Vou contar uma história:
A CP tem um maquinista, o Senhor Castro, que presta serviço todos os dias a partir das 06:00. Como esse maquinista entra muito cedo, sai também cedo, e como tal fica com as suas tardes livres. Assim, e como também tem carta de pesados decide aproveitar a oportunidade que o grupo Barraqueiro lhe oferece e vai fazer umas carreiras na hora de ponta da tarde, todos os dias a partir das 17:00 até às 20:00. Até aà nada contra. Por acaso o grupo Barraqueiro, a que pertence a Fertagus, é só o principal concorrente da CP, mas como o senhor de manhã é maquinista, à tarde motorista, não se chocam mutuamente, aceita-se.
Ora, acontece que o Senhor Cristiano Ferreira, CEO da Barraqueiro é avariado e decide num dia mudar as escalas do pessoal por capricho, e portanto que o Senhor Castro vai no dia 14/07 fazer horário da manhã, apesar de saber que o senhor trabalha na CP a essa hora. O Senhor Castro, porque sabe que na CP a progressão é capaz de ser difÃcil e na Barraqueiro pode chegar a Chefe, decide que nesse dia não vai trabalhar na CP, apesar de ter o outro maquinista que trabalha com ele, o Senhor Correia, nesse dia de férias. Para além disso, o Senhor Castro na carreira que vai fazer, vai deixar muitos passageiros na Fertagus!
Posto isto, o chefe de serviço da CP, o Senhor Cunha, que tem vários maquinistas de férias, é obrigado a mexer nas escalas de serviço, que por acaso, ao terceiro dia da semana ainda não foram iguais num único dia. A gestão do pessoal fica curta, numa altura em que a concorrência da Fertagus tem aumentado e a CP vai ficando para trás na luta pela captação de passageiros. Mais, o Senhor Castro, aqui há uns dias, descaiu-se e referiu pelo sistema de som do comboio que até ao final do ano deixaria de acumular funções, deixando a ideia de que a saÃda da CP estaria para breve.
Posto isto, apesar do Senhor Castro poder colocar legalmente um dia de férias, o que deveria fazer o Senhor Cunha, quando já se percebeu que o Senhor Castro não está comprometido com a CP? É verdade que os passageiros gostam muito do Senhor Castro, porque o Senhor Castro é uma estrela na internet. Se vocês fossem o Senhor Cunha, ou melhor ainda, o Conselho de Administração do Grupo CP, o que fariam ao saber de um caso destes?
Opinião: Não despediria o Senhor Castro, mas teria uma conversa muito séria com ele, no sentido de compreender quais os reais objetivos que tem para a carreira. Não estando alinhados, convidaria a uma séria reflexão. Nos entretantos, iria pensando em reorganizar as escalas de serviço para o pós-férias, pois já antes, a Barraqueiro, sei de fonte segura, tinha pensado em por o Senhor Castro a trabalhar nas horas de ponta da manhã!
Agora substituam CP por Mega, Barraqueiro por TVI, Fertagus por Comercial e os Senhores... bem, os nomes não deixam margem para dúvidas!
Contei a história porque, esta situação, numa qualquer empresa, de qualquer outro setor, seria surreal! No meio audiovisual até pode passar assim a modos que, mas não faz muito sentido. A Mafalda está no meio da ponte, mas vai ter de se decidir rapidamente para que lado quer seguir e que patrão quer.