Autor Tópico: RTP Antena 2  (Lida 203032 vezes)

Hélder Fialho

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Re: RTP Antena 2
« Responder #120 em: Agosto 20, 2021, 05:33:39 am »

Bom, uma boa rádio não passa só o que nós gostamos. Por exemplo, acho a M80 um produto bom (podia ser ainda melhor, mas já lhe dou uma nota muito positiva) e no entanto não gosto de toda a música que por lá passa, nomeadamente algum rock de que não sou muito fã. Mas procuro ouvir um pouco de tudo, até por cultura geral.


Não se podendo generalizar, diria que uma pessoa com mais estudos tem um perfil mais indicado para apreciar a Antena 2 e, por exemplo, achar uma Festival uma aberração. Ambos sabemos que os públicos estão bem segmentados, falar nisso no Estado é que faz muita comichão pela matriz ideológica bem definida que existe no nosso país.

O que sai das colunas é bom, nisso concordamos. Aliás, ontem foram aqui postados dois links de programas excelentes. Agora, pode e deve-se inovar, nomeadamente para chamar outro tipo de públicos. Note-se, inovar não é passar Mozart e de seguida Boss AC. Nada disso...mas abrir flanco a novos géneros que atraiam público e que venha a ficar, conseguindo com isso, divulgar mais clássica.

Quando refere que não gosto do que é público: bom isso é uma mentira absoluta, nem sei de onde pode depreender isso das minhas palavras. Só para lhe dar um exemplo, um dos meus maiores envolvimentos ao nível da participação cívica, foi, justamente, contra o governo que apoiava, da minha cor, na luta pela manutenção na esfera pública da STCP e do Metro do Porto. Até assinaturas recolhi, conjuntamente com elementos do PCP. Eu penso por minha cabeça, não defendo Y porque o partido que apoio o defende. Mais importante, para mim, o que importa verdadeiramente, em cada caso, é quem presta melhor o serviço. Daí que até possa defender uma concessão da 2, por um período de tempo limitado, para o caso de correr mal, mas a propriedade seria sempre pública.
Para mim, neste momento, urge libertar a RDP das mãos de quem por ignorância está a destruir todo um património de serviço público. E entrar onde o privado não o faz bem. Falta, por exemplo, na RDP olhar para os séniores, para o desporto e mesmo para os jovens.

Já agora, eu gosto da Antena 2. Lá por dizer que não é uma rádio de consumo diário, não significa que não existam exceções. E que ela é importante. Já agora, porque não SOul ou r'n'b na 2? Não falamos de Pop ou Rock. O género tem o mesmo flow que a Clássica, mais até do que a eletrónica ambiental. É esse cristalizar a que me referia.

Programas de autor, sou totalmente favorável. A entrada de outros géneros, a meu ver, justamente iria reforçar a imortância desses mesmos programas e em horários de maior destaque. Aliás, escrevo aqui para que fique claro: é a grande falha das rádios comerciais essa ausência em antena.

Como vê, lá por termos ideias diferentes, não significa que não estejamos ambos interessados no mesmo: a qualidade e atratividade do serviço público de rádio.


Pois não. Nas rádios portuguesas que gosto, há sempre uma coisa que não me agrada. Por exemplo, na Oxigénio não gosto quando eles passam Hip-Hop.

Exactamente. É isso que tenho estado a explicar à pessoa com o nick Atento para perceber porque é que é extremamente difícil atrair outro tipo de público para ouvir a Antena 2.

Introduzir novos géneros seria desvirtuar a matriz e a identidade da rádio, que assenta na música erudita. Para mim, a Antena 2 deve continuar a dar lugar, como faz, a géneros aos quais não lhes é dado espaço nas rádios privadas, por serem mais complexos e de cuja duração ser superior a 3, 4 minutos, como no Fuga da Arte ou no Olhar a Lua. Há um outro também onde passa musique concrète mas não me recordo do nome. Pode-se discutir se as horas a que passam serão as melhores ou não mas eles existem. Pessoalmente, até acho que o Rosa dos Ventos da Antena 1 faria mais sentido na Antena 2 do que na Antena 1. Para mim, a Antena 2 está boa como está. Para atrair mais público, teria necessariamente de baixar um pouco o nível e, com isso, perder alguma qualidade. O equilíbrio entre as duas coisas não é fácil. Por exemplo, eu oiço tanto a Radio 3 da BBC como a Classic FM mas não sei se gostaria de um cenário em que a Antena 2 adoptasse o modelo da Classic FM. Por um lado porque a Antena 2 é a única rádio do País que passa música clássica. Não temos outra. O Reino Unido tem duas. Se nós tivéssemos duas e a segunda rádio também tivesse o mesmo modelo da Antena 2, aí eu possivelmente defenderia que ela adoptasse o modelo da Classic FM, mas nós só temos a Antena 2... eu sou novo no fórum mas já me apercebi que há muitas pessoas que estão sempre a deitar abaixo, a criticar negativamente tudo, nada está bem para elas... as rádios não podem ser discos pedidos. Nem sempre se pode ter tudo o que se quer. O que eu quero dizer, no fundo, é isto: sejam mais gratos por aquilo que temos (neste caso, a Antena 2) porque um dia (esperemos que não) isso pode acabar... e depois se acabarem com a Antena 2 vão se calhar dizer bem dela, porque o ser humano só sente falta das coisas quando não as tem. Quando as tem, não valoriza. Eu não queria falar de política mas não me esqueço que o anterior Primeiro-Ministro a dada altura quis privatizar a Antena 2 ou fazer uma concessão da Antena 2 a um grupo de media angolano, só para poupar dinheiro. Felizmente houve uma grande mobilização da população, sobretudo nas redes sociais, e a ideia não passou da intenção, mas pode voltar.
Mas voltando à Classic FM. Desde o início que a Classic FM rejeitou replicar o mesmo modelo da BBC Radio 3, até no estilo de locução e apresentação, e tem uma abordagem diferente, mais dinâmica, mais próxima do tipo de rádio que se faz nos Estados Unidos. Têm uma playlist computorizada, como qualquer rádio pop, e eles focam-se muito nas peças de música clássica que toda a gente conhece e nas árias de Ópera mais conhecidas. Por exemplo, nas últimas horas, segundo o site, passaram a Ave Maria de Schubert, o Also Sprach Zarathustra... é quase um concerto do André Rieu. Um Best Of de música clássica, os êxitos. Para quem não gosta de música clássica é óptimo, claro, porque permite uma introdução à música clássica através precisamente de peças mais curtas. Mas isto é só uma ínfima parte da música clássica... ao longo dos anos têm feito uma série de iniciativas, muita interacção com os ouvintes, fazem Tops de música clássica com contagens decrescentes em emissão com as peças de música clássica mais votadas pelos ouvintes. Organizam grandes festivais, como a Rádio Sim fazia também. É uma abordagem mais leve. Talvez um bocadinho leve demais. Isso nota-se logo passando os olhos pelo site da rádio. Passam também muito do chamado classical crossover (Vanessa Mae, Hayley Westenra, Josh Brolin... música clássica com uma abordagem mais pop), música de bandas-sonoras de filmes e música de jogos de vídeo.  Tudo isto traz público, claro. Não sei se a Classic FM tem mais audiência do que a BBC Radio 3 mas há dois anos estava com uma audiência semanal de 5 milhões e meio de pessoas. Aqui há que ter em conta o facto de que a população do Reino Unido é muito superior à nossa e a Classic FM é ouvida não só em Inglaterra. E as notíciazinhas no site de violinistas a tocarem a música do Psycho escondidos, o violoncelista que tocou um concerto privado... a abordagem à rede social do género "veja a audição extraordinária do grupo X que surpreendeu o júri". Será que é este o caminho? Tenho as minhas dúvidas. https://www.classicfm.com/


Interpretei mal as suas palavras. Fui reler e tem toda a razão. Foi uma conclusão precipitada da minha parte. Peço desculpa.

