Hoje liguei a Mega Hits e mais parecia estar a ouvir a M80, não é que seja mau de todo, mas não é preciso irem recuperar canções de 99-2001, para mim certas canções de 2005-2013 já vão sendo clássicos e enquadravam-se melhor na playlist, não era preciso ir buscar músicas tão antigas.
De facto também por momentos com a mesma sensação, ainda para mais quando por exemplo de tarde ouvi a "Kylie Minogue - Can't Get You Out Of My Head" na Mega e agora à noite exatamente a mesma música na M80.
Não sei se é o caso, mas há algo que não se pode descorar, é que muitas destas músicas antigas estão outra vez a bater muito forte por causa dos reels e do tik-tok, como tal, pode ser uma boa opção para alargar o espectro do público, por lado malta mais nova, por outra os mais chegados aos 30.
O reposicionamento também pode ser feito com outro tipo de abordagem. Por exemplo, hoje o Snooze esteve 35 minutos seguidos com palavra, a partir das 10:00h, na entrevista ao BenjPrice devido ao lançamento do seu novo single, só com o mesmo pelo meio. Isto é fazer diferente e fazer melhor. Verdade que o rapaz é amigo dos animadores, é o marido da Maria Correia, e, portanto, facilmente a conversa floresce, mas ainda assim é de louvar. Podiam aproveitar a embalagem e passar o novo podcast do Alexandre para o ar, fazia todo o sentido.
Não vejo com maus olhos esta transformação da Mega, aliás, como venho aqui referindo, há muito que acho que a mesma deve deslocar da Cidade FM e focar-se no público jovem adulto e menos nos adolescentes. Até porque isto resolve vários problemas, passo a enumerar:
Desde logo, uma Cidade que é fortíssima no target dos adolescentes e onde, já agora, abunda o azeite virgem extra e a palhaçada. É uma rádio feita por garotada, que dá um papel secundário aos melhores quadros (Laura e Inês) e que recebe despromovidos da Liga Adulta. Por isso mesmo, é difícil ganhar a esta equipa, com estas características, quando do outro lado, tens pesssoas diametralmente diferentes, melhores quadros dentro daquilo que vulgarmente se considera que deve ser fazer rádio, alguns deles serão (ou já são) profissionais de excelência.
Por outro lado, a Mega sendo uma rádio mais polida, claramente orientada para um extrato social diferenciado, uma rádio da Emissora Católica Portuguesa, tem de ter alguns limites que não podem ser ultrapassados na Quinta do Bom Pastor, e que o podem ser na Sampaio e Pina. Por isso mesmo, este reposicionamento faz sentido, mais adulto sem perder a informalidade e a qualidade. Pode não trazer audiências no imediato, mas o caminho não se constrói em 3 meses, talvez num ano ou mais. Esta semana houve a nova sessão fotográfica, presumo que venha aí uma campanha de marketing mais agressiva. Mexer na playlist, equilibrando hits do passado (que até podiam ter um espaço dedicado em antena) com hits atuais, novos estilos, do soul ao R&B, algum rock diferente, indie, grove e quiçá até algumas coisas mesmo diferentes, em espaços apropriados. É preferível que repetir a Woman de 30 em 30 minutos. No fundo aquilo que está a fazer a Vodafone faz todo o sentido.
Tem de ser, contudo, muito criteriosa. Mais do que o género musical, importa que o que passa tenha muita qualidade. Podiam também dar alguma liberdade na playlist aos animadores, ou criar um espaço como tem a TSF de "a minha playlist", em que ia rodando entre convidados e locutores..
Precisava também de voltar aos informativos, não digo de hora a hora, mas pelo menos um por painel, e até podia ser aos 30 minutos. Essa ideia de que a malta nova não quer saber do que se passa no mundo é errada. E podiam fazê-lo utilizando os elementos mais jovens da redação, num estilo mais informal, penso, por exemplo, na Beatriz Lopes que me parece ter a cara e voz certas para essa função, mas haverão outros nomes.
Tem de olhar ainda melhor para o horário noturno (o Alexandre precisa de companhia feminina e de um programa mais dinâmico) e para os fins-de-semana, que precisam de conteúdos que atraiam, e com maior iteração do que passar música seguida durante 48 horas.
No fundo, muito do que aqui proponho não custa mais dinheiro ou são investimentos reduzidos. Ninguém fala em adquirir mais locais, embora isso também fosse necessário para cobrir melhor certas áreas do país que hoje não têm uma receção excecional ou mesmo nenhuma, mas com esta lei da rádio e as horas locais acho difícil (sendo certo que podiam continuar a ignorar olimpicamente a mesma). Por outro lado, sabe-se que existe contenção de custos na R/Com.
Há ainda um outro aspeto que este reposicionamento tem de positivo. Permite poupanças. Isto porque se a Mega continuar a ser uma rádio teenager, vai ter de renovar metade do parque de animadores no máximo em ano e meio, pois atingem o prazo de validade. Ao envelhecerem com o auditório, esse problema esbate-se, podendo fazer uma contratação ano, até para cobrir mais licenças de maternidade que irão existir certamente em breve e irem apostando nelas paulatinamente, como irão fazer com a Inês Bento. Por outro lado, dá tempo a que outro pessoal que está acima deles vá saindo do grupo, seja para reforma ou para outras funções e assim vai fazendo uma melhor gestão dos quadros, podendo daqui por 4/5 anos fazer um rejuvenescimento mais a sério.