Uma conversa por ocasião do aniversário da TSF - entre Fernando Alves e Domingos de Andrade - em que infelizmente se confirma que algo não vai mesmo nada bem:
https://www.newsmuseum.pt/pt/episodio/35-anos-do-jornalismo-sem-fios
Caro/caríssima Mini é capaz de sistematizar o conteúdo da conversa, apresentando as grandes linhas de força?
Basicamente, é uma conversa que vai muito ao encontro daquilo que muitas vezes falamos por aqui. Percebe-se que o problema da TSF não é falta de vontade de fazer mais, é mesmo falta de capital. É afirmado por ambos categoricamente que na TSF os jornalistas ganham muito mal, algo comum a todas as redações, mas na TSF muito em particular.
Fernando Alves a malhar nos podcasts: "a rádio é um bicho assustado, encurralada por todos os lados". Rádio é liberdade à prova de bala, mas está a perder a liberdade, porque o comercial lidera o editorial. Crítica veemente a quem vem de fora da rádio, para a fazer, sem noções.
Domingos Andrade gosta de ouvir as pipocas na rádio, ou seja, os emissores com interferências e problemas, dá genuinidade ao meio. Diz que a sua grande luta é preservar a memória da TSF, do tempo da cooperativa de jornalistas, marceneiros e carpinteiros, e a vitalidade da sua redação.
Fernando Alves afirma que ir ao fim do mundo e ao fim da rua é só um slogan hoje em dia. Há poucos jornalistas e ganham mal, pelo que os novos se "dedicam pouco". Perdeu-se o espírito da pergunta TSF, que era capaz de "rebentar uma bomba no entrevistado". Afirma que há uma menorização do papel da rádio por parte do pessoal mais novo, que vai para a rádio para chegar à TV/digital, e de preferência como pivots. Deixou de existir cursos de jornalismo, para haver cursos de comunicação, o que origina a perda da "paixão da rádio".
DA salienta que os novos jornalistas que vêm para a rádio estão de passagem, não são da rama dos "antigos". Há inúmeros jornalistas que estão na redação e que não sabem minimamente o que é uma rádio, pois só se focam, exclusivamente no online.
Já FA reafirma a importância de ter notícias de 30 em 30 minutos, de estar em cima do acontecimento. Porém, a informação tem de ir mais longe e ter a capacidade de chegar com outra profundidade que não apenas a forma seca dos noticiários aos temas, como se fazia no tempo da TSF pirata. Mantendo-se a forma como está a rádio, mais vale meter os papéis para a reforma.