescento mais: a (eventual) presença em público mais jovem / do secundário é feito pela Mega. Não vejo presença nenhuma da Cidade junto destes públicos.

joao_s

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Re: Bareme Rádio
« Responder #262 em: Março 26, 2018, 11:44:51 pm »
Uma andorinha não faz a primavera. Por cada rapariga ou rapaz de 16 que meta rádio terrestre em fundo para estudar, muitos mais disparam o Spotify ou o YouTube em reprodução automática.
Tendo a concordar consigo, embora seja cético relativamente a generalizações. Uma parte significativa de jovens (idades < 18 anos) utiliza os serviços de streaming online ou, tal como faziam as gerações mais velhas com os walkmans, os dipositivos móveis para reprodução de música. Trata-se da geração do imediato, tudo está à distância de um clique, embora os cliques vão quase todos parar aos mesmos sites, a forma de filtrar o essencial do acessório é discutível, e o que tende a acontecer é que consomem o mesmo tipo de música, ou seja não saem daquele registo. A rádio não se diferencia deste hábito, dado que oferece o mesmo tipo de música, de forma repetitiva, como se fosse uma lista de reprodução. Entre os serviços de streaming e rádio formatada, sempre igual, optam pela primeira hipótese.

Ao perguntar quais são as suas bandas preferidas, as respostas são surpreendentes na maioria dos casos: as mesmas da minha geração. Assim, uma parte também significativa de jovens revela interesse por bandas da geração dos pais e dos avós, pelo que também são público-alvo de rádios elaboradas para gerações mais velhas, mas também elas formatadas e iguais. O que desapareceu da rádio portuguesa, transversal a todas gerações, são os programas que colocam o ouvinte perante a descoberta de algo de novo, de uma tendência, da vanguarda, de géneros musicais, de ambientes musicais mais ou menos experimentalistas ou instrumentais, do que se faz versus do que se fazia,  ie, programas que educam o ouvido do público. Isso acabou, antes chama-se programas de autor.

Por exemplo, num grupo de rádios como a BBC não aconteceria o que a RTP fez com Luís Filipe Barros ou Júlio Isidro (para não mencionar outros nomes), dispensando-os. Os radialistas em questão fariam parte de uma estação de rádio com características de Entretenimento & Cultura (não uma Antena 1) e seriam elevados a nomes sonantes da estação, não tenho a mínima dúvida sobre isso. A inércia que impera na RTP é confrangedora, não mobiliza ninguém, trata-se de um barco à deriva que anda por aí. O serviço público é o maior problema da rádio portuguesa, do ponto de vista dos ouvintes, evidentemente.

Rádio Europa Livre

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Re: Bareme Rádio
« Responder #263 em: Março 27, 2018, 12:25:52 am »
Pode haver jovens que refiram bandas de gerações anteriores como sendo as suas preferidas - ou melhor, certamente que há, pois eu já conheci uns quantos que adoram Queen e Pink Floyd como se fossem coisa de agora. Ainda assim, muitos mais preferem o Kendrick Lamar, o Drake, o DJ Khaled, o Richie Campbell, o Marshmello ou o Diplo.
Ainda assim, isso só surpreende quem não se tenha apercebido que, para além das fronteiras geográficas, a Internet também veio abater uma coisa chamada temporalidade. Hoje em dia, descobrir qualquer pérola do passado está literalmente à distância de uns cliques. Já nem sequer se pode dizer que haja discos verdadeiramente perdidos, pois (quase) tudo, mais cedo ou mais tarde, se não tiver a devida licença para ser ouvido no Spotify, irá certamente parar ao YouTube. É só pesquisar e ver como é que coisas como bandas sonoras de filmes de terror de culto dos anos 80 ou eletrónica etérea japonesa da mesma década chegaram a novas gerações e acabaram por ter reedições em vinil.

