Autor Tópico: AM do Porto - Projectos radiofónicos  (Lida 55647 vezes)

Zeca 2021

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #60 em: Janeiro 13, 2023, 08:57:26 am »
Então diga me lá porque não há um UNICA rádio do Porto a nível nacional?
Porque será?

A empresas da Press que era do Porto comprou a TSF, e acabou com a Press e fundindo  - a com a TSF.

No Porto, infelizmente, nem uma boa rádio local consegue ter! Porque , as que existiam deixaram se vender e capturar por empresas de Lisboa.

E, responda -. me, porque é que isto acontece?

Porque é que o Porto não se consegue impor na comunicação social?

Se quiser eu até lhe respondo...

Na minha opinião, o que faz a diferença não é tanto a dimensão nem a densidade populacional, mas sim a estrutura da economia que é muito díspar entre as duas cidades. Efetivamente, o Zeca tem razão num ponto: Portugal é centralista ao máximo. Lembro-me de estudar em Geografia no 11ºAno o índice  de centralidade e Lisboa tinha dos valores mais altos da OCDE. Lisboa é uma cidade que gravita em torno do poder associado ao aparelho do Estado, de grandes empresas de serviços e dos agentes culturais. Poder esse que não vinha mal ao mundo se fosse melhor repartido equitativamente pelo país. Por cá, o Porto é uma cidade essencialmente industrial, o que, por si só, não gera tanta notícia. Se pensarmos bem, a própria informação não deixa de ter um tanto ou nada de entretenimento: o que enche jornais, as tricas dos corredores de São Bento e os soundbites no plenário. O que atrai, o que vende, é o que está em Lisboa, não por ser Lisboa, mas porque se criou um cluster fechado sobre essa área geográfica, de uma forma que não acontece em qualquer outro país europeu, onde há uma muito maior polarização entre as 2/3 grandes cidades, mais que não seja pelo facto de existir um nível de poder regional (aparte: por cá seria mais uma fonte de jobs for the boys and girls, de mão estendida...a São Bento).

Claro que num país com estas características é impossível a um órgão de comunicação social nacional não assentar a base das suas operações em Lisboa. Senão vejamos, se é em Lisboa que se passa 95% da atividade política relevante para o país, que racional teria, ter uma redação principal sediada a 300 km de distância? Tal justifica que, por exemplo a rádio Nova tenha sido forte na informação, no tempo das vacas gordas... só que em tempos de vacas magras, é pura e simplesmente um modelo impossível. Daí que, por exemplo, uma TSF que baseia muito da sua operação em contratos precários e estagiários, se tenha mudado de armas e bagagens para onde está o que alimenta o negócio da comunicação social. Principalmente, sendo o dinheiro pouco, é normal que se tomem esse tipo de decisões. Claro que principalmente a rádio pública, deveria ter uma representação mínima que fosse, a tal locução de continuidade, pelo menos na segunda cidade do país, para justamente gerar essa externalidade positiva, que potencie a criação de polos culturais fora da capital. A uma rádio privada, não cabe pedir-se essa missão.
Finalmente, a rádio no Porto, face a este panorama, não pode estar muito mais que ligada às máquinas. As que sobrevivem a passar música, o produto mais barato, são, efetivamente umas resistentes.

Não perca tempo a explicar.
Quem não percebe o que significa "centralismo" nunca irá perceber nada de nada.
Somos o unico não regionalizado e por alguma razão o mais pobre da Europa.


Zeca 2021

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #61 em: Janeiro 13, 2023, 08:59:51 am »
Mas será possível que não se fala mais nada neste fórum do que desta treta de Porto e Lisboa? Mais rádio e menos tretas destas por favor. Move on na conversa que já chateia

Há que lutar contra o centralismo lisboeta em todo o lado.
A rádio é um dos tentaculos do centralismo e há que lutar contra ele.
Não gosta, não comenta.
È livre de criar os topicos que quiser mas não tem o direito de limitar os tópicos de conversa.

Julio Carvalho

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #62 em: Janeiro 13, 2023, 10:13:50 am »
9 meu caro vive numa cidade onde não lhe falta nada e, digo isto, porque também já aí vivi.
Falta-lhe um boa rádio local, que possa noticiar como deve ser, acontecimentos como as recentes cheias, com muitos programas especiais e outros tantos fóruns, sempre com a mesma temática das cheias...