Atento

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Re: RTP Antena 2
« Responder #121 em: Agosto 20, 2021, 10:49:57 am »

Bom, uma boa rádio não passa só o que nós gostamos. Por exemplo, acho a M80 um produto bom (podia ser ainda melhor, mas já lhe dou uma nota muito positiva) e no entanto não gosto de toda a música que por lá passa, nomeadamente algum rock de que não sou muito fã. Mas procuro ouvir um pouco de tudo, até por cultura geral.


Não se podendo generalizar, diria que uma pessoa com mais estudos tem um perfil mais indicado para apreciar a Antena 2 e, por exemplo, achar uma Festival uma aberração. Ambos sabemos que os públicos estão bem segmentados, falar nisso no Estado é que faz muita comichão pela matriz ideológica bem definida que existe no nosso país.

O que sai das colunas é bom, nisso concordamos. Aliás, ontem foram aqui postados dois links de programas excelentes. Agora, pode e deve-se inovar, nomeadamente para chamar outro tipo de públicos. Note-se, inovar não é passar Mozart e de seguida Boss AC. Nada disso...mas abrir flanco a novos géneros que atraiam público e que venha a ficar, conseguindo com isso, divulgar mais clássica.

Quando refere que não gosto do que é público: bom isso é uma mentira absoluta, nem sei de onde pode depreender isso das minhas palavras. Só para lhe dar um exemplo, um dos meus maiores envolvimentos ao nível da participação cívica, foi, justamente, contra o governo que apoiava, da minha cor, na luta pela manutenção na esfera pública da STCP e do Metro do Porto. Até assinaturas recolhi, conjuntamente com elementos do PCP. Eu penso por minha cabeça, não defendo Y porque o partido que apoio o defende. Mais importante, para mim, o que importa verdadeiramente, em cada caso, é quem presta melhor o serviço. Daí que até possa defender uma concessão da 2, por um período de tempo limitado, para o caso de correr mal, mas a propriedade seria sempre pública.
Para mim, neste momento, urge libertar a RDP das mãos de quem por ignorância está a destruir todo um património de serviço público. E entrar onde o privado não o faz bem. Falta, por exemplo, na RDP olhar para os séniores, para o desporto e mesmo para os jovens.

Já agora, eu gosto da Antena 2. Lá por dizer que não é uma rádio de consumo diário, não significa que não existam exceções. E que ela é importante. Já agora, porque não SOul ou r'n'b na 2? Não falamos de Pop ou Rock. O género tem o mesmo flow que a Clássica, mais até do que a eletrónica ambiental. É esse cristalizar a que me referia.

Programas de autor, sou totalmente favorável. A entrada de outros géneros, a meu ver, justamente iria reforçar a imortância desses mesmos programas e em horários de maior destaque. Aliás, escrevo aqui para que fique claro: é a grande falha das rádios comerciais essa ausência em antena.

Como vê, lá por termos ideias diferentes, não significa que não estejamos ambos interessados no mesmo: a qualidade e atratividade do serviço público de rádio.


Pois não. Nas rádios portuguesas que gosto, há sempre uma coisa que não me agrada. Por exemplo, na Oxigénio não gosto quando eles passam Hip-Hop.

Exactamente. É isso que tenho estado a explicar à pessoa com o nick Atento para perceber porque é que é extremamente difícil atrair outro tipo de público para ouvir a Antena 2.

Introduzir novos géneros seria desvirtuar a matriz e a identidade da rádio, que assenta na música erudita. Para mim, a Antena 2 deve continuar a dar lugar, como faz, a géneros aos quais não lhes é dado espaço nas rádios privadas, por serem mais complexos e de cuja duração ser superior a 3, 4 minutos, como no Fuga da Arte ou no Olhar a Lua. Há um outro também onde passa musique concrète mas não me recordo do nome. Pode-se discutir se as horas a que passam serão as melhores ou não mas eles existem. Pessoalmente, até acho que o Rosa dos Ventos da Antena 1 faria mais sentido na Antena 2 do que na Antena 1. Para mim, a Antena 2 está boa como está. Para atrair mais público, teria necessariamente de baixar um pouco o nível e, com isso, perder alguma qualidade. O equilíbrio entre as duas coisas não é fácil. Por exemplo, eu oiço tanto a Radio 3 da BBC como a Classic FM mas não sei se gostaria de um cenário em que a Antena 2 adoptasse o modelo da Classic FM. Por um lado porque a Antena 2 é a única rádio do País que passa música clássica. Não temos outra. O Reino Unido tem duas. Se nós tivéssemos duas e a segunda rádio também tivesse o mesmo modelo da Antena 2, aí eu possivelmente defenderia que ela adoptasse o modelo da Classic FM, mas nós só temos a Antena 2... eu sou novo no fórum mas já me apercebi que há muitas pessoas que estão sempre a deitar abaixo, a criticar negativamente tudo, nada está bem para elas... as rádios não podem ser discos pedidos. Nem sempre se pode ter tudo o que se quer. O que eu quero dizer, no fundo, é isto: sejam mais gratos por aquilo que temos (neste caso, a Antena 2) porque um dia (esperemos que não) isso pode acabar... e depois se acabarem com a Antena 2 vão se calhar dizer bem dela, porque o ser humano só sente falta das coisas quando não as tem. Quando as tem, não valoriza. Eu não queria falar de política mas não me esqueço que o anterior Primeiro-Ministro a dada altura quis privatizar a Antena 2 ou fazer uma concessão da Antena 2 a um grupo de media angolano, só para poupar dinheiro. Felizmente houve uma grande mobilização da população, sobretudo nas redes sociais, e a ideia não passou da intenção, mas pode voltar.
Mas voltando à Classic FM. Desde o início que a Classic FM rejeitou replicar o mesmo modelo da BBC Radio 3, até no estilo de locução e apresentação, e tem uma abordagem diferente, mais dinâmica, mais próxima do tipo de rádio que se faz nos Estados Unidos. Têm uma playlist computorizada, como qualquer rádio pop, e eles focam-se muito nas peças de música clássica que toda a gente conhece e nas árias de Ópera mais conhecidas. Por exemplo, nas últimas horas, segundo o site, passaram a Ave Maria de Schubert, o Also Sprach Zarathustra... é quase um concerto do André Rieu. Um Best Of de música clássica, os êxitos. Para quem não gosta de música clássica é óptimo, claro, porque permite uma introdução à música clássica através precisamente de peças mais curtas. Mas isto é só uma ínfima parte da música clássica... ao longo dos anos têm feito uma série de iniciativas, muita interacção com os ouvintes, fazem Tops de música clássica com contagens decrescentes em emissão com as peças de música clássica mais votadas pelos ouvintes. Organizam grandes festivais, como a Rádio Sim fazia também. É uma abordagem mais leve. Talvez um bocadinho leve demais. Isso nota-se logo passando os olhos pelo site da rádio. Passam também muito do chamado classical crossover (Vanessa Mae, Hayley Westenra, Josh Brolin... música clássica com uma abordagem mais pop), música de bandas-sonoras de filmes e música de jogos de vídeo.  Tudo isto traz público, claro. Não sei se a Classic FM tem mais audiência do que a BBC Radio 3 mas há dois anos estava com uma audiência semanal de 5 milhões e meio de pessoas. Aqui há que ter em conta o facto de que a população do Reino Unido é muito superior à nossa e a Classic FM é ouvida não só em Inglaterra. E as notíciazinhas no site de violinistas a tocarem a música do Psycho escondidos, o violoncelista que tocou um concerto privado... a abordagem à rede social do género "veja a audição extraordinária do grupo X que surpreendeu o júri". Será que é este o caminho? Tenho as minhas dúvidas. https://www.classicfm.com/


Interpretei mal as suas palavras. Fui reler e tem toda a razão. Foi uma conclusão precipitada da minha parte. Peço desculpa.

