Não está a correr bem de transmissões. Julgo não ter ouvido nenhum espetáculo ao vivo hoje. Todavia a Mega está muito forte em reportagens nas redes sociais. Criam mais conteúdos com imagem (e com qualidade) do que a estação de televisão oficial. Para quem fica em casa é uma outra forma de aproximar ao festival.
Notas sobre as emissões regulares com paineis incomuns: ouvi estes dias o snooze. Matilde Prata a revelar-se uma comunicadora eficaz e com graça, ainda que com um grande caminho a percorrer. Ao lado de um valor seguro como tem vindo a mostrar ser o Diogo Pires, os dois resultaram muito bem com muita cumplicidade. Menos espalhafatosos do que o trio habitual, menos ruído… Hoje, particularmente, gostei bastante. Muitos ouvintes no ar em praticamente todos os momentos, ligaram até para um grupo de amigos que seguia rumo a Espanha. Nada mau para um programa da manhã em Agosto. Melhor do que a mãe RR que hoje nem ouvinte para a Jukebox encontrou.
Tecer também uma nota para o crescimento louvável da Madalena Costa que tem assegurado 13-17. Quando a comecei a escutar aqui em Sintra era notório o quanto tinha para dar em valor ao Grupo R/com. Está a provar o seu talento. Nao acho que este seja o horário certo para ela, mas assim que a Pilar Lourenço sair das 10-13 via-a lá.
A questão das transmissões, dependerá sempre dos artistas, da organização do festival, e não sei se não implicará algum pagamento por parte das rádios.
Por outro lado, ha que destacar a emissão ao vivo até às 02h da manhã, uma hora mais que no Primavera. As GNO são fortes nessa parte, particularmente a Francisca, que tem estado muito bem, interage muito bem, é uma RP nata, e muito bem disposta.
Também com o Conguito a ajudar, ele é forte em Festivais, sem dúvida, há que o reconhecer.
Quanto a talentos, neste momento, a Mega está a atravesar uma fase que acho, sinceramente, boa e, apesar de não descolar nas audiências, está inegavelmente melhor do que no ano passado. Há que reconhecer, as mexidas do último ano foram boas, mesmo com a perda de talentos que teve.
A Matilde, do que ouvi, e vi nos stories, obviamente que precisa de rodar, mas nem acho que assim tanto quanto isso. Há um aspeto que gosto muito nela, disseste e bem que é engraçada, mas não é espalhafatosa. Tem um português muito cuidado, para uma rádio jovem, valorizo muito isso. Há conjunções, advérbios, sabe estruturar bem as frases, nesse aspecto, casa muito bem com o Diogo Pires que também tem uma linguagem rica. Pode não ter a voz mais radiofónica de todas, mas isso, para mim, vale muito pouco. Aprendeu a sorrir com a voz, nisso nota-se imensa evolução face há dois anos, quando fazia as trend news e parecia que estava a debitar, por vezes, cheguei a escrever aqui, até a achava rude e mau feitio. Tem feito o seu caminho, nota muito positiva.
A Madalena, já lho disse pessoalmente, e escrevo aqui, tem pernas para muito mais do que o que está a fazer neste momento. É discreta, mas nota-se que trabalhadora, isso é o mais importante. Não duvido que vá ser um talento de futuro para o grupo. Uma espécie de Teresa Oliveira década de 20, este é o melhor elogio que lhe posso fazer. Muito sóbria, é dona de uma voz distinta, muito madura, faz dela o que quiser e abre-lhe caminho, por exemplo, para tomar conta de umas tardes quando sair a Palma para outras paragens.
A Pilar até tenho gostado de a ouvir no registo solo, quando paro no painel dela. Penso que está a encontrar o registo dela, era importante ter este tempo para poder crescer, lembro que ela teve a ingrata tarefa de começar a fazer locução justamente em dupla (penso que já teria feito as locais da Cidade FM, mas é outra casa, outro registo). Os trocadilhos dela são engraçados, a meu ver, nota-se que há mais cuidado com a escrita dos scripts do que nos inícios. Como sempre escrevi quando debatia com o Júlio, qualquer crítica que fizesse não é à pessoa, gosto de toda a gente por princípio, tendo a espicaçar quem até acho que pode dar mais. E é a hora de dizer que se nota essa evolução.
No global, acho que a rádio foi aos carris, e há notório crescimento de todos. Neste momento, não vejo grande necessidade de mexer em painéis em setembro, posso gostar mais de um ou outro, mas não acho que estejam mal. Por uma questão de mérito, poria o Diogo Pires numa das pontas, eventualmente nas tardes, não acho que ele com a Joana e a Inês funcionasse muito bem, e havendo poucas vozes masculinas, juntá-lo com o Alexandre seria uma má rentabilização do talento.
Para mim, neste momento, temos 6 nomes de excelência na Mega, que podem fazer qualquer painel, com qualquer outro animador, a ordem é aleatória: Catarina Palma, Diogo Pires, Francisca Cabral, Alexandre Guimarães, Madalena Costa, Inês Nogueira. Esta é para mim a primeira linha, a partir da qual qualquer organização de painéis deve de ser estruturada.
PS: Porquê a referência à RR? Há alguma comparação possível no auditório?