E o Porto até deve ser a única segunda cidade de um país da Europa e até do mundo, onde não há uma rádio local com essas características.

E isso é culpa da Capital? Do centralismo lisboeta?

E porque não olhar para dentro? Já pensou porque razão nenhum grupo empresarial do Porto, tem interesse num projecto radiofónico, já nem digo nacional, mas pelo menos local?

modernices

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #63 em: Janeiro 13, 2023, 10:53:22 am »
Mas será possível que não se fala mais nada neste fórum do que desta treta de Porto e Lisboa? Mais rádio e menos tretas destas por favor. Move on na conversa que já chateia

Há que lutar contra o centralismo lisboeta em todo o lado.
A rádio é um dos tentaculos do centralismo e há que lutar contra ele.
Não gosta, não comenta.
È livre de criar os topicos que quiser mas não tem o direito de limitar os tópicos de conversa.

Vivo em Coimbra e por aqui há rádios onde consigo saber o que se passa na região. Tenho família em Viseu e Bragança onde vou regularmente e la há rádios locais com informação regional. Se no Porto não há é um inconseguimento das pessoas daí em fazer um projeto local em condições. Não vi em lado algum algum decreto feito em Lisboa a alterar as rádios daí para Lisboa. Há sim falta de empreendedorismo no Porto para fazer aí a rádio que tanto queria ter. E merece! Mas ou, aguente-se e abra de vez os olhos para o problema e reclame com os proprietários das rádios do Porto por não fazer essa rádio, reclame com quem as vendeu ou faça se a estrada para fazer uma, se conseguir.

Agora, andamento nesta conversa de território.

Zeca 2021

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #64 em: Janeiro 13, 2023, 03:16:12 pm »
Mas será possível que não se fala mais nada neste fórum do que desta treta de Porto e Lisboa? Mais rádio e menos tretas destas por favor. Move on na conversa que já chateia

Há que lutar contra o centralismo lisboeta em todo o lado.
A rádio é um dos tentaculos do centralismo e há que lutar contra ele.
Não gosta, não comenta.
È livre de criar os topicos que quiser mas não tem o direito de limitar os tópicos de conversa.

Vivo em Coimbra e por aqui há rádios onde consigo saber o que se passa na região. Tenho família em Viseu e Bragança onde vou regularmente e la há rádios locais com informação regional. Se no Porto não há é um inconseguimento das pessoas daí em fazer um projeto local em condições. Não vi em lado algum algum decreto feito em Lisboa a alterar as rádios daí para Lisboa. Há sim falta de empreendedorismo no Porto para fazer aí a rádio que tanto queria ter. E merece! Mas ou, aguente-se e abra de vez os olhos para o problema e reclame com os proprietários das rádios do Porto por não fazer essa rádio, reclame com quem as vendeu ou faça se a estrada para fazer uma, se conseguir.

Agora, andamento nesta conversa de território.

Nunca viu nenhum decreto feito em Lisboa a alterar as rádios?

A lei da rádio e suas alterações foi feita onde? Em Bragança ou em Lisboa?
A lei da rádio foi sendo alterada para admitir a aquisição de alvarás locais com que finalidade?
Para permitir aos grandes grupos transformarem a sua frequência local numa rádio quase nacional.
Gondomar, Valongo, Matosinhos não têm rádio, Gaia só tem uma e o Porto apenas duas, ao todo são 8 frequências ocupadas por Lisboa. Basta este exemplo e dá para perceber o que é o negocio da rádio.

Se a lei da rádio não tivesse sido alterada, jamais teriamos essas frequências locais ocupadas por rádios de Lisboa.
Coimba também já perdeu frequencias

joao_s

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #65 em: Janeiro 13, 2023, 07:35:44 pm »
(...)
Quem não percebe o que significa "centralismo" nunca irá perceber nada de nada.
Somos o unico não regionalizado e por alguma razão o mais pobre da Europa.

Então Zeca, segundo as suas palavras, não somos um país regionalizado. As regiões autónomas dos Açores e Madeira são o quê? Países independentes?

Os seus argumentos primários carecem de fundamentação e, dada a repetição, o que num primeiro momento dá vontade de rir, pelas queixinhas, vitimização, mania da perseguição, em suma, pela infantilidade, a partir de certo momento chateia. É um discurso chato, repetitivo, oco.

Se tivermos que associar uma rádio ao seu tipo de discurso, chegamos… à megaSeca.