A Antena 2 pode fazer mais e melhor sem baixar o nível.

Pode e deve!

pdnf

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Re: RTP Antena 2
« Responder #122 em: Agosto 20, 2021, 11:27:06 am »

Bom, uma boa rádio não passa só o que nós gostamos. Por exemplo, acho a M80 um produto bom (podia ser ainda melhor, mas já lhe dou uma nota muito positiva) e no entanto não gosto de toda a música que por lá passa, nomeadamente algum rock de que não sou muito fã. Mas procuro ouvir um pouco de tudo, até por cultura geral.


Não se podendo generalizar, diria que uma pessoa com mais estudos tem um perfil mais indicado para apreciar a Antena 2 e, por exemplo, achar uma Festival uma aberração. Ambos sabemos que os públicos estão bem segmentados, falar nisso no Estado é que faz muita comichão pela matriz ideológica bem definida que existe no nosso país.

O que sai das colunas é bom, nisso concordamos. Aliás, ontem foram aqui postados dois links de programas excelentes. Agora, pode e deve-se inovar, nomeadamente para chamar outro tipo de públicos. Note-se, inovar não é passar Mozart e de seguida Boss AC. Nada disso...mas abrir flanco a novos géneros que atraiam público e que venha a ficar, conseguindo com isso, divulgar mais clássica.

Quando refere que não gosto do que é público: bom isso é uma mentira absoluta, nem sei de onde pode depreender isso das minhas palavras. Só para lhe dar um exemplo, um dos meus maiores envolvimentos ao nível da participação cívica, foi, justamente, contra o governo que apoiava, da minha cor, na luta pela manutenção na esfera pública da STCP e do Metro do Porto. Até assinaturas recolhi, conjuntamente com elementos do PCP. Eu penso por minha cabeça, não defendo Y porque o partido que apoio o defende. Mais importante, para mim, o que importa verdadeiramente, em cada caso, é quem presta melhor o serviço. Daí que até possa defender uma concessão da 2, por um período de tempo limitado, para o caso de correr mal, mas a propriedade seria sempre pública.
Para mim, neste momento, urge libertar a RDP das mãos de quem por ignorância está a destruir todo um património de serviço público. E entrar onde o privado não o faz bem. Falta, por exemplo, na RDP olhar para os séniores, para o desporto e mesmo para os jovens.

Já agora, eu gosto da Antena 2. Lá por dizer que não é uma rádio de consumo diário, não significa que não existam exceções. E que ela é importante. Já agora, porque não SOul ou r'n'b na 2? Não falamos de Pop ou Rock. O género tem o mesmo flow que a Clássica, mais até do que a eletrónica ambiental. É esse cristalizar a que me referia.

Programas de autor, sou totalmente favorável. A entrada de outros géneros, a meu ver, justamente iria reforçar a imortância desses mesmos programas e em horários de maior destaque. Aliás, escrevo aqui para que fique claro: é a grande falha das rádios comerciais essa ausência em antena.

Como vê, lá por termos ideias diferentes, não significa que não estejamos ambos interessados no mesmo: a qualidade e atratividade do serviço público de rádio.


Pois não. Nas rádios portuguesas que gosto, há sempre uma coisa que não me agrada. Por exemplo, na Oxigénio não gosto quando eles passam Hip-Hop.

Exactamente. É isso que tenho estado a explicar à pessoa com o nick Atento para perceber porque é que é extremamente difícil atrair outro tipo de público para ouvir a Antena 2.

Introduzir novos géneros seria desvirtuar a matriz e a identidade da rádio, que assenta na música erudita. Para mim, a Antena 2 deve continuar a dar lugar, como faz, a géneros aos quais não lhes é dado espaço nas rádios privadas, por serem mais complexos e de cuja duração ser superior a 3, 4 minutos, como no Fuga da Arte ou no Olhar a Lua. Há um outro também onde passa musique concrète mas não me recordo do nome. Pode-se discutir se as horas a que passam serão as melhores ou não mas eles existem. Pessoalmente, até acho que o Rosa dos Ventos da Antena 1 faria mais sentido na Antena 2 do que na Antena 1. Para mim, a Antena 2 está boa como está. Para atrair mais público, teria necessariamente de baixar um pouco o nível e, com isso, perder alguma qualidade. O equilíbrio entre as duas coisas não é fácil. Por exemplo, eu oiço tanto a Radio 3 da BBC como a Classic FM mas não sei se gostaria de um cenário em que a Antena 2 adoptasse o modelo da Classic FM. Por um lado porque a Antena 2 é a única rádio do País que passa música clássica. Não temos outra. O Reino Unido tem duas. Se nós tivéssemos duas e a segunda rádio também tivesse o mesmo modelo da Antena 2, aí eu possivelmente defenderia que ela adoptasse o modelo da Classic FM, mas nós só temos a Antena 2... eu sou novo no fórum mas já me apercebi que há muitas pessoas que estão sempre a deitar abaixo, a criticar negativamente tudo, nada está bem para elas... as rádios não podem ser discos pedidos. Nem sempre se pode ter tudo o que se quer. O que eu quero dizer, no fundo, é isto: sejam mais gratos por aquilo que temos (neste caso, a Antena 2) porque um dia (esperemos que não) isso pode acabar... e depois se acabarem com a Antena 2 vão se calhar dizer bem dela, porque o ser humano só sente falta das coisas quando não as tem. Quando as tem, não valoriza. Eu não queria falar de política mas não me esqueço que o anterior Primeiro-Ministro a dada altura quis privatizar a Antena 2 ou fazer uma concessão da Antena 2 a um grupo de media angolano, só para poupar dinheiro. Felizmente houve uma grande mobilização da população, sobretudo nas redes sociais, e a ideia não passou da intenção, mas pode voltar.
Mas voltando à Classic FM. Desde o início que a Classic FM rejeitou replicar o mesmo modelo da BBC Radio 3, até no estilo de locução e apresentação, e tem uma abordagem diferente, mais dinâmica, mais próxima do tipo de rádio que se faz nos Estados Unidos. Têm uma playlist computorizada, como qualquer rádio pop, e eles focam-se muito nas peças de música clássica que toda a gente conhece e nas árias de Ópera mais conhecidas. Por exemplo, nas últimas horas, segundo o site, passaram a Ave Maria de Schubert, o Also Sprach Zarathustra... é quase um concerto do André Rieu. Um Best Of de música clássica, os êxitos. Para quem não gosta de música clássica é óptimo, claro, porque permite uma introdução à música clássica através precisamente de peças mais curtas. Mas isto é só uma ínfima parte da música clássica... ao longo dos anos têm feito uma série de iniciativas, muita interacção com os ouvintes, fazem Tops de música clássica com contagens decrescentes em emissão com as peças de música clássica mais votadas pelos ouvintes. Organizam grandes festivais, como a Rádio Sim fazia também. É uma abordagem mais leve. Talvez um bocadinho leve demais. Isso nota-se logo passando os olhos pelo site da rádio. Passam também muito do chamado classical crossover (Vanessa Mae, Hayley Westenra, Josh Brolin... música clássica com uma abordagem mais pop), música de bandas-sonoras de filmes e música de jogos de vídeo.  Tudo isto traz público, claro. Não sei se a Classic FM tem mais audiência do que a BBC Radio 3 mas há dois anos estava com uma audiência semanal de 5 milhões e meio de pessoas. Aqui há que ter em conta o facto de que a população do Reino Unido é muito superior à nossa e a Classic FM é ouvida não só em Inglaterra. E as notíciazinhas no site de violinistas a tocarem a música do Psycho escondidos, o violoncelista que tocou um concerto privado... a abordagem à rede social do género "veja a audição extraordinária do grupo X que surpreendeu o júri". Será que é este o caminho? Tenho as minhas dúvidas. https://www.classicfm.com/


Interpretei mal as suas palavras. Fui reler e tem toda a razão. Foi uma conclusão precipitada da minha parte. Peço desculpa.

