Permita-me, “pdf” (Pedro), que sinalize a seguinte frase que proferiu:
(...) Cidade, que tem uma história e faz parte do imaginário das pessoas. (...)
para corroborar o que afirma. A Rádio Cidade original foi um sucesso gigantesco, algo absolutamente magnético para captar ouvintes de todas as faixas etárias. Não conheço outro fenómeno radiofónico semelhante. Comecei a ouvir em 1987, talvez ainda com 16, influenciado pelo grupo de amigos da Escola Secundária. Era assunto de conversa nos intervalos. Ainda sem idade para ter carta de condução, íamos a Lisboa, aos grupos, de comboio. Houve quem tenha comprado Walkman’s com rádio de propósito para ouvir a emissora a partir do momento em que o sinal o permitisse. Aqui, em Santarém, a sintonia dos 107.2 Amadora era possível, mas não era fácil, sobretudo devido à forte pressão dos 107.4 PRESS. Apenas um rádio doméstico lá de casa permitia escutar a emissora, um sintonizador digital da Pioneer, adquirido em 1985. A configuração adequada dos fios da antena, possibilitava uma escuta razoável mas sempre com algum ruído de fundo no estéreo. Nos outros recetores, era impossível, não funcionava, ouvia-se a PRESS.
A partir de 1989, ano em que tirei a carta, sempre que ia a conduzir, com carro cheio de malta amiga, até Lisboa, todos queriam ouvir a Cidade. O que acontecia connosco replicava-se por toda a gente, a popularidade desta estação era geral. E porquê? A dinâmica da emissão não tinha precedentes, a seleção musical era única e a par das novidades, a qualidade de som fora de série, os separadores, as misturas de peças de som, os efeitos (canal esquerdo vs canal direito, fade-in vs fade-out, etc.) eram únicos e bastante apelativos, sonoramente falando, a somar, esta emissora dava destaque à música portuguesa e artistas portugueses como nenhuma outra. A Cidade brasileira era popular inclusive em locais onde não havia emissor, portanto sem sinal. Isto aconteceu antes de existir o serviço WWW, streaming e Internet para os cidadãos.
Quando a Cidade chega ao Porto, também em 107.2, o sucesso foi igualmente massivo. Toda a gente ouvia, segundo diziam os colegas do Porto que estudavam em Aveiro. O fenómeno de popularidade era idêntico ao que se verificava em Lisboa.
O fenómeno de popularidade repete-se quando a Cidade começa a emitir para Coimbra a partir dos 99.7, no entanto já não tinha a mesma força de outrora. Desde pessoas a lavar os carros ao fim-de-semana com o rádio no máximo, esplanadas, cafés, etc. via-se que era uma rádio com uma popularidade invulgar. Inclusive, tive conhecimento, que executivos camarários e staff ouviam esta estação quando se deslocavam para reuniões.
Portanto, de facto, foi uma estação com uma popularidade e adesão únicos e sem precedentes. A rapidez com que foi conquistado público de todas as idades, também foi algo de ímpar. E isto sem uma rede de emissores… caso único e, quiçá, irrepetível.