Por enquanto, não somos o país mais pobre da União Europeia, mas, o desenrolar dos acontecimentos dos últimos dias e o se tem verificado nas últimas décadas, indicia que esse tende a ser o trajeto. Ou seja, vai ser mais difícil para os mais novos do que foi para nós.

A desagregação e impreparação deste governo socialista é quase surreal. Parece que estão a bater recordes do maior número de demissões no menor espaço de tempo para figurar no guiness.

A meu ver, a regionalização (política) tende a agravar o problema de subdesenvolvimento em relação ao resto da União Europeia. Ao acrescentar nível intermédio decisão política, tende a aumentar a opacidade, rede tentacular de interesses que se apoderam do estado e dos recursos financeiros do país a seu favor, clientelismo, favorecimentos, incompetentes a ocupar cargos de decisão, crime económico e financeiro, etc. Portanto, os dois fatores principais para este nível subdesenvolvimento são: fraca qualidade da classe política e sistema de justiça capturado e conivente, não funciona quando devia. Nada acontece aos que mais lesam o país e a sociedade no seu conjunto. Estes são os dois principais problemas a resolver, assim como as estratégias de crescimento.
Descentralização, afigura-se como a solução mais adequada, neste contexto.

De facto, a democracia neste país continua muito frágil e, em certo ponto, em retrocesso civilizacional. Nos setores da Educação, nenhum jovem quer ser professor pois a profissão deixou de ser apelativa, no setor da Saúde, muitos pretendem emigrar quando terminam os seus estudos, etc. Emigram profissionais qualificados, formados nas universidades portuguesas, que tiveram um custo para o Estado, são compensados pela imigração de paquistaneses, indianos, brasileiros sem essa qualificação. Portanto, o empobrecimento relativo em relação ao resto da Europa tende a vincar-se.

Memorias da Radio

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #66 em: Janeiro 13, 2023, 09:06:46 pm »
Este ponto que o joao_s toca é absolutamente central: o contexto deste país é de empobrecimento, não de enriquecimento, por muito que os “amanhãs que cantam” vão cantando. Quem visse esta tarde o e-mail do Negócios ficaria a saber que a taxa atual de poupança está em 0,24% (leram bem) e que a este ritmo, dentro de escassos 20 anos, seremos mais um desses países comunistas em que o salário mínimo é igual ao médio e não há qualquer incentivo de progressão. Está-se a seguir um caminho muito perigoso.

E isto obviamente que vai afetar a rádio, afeta a RR, afeta a capacidade de descentralizar e manter gente, afeta os salários que se recebem. A Renascença pode ser da Igreja mas não faz milagres: e eu nem tinha sequer noção que eram 250 pessoas na estrutura rádio da Renascença (deduzo que no grupo). É uma estrutura pesada, na minha opinião, e para o que vai para a antena, quase de serviço público, confundindo-se com a valência social da Igreja embora nos últimos anos perdendo algum desse foco na RFM (está um pouco melhor na Mega Hits). Preços a pagar.

O Zeca vinha com um argumento que eu achei delicioso: “onde é que foi feita a Lei da Rádio? Em Bragança ou em Lisboa?”. Porque toda a gente sabe que se fosse, sei lá, feita numa casa de banho em Cinfães, já seria muito mais relevante… O que é que interessa onde a Lei da Rádio é ou deixa de ser feita? O que interessa é o resultado final.

E sim: é 200% verdade que rádio ou estrutura que se preze, e precise de ter valência comercial, tem que ter alguma coisa principal em Lisboa. Seja departamento de marketing, seja estrutura da estação, para a vender alguma coisa tem que haver porque está muito lá centralizado. Quem anda aqui a dizer que “em tempos do remoto” se vem com esse argumento devia experimentar - e sugiro que se faça esse exercício - enviar uns e-mails a algumas das principais empresas a pedir reuniões ou propostas de colaboração, reforçando com chamadas. Asseguro que é muito mais difícil do que parece. E dessa batalha ninguém fala. Porque como muita coisa neste mundo, quer-se tudo “dado e arregaçado”, feito e pronto a comer, e esquece-se do trabalho que está por trás.