Não há que pedir desculpas, estamos aqui para trocar ideias e esperar que, quem sabe, alguém as possa ler e pensar nelas.
Baixar o nível não é necessário. Não estamos a falar de tratar os ouvintes por tu ou adoptar um estilo de comunicação à la RFM e que tenha por base uma dependência de redes sociais. Não é isso que está em causa. Todavia, alargar um bocadinho a "playlist" (que não deve ser robotizada, nem nas comerciais o deveria ser) para fora de pé seguro pode trazer dividendos. Sendo, para mim, o principal, permitir que o ouvinte vá, por exemplo, à procura de jazz e acabe a ficar a ouvir duas peças de clássica como as que passam atualmente, entre 2 ou 3 "jazzes". E, com isto vá tomando contacto com a múscia, conhecendo as peças. E não há nada como exprimentar, não resultando, volta-se ao modelo antigo. Um destes dias na RNE Clássica, que chegou graças à propagação, estava a passar Jazz mais comercial. e logo de seguida mais clássica. Pelo que apurei a BBC Radio 3 também já o vai fazendo. A nossa Antena 2 tem procurado seguir esse modelo, mas peca por não misturar. Como se disse, o Jazz parece sempre forçado nesta estação.
Um outro dividendo que poderia ser interessante era atrair alguma publicidade ou naming (prefiro o último), pois, não tenhamos dúvidas de que quando se falar em corte da CAV, quem vão ser os primeiros a sofrer? Serão a A2 e a RTP2 e por inerência os seus espectadores. Havendo uma baixa audiência, arriscamo-nos a ficar sem a única rádio clássica de que dispomos no país. Assim como, acredito que mais dia menos dia, o mesmo se possa passar com a única rádio de jazz, mas por desinvestimento empresarial. Sâo dois géneros musicais, que, claramente, são obrigação do serviço público provir. Se em conjunto com privados? Nada contra, desde que o negócio seja bem feito para o Estado.
« Última modificação: Agosto 20, 2021, 11:29:34 am por pdnf »
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

Atento

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Re: RTP Antena 2
« Responder #123 em: Agosto 20, 2021, 01:44:33 pm »
Outra excelente iniciativa que, infelizmente,  não teve continuidade, ao abordar outras temáticas históricas.

https://www.rtp.pt/play/p5897/grandes-batalhas-da-antiguidade

tuscano

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Re: RTP Antena 2
« Responder #124 em: Agosto 20, 2021, 03:36:23 pm »

Bom, uma boa rádio não passa só o que nós gostamos. Por exemplo, acho a M80 um produto bom (podia ser ainda melhor, mas já lhe dou uma nota muito positiva) e no entanto não gosto de toda a música que por lá passa, nomeadamente algum rock de que não sou muito fã. Mas procuro ouvir um pouco de tudo, até por cultura geral.


Não se podendo generalizar, diria que uma pessoa com mais estudos tem um perfil mais indicado para apreciar a Antena 2 e, por exemplo, achar uma Festival uma aberração. Ambos sabemos que os públicos estão bem segmentados, falar nisso no Estado é que faz muita comichão pela matriz ideológica bem definida que existe no nosso país.

O que sai das colunas é bom, nisso concordamos. Aliás, ontem foram aqui postados dois links de programas excelentes. Agora, pode e deve-se inovar, nomeadamente para chamar outro tipo de públicos. Note-se, inovar não é passar Mozart e de seguida Boss AC. Nada disso...mas abrir flanco a novos géneros que atraiam público e que venha a ficar, conseguindo com isso, divulgar mais clássica.

Quando refere que não gosto do que é público: bom isso é uma mentira absoluta, nem sei de onde pode depreender isso das minhas palavras. Só para lhe dar um exemplo, um dos meus maiores envolvimentos ao nível da participação cívica, foi, justamente, contra o governo que apoiava, da minha cor, na luta pela manutenção na esfera pública da STCP e do Metro do Porto. Até assinaturas recolhi, conjuntamente com elementos do PCP. Eu penso por minha cabeça, não defendo Y porque o partido que apoio o defende. Mais importante, para mim, o que importa verdadeiramente, em cada caso, é quem presta melhor o serviço. Daí que até possa defender uma concessão da 2, por um período de tempo limitado, para o caso de correr mal, mas a propriedade seria sempre pública.
Para mim, neste momento, urge libertar a RDP das mãos de quem por ignorância está a destruir todo um património de serviço público. E entrar onde o privado não o faz bem. Falta, por exemplo, na RDP olhar para os séniores, para o desporto e mesmo para os jovens.

Já agora, eu gosto da Antena 2. Lá por dizer que não é uma rádio de consumo diário, não significa que não existam exceções. E que ela é importante. Já agora, porque não SOul ou r'n'b na 2? Não falamos de Pop ou Rock. O género tem o mesmo flow que a Clássica, mais até do que a eletrónica ambiental. É esse cristalizar a que me referia.

Programas de autor, sou totalmente favorável. A entrada de outros géneros, a meu ver, justamente iria reforçar a imortância desses mesmos programas e em horários de maior destaque. Aliás, escrevo aqui para que fique claro: é a grande falha das rádios comerciais essa ausência em antena.

Como vê, lá por termos ideias diferentes, não significa que não estejamos ambos interessados no mesmo: a qualidade e atratividade do serviço público de rádio.


Pois não. Nas rádios portuguesas que gosto, há sempre uma coisa que não me agrada. Por exemplo, na Oxigénio não gosto quando eles passam Hip-Hop.

Exactamente. É isso que tenho estado a explicar à pessoa com o nick Atento para perceber porque é que é extremamente difícil atrair outro tipo de público para ouvir a Antena 2.

