Estive a ler com atenção. Esta deliberação é absolutamente revolucionária. E deve servir de um alerta para todas as estações locais.
É a primeira vez que leio conceitos como “performance em antena”, “promiscuidade entre conteúdos”, a distinção entre espaço publicitário e cedência de antena, a análise das parcerias, e penso ser das primeiras a incluir da IURD na sua análise.
Abre a porta à possibilidade da IURD poder constar como espaço publicitário, aliás distingue inequivocamente os conteúdos intra da emissão deles, num ato raro de bravura como nem sempre tem ocorrido, e limita dessa forma o máximo de emissão permitido a 6h/dia e sempre sinalizado como publicidade, o que desde logo vai causar severos problemas a dezenas de rádios locais de Norte a Sul que faziam esta mesma figura de cedência da programação. Agora até podem ceder… mas vai sinalizada e vai tirar ao seu outro ganha-pão.
Nem a situação do operador deixar de ter a IURD os safa porque a rescisão é de Dezembro, a análise é de Setembro e a rescisão data de após o período dos primeiros pedidos da ERC… em Dezembro também e só com funções efectivas em Março. E foram mais de 10 anos com IURD, note-se.
Isto é muito grave. Eu então nem sabia que a TSF Madeira era explorada pelo DN e pela própria TSF em exclusivo no continente, sempre pensei que fosse uma empresa madeirense adquirida. Como aliás é habitual nas rádios do universo da Bauer, ou era!
A TSF arrisca-se a perder a estação da Madeira agora. É que da última vez que houve situações de exploração diversa continuada em longo prazo, essas estações foram todas à vida. Agora de repente o caso mais elementar que me ocorre é o da Rádio Capital e da mítica Branca Ferreira, que também metia conteúdos em antena em direto e os disfarçava como produção própria durante 6 anos. A AACS tem esse antecedente e não foi clemente. Aqui, pela maneira como foram ao osso, diria que também não vai ser. E não esquecer que mesmo que não seja… isto não é nada bom para histórico anterior, vamos ter reavaliação de alvarás em 2024 e isso é analisado, ou seja, duas instancias seguidas em que pode cair!
Nos Açores estão mais salvaguardados: a parceria respeitava rigorosamente as separações em antena do que fui ouvindo. Mesmo assim, a falta de pessoal e o uso de conteúdos da TSF sem sinalização também é capaz de valer análise similar… mas nunca nada que casse alvará e coisas muito mais fáceis de trabalhar. Agora na Madeira? Para esquecer.
Que venham mais destas para se dignificar o meio rádio em Portugal!
MPFM: vamos ver se até nem deixa de ser necessário por cassação de alvará. A quem é que vão recorrer a seguir? A um clube desportivo local? À cervejeira local? Qualquer uma destas tem problemas de colocar publicidade em antena a não ser que a coisa seja muito muito bem negociada…