Ou acham que aos profissionais do jornalismo da Renascença foi fácil trocar um contrato por recibos depois de tantos anos numa casa E ficar ainda leais e fiéis à estação e ao grupo? Ou acham que os emissores optimizados até ao tutano, o satélite, a manutenção técnica, se pagam sozinhos? Ou acham que as grelhas programáticas recheadas de conteúdos com inúmeras personalidades e os programas de autor ou não de 1 hora (!) como o Em Nome da Lei, Da Capa à Contracapa, Visto de Fora, o Hotel Califórnia (com 2h até) se pagam sozinhos? Já foi tempo.

Eu defendo uma descentralização, sim. Mas nunca ninguém me ouvirá dizer para mandar 250 profissionais para o Porto, qual Infarmed de pacotilha. Isso seria o maior suicidio comercial e de um grupo que já vi em muito tempo. O caminho é equilibrar, diversificar e acima de tudo tentar aguentar e ir progredindo um barco que, quando vai abaixo vai muito abaixo, e depois quando volta não volta totalmente e já fica pior, num país num contexto completamente descendente. Porque este é o contexto rádio desde literalmente 1995 e ninguém, ou quase ninguém, está a ver a vida como ela é.

Para o que existe e para a situação atual, a RR é uma rádio de excelência.

Se houvesse metade da exigência com a letárgica TSF que há com o Grupo Renascença eu estava todo feliz da vida.


« Última modificação: Janeiro 13, 2023, 09:10:06 pm por Memorias da Radio »

modernices

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #67 em: Janeiro 13, 2023, 09:22:55 pm »
Mas será possível que não se fala mais nada neste fórum do que desta treta de Porto e Lisboa? Mais rádio e menos tretas destas por favor. Move on na conversa que já chateia

Há que lutar contra o centralismo lisboeta em todo o lado.
A rádio é um dos tentaculos do centralismo e há que lutar contra ele.
Não gosta, não comenta.
È livre de criar os topicos que quiser mas não tem o direito de limitar os tópicos de conversa.

Vivo em Coimbra e por aqui há rádios onde consigo saber o que se passa na região. Tenho família em Viseu e Bragança onde vou regularmente e la há rádios locais com informação regional. Se no Porto não há é um inconseguimento das pessoas daí em fazer um projeto local em condições. Não vi em lado algum algum decreto feito em Lisboa a alterar as rádios daí para Lisboa. Há sim falta de empreendedorismo no Porto para fazer aí a rádio que tanto queria ter. E merece! Mas ou, aguente-se e abra de vez os olhos para o problema e reclame com os proprietários das rádios do Porto por não fazer essa rádio, reclame com quem as vendeu ou faça se a estrada para fazer uma, se conseguir.

Agora, andamento nesta conversa de território.

Nunca viu nenhum decreto feito em Lisboa a alterar as rádios?

A lei da rádio e suas alterações foi feita onde? Em Bragança ou em Lisboa?
A lei da rádio foi sendo alterada para admitir a aquisição de alvarás locais com que finalidade?
Para permitir aos grandes grupos transformarem a sua frequência local numa rádio quase nacional.
Gondomar, Valongo, Matosinhos não têm rádio, Gaia só tem uma e o Porto apenas duas, ao todo são 8 frequências ocupadas por Lisboa. Basta este exemplo e dá para perceber o que é o negocio da rádio.

Se a lei da rádio não tivesse sido alterada, jamais teriamos essas frequências locais ocupadas por rádios de Lisboa.
Coimba também já perdeu frequencias

Nenhuma lei tirou a rádio do Porto para Lisboa. Não tens rádios no Porto porque ou as venderam ou não sabem o que fazer com elas. Compra uma e faz uma grande rádio a partir do Porto, se tiveres habilidade para isso. Força nisso porque já não há pachorra para as tuas lamúrias regionalistas.

modernices

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #68 em: Janeiro 13, 2023, 09:24:29 pm »
E era bom que começasses a falar de rádio. Os teus posts só falam nessa treta e zero de rádio.

joao_s

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #69 em: Janeiro 13, 2023, 10:03:06 pm »
Tiago, no contexto social, fez referência ao cerne de um problema crítico que se tende a agravar. A aproximação do salário mínimo ao vencimento médio, ou seja, o esbatimento da classe média neste país. Nos países desenvolvidos são as classes médias que impulsionam o desenvolvimento económico e social, nos países de terceiro mundo prevalecem os extremos, classes baixa e alta, sendo a classe média residual. Portanto, antevê-se descontentamento, revolta e protesto. Vamos ver o desfecho de tudo isto quando acabarem os milhões do PRR.

