Começa muito muito mal este novo canal.
O sujeito nem devia ser convidado, a partir do momento nem deviam ceder a pressões.
Ate porque se quiser convidar gente mais " fora da Caixa" vai sempre existir polémicas e pressões.
Isto promete..
Neste caso já não era só o ser fora da caixa. Houve coisas que ele escreveu que eram de um nível muito rasca. Pelo menos o serviço público que tenha algum critério em quem põe no ar, já que nas privadas muitas vezes o que se quer é "chavascal".
Foi um erro, e não devia ter acontecido. Acho que o tentaram resolver discretamente (como disse no domingo ele já tinha sido substituído) mas não escaparam à polémica. Agora é seguir em frente que daqui a nada a polémica já é outra...
E esperar que mantenham um rumo no canal de notícias. Normalmente o problema da RTP é que como as audiências não aparecem logo na primeira semana, deixam dar o litro e é deixar andar. Até ver, as mudanças parecem-me positivas no geral.
Acrescento só mais este pequeno texto da autoria de Marta Gonçalves (coordenadora de multimedia do Expresso) publicado esta manhã na newsletter diária "Expresso Curto" e com o qual concordo inteiramente...
"Há vários dias, um amigo e colega de redação mostrou-me a fotografia publicada pela RTP com o novo painel de comentadores. “Não é o Gonçalo Sousa?”, questionou ele mais em jeito de afirmação do que de pergunta. Demorei uns segundos. “Acho que não.” Além da minha má visão, a foto estava afastada e aquela figura de casaco claro não me pareceu mesmo a pessoa que era. Eu fiquei convencida de que não era, o meu amigo continuou na dúvida. Há precisamente uma semana, manda-me uma mensagem com um vídeo anexado. “É mesmo ele.” E era, a RTP anunciava Gonçalo Sousa, influenciador e autoproclamado embaixador da “masculinidade tóxica”, como novo comentador da estação pública.
Uma semana se passou e Gonçalo Sousa já não é nem será comentador do canal público. Agora, em resposta ao Expresso, a RTP explica que “ponderou e reviu a sua posição” após ter tomado conhecimento de “alguns comentários feitos no passado pelo próprio”. E, “por ter tomado conhecimento”, entenda-se: um vídeo publicado pela conta @volksvargas, que gerou burburinho e as opiniões do ex-futuro comentador chegaram a mais ouvidos e olhos do que àqueles que tinha chegado até então.
Mas vamos por partes: quem é Gonçalo Sousa? Autointitulado “analista político”, tinha uma conta no X em que publicava comentários racistas, machistas e xenófobos, que foi uma das 15 contas portuguesas suspensas, em 2023, com ligações à extrema-direita. Na altura, apresentava-se também como “empresário, comunicólogo e embaixador da masculinidade tóxica”, como escreve neste artigo a Cátia Barros. Além disso, o influencer, que já foi candidato pelo Chega à vice-presidência da Câmara Municipal de Oeiras, é um dos nomes mencionados no artigo do Expresso sobre “os influencers radicais que aliciam os jovens”.
Na edição semana passada do semanário, no artigo assinado pela Helena Bento e Hugo Franco, Gonçalo Sousa é apontado como um influenciador referenciado devido aos discursos que visam as minorias étnicas — ao contrário de outros exemplos no texto, não é alvo de qualquer inquérito do Ministério Público. Ao Expresso, negou ser autor de conteúdos radicais. “Não me reconheço como autor de discurso de ódio, embora aceite ser reconhecido como influenciador.”
Regressemos então à RTP, que o apresentou como um dos novos comentadores do programa “Estado da Arte”. Num vídeo publicado nas redes sociais do canal público — entretanto apagado —, via-se a jornalista Alberta Marques Fernandes ao lado de três convidados, entre eles o próprio Sousa. Entretanto, o tal vídeo com os vários comentários de Gonçalo Sousa é publicado nas redes sociais e a estação pública “ponderou e reviu a sua posição”. A história é aqui toda contada ao detalhe.
Pode discutir-se tudo nesta história e, facilmente, se vão ouvir opiniões tão díspares como “a RTP nunca deveria ter alterado por causa do ruído online” e “ainda bem que tomaram uma atitude e impediram isto de acontecer”. No entanto, estes episódios têm sempre uma outra consequência que me preocupa particularmente: a descredibilização de quem informa de modo claro, transparente e imparcial. As decisões, as mudanças meio às escondidas e este género de trapalhices deixam desconfiados quem nos lê, ouve e vê, além de ajudarem todas as narrativas anti-media que por aí já circulam.
Não vivemos tempos em que nos possamos dar ao luxo de errar desta forma."
Reafirmo: Vítor Gonçalves e a Direcção de Informação TV estiveram muito mal neste episódio lamentável, no mínimo.