A Antena 2 não tem de se preocupar com as audiências. Isso é para as rádios privadas como a Comercial ou a RFM. A Antena 2 é uma rádio pública.
Cá está o grande chavão que justifica tudo.
Fialho, amigo...vá estudar...
Veja o que é feito por essa Europa fora nos serviços públicos...
BBC
RADIO FRANCE
Serviço público belga, suÃço, dinamarquês, entre outros.
A sua ignorância é de tal forma atrevida que vomita aqui um chavão completamente estafado.
Do que tenho lido, ouvido e visto tenho de expressar total concordância com o participante “Atentoâ€. São factos o que refere.
A ‘BBC’, como todos sabemos, é muito estimada pelo povo britânico, está presente no quotidiano dos cidadãos, promove a coesão nacional, e é um porta-estandarte do paÃs para o mundo. Sim, é a imagem do paÃs para o mundo. A importância da ‘BBC’ é vital para o Reino Unido e tem uma fortÃssima adesão de toda a população, quase como se fosse da ‘famÃlia’.
Na Alemanha também os serviços públicos de radiodifusão têm muita adesão, mas seguem uma lógica diferente dos restantes paÃses europeus. A Alemanha é uma República Federal de regiões (um modelo que faz lembrar os Estados Unidos) e são as estações regionais públicas que têm uma fortÃssima fidelização do público, mesmo superior à s estações nacionais (quer públicas, quer privadas). Talvez o participante
Rui Cleto possa esclarecer se é assim, uma vez que conhece a realidade concreta.
Por exemplo, se analisarmos o meio televisivo da Alemanha, a estação nacional ‘ARD1’ resulta da colaboração e sinergias de todas as estações regionais, que em conjunto produzem um canal para todo o paÃs. Já o operador público ‘ZDF’ foi criado de raiz como operador nacional e tem, também, as importantes finalidades de criar sinergias com os operadores públicos dos paÃses vizinhos (coproduções, etc.) e de exportar a cultura alemã para o mundo (um pouco à semelhança da ‘BBC’).
No meio da radiodifusão, o mercado está com um dinamismo brutal. Há rádios para todos os gostos e feitios.
Vejam aqui a gigantesca oferta de estações de rádio na Alemanha em DAB+ (em outubro de 2020 foi lançado um segundo multiplexador nacional em DAB+ para mais 16 estações de rádio privadas).
Termino, com o seguinte acontecimento que decorreu em França na década de 70.
Na década de 60, o governo francês propôs-se a fazer que canais de televisão e de rádio produzidos pelo operador público ‘RTF’ (Radiodiffusion-Télévision Française) figurassem entre os melhores do mundo (seguramente, também com o intuito de exportar a cultura e hábitos franceses). Construiu um edifÃcio moderno, gigantesco, em forma circular no centro de Paris, próximo da Torre Eiffel, equipado com a mais recente tecnologia e composto com um número grande de estúdios, alguns com áreas assinaláveis (hoje, convertidos em salas de espetáculos de Paris).
Todos nos recordamos que na década de 70 a cultura francesa estava bem presente quer na rádio, quer na televisão, em Portugal (e, provavelmente, em muitos outros paÃses).
Na década de 70, o governo de então, comete aquilo que os analistas franceses designam como um grande e irreversÃvel erro, o maior no panorama audiovisual do paÃs. Acabaram com a marca ‘RTF’ e privatizaram o primeiro canal da televisão pública francesa, que passou a chamar-se ‘TF1’, mantendo os restantes dois canais de TV na esfera pública, assim como canais de rádio. Resultado: na década de 80 a projeção da cultura francesa pelo mundo (ocidental, pelo menos) praticamente desapareceu, deixou-se de ouvir música francesa nas rádios, por exemplo, e a dinâmica cultural interna baixou significativamente. Deram um tiro no pé.
Concluindo, o que fazem os serviços públicos por essa Europa fora?
Fidelizam e captam público, criam dinâmicas culturais, sociais internas, exportam a cultura e hábitos do paÃs (a imagem do paÃs), filtram e trazem para o público nacional o que de melhor se faz no mundo ocidental, inovam, definem patamares de qualidade que são referência, criam identidade e ligação dos cidadãos com o seu paÃs. Nenhum operador privado que dá primazia ao lucro se preocupa com estes objetivos, pelo menos desta forma.