As notícias no setor da educação, a meu ver, são preocupantes. Estamos no início da quarta revolução industrial, caracterizada pela inteligência artificial, automação e robótica. Estas três áreas vão evoluir significativamente. A qualidade da formação é essencial para a integração dos cidadãos no mercado de trabalho e para o desenvolvimento do país. Vamos ter as máquinas a substituir os humanos em áreas que julgamos impensáveis. Ora este setor está em crise, os profissionais são mal pagos, a regredir para a classe baixa, e colocados a centenas/dezenas de kms das suas áreas de residência. Total instabilidade familiar e profissional. Um professor em início de carreira em França ganha o mesmo que um professor em final de carreira em Portugal, para os poucos que atingem o topo da carreira. Os responsáveis pela tutela têm vindo a colocar a sociedade contra esta classe e, isto, a médio/longo prazo vai dar mau resultado. No futuro próximo vão faltar professores, os jovens não querem esta profissão, foi-lhes passada a mensagem pelos (ir)responsáveis deste país que se trata de proletariado com manias de grandeza. Esta lacuna tende acrescentar empobrecimento ao país, pois vai acrescentar problemas à formação profissional. Ora, sendo a Educação Universal um dos pilares do estado democrático, da paz social e do desenvolvimento, esta má governação deixa-me apreensivo.

radiokilledtheMTVstar

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #70 em: Janeiro 13, 2023, 10:24:03 pm »
Só uma coisa em relação ao teu post Tiago, se a TSF não tivesse mudado relativamente há pouco tempo para as Amoreiras (com uma renda com certeza exorbitante que não deve ser paga pela publicidade da rádio) acredito que grande parte da programação pudesse estar a ser feita do Porto para no caso deles reduzirem custos.
« Última modificação: Janeiro 13, 2023, 10:29:13 pm por radiokilledtheMTVstar »

Memorias da Radio

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #71 em: Janeiro 14, 2023, 11:46:41 am »
Só uma coisa em relação ao teu post Tiago, se a TSF não tivesse mudado relativamente há pouco tempo para as Amoreiras (com uma renda com certeza exorbitante que não deve ser paga pela publicidade da rádio) acredito que grande parte da programação pudesse estar a ser feita do Porto para no caso deles reduzirem custos.

Até porque a sede do JN/TSF deve estar mais que paga por esta altura. Eu acredito que também estaria a ser feita do Porto, mas com estrutura comercial entre ambas, Lisboa e Porto, mais manter um estúdio mais pequeno em Lx só para entrevistas e algumas reuniões corporativas (muita gente do administrativo é da região).

Pergunto-me quem pagará esse aluguer nas Amoreiras…

Tiago, no contexto social, fez referência ao cerne de um problema crítico que se tende a agravar. A aproximação do salário mínimo ao vencimento médio, ou seja, o esbatimento da classe média neste país. Nos países desenvolvidos são as classes médias que impulsionam o desenvolvimento económico e social, nos países de terceiro mundo prevalecem os extremos, classes baixa e alta, sendo a classe média residual. Portanto, antevê-se descontentamento, revolta e protesto. Vamos ver o desfecho de tudo isto quando acabarem os milhões do PRR.

As notícias no setor da educação, a meu ver, são preocupantes. Estamos no início da quarta revolução industrial, caracterizada pela inteligência artificial, automação e robótica. Estas três áreas vão evoluir significativamente. A qualidade da formação é essencial para a integração dos cidadãos no mercado de trabalho e para o desenvolvimento do país. Vamos ter as máquinas a substituir os humanos em áreas que julgamos impensáveis. Ora este setor está em crise, os profissionais são mal pagos, a regredir para a classe baixa, e colocados a centenas/dezenas de kms das suas áreas de residência. Total instabilidade familiar e profissional. Um professor em início de carreira em França ganha o mesmo que um professor em final de carreira em Portugal, para os poucos que atingem o topo da carreira. Os responsáveis pela tutela têm vindo a colocar a sociedade contra esta classe e, isto, a médio/longo prazo vai dar mau resultado. No futuro próximo vão faltar professores, os jovens não querem esta profissão, foi-lhes passada a mensagem pelos (ir)responsáveis deste país que se trata de proletariado com manias de grandeza. Esta lacuna tende acrescentar empobrecimento ao país, pois vai acrescentar problemas à formação profissional. Ora, sendo a Educação Universal um dos pilares do estado democrático, da paz social e do desenvolvimento, esta má governação deixa-me apreensivo.

