Eu diria: Sim, há carências de nível cultural em todo o país, sempre houve. Sou do interior e vivo no interior. O que mais prezo é poder desprezar (sim é este o termo) quem diga estas barbaridades sobre serem atrasados os que são do interior...
Eu vivo no Porto e quando não estou cá, 95% das vezes estou em Lisboa, cidade que seria mentiroso se não dissesse que adoro mesmo. Porém, penso que há um fenómeno que nós nas AMs temos, ainda estes dias comentava isso noutro fórum, a respeito do Investimento Público em qualquer uma destas regiões, que é um senso de superioridade que advém da urbanidade. Nada de mais errado. Não há nada de atrasado no interior, a não ser, obviamente, o investimento do Estado, que teima em não chegar.
Há dois anos, por esta altura, fui a Évora em trabalho, e nesse dia, calhou de estrear no Gil Vicente, em digressão nacional a "Farsa de Inês Pereira" com a Blanco e o Van der Ding. Reparem que Évora não é uma cidade pequena, é a capital da quarta região. Arranjei um bilhete dos de última hora nas galerias. No final, os eborenses estavam a comentar que era a primeira vez em muitos, muitos anos, que uma peça estreava naquela sala, que é monumento nacional, por acaso, mas precisa de restauro rápido. Além disso, há uns bons anos, mesmo descontando a pandemia, que "não lá ia uma peça de Lisboa" (só a expressão arrepia os cabelos). Ao Porto vêm em dois ou três dias de passagem, mas vêm. E o resto do país? De quem é a culpa deste atraso todo? Não é certamente das pessoas.
Se vamos falar dos concertos, o cenário ainda piora. A CP nem sequer tem a consideração de fazer uns IC's especiais para o Porto, Évora e Faro depois dos concertos terminarem, coisa que há muito os promotores pedem. Não convém, dá jeito gastar os 20k lugares para os mesmos. Temos uma macrocefalia, que seca tudo à volta. Esse é um facto incontestável.