joao_s

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Re: Bareme Rádio
« Responder #264 em: Março 27, 2018, 12:48:09 am »
Repito que tendo a concordar com as suas observações, também constato o mesmo tipo de fenómeno, mas em parte, não como um todo. Caríssimo, “Radio Europa Livre” para descobrirem algo novo, alguém tem de os orientar nesse sentido, senão correm o risco de considerar que o lixo cibernético tem interesse ou são encarados como meros objetos de consumo, sem orientação é difícil chegarem à qualidade e saberem filtrar o trigo do joio. A rádio pode desempenhar esse papel, como fez nas gerações anteriores. Mas não esta rádio que temos, dado que tende a alimentar toda esta engrenagem até a absoluta irrelevância, percecionada pelos próprios jovens, que cada vez menos aderem às estações feitas para eles, imaturas/infantis q.b.

Repito ainda, a RTP-Rádios não faz o serviço público que devia. Ponto.

radiokilledtheMTVstar

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Re: Bareme Rádio
« Responder #265 em: Março 27, 2018, 01:14:25 pm »
Uma debate muito interessante. Assim este fórum vale a pena  :)
Também penso que tanto o R4 como o REL têm a sua razão, embora pense que o REL generalize muito. Estando eu dentro da faixa 20-25 vejo que a opinião dos jovens quanto à rádio não é muito diferente das gerações dos 30 ou 40 por exemplo, os principais problemas são a falta de identificação com os formatos das estações, o excesso de publicidade e principalmente as playlists repetitivas. O problema é que o desencantamento pode ser muito pior do que essas gerações uma vez que crescemos com uma rádio completamente amorfa e que despejava música e publicidade na maior parte dos casos nos anos 90 e 00... Para muita mas muita gente, rádio continua apenas a significar música repetida, tempo, notícias e trânsito.
E sim os podcasts estão em força, mas acho muito difícil passarmos a consumir apenas rádio on demand, com as informações em direto que a rádio nos dá. Não se pode comparar facilmente com o caso da TV.

As rádios jovens acordaram tarde, se ainda quisessem ter a relevância que tinham deviam ter-se antecipado ao boom do Spotify (Youtube e mp3 já andam por cá há muito tempo). É simples, estas nunca podem a variedade musical que a net proporciona por isso têm de se ligar à vida dos ouvintes (coisa que durante anos não fizeram minimamente).
No meu caso pela primeira vez sou capaz de ouvir a Mega ou a Cidade com atenção, mesmo gostando muito pouco das playlists, porque dizem alguma coisa que faz realmente sentido para mim. Não acho que as rádios jovens estejam infantis pelo contrário, tirando alguns casos (Sena e Yolanda Tati na Cidade).
Outra coisa, se repararem neste momento o top-40 é dominado por artistas jovens, por isso neste momento não há uma diferenciação para um pop mais adulto e assim acontece esta mistura entre as playlists da RFM e Comercial e das rádios jovens. Ed Sheeran, Taylor Swift, etc estão todos na casa dos 20. (e assim também temos muitos jovens a ouvir apenas RFM/Comercial, até por terem uma playlist mais variada).

O joao_s tocou num ponto muito importante, o Spotify estando virado para as grandes editoras e grandes mercados nunca se irá preocupar muito com um mercado tão pequeno quanto o nosso e aí a rádio (uma vez que a TV portuguesa é o degredo que sabemos) desempenha um papel fundamental para a nossa música. Por isso é que eu ando sempre a falar, mesmo que me caiam em cima, de como é importante uma Antena 3 o mais abrangente possível e não a de hoje.

Quanto ao segundo ponto do REL: vejo que só referiu bandas rock e intemporais. O rock está a passar uma má fase em todo o mundo e claro que muitos de nós temos de ir atrás no tempo vamos descobrindo grandes referências do passado, mas não quer dizer que achemos que a música de hoje seja toda má, mas sim que pela primeira vez temos a hipótese de ouvir a qualquer hora uma qualquer música de um qualquer tempo e isso é fantástico.
Mas como já disse, o rock pode ressurgir a qualquer momento, são ciclos do mercado. Neste momento é o hip-hop sem dúvida que está por cima, mas também já foi o pop, a EDM...