Integralmente de acordo quer com as perspetivas, quer com a análise. Também eu estou apreensivo com tudo isto…

Zeca 2021

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #72 em: Janeiro 14, 2023, 05:17:46 pm »
(...)
Quem não percebe o que significa "centralismo" nunca irá perceber nada de nada.
Somos o unico não regionalizado e por alguma razão o mais pobre da Europa.

Então Zeca, segundo as suas palavras, não somos um país regionalizado. As regiões autónomas dos Açores e Madeira são o quê? Países independentes?

Os seus argumentos primários carecem de fundamentação e, dada a repetição, o que num primeiro momento dá vontade de rir, pelas queixinhas, vitimização, mania da perseguição, em suma, pela infantilidade, a partir de certo momento chateia. É um discurso chato, repetitivo, oco.

Se tivermos que associar uma rádio ao seu tipo de discurso, chegamos… à megaSeca.

Por enquanto, não somos o país mais pobre da União Europeia, mas, o desenrolar dos acontecimentos dos últimos dias e o se tem verificado nas últimas décadas, indicia que esse tende a ser o trajeto. Ou seja, vai ser mais difícil para os mais novos do que foi para nós.

A desagregação e impreparação deste governo socialista é quase surreal. Parece que estão a bater recordes do maior número de demissões no menor espaço de tempo para figurar no guiness.

A meu ver, a regionalização (política) tende a agravar o problema de subdesenvolvimento em relação ao resto da União Europeia. Ao acrescentar nível intermédio decisão política, tende a aumentar a opacidade, rede tentacular de interesses que se apoderam do estado e dos recursos financeiros do país a seu favor, clientelismo, favorecimentos, incompetentes a ocupar cargos de decisão, crime económico e financeiro, etc. Portanto, os dois fatores principais para este nível subdesenvolvimento são: fraca qualidade da classe política e sistema de justiça capturado e conivente, não funciona quando devia. Nada acontece aos que mais lesam o país e a sociedade no seu conjunto. Estes são os dois principais problemas a resolver, assim como as estratégias de crescimento.
Descentralização, afigura-se como a solução mais adequada, neste contexto.

De facto, a democracia neste país continua muito frágil e, em certo ponto, em retrocesso civilizacional. Nos setores da Educação, nenhum jovem quer ser professor pois a profissão deixou de ser apelativa, no setor da Saúde, muitos pretendem emigrar quando terminam os seus estudos, etc. Emigram profissionais qualificados, formados nas universidades portuguesas, que tiveram um custo para o Estado, são compensados pela imigração de paquistaneses, indianos, brasileiros sem essa qualificação. Portanto, o empobrecimento relativo em relação ao resto da Europa tende a vincar-se.

Parabéns por me informar que Portugal é regionalizado ao invocar as regiões autónomas. Desconhecia.
E quanto a Portugal Continental?
Mas afinal, decida-se, prefere um país regionalizado como os restantes países da Europa ou prefere um país parolo e centralista?

Zeca 2021

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #73 em: Janeiro 14, 2023, 05:33:53 pm »
Este ponto que o joao_s toca é absolutamente central: o contexto deste país é de empobrecimento, não de enriquecimento, por muito que os “amanhãs que cantam” vão cantando. Quem visse esta tarde o e-mail do Negócios ficaria a saber que a taxa atual de poupança está em 0,24% (leram bem) e que a este ritmo, dentro de escassos 20 anos, seremos mais um desses países comunistas em que o salário mínimo é igual ao médio e não há qualquer incentivo de progressão. Está-se a seguir um caminho muito perigoso.

E isto obviamente que vai afetar a rádio, afeta a RR, afeta a capacidade de descentralizar e manter gente, afeta os salários que se recebem. A Renascença pode ser da Igreja mas não faz milagres: e eu nem tinha sequer noção que eram 250 pessoas na estrutura rádio da Renascença (deduzo que no grupo). É uma estrutura pesada, na minha opinião, e para o que vai para a antena, quase de serviço público, confundindo-se com a valência social da Igreja embora nos últimos anos perdendo algum desse foco na RFM (está um pouco melhor na Mega Hits). Preços a pagar.

O Zeca vinha com um argumento que eu achei delicioso: “onde é que foi feita a Lei da Rádio? Em Bragança ou em Lisboa?”. Porque toda a gente sabe que se fosse, sei lá, feita numa casa de banho em Cinfães, já seria muito mais relevante… O que é que interessa onde a Lei da Rádio é ou deixa de ser feita? O que interessa é o resultado final.

