O que eu sei é que se começarem com muitas coisas à volta das redes sociais e da presença nas redes sociais e da influência nas redes sociais não vão ver o cheiro do CV de muita gente que lhes pode salvar (ou no mínimo melhorar) a rádio... e não vão ser putos novos com ótima imagem mas sem a menor profundidade (mas a fingirem tê-la para chegarem a voos mais altos, como agora parece ser moda) que o vão fazer aqui. Lamento.
Ainda agora já vi no Instagram e já começam campanhas absolutamente estúpidas a puxar 2 ou 3 nomes com 50/100 comentários de seguida como se isto fosse aquelas rifas da escola e a coisa se vencesse por volume. Detestei ver isso. Como se rádio fosse ao quilo. Como se a Mega precisasse disso...
Isso depende muito do que eles pretenderam. CV's vão receber às toneladas, disso não tenho grandes dúvidas. Provavelmente, se aparecer alguém com star quality e que seja ainda forte nas redes sociais, provavelmente está lá dentro, como estaria na Cidade.
A malta da minha geração, os 90-95, fomos os últimos que nos pudemos dar ao luxo de ***** para as redes sociais. Os miúdos que nasceram 10 anos depois, estão reféns delas. Vais ficar surpreendido, mas até no corporate já há empresas que apreciam que os seus recém licenciados sejam pessoas com presença relevante nas redes. Há uns tempos ouvi esta de um CEO de uma grande empresa de um dos setores mais tradicionais que temos neste país. Fiquei de boca aberta, porque não era o LI a que se referia. Era mesmo TikTok e Instagram. É publicidade gratuita para as empresas e clientes novos que potencialmente atrai. Tenho para mim que estamos a criar uma sociedade de seres artificiais, e não me refiro à IA. Muitos deles são comerciais, seguramente, mas não estão num stand a vender automóveis ou medicamentos num Hospital. Vidas aparentemente cheias, mas muito, muito vazias. Fim do momento sociólogo tirado por correspondência.
Agora, o que quem gerir o processo de recrutamento tem de ter é uma grande capacidade de ser imune a essa parte e, já agora, sem querer parecer mauzinho, mas também às caras bonitas, até porque elas, mulheres, são sempre mais do que nós, homens. Pelo menos para mim...

Por acaso, a Mega tem tido sorte, porque consegue conjugar talento com beleza de uma forma muito eficaz.
Agora mais a sério, beleza em TV pode vender, mas em rádio nem tanto. Nos últimos anos, há uma grande disparidade de género na Mega, a ponto que, neste momento, durante a semana, só tens um único homem regularmente no ar, o Diogo Pires, que também me palpita que não vai lá durar muito mais tempo. Mesmo para o público feminino, penso que também disponha bem ouvir homens, imagino, partindo da mesma linha de raciocínio.
Na concorrência têm uma Catarina Silva, uma Asize Topal, um Artur Simões, que são gente com rádio dentro. Essa é a bitola que tem que ser seguida aqui, embora seja desejável que não no mesmo registo, claro.
E na Mega tens um Diogo, uma Madalena, uma Maria, uma Pilar, uma Margarida, uma Matilde que estão onde estão não por serem estrelas nas redes, mas sim, por serem qualificadas para fazerem rádio. Depois, ainda tens o caso da Catarina, que chegou pelo cabelo, de início não achei que tivesse corrido lindamente, mas tem crescido significativamente. Nesse capítulo, a Asize tem um percurso muito parecido, vem do mesmo concurso, e a nossa camarada Silva vinha da moda e nem sequer tem formação em Comunicação Social, ela sim é Socióloga. Tem é muito talento, a ponto que, sendo tão nova, já dá aulas. A Catarina foi, sem sombra, um grande achado do Manuel Cabral. Mas é preciso sorte, de ambos os lados.
Vou ainda mais longe: os locutores ideais para a Mega Hits *não podem* ouvir regularmente a Mega Hits. Os motivos são óbvios de evidentes e escuso de referenciar o porquê.
Um bom locutor tem de ouvir um pouco de tudo. Aqui, não tenho medo nenhum de dizer isto. Alguém que goste de rádio, tem de fazer um pouco aquilo que nós por cá fazemos também: picar tudo, de informativas a musicais mainstream, passando pelas mais temáticas e até pelas locais. É assim que cria opinião, alarga horizontes além do seu estilo e gostos pessoais, é assim que cria mundividência. Tem de ouvir também o que se passa, pelo menos do outro lado da fronteira e no UK.
Alguém que respire rádio, tem de saber perceber a técnica, ou, pelo menos, quando entrar, ter sede de a aprender. Não é admissível algumas saídas que, volta e meia via nos IG's, ou que faça emissões há anos e se recuse a mexer numa mesa, ou quando mexe, só fazer asneira.
Contra mim próprio falo a dizer isto que se eu vir as coisas a ser trabalhadas de uma certa forma ou para uma certa ideia, nem o meu CV lá aparece... e eu já passei por 2 rádios neste target. Depende do que eles forem fazer aqui... vamos ver.
É engraçada a percepção com que ficamos só pelo que vemos alguém escrever. Eu diria que tu estarias a entrar no target da RR, não que serias do da Mega. É pela tua maturidade e gosto pela técnica, coisa rara na malta mais nova, pelo que percebo.