Introduzir novos géneros seria desvirtuar a matriz e a identidade da rádio, que assenta na música erudita. Para mim, a Antena 2 deve continuar a dar lugar, como faz, a géneros aos quais não lhes é dado espaço nas rádios privadas, por serem mais complexos e de cuja duração ser superior a 3, 4 minutos, como no Fuga da Arte ou no Olhar a Lua. Há um outro também onde passa musique concrète mas não me recordo do nome. Pode-se discutir se as horas a que passam serão as melhores ou não mas eles existem. Pessoalmente, até acho que o Rosa dos Ventos da Antena 1 faria mais sentido na Antena 2 do que na Antena 1. Para mim, a Antena 2 está boa como está. Para atrair mais público, teria necessariamente de baixar um pouco o nível e, com isso, perder alguma qualidade. O equilíbrio entre as duas coisas não é fácil. Por exemplo, eu oiço tanto a Radio 3 da BBC como a Classic FM mas não sei se gostaria de um cenário em que a Antena 2 adoptasse o modelo da Classic FM. Por um lado porque a Antena 2 é a única rádio do País que passa música clássica. Não temos outra. O Reino Unido tem duas. Se nós tivéssemos duas e a segunda rádio também tivesse o mesmo modelo da Antena 2, aí eu possivelmente defenderia que ela adoptasse o modelo da Classic FM, mas nós só temos a Antena 2... eu sou novo no fórum mas já me apercebi que há muitas pessoas que estão sempre a deitar abaixo, a criticar negativamente tudo, nada está bem para elas... as rádios não podem ser discos pedidos. Nem sempre se pode ter tudo o que se quer. O que eu quero dizer, no fundo, é isto: sejam mais gratos por aquilo que temos (neste caso, a Antena 2) porque um dia (esperemos que não) isso pode acabar... e depois se acabarem com a Antena 2 vão se calhar dizer bem dela, porque o ser humano só sente falta das coisas quando não as tem. Quando as tem, não valoriza. Eu não queria falar de política mas não me esqueço que o anterior Primeiro-Ministro a dada altura quis privatizar a Antena 2 ou fazer uma concessão da Antena 2 a um grupo de media angolano, só para poupar dinheiro. Felizmente houve uma grande mobilização da população, sobretudo nas redes sociais, e a ideia não passou da intenção, mas pode voltar.
Mas voltando à Classic FM. Desde o início que a Classic FM rejeitou replicar o mesmo modelo da BBC Radio 3, até no estilo de locução e apresentação, e tem uma abordagem diferente, mais dinâmica, mais próxima do tipo de rádio que se faz nos Estados Unidos. Têm uma playlist computorizada, como qualquer rádio pop, e eles focam-se muito nas peças de música clássica que toda a gente conhece e nas árias de Ópera mais conhecidas. Por exemplo, nas últimas horas, segundo o site, passaram a Ave Maria de Schubert, o Also Sprach Zarathustra... é quase um concerto do André Rieu. Um Best Of de música clássica, os êxitos. Para quem não gosta de música clássica é óptimo, claro, porque permite uma introdução à música clássica através precisamente de peças mais curtas. Mas isto é só uma ínfima parte da música clássica... ao longo dos anos têm feito uma série de iniciativas, muita interacção com os ouvintes, fazem Tops de música clássica com contagens decrescentes em emissão com as peças de música clássica mais votadas pelos ouvintes. Organizam grandes festivais, como a Rádio Sim fazia também. É uma abordagem mais leve. Talvez um bocadinho leve demais. Isso nota-se logo passando os olhos pelo site da rádio. Passam também muito do chamado classical crossover (Vanessa Mae, Hayley Westenra, Josh Brolin... música clássica com uma abordagem mais pop), música de bandas-sonoras de filmes e música de jogos de vídeo.  Tudo isto traz público, claro. Não sei se a Classic FM tem mais audiência do que a BBC Radio 3 mas há dois anos estava com uma audiência semanal de 5 milhões e meio de pessoas. Aqui há que ter em conta o facto de que a população do Reino Unido é muito superior à nossa e a Classic FM é ouvida não só em Inglaterra. E as notíciazinhas no site de violinistas a tocarem a música do Psycho escondidos, o violoncelista que tocou um concerto privado... a abordagem à rede social do género "veja a audição extraordinária do grupo X que surpreendeu o júri". Será que é este o caminho? Tenho as minhas dúvidas. https://www.classicfm.com/


Interpretei mal as suas palavras. Fui reler e tem toda a razão. Foi uma conclusão precipitada da minha parte. Peço desculpa.

Não há que pedir desculpas, estamos aqui para trocar ideias e esperar que, quem sabe, alguém as possa ler e pensar nelas.
Baixar o nível não é necessário. Não estamos a falar de tratar os ouvintes por tu ou adoptar um estilo de comunicação à la RFM e que tenha por base uma dependência de redes sociais. Não é isso que está em causa. Todavia, alargar um bocadinho a "playlist" (que não deve ser robotizada, nem nas comerciais o deveria ser) para fora de pé seguro pode trazer dividendos. Sendo, para mim, o principal, permitir que o ouvinte vá, por exemplo, à procura de jazz e acabe a ficar a ouvir duas peças de clássica como as que passam atualmente, entre 2 ou 3 "jazzes". E, com isto vá tomando contacto com a múscia, conhecendo as peças. E não há nada como exprimentar, não resultando, volta-se ao modelo antigo. Um destes dias na RNE Clássica, que chegou graças à propagação, estava a passar Jazz mais comercial. e logo de seguida mais clássica. Pelo que apurei a BBC Radio 3 também já o vai fazendo. A nossa Antena 2 tem procurado seguir esse modelo, mas peca por não misturar. Como se disse, o Jazz parece sempre forçado nesta estação.
Um outro dividendo que poderia ser interessante era atrair alguma publicidade ou naming (prefiro o último), pois, não tenhamos dúvidas de que quando se falar em corte da CAV, quem vão ser os primeiros a sofrer? Serão a A2 e a RTP2 e por inerência os seus espectadores. Havendo uma baixa audiência, arriscamo-nos a ficar sem a única rádio clássica de que dispomos no país. Assim como, acredito que mais dia menos dia, o mesmo se possa passar com a única rádio de jazz, mas por desinvestimento empresarial. Sâo dois géneros musicais, que, claramente, são obrigação do serviço público provir. Se em conjunto com privados? Nada contra, desde que o negócio seja bem feito para o Estado.
A meu ver esse é que é o grande problema da Antena 2, porque é que o Jazz, como uma rara excepção ou outra, só pode ir a partir das 20h, tal não devia ser assim.


joao_s

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Re: RTP Antena 2
« Responder #126 em: Agosto 20, 2021, 10:51:01 pm »
"pdnf", não conheço uma única rádio de Jazz em Portugal. A que estação se refere?

Para quê aguardar pelas propagações esporádicas para ouvir a ‘Rádio Clásica’ do país vizinho (assim como os galegos para ouvir a ‘M80’ a partir da frequência de Montejunto). Clique aqui (escolha o ícone <radio C>).

Não tenho por hábito ouvir música clássica no rádio, mas faço por usufruir deste género musical ao vivo e na televisão. Em matéria televisiva, as estações de serviço público francesas “France.Televisions”, nomeadamente a ‘France.4 | > culturebox < ‘, exibem com regularidade espetáculos de música clássica e, devo dizer, que cumprem muito bem o seu papel. São estabelecidas sinergias com as estações de rádio públicas francesas, tal como a ‘france.musique’, para promoverem espetáculos de música clássica para toda a família. Assim, é frequente ver crianças nos espetáculos, às vezes são as próprias a atuar, ou seja, este género cultural começa a fazer parte do “ADN” desde criança. Uma criança que assista a este tipo de espetáculos com os Pais, vai gostar sempre de música clássica.

O serviço público do Reino Unido talvez seja o mais bem conseguido e conceituado. Quiçá sem a BBC, estaríamos perante um Reino desunido. Eles não querem saber se o conteúdo é comercial ou não, o que importa é que a BBC cumpra o seu papel e funções, tais como, definir modelos de convivência de desenvolvimento social, promover a cultura e modo de vida dos britânicos dentro e fora do país, formar a cultura geral do público, integrar a cultura de outros países ocidentais (nomeadamente, EUA, Austrália, França, etc.) na vida quotidiana dos britânicos, informar, etc.