E sim: é 200% verdade que rádio ou estrutura que se preze, e precise de ter valência comercial, tem que ter alguma coisa principal em Lisboa. Seja departamento de marketing, seja estrutura da estação, para a vender alguma coisa tem que haver porque está muito lá centralizado. Quem anda aqui a dizer que “em tempos do remoto” se vem com esse argumento devia experimentar - e sugiro que se faça esse exercício - enviar uns e-mails a algumas das principais empresas a pedir reuniões ou propostas de colaboração, reforçando com chamadas. Asseguro que é muito mais difícil do que parece. E dessa batalha ninguém fala. Porque como muita coisa neste mundo, quer-se tudo “dado e arregaçado”, feito e pronto a comer, e esquece-se do trabalho que está por trás.

Ou acham que aos profissionais do jornalismo da Renascença foi fácil trocar um contrato por recibos depois de tantos anos numa casa E ficar ainda leais e fiéis à estação e ao grupo? Ou acham que os emissores optimizados até ao tutano, o satélite, a manutenção técnica, se pagam sozinhos? Ou acham que as grelhas programáticas recheadas de conteúdos com inúmeras personalidades e os programas de autor ou não de 1 hora (!) como o Em Nome da Lei, Da Capa à Contracapa, Visto de Fora, o Hotel Califórnia (com 2h até) se pagam sozinhos? Já foi tempo.

Eu defendo uma descentralização, sim. Mas nunca ninguém me ouvirá dizer para mandar 250 profissionais para o Porto, qual Infarmed de pacotilha. Isso seria o maior suicidio comercial e de um grupo que já vi em muito tempo. O caminho é equilibrar, diversificar e acima de tudo tentar aguentar e ir progredindo um barco que, quando vai abaixo vai muito abaixo, e depois quando volta não volta totalmente e já fica pior, num país num contexto completamente descendente. Porque este é o contexto rádio desde literalmente 1995 e ninguém, ou quase ninguém, está a ver a vida como ela é.

Para o que existe e para a situação atual, a RR é uma rádio de excelência.

Se houvesse metade da exigência com a letárgica TSF que há com o Grupo Renascença eu estava todo feliz da vida.

Neste país é tão facil mandar pessoas para Lisboa por encerramento das delegações pelo país fora.
È tão facil mandar professores para Lisboa.
È tão fácil mandar tanta gente de fora de Lisboa para Lisboa.


Mas é tão dificil mandar os lisboetas para o pais, onde aí já é problemático.
Demagogia barata.
A RR se tem muita gente em Lisboa podia ter optado por terem menos gente em Lisboa e mais gente no Porto/Coimbra/Faro.
será quem em lisboa a luz, agua e salarios são mais baixos do que no resto do país? Obvio que não.
Decisões centralistas.
Nada impede uma rádio ter locução de continuidade desde o Porto ou outra cidade. Nada, só o preconceito, o parolismo.

Julio Carvalho

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Re: AM do Porto - Projectos radiofónicos
« Responder #74 em: Janeiro 14, 2023, 06:03:01 pm »
Vou so fazer aqui um apelo e contar uma história.
O apelo, nunca mais digam nada quando as centralistas RR ou Obs forem ao Porto ou à sua área Metropolitana, não refiram isso. O Zeca fica enervado. Afinal o Porto está tão sosegadinho, e lá vem esses ignorantes centralistas perturbar tudo...

Agora a história, quando a Sim foi fundada, era emitida a partir de Lisboa, Porto, Braga e Évora e mais tarde, quando a Sim adquiriu a Rádio Pal de Palmela, também emitia a partir daí.

E o que se verificada? Ninguém sabia isso, talvez só os ouvintes mais atentos.
Porquê? Em Lisboa as emissões do Aurélio Carlos Moreira não eram muito difrentes, das emissões do José Manuel Monteiro no Porto, nem do Daniel Mogas de Braga, nem do Carlos Coutinho de Évora ou do Carlos Lopes de Palmela.
Tinham música, referências ao tempo e alguma conversa que cada um, no seu estilo, tinha...
Ou seja, não trazia nenhuma mais valia para a rádio...

« Última modificação: Janeiro 14, 2023, 06:06:42 pm por R4 »