Apesar das vantagens oferecidas pelas emissões online, não creio que a Internet esteja em condições de substituir as redes convencionais de emissores hertzianos. A começar pela própria natureza da Internet, baseada numa enorme rede de servidores, routers, computadores, etc. Tudo vai bem quando as coisas correm bem, todavia, se houver uma falha grave numa infra-estrutura, a rádio online pode simplesmente deixar de conseguir enviar o "stream".
Por outro lado, imaginem uma rádio que tem uma
média de 1000 ouvintes passar rapidamente, num dia em que a programação ou a actualidade noticiada na emissora em questão o justifica, a ser "sintonizada" por 100000 ouvintes. Haverá capacidade de resposta do servidor do "stream" para um aumento abrupto da audiência? Mais: há um evento catastrófico e os cabos de fibra óptica, as linhas telefónicas e as células das redes móveis e outras estruturas ficam in inoperacionais, se não destruÃdas. A rádio em VHF-FM pode bastar-lhe accionar os geradores nos estúdios e nos emissores. Se o emissor estiver comprometido, pode recorrer a um emissor de reserva. Tenha 1 ou tenha 100000 ouvintes, todos os que se encontrem dentro da área de influência do emissor são servidos.
Outra limitação relevante: estou a ouvir rádio online no carro, através de uma ligação 3h ou 4G. Chego a uma aldeia transmontana perdida no mapa e deixo simplesmente de ouvir, porquanto a rede é muito fraca se não nula, ou porque a velocidade de ligação é muito baixa. E como se não bastasse, tenho um serviço de Internet móvel com tráfego limitado, e plafond, digamos, de 2 GB/mês. Vou ouvir a rádio online X o dia todo, através de um "stream" MP3 a 128 kbps. Será que tenho tráfego até ao final do mês?
Naturalmente que não estou a afirmar que a Internet não seja deveras útil, contudo não é imune a um número razoável de limitações de cariz técnico ou de outras naturezas que podem por vezes inviabilizar a escuta de rádio através da rede global.