Verdade se diga que a culpa desses valores elevados é dos próprios envolvidos, que especulam com base no que foi concessionado pelo Estado como acontece nos alvarás de táxis. Ninguém diz em momento algum que a estação vale 600 mil euros, nem ninguém pode dizer que qualquer estação vale 600 mil. O único ponto de partida e de referência tecnicamente corretos, não criados pelo próprio comprador, são os valores estabelecidos pelo Estado para concessão do alvará, para criação de projetos e os do mercado europeu (europeu, note-se) para instalação e manutenção de emissores, e o valor referencial em qualquer negócio e qualquer venda, com um multiplicador do lucro gerado que, como sabemos, na rádio não é assim tanto.
A culpa é de quem aqueceu o mercado com sucessivas compras (entenda-se, os grandes grupos), em proveito e desvantagem próprias; e também têm culpa os intermediários, que são quase inúteis e empolam o mercado, comprando para revender e fazendo alguns ajustes básicos nos emissores.
Se calha um dia o meio rádio passar para DAB e perderem todos os direitos tendo que ir novamente a concurso, são perdas no mercado radiofónico que ascendem a provavelmente mais de 10 milhões de euros para a MCR e uns 3 ou 4 para o grupo R/com, porque não podem vender o que não é deles, é uma concessão só, e apenas poderão vender equipamentos - mas parte deles não sendo usados, caem para valores muito mais baixos. É também muito por isto que não estão interessados em mudar para DAB+ - têm medo de todo o trabalho ir para o zero.
É tão simples como aparecer uma nova tecnologia tipo 5G para as frequências em banda FM e o Estado encaixar mais dinheiro acabando com o analógico como fez com a TDT. Estão todos cheios de medo do futuro. Perde a sociedade e perde o paÃs.
Como o DAB é uma realidade paralela, terei de falar da realidade actual em Portugal.
E se essa realidade, aqui pelo forum, se traduz quase todo os dias com promoções em defesa da aquisição de emissores locais de rádio por parte das mesmas rádios de sempre que aqui se fala ( Cidade/Mega/M80/Vodafone/Smooth/SBSR/Meo) significa isto que aqui pelo forum não existem pessoas que gostem de rádio. O que por aqui vejo são pessoas que promovem algumas rádios, motivo não sei qual, de forma a que estas rádios deixem de ser rádios locais da capital para se transformarem em pseudo rádios nacionais, á custa da morte das rádios locais. Isto não é gostar de rádios. Gostava de ver a declaração de interesses de muitos que aqui comentam no que a estas rádios do sistema dizem respeito.
Zeca,
Eu não digo que não tenha razão ao defender as locais, embora, muito honestamente, para as ver ganhar escala e músculo para apresentarem programas capazes de se baterem com as nacionais, fosse mais adepto do modelo regional: AML, AMP, Norte, Centro, Alentejo e Algarve.
Por outro lado, a sua defesa do emprego local é uma batalha que admiro e que é merecida.
Posto isto, também não sou insensÃvel à ambição de crescimento de qualquer empresa/estação, seja ela do Porto, Lisboa ou do Alentejo. E com a Lei da Rádio que temos, não resta alternativa que não seja a de ir canibalizando emissores locais. Sejamos sinceros, com uma rede nacional atribuÃda a 50% ao Estado, fica difÃcil fazer de outro modo. Admito que pudesse existir espaço no espectro para mais 2 a 3 emissoras com uma rede nacional, ou que, pelo menos emitissem para as duas áreas metropolitanas, mais Coimbra e Braga, que têm dinâmicas muito similares na sua diferença. Logicamente, defendendo a criação de emprego local, que não precisa, necessariamente de se traduzir em emissões locais, mas em emissões nos locais de origem do emissor para todo o território abrangido: fazendo, pe, manhãs no Porto, tardes em Coimbra, noites em Lisboa. Ou com os elementos do painel dispersos nas diversas geografias.
Finalmente, há produtos que, não fossem as "locais" nacionais, não terÃamos de todo no espectro fora de Lisboa, porque as locais que existem têm quase todas uma mesma linha de programação. Aqui a Norte, com exceção da NovaEra e da rádio Nova, as demais que existem servem o mesmo tipo de público alvo. Falta-lhes músculo financeiro para apostar em outros voos, daà que fosse tão importante a passagem para uma escala mais regional e menos municipal.
Declaração de Interesses: não trabalho em rádio, sou jovem, economista, nada me move a não ser a minha curiosidade e algum enamoramento pelo meio.
Abraço