Então diga me lá porque não há um UNICA rádio do Porto a nível nacional?
Porque será?
A empresas da Press que era do Porto comprou a TSF, e acabou com a Press e fundindo - a com a TSF.
No Porto, infelizmente, nem uma boa rádio local consegue ter! Porque , as que existiam deixaram se vender e capturar por empresas de Lisboa.
E, responda -. me, porque é que isto acontece?
Porque é que o Porto não se consegue impor na comunicação social?
Se quiser eu até lhe respondo...
Na minha opinião, o que faz a diferença não é tanto a dimensão nem a densidade populacional, mas sim a estrutura da economia que é muito díspar entre as duas cidades. Efetivamente, o Zeca tem razão num ponto: Portugal é centralista ao máximo. Lembro-me de estudar em Geografia no 11ºAno o índice de centralidade e Lisboa tinha dos valores mais altos da OCDE. Lisboa é uma cidade que gravita em torno do poder associado ao aparelho do Estado, de grandes empresas de serviços e dos agentes culturais. Poder esse que não vinha mal ao mundo se fosse melhor repartido equitativamente pelo país. Por cá, o Porto é uma cidade essencialmente industrial, o que, por si só, não gera tanta notícia. Se pensarmos bem, a própria informação não deixa de ter um tanto ou nada de entretenimento: o que enche jornais, as tricas dos corredores de São Bento e os soundbites no plenário. O que atrai, o que vende, é o que está em Lisboa, não por ser Lisboa, mas porque se criou um cluster fechado sobre essa área geográfica, de uma forma que não acontece em qualquer outro país europeu, onde há uma muito maior polarização entre as 2/3 grandes cidades, mais que não seja pelo facto de existir um nível de poder regional (aparte: por cá seria mais uma fonte de jobs for the boys and girls, de mão estendida...a São Bento).
Claro que num país com estas características é impossível a um órgão de comunicação social nacional não assentar a base das suas operações em Lisboa. Senão vejamos, se é em Lisboa que se passa 95% da atividade política relevante para o país, que racional teria, ter uma redação principal sediada a 300 km de distância? Tal justifica que, por exemplo a rádio Nova tenha sido forte na informação, no tempo das vacas gordas... só que em tempos de vacas magras, é pura e simplesmente um modelo impossível. Daí que, por exemplo, uma TSF que baseia muito da sua operação em contratos precários e estagiários, se tenha mudado de armas e bagagens para onde está o que alimenta o negócio da comunicação social. Principalmente, sendo o dinheiro pouco, é normal que se tomem esse tipo de decisões. Claro que principalmente a rádio pública, deveria ter uma representação mínima que fosse, a tal locução de continuidade, pelo menos na segunda cidade do país, para justamente gerar essa externalidade positiva, que potencie a criação de polos culturais fora da capital. A uma rádio privada, não cabe pedir-se essa missão.
Finalmente, a rádio no Porto, face a este panorama, não pode estar muito mais que ligada às máquinas. As que sobrevivem a passar música, o produto mais barato, são, efetivamente umas resistentes.