estvmkt

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Re: Bareme Rádio
« Responder #266 em: Março 27, 2018, 02:44:45 pm »
Eu noto que a maioria dos bares aposta muito em YouTube e tudo que seja conteúdo video,como canais de música ou até mesmo canais temáticos como há na Meo.
Quem pratica desporto por norma ouve música de selecção propria.
Mas há aqui na zona quem aposte em músicas mais antigas. Mas isso é exexcepção.
Rádio de momento só mesmo nos carros.
Interior de edifícios noto pouca adesão.
Quanto aos jovens e YouTube Rádios Jovens e pouco mais.
As 2 maiores rádios noto que cada uma a sua maneira.
A RFM voltou às latinas pois estamos perto do verao e é o que nas festas de aldeia mais se vai ouvir. A Comercial trilha caminho diferente. E é bom isso.
Por mim se voltasse a velhinha rádio rock não ficaria surpreendido... viu se no dia Mundial do Rock. Foi pouco tempo mas era tudo a pedir malhas no face da rádio o que mostra que o público nos 30s/40s adere a esse estilo com muita facilidade.
O problema é muitas bandas rock virarem para o pop como Coldplay,Muse...


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Re: Bareme Rádio
« Responder #267 em: Março 27, 2018, 05:41:23 pm »
o rock pode ressurgir a qualquer momento

"O jazz pode resurgir a qualquer momento"

Anónimo algures, 1974

Julio Carvalho

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Re: Bareme Rádio
« Responder #268 em: Março 27, 2018, 06:10:51 pm »
O Jazz, na Europa foi sempre música de nichos. Mas concordo que actualmente está quase parado cá pelo território luso. Veremos Salvador S. dá um novo alento a esta música, principalmente junto das gerações mais novas...

No meu tempo, havia espaços nocturnos e um festival alusivo e muitos seguidores...

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Re: Bareme Rádio
« Responder #269 em: Março 27, 2018, 06:31:10 pm »
O Jazz, na Europa foi sempre música de nichos. Mas concordo que actualmente está quase parado cá pelo território luso. Veremos Salvador S. dá um novo alento a esta música, principalmente junto das gerações mais novas...

No meu tempo, havia espaços nocturnos e um festival alusivo e muitos seguidores...
Festivais de jazz ainda os há mais hoje em dia. Também há um tal de "CoolJazz", mas que já pouco tem a ver com o género propriamente dito e isso é assumido pelos próprios promotores - e só fazem é bem, que não andar a enganar ninguém é bonito.
Seja como for, devolvo a pergunta: alguma vez se lembra de um "seu tempo" em que o jazz era o centro ou um dos centros da cultura pop? Pois, bem me parecia. E o rock, nesta altura, é para onde caminha: um género de nicho, principalmente apreciado por públicos mais adultos. E não há mal nenhum nisso - há lugares piores para se estar.
Na realidade, o jazz até está a passar por um momento hipster-friendly: Thundercat, BadBadNotGood, Kamasi Washington, Shabaka Hutchings, Henry Wu, Heliocentrics, etc. E sim, o Salvador Sobral. Mas tudo isto ora são nichos (todos os nomes estrangeiros que citei), ora são fenómenos passageiros (Salvador). Se alguma coisa, o Salvador é uma espécie de Norah Jones à portuguesa em 2017. Quando a Jones explodiu, até houve umas coisas que vieram por arrasto: Jamie Cullum, Katie Melua, Corinne Bailey Rae. Mas, como se pode ver, não houve um impacto duradouro e quem comprava/consumia esta música eram sobretudo adultos de 30 e tais para cima. O Salvador Sobral talvez possa também puxar uns quantos atrás, mas isso nem sequer tem acontecido - a Nadia Schilling tem tido um impacto muito localizado, por exemplo.
Concluindo: a partir daqui, o rock vai ser muito isto, como o jazz. Poderá ter um ou outro flash nos topes a cada eclipse do sol, mas quase de certeza que serão coisas residuais, sem grandes consequências. Mais uma vez, nada de mal nisso. Há é que ter a disponibilidade de aceitar isso.