Em matéria de audiência*, este é o panorama do Reino Unido. As três rádios mais ouvidas são públicas, a quarta é privada e, curiosamente, de música clássica (quem diria…): (ver aqui)

1º) BBC Radio 2 -> Share 16,3% (14,362 milhões de ouvintes) -> generalista com forte presença musical, devidamente selecionada. Pública;
2º) BBC Radio 4 -> Share 11,7% (10,754 milhões de ouvintes) -> Exclusivamente de palavra. Pública;
3º) BBC Radio 1 -> Share 5,6% (8,915 milhões de ouvintes -> Jovem. Pública;
4º) Classic FM -> Share 4,2% (5,484 milhões de ouvintes) -> Erudita. Privada.
…
15º) BBC Radio 3 -> Share 1,3% (1,980 milhões de ouvintes) -> Erudita. Pública.
…
Posição?) Jazz FM -> Share 0,2% (566 mil ouvintes) Privada. Comentário: ninguém ouve (população: cerca de 67 milhões de habitantes).
…
(* dados de março de 2020. Devido à pandemia Covid-19 a divulgação pública de dados foi suspensa por não ser possível realizar o trabalho de campo, isto é, inquéritos presenciais).

Caro “pdnf”, se tivéssemos uma rádio de Jazz em Portugal, acha mesmo que os resultados seriam melhores daqueles observados no Reino Unido?

Repare que está em análise o conjunto de resultados do serviço público de radiodifusão de uma economia de mercado, a segunda da Europa. Aqui não há complexos entre público e privado, nem o serviço público está de “cócoras” perante o privado. O serviço público tem uma missão a cumprir, alguns pressupostos foram enunciados acima, e cumpre. Ponto. É uma questão de soberania nacional. Suponho que relativamente aos canais de televisão, o panorama seja semelhante. Não posso afirmar, porque não tenho acesso aos canais nacionais de TV da BBC.

Hélder Fialho

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Re: RTP Antena 2
« Responder #127 em: Agosto 21, 2021, 04:31:00 am »

Não há que pedir desculpas, estamos aqui para trocar ideias e esperar que, quem sabe, alguém as possa ler e pensar nelas.
Baixar o nível não é necessário. Não estamos a falar de tratar os ouvintes por tu ou adoptar um estilo de comunicação à la RFM e que tenha por base uma dependência de redes sociais. Não é isso que está em causa. Todavia, alargar um bocadinho a "playlist" (que não deve ser robotizada, nem nas comerciais o deveria ser) para fora de pé seguro pode trazer dividendos. Sendo, para mim, o principal, permitir que o ouvinte vá, por exemplo, à procura de jazz e acabe a ficar a ouvir duas peças de clássica como as que passam atualmente, entre 2 ou 3 "jazzes". E, com isto vá tomando contacto com a múscia, conhecendo as peças. E não há nada como exprimentar, não resultando, volta-se ao modelo antigo. Um destes dias na RNE Clássica, que chegou graças à propagação, estava a passar Jazz mais comercial. e logo de seguida mais clássica. Pelo que apurei a BBC Radio 3 também já o vai fazendo. A nossa Antena 2 tem procurado seguir esse modelo, mas peca por não misturar. Como se disse, o Jazz parece sempre forçado nesta estação.
Um outro dividendo que poderia ser interessante era atrair alguma publicidade ou naming (prefiro o último), pois, não tenhamos dúvidas de que quando se falar em corte da CAV, quem vão ser os primeiros a sofrer? Serão a A2 e a RTP2 e por inerência os seus espectadores. Havendo uma baixa audiência, arriscamo-nos a ficar sem a única rádio clássica de que dispomos no país. Assim como, acredito que mais dia menos dia, o mesmo se possa passar com a única rádio de jazz, mas por desinvestimento empresarial. Sâo dois géneros musicais, que, claramente, são obrigação do serviço público provir. Se em conjunto com privados? Nada contra, desde que o negócio seja bem feito para o Estado.


O modelo da playlist robotizada foi importado dos Estados Unidos, em parte devido à grande pressão - lobby mesmo - das grandes editoras discográficas junto das rádios para passarem as músicas dos "seus" artistas, para depois venderem mais discos à conta dessa música, desse single passado invariavelmente com muita frequência para ficar no ouvido das pessoas. Há quem diga que foi mesmo uma imposição das editoras americanas. Cá e em todo o lado. Foi isso que, em parte, acabou com a liberdade das rádios de grande audiência. Passaram a ter de passar só o que vende, o que é extremamente redutor. Por isso é que as Comerciais e as RFMs desta vida passam todas as mesmas coisas. É tudo igual. É uma monocultura, como sabemos. Em termos de selecção musical, não há diferença rigorosamente nenhuma entre uma e outra.

Isso até poderia resultar se as pessoas estivessem receptivas a absorver outras sonoridades, a ouvirem outras coisas fora do que é comercial, mas não querem. O Jazz... que eu também gosto muito, mas que é o outro mal amado em Portugal, para além da música clássica. O José Duarte não faz outra coisa há 60 anos senão divulgar o Jazz. Ainda há três anos ele promoveu sessões de escuta activa de Jazz, gratuitas até, creio. Doi divulgado na televisão, na internet... Quantas pessoas lá apareceram? Se calhar meia dúzia de "gatos pingados". O Jazz ainda é mais difícil de as pessoas gostarem do que a música clássica, porque o Jazz desconstrói tudo. A melodia, o ritmo... tudo. Mas quando chega até elas, rejeitam. Não têm curiosidade. Já falei sobre isso neste tópico. Há tantas formas de descobrir música clássica mesmo sem ser pela rádio. Até o "jazz clap". As pessoas não sabem porque a maior parte das pessoas ouve durante toda a vida músicas que são em 4/4 e batem as palmas na primeira e na terceira. Cá e no mundo todo. No Jazz não é assim. Em primeiro lugar, por regra não se bate palmas ao ritmo do Jazz quando se ouve Jazz ao vivo. Mas se se quiser mesmo bater palmas no Jazz, não pode ser na 1 e na 3, porque isso é estar fora de tempo. O tempo no Jazz é 5/4, não é 4/4, por isso as palmas são na 2 e na 4, que é onde está o ritmo, a "batida". É assim no Jazz, no Blues, no Gospel, no Rock n' Roll que tem a sua origem no Jazz e no Blues, em todos os espirituais negros. Em toda a música afro-americana, na verdade. O Harry Connick Jr fez uma coisa engraçadíssima e muito inteligente há uns anos, quando ele reparou que toda a gente estava a bater as palmas na segunda e na quarta e, mal ele fez uma pequeníssima alteração nas notas do piano, o público foi logo atrás e passou, sem se aperceber, a bater as palmas no tempo certo do Jazz, que é na 2 e na 4: https://www.youtube.com/watch?v=4hYYgz-AJKU
Por sinal, o Salvador Sobral, só ele, tem, se calhar sem ele sequer se aperceber, feito mais para trazer mais pessoas para o Jazz do que a Antena 2, dado o facto de ele vir do Jazz e a influência do Jazz estar muito presente na música dele. Ele pode ser o nosso Jamie Cullum. Há muita gente que gosta do Jamie Cullum e não é particularmente fã de Jazz. Mas quantas pessoas acompanham o Salvador porque gostam realmente das músicas dele e do que ele transmite e quantas é que o acompanham só por causa da Eurovisão e do Amar Pelos Dois? Se calhar as primeiras são bem menos do que as segundas... Já o fui ver ao vivo e também com um dos outros projectos dele, Alma Nuestra, e no concerto de Alma Nuestra andava gente do público a pedir para ele cantar a Amar Pelos Dois... ele, claro, foi frontal como sempre, e bem, e disse "Hoje não há Amar Pelos Dois. Se quiserem ouvir a Amar Pelos Dois, vão ao YouTube". Adorei. Levantei-me e aplaudi-o quando ele disse isso. Num concerto solidário para com as vítimas dos incêndios de Pedrógão grande, depois da Amar Pelos Dois, que toda a gente cantou, ele cantou A Case of You da Joni Mitchell, que já não teve, nem de longe nem de perto, o mesmo coro. A diferença foi abismal. Mesmo com a versão da Diana Krall, que é muito conhecida, a maioria das pessoas passa-lhes ao lado músicas destas. Eu até concordo com a sua visão para a Antena 2 atrair mais ouvintes. Acho que seria melhor do que se abraçasse o modelo da Classic FM, mas isso era assumindo que os ouvintes iriam depois efectivamente procurar Jazz. Duvido que fossem. Mas isso dependeria deles, claro. Seria uma hipótese. Poderia funcionar.

