Uma debate muito interessante. Assim este fórum vale a pena

Também penso que tanto o R4 como o REL têm a sua razão, embora pense que o REL generalize muito. Estando eu dentro da faixa 20-25 vejo que a opinião dos jovens quanto à rádio não é muito diferente das gerações dos 30 ou 40 por exemplo, os principais problemas são a falta de identificação com os formatos das estações, o excesso de publicidade e principalmente as playlists repetitivas. O problema é que o desencantamento pode ser muito pior do que essas gerações uma vez que crescemos com uma rádio completamente amorfa e que despejava música e publicidade na maior parte dos casos nos anos 90 e 00... Para muita mas muita gente, rádio continua apenas a significar música repetida, tempo, notÃcias e trânsito.
E sim os podcasts estão em força, mas acho muito difÃcil passarmos a consumir apenas rádio on demand, com as informações em direto que a rádio nos dá. Não se pode comparar facilmente com o caso da TV.
As rádios jovens acordaram tarde, se ainda quisessem ter a relevância que tinham deviam ter-se antecipado ao boom do Spotify (Youtube e mp3 já andam por cá há muito tempo). É simples, estas nunca podem a variedade musical que a net proporciona por isso têm de se ligar à vida dos ouvintes (coisa que durante anos não fizeram minimamente).
No meu caso pela primeira vez sou capaz de ouvir a Mega ou a Cidade com atenção, mesmo gostando muito pouco das playlists, porque dizem alguma coisa que faz realmente sentido para mim. Não acho que as rádios jovens estejam infantis pelo contrário, tirando alguns casos (Sena e Yolanda Tati na Cidade).
Outra coisa, se repararem neste momento o top-40 é dominado por artistas jovens, por isso neste momento não há uma diferenciação para um pop mais adulto e assim acontece esta mistura entre as playlists da RFM e Comercial e das rádios jovens. Ed Sheeran, Taylor Swift, etc estão todos na casa dos 20. (e assim também temos muitos jovens a ouvir apenas RFM/Comercial, até por terem uma playlist mais variada).
O joao_s tocou num ponto muito importante, o Spotify estando virado para as grandes editoras e grandes mercados nunca se irá preocupar muito com um mercado tão pequeno quanto o nosso e aà a rádio (uma vez que a TV portuguesa é o degredo que sabemos) desempenha um papel fundamental para a nossa música. Por isso é que eu ando sempre a falar, mesmo que me caiam em cima, de como é importante uma Antena 3 o mais abrangente possÃvel e não a de hoje.
Quanto ao segundo ponto do REL: vejo que só referiu bandas rock e intemporais. O rock está a passar uma má fase em todo o mundo e claro que muitos de nós temos de ir atrás no tempo vamos descobrindo grandes referências do passado, mas não quer dizer que achemos que a música de hoje seja toda má, mas sim que pela primeira vez temos a hipótese de ouvir a qualquer hora uma qualquer música de um qualquer tempo e isso é fantástico.
Mas como já disse, o rock pode ressurgir a qualquer momento, são ciclos do mercado. Neste momento é o hip-hop sem dúvida que está por cima, mas também já foi o pop, a EDM...