"Nos últimos meses, terão ocorrido também, alegadamente, atrasos nos pagamentos de salários."
Quando as empresas começam com estes problemas, normalmente não duram muito, infelizmente. Foi o DN que passou a semanário a dada altura, a venda dos edifícios históricos do DN e do JN, o forte desinvestimento na TSF. Sinais, poderia dizer que há vários. A brincar, a brincar, se a Global Media cai, e se cair não será só pela TSF, começa-se a correr um risco sério em Portugal, que é o de não haver dimensão de mercado para a informação, que vá para lá do setor público, que sabemos que facilmente pode cair em mãos erradas. Isto entronca na questão da mudança de agulha da RR, é mais grave do que passar mais ou menos música: é a própria democracia que vai ficando cada vez mais fragilizada e sem capacidade de escrutínio. Salvam-se as televisões, mas com todo o respeito pelas mesmas, imprensa escrita e rádio estão muito mais vocacionadas para a informação e a TV para o entretenimento, e a situação na Impresa também não é nada famosa. Realmente, Portugal é mesmo a cauda da cauda da Europa, infelizmente.
Em termos de rádio, imaginando que a RR aprofunda este caminho, e que a TSF não aguenta mesmo, podemos correr o risco de ficarmos limitados à Antena 1, que sem concorrência, tenderá a seguir também o caminho mais fácil, e a uma Observador bem pensada mas sem qualquer músculo. Acho que era tempo de quem de direito pensar bem no que quer para este setor, e sim, falo da ERC e do poder político.