Qual é a única rádio de Jazz portuguesa que referiu?
« Última modificação: Agosto 21, 2021, 04:35:04 am por Hélder Fialho »

tuscano

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Re: RTP Antena 2
« Responder #128 em: Agosto 21, 2021, 09:59:39 am »

Não há que pedir desculpas, estamos aqui para trocar ideias e esperar que, quem sabe, alguém as possa ler e pensar nelas.
Baixar o nível não é necessário. Não estamos a falar de tratar os ouvintes por tu ou adoptar um estilo de comunicação à la RFM e que tenha por base uma dependência de redes sociais. Não é isso que está em causa. Todavia, alargar um bocadinho a "playlist" (que não deve ser robotizada, nem nas comerciais o deveria ser) para fora de pé seguro pode trazer dividendos. Sendo, para mim, o principal, permitir que o ouvinte vá, por exemplo, à procura de jazz e acabe a ficar a ouvir duas peças de clássica como as que passam atualmente, entre 2 ou 3 "jazzes". E, com isto vá tomando contacto com a múscia, conhecendo as peças. E não há nada como exprimentar, não resultando, volta-se ao modelo antigo. Um destes dias na RNE Clássica, que chegou graças à propagação, estava a passar Jazz mais comercial. e logo de seguida mais clássica. Pelo que apurei a BBC Radio 3 também já o vai fazendo. A nossa Antena 2 tem procurado seguir esse modelo, mas peca por não misturar. Como se disse, o Jazz parece sempre forçado nesta estação.
Um outro dividendo que poderia ser interessante era atrair alguma publicidade ou naming (prefiro o último), pois, não tenhamos dúvidas de que quando se falar em corte da CAV, quem vão ser os primeiros a sofrer? Serão a A2 e a RTP2 e por inerência os seus espectadores. Havendo uma baixa audiência, arriscamo-nos a ficar sem a única rádio clássica de que dispomos no país. Assim como, acredito que mais dia menos dia, o mesmo se possa passar com a única rádio de jazz, mas por desinvestimento empresarial. Sâo dois géneros musicais, que, claramente, são obrigação do serviço público provir. Se em conjunto com privados? Nada contra, desde que o negócio seja bem feito para o Estado.


O modelo da playlist robotizada foi importado dos Estados Unidos, em parte devido à grande pressão - lobby mesmo - das grandes editoras discográficas junto das rádios para passarem as músicas dos "seus" artistas, para depois venderem mais discos à conta dessa música, desse single passado invariavelmente com muita frequência para ficar no ouvido das pessoas. Há quem diga que foi mesmo uma imposição das editoras americanas. Cá e em todo o lado. Foi isso que, em parte, acabou com a liberdade das rádios de grande audiência. Passaram a ter de passar só o que vende, o que é extremamente redutor. Por isso é que as Comerciais e as RFMs desta vida passam todas as mesmas coisas. É tudo igual. É uma monocultura, como sabemos. Em termos de selecção musical, não há diferença rigorosamente nenhuma entre uma e outra.

Isso até poderia resultar se as pessoas estivessem receptivas a absorver outras sonoridades, a ouvirem outras coisas fora do que é comercial, mas não querem. O Jazz... que eu também gosto muito, mas que é o outro mal amado em Portugal, para além da música clássica. O José Duarte não faz outra coisa há 60 anos senão divulgar o Jazz. Ainda há três anos ele promoveu sessões de escuta activa de Jazz, gratuitas até, creio. Doi divulgado na televisão, na internet... Quantas pessoas lá apareceram? Se calhar meia dúzia de "gatos pingados". O Jazz ainda é mais difícil de as pessoas gostarem do que a música clássica, porque o Jazz desconstrói tudo. A melodia, o ritmo... tudo. Mas quando chega até elas, rejeitam. Não têm curiosidade. Já falei sobre isso neste tópico. Há tantas formas de descobrir música clássica mesmo sem ser pela rádio. Até o "jazz clap". As pessoas não sabem porque a maior parte das pessoas ouve durante toda a vida músicas que são em 4/4 e batem as palmas na primeira e na terceira. Cá e no mundo todo. No Jazz não é assim. Em primeiro lugar, por regra não se bate palmas ao ritmo do Jazz quando se ouve Jazz ao vivo. Mas se se quiser mesmo bater palmas no Jazz, não pode ser na 1 e na 3, porque isso é estar fora de tempo. O tempo no Jazz é 5/4, não é 4/4, por isso as palmas são na 2 e na 4, que é onde está o ritmo, a "batida". É assim no Jazz, no Blues, no Gospel, no Rock n' Roll que tem a sua origem no Jazz e no Blues, em todos os espirituais negros. Em toda a música afro-americana, na verdade. O Harry Connick Jr fez uma coisa engraçadíssima e muito inteligente há uns anos, quando ele reparou que toda a gente estava a bater as palmas na segunda e na quarta e, mal ele fez uma pequeníssima alteração nas notas do piano, o público foi logo atrás e passou, sem se aperceber, a bater as palmas no tempo certo do Jazz, que é na 2 e na 4: https://www.youtube.com/watch?v=4hYYgz-AJKU
Por sinal, o Salvador Sobral, só ele, tem, se calhar sem ele sequer se aperceber, feito mais para trazer mais pessoas para o Jazz do que a Antena 2, dado o facto de ele vir do Jazz e a influência do Jazz estar muito presente na música dele. Ele pode ser o nosso Jamie Cullum. Há muita gente que gosta do Jamie Cullum e não é particularmente fã de Jazz. Mas quantas pessoas acompanham o Salvador porque gostam realmente das músicas dele e do que ele transmite e quantas é que o acompanham só por causa da Eurovisão e do Amar Pelos Dois? Se calhar as primeiras são bem menos do que as segundas... Já o fui ver ao vivo e também com um dos outros projectos dele, Alma Nuestra, e no concerto de Alma Nuestra andava gente do público a pedir para ele cantar a Amar Pelos Dois... ele, claro, foi frontal como sempre, e bem, e disse "Hoje não há Amar Pelos Dois. Se quiserem ouvir a Amar Pelos Dois, vão ao YouTube". Adorei. Levantei-me e aplaudi-o quando ele disse isso. Num concerto solidário para com as vítimas dos incêndios de Pedrógão grande, depois da Amar Pelos Dois, que toda a gente cantou, ele cantou A Case of You da Joni Mitchell, que já não teve, nem de longe nem de perto, o mesmo coro. A diferença foi abismal. Mesmo com a versão da Diana Krall, que é muito conhecida, a maioria das pessoas passa-lhes ao lado músicas destas. Eu até concordo com a sua visão para a Antena 2 atrair mais ouvintes. Acho que seria melhor do que se abraçasse o modelo da Classic FM, mas isso era assumindo que os ouvintes iriam depois efectivamente procurar Jazz. Duvido que fossem. Mas isso dependeria deles, claro. Seria uma hipótese. Poderia funcionar.

