Fidelidade? Se Portugal seguisse o exemplo britânico, trocar o FM da Smooth FM pelo DAB como trocar um CD por um ficheiro MP3 a 64 kbps. Tudo para colocar dezenas de rádios no mesmo multiplex.
O argumento que o digital tem melhor qualidade de som que o analógico só é válido se forem respeitadas as melhores práticas para garantir a alta fidelidade do som. Caso contrário, se o objectivo é aumentar a capacidade sacrificando o som, o digital não satisfaz ouvidos exigentes. Não é por acaso que os verdadeiros audiófilos, e não obstante as vantagens dos CDs, continuam a preferir o som analógico, com imperfeições, com estalidos, com ruído mas, e sobretudo, com melhor fidelidade, dos discos de vinil...
Atenção, Luís, que o problema está a ser resolvido com a implementação de um segundo multiplexador nacional não em DAB, mas em DAB+, e da iniciativa de privados.
Em termos de HI-FI, os sintonizadores FM sempre foram tratados como equipamentos audiófilos de segunda, devido à limitação de resposta em frequências áudio. O limite dos agudos no FM é de 15 kHz, suficiente para a utilização quotidiana e automóvel, mas limitativos para detalhes subtis no som. Em FM há pormenores do som que simplesmente não estão lá, algo que não acontece com o vinil, CD e DAB+.
Mas, a meu ver, esse não é o problema, as interferências esporádicas, impossíveis de resolver, e a limitação do número de estações que a tecnologia comporta (com o devido planeamento para que não existam frequências ocupadas que se “atropelam” umas às outras) são falhas inaceitáveis. À conta de esporádicas já aconteceu ter percecionado, erroneamente, uma avaria no autorrádio, num dia em que havia um turbilhão de sinais no éter a interferirem mutuamente, nem os centros emissores das estações nacionais escaparam. Não havia nenhum problema com o equipamento, pois, logo no dia seguinte, a generalidade das emissões funcionava normalmente.