Qual é a única rádio de Jazz portuguesa que referiu?
Rádios de Jazz, ou que passem algum Jazz em Portugal, no objeto rádio que eu saiba só o 5m de Jazz na Antena1, a Antena2, a Smooth, a Marginal e eventualmente a Nova do Porto(e algum programa em rádio local, se existir, não sei se existe), depois existem as Web rádios da Smooth, mais a Jazzin da Antena2. As Web rádios pouco servem para divulgar o Jazz, ou dá-lo a conhecer a quem pouco o ouve e até poderia gostar, pois só mesmo os apreciadores lá vão e mesmo esses..... É preciso fazer mais para o divulgar, dai eu dizer, que se devia inclui-lo misturado com a música dita erudita ao longo de todo o dia na Antena2, já seria um bom começo para o divulgar e não tipo esconde-lo, ás 20h de Segunda a Sexta, quando as pessoas estão a jantar ou a ver o Telejornal(se houver algum concerto tipo os Proms, já o programa Jazz a Dois não é emitido). Mas também me deixa algumas duvidas ter certa vez a meio da tarde apanhado a Antena 3(se me recordo foi no horário do Luís Oliveira), uma peça algo extensa do Bruno Pernadas, não sei se foi ou é boa opção enfiar Jazz assim numa rádio destas, mas talvez sim, é complicado.
« Última modificação: Agosto 21, 2021, 10:07:13 am por tuscano »

Atento

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Re: RTP Antena 2
« Responder #129 em: Agosto 21, 2021, 10:25:39 am »

pdnf

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Re: RTP Antena 2
« Responder #130 em: Agosto 21, 2021, 01:43:48 pm »
Nova proposta temática no programa "Caleidoscopio":

https://www.rtp.pt/antena2/destaques/caleidoscopio-i-sabado-22h00-segunda-13h00-quarta-5h00_4780

Obrigado pelo alerta. Anotado na agenda.  ;)


Qual é a única rádio de Jazz portuguesa que referiu?


Eu diria que é maioritariamente a Smooth FM...Smooth FM... and all that jazz! Mas sei que passa outras sonoridades, também elas sem lugar nas antenas comerciais e que o teriam no serviço público.

Agradeço ao João e ao Hélder os posts. É este o lado bom dos fóruns, aprendemos bastante, são aulas grátis.

Realmente, a diferença do papel do serviço público no UK é abismal. Anseio o dia em que veremos uma Antena 1 na posição de liderança. A 2 em Portugal acho difícil, pois não existe cultura erudita em Portugal, infelizmente.

PS: Eu sei que posso ouvir a RNE Clássica online, mas no dia em que escuteii, estava parado no carro, a querer clássica e preferi o que passava nos 92.1, que sei que estavam a chegar ao Porto do que o que passava naquele momento nos nossos 92.5. Sò por isso!





« Última modificação: Agosto 21, 2021, 01:46:27 pm por pdnf »
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

Atento

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Re: RTP Antena 2
« Responder #131 em: Agosto 21, 2021, 03:11:37 pm »

Atento

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Re: RTP Antena 2
« Responder #132 em: Agosto 21, 2021, 03:15:22 pm »
« Última modificação: Agosto 21, 2021, 03:19:56 pm por Atento »

joao_s

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Re: RTP Antena 2
« Responder #133 em: Agosto 23, 2021, 11:13:00 pm »
Eu diria que é maioritariamente a Smooth FM...Smooth FM... and all that jazz! Mas sei que passa outras sonoridades, também elas sem lugar nas antenas comerciais e que o teriam no serviço público.

Agradeço ao João e ao Hélder os posts. É este o lado bom dos fóruns, aprendemos bastante, são aulas grátis.

Realmente, a diferença do papel do serviço público no UK é abismal. Anseio o dia em que veremos uma Antena 1 na posição de liderança. A 2 em Portugal acho difícil, pois não existe cultura erudita em Portugal, infelizmente.
(...)

“pdnf”, faço minhas as suas palavras, sobre os seus contributos para este fórum, e felicito o participante Hélder Fialho pelos magníficos textos que publica. Apareça mais vezes por aqui, Hélder. Apenas discordo do Hélder sobre a perspetiva minimalista que tem relativamente às audiências das rádios do estado. Não se pode mencionar “serviço público” quando este não existe, sem público esse desiderato não passa de ficção.

Começo com algumas curiosidades sociológicas sobre as tabelas de audiências do Reino Unido e das diferenças significativas do que acontece em Portugal.

Nas audiências globais do país, notam-se diferenças significativas relativamente a Portugal. A primeira, já anteriormente mencionada, os três primeiros lugares da tabela são ocupados por estações de serviço público; a segunda, uma rádio erudita de música clássica ocupa a 4.ª posição (impensável em Portugal); a terceira, se analisarmos os primeiros 4 primeiros lugares da tabela de audiências em Portugal, verificamos que as estações de rádio são praticamente semelhantes entre si, são essencialmente musicais, e passam praticamente o mesmo tipo de música, ou seja, não se verificam diferenças substantivas. No Reino Unido, os primeiros lugares são ocupados por estações de rádio com identidades próprias e propostas completamente diferentes entre si. Isto diz muito sobre as dinâmicas do meio e da sociedade.

Se analisarmos as audiências de rádio em Londres, com cerca de 9 milhões de habitantes, quase tantos como em todo o Portugal, surge a seguinte curiosidade: a ‘BBC Radio 4’ é a mais ouvida (2,718 milhões de ouvintes. É obra!) e, em segundo lugar, surge a ‘BBC Radio 2’ (2,074 milhões de ouvintes). Ou seja, no Reino Unido, as rádios com maior teor musical são preferidas na província, as rádios exclusivamente de palavra são as preferidas nos grandes centros urbanos. Devo dizer-lhe que a ‘BBC Radio 4’ é uma excelente estação, exclusivamente de palavra, que trata matérias das mais diversas áreas.

Reitero, caro “pdnf” a ‘SmoothFM’ não é uma estação de Jazz, nem nunca foi. É uma estação que passa Standards do American Songbook, acompanhados de orquestra, como sabe; Rhythm and Blues; Soul; Bossa Nova; Covers de todo o tipo (às vezes abusam, prefiro os originais); algum Folk; etc. e muitos outros temas que vão buscar influências destes e outros géneros.

O Jazz não é um género musical de orquestra, é mais “solitário”, baseia-se num pequeno conjunto de músicos. Pode ouvir aqui o álbum de Jazz mais vendido de sempre, MILES DAVIS -Kind of Blue (1959). O mestre do improviso, talento de génio. Tenho este álbum, o que se ouve aqui tem algumas nuances relativamente ao original. Alguma vez ouviu algo de parecido na ‘SmoothFM’? Claro que não. O Jazz é um género musical exigente, não é para todos os ouvidos. Concorda, Hélder Fialho?

tuscano

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Re: RTP Antena 2
« Responder #134 em: Agosto 24, 2021, 05:39:26 pm »
O pessoal da Smooth fm devia ouvir a Jazz radio francesa e copiar, acrescentado evidentemente algumas coisas como musica brasileira e portuguesa, ainda que actualmente não esteja muito má. Deviam como já disse por aqui uma vez, incluir alguns temas latino americanos, como por exemplo, coisas clássicas do Chucho Valdez, do Tito Poente, da Célia Cruz ou mais recente do Luís Miguel, que mal comparado é o estilo do Michael Bublé, mas latino.