Não acho que o Miguel Soares seja um mau editor de noticiários. Até acho que nas tardes dava mais espaço ao internacional, que muitas vezes falta nas manhãs.
O que acho que falta é imaginação para os espaços depois dos noticiários. Mas isso também está a acontecer nas manhãs. Muitas vezes preenchem-nos com historinhas. Parece que é mais o "vamos lá encher estes 5 minutos" do que a ambição de fazer melhor.
E sinceramente não sei se o Nuno Rodrigues irá fazer melhor... Falta uma direção de informação que queira fazer mais e diferente. A última onde ainda havia alguma dessa ambição foi a do Fausto Coutinho. É verdade que a seguir também saiu muito gente, mas também se caiu num marasmo.
Ainda tinha esperança que o facto de a Observador estar a ultrapassa-los em Lisboa agita-se alguma coisa, mas acho que não.
Parou-se no tempo e não se sai desta formula de enlatados.
Não me choca haver crónicas gravadas, como a do Sena Santos. Se é uma crónica, seja lida em direto ou gravada vai dar um pouco ao mesmo. Mas os espaços em direto têm de ser melhor aproveitados e mais frequentes.
Certo.
Mais dia menos dia parece-me que haverá uma nova Direção de Informação para a rádio e também alguém que vai supervisionar, como Diretor Geral de Informação, a da tv e rádio para acelerar processos de entendimento...
Informo aos moderadores do forum que compreendo perfeitamente se a minha publicação for desligada para o tópico «Grupo RTP», pedindo antecipadamente desculpas pela mesma e aceitando uma putativa advertência pelo assunto fora de contexto.
Creio que o Atento colocou uma questão importante nesta participação.
A RTP é um grupo multimédia e não pode deixar as três vertentes tão estanques.
Há que saber criar boas sinergias entre a televisão, a rádio e o digital.
Sei que o Atento não irá gostar do que irei escrever, mas a altura onde ainda se tentou esboçar algo diferente nesse quesito foi na era Daniel Deusdado/Nuno Artur Silva.
A RTP-Televisão apostou forte nas séries nacionais para dar uma alternativa diferente à concorrência das privadas e dando a conhecer formas diferentes de fazer televisão, bem como novas caras.
Claro que remeter o horário nobre da RTP1 para uma série por dia pode não ter sido a melhor opção, até porque nem todas conseguiam ter a qualidade superlativa de um Vidago Palace ou de um Teorias da Conspiração.
Contudo, a sinergia criada com a RTP Play, ao promover o lançamento dos episódios às 12h, foi interessante.
A rádio (como quase sempre) foi um pouco descartada, mas relembro que foi nessa altura em que a Antena 1 e a RTP-Televisão começaram a partilhar os mesmos jornalistas correspondentes e alguns programas de rádio passaram a ter transmissão televisiva (Eléctrico, No Ar), seguindo uma lógica já experimentada com o 5 para a Uma e o Toca a Todos.
Abordando, ao de leve, a televisão, vejo com bons olhos a produção da RTP2 passar para o Monte da Virgem. Desde 2007 que a melhor fase do canal foi quando este ficou ao cuidado da RTP-Porto e creio ser necessário um estúdio e uma pequena redacção cingida ao canal cultural da RTP.
A haver concessões, creio que o modelo da 2: foi feliz, talvez sendo a época de ouro daquele canal quando este deixou a vertente comercial em 1997. Relembro que havia programas eruditos, vocacionados a instituições presentes na nossa sociedade civil, programas de debate em colaboração com o jornal Público, havia cinema e séries de qualidade, bem como um Desporto 2 e um Jornal 2 robustos e com direcção própria. Além disso, apostou-se na renovação de públicos com a criação de programas como a Revolta dos Pastéis de Nata, o Diário de Sofia (em colaboração com então jovem Antena 3), bem como a génese da marca Zig-Zag.
Este foi, segundo Emídio Rangel, a solução encontrada por Morais Sarmento para que o 2.º Canal não fosse privatizado ao grupo Cofina e a Impresa e a Média Capital (já no início da sua decadência) não perdessem o bolo das receitas publicitárias. E foi uma boa solução!
Não havendo espaço para, como em Espanha, se criar um canal na TDT em exclusivo para a programação infantil e assim esvaziar a RTP2 dessa programação, creio que o regresso da 2: seria o ideal, movendo as séries nacionais da RTP1 para o horário nobre e transformando o Canal 1 da RTP numa lógica primordialmente comercial (sem passar as fronteiras lógicas do serviço público).
Quanto à RTP3, a ser verdade o que o Atento alega, já vai para o 5.º nome em 21 anos dentro do grupo RTP (NTV, RTPN, RTP Informação, RTP3, RTP Notícias).
Relembro que na fase RTPN, havia gente que associava o «N» a Norte, visto grande parte da sua programação ter sido feita através do Monte da Virgem, herdando os quadros da NTV.
Talvez essa foi a melhor fase do canal noticioso da RTP, sobretudo entre 2006/2009, quando se apostou também em programas fora da caixa como a saudosa Liga dos Últimos, chegando a ser o 2.º canal mais visto no cabo (a SIC Notícias era rainha e senhora). Por exemplo, o Antena Aberta era transmitido na RTPN/RTP Informação. Apenas voltou a recuperar algum terreno quando o Nuno Santos assumiu a direcção de informação da RTP e transformou o canal da RTP Informação. Contudo, foi sol de pouca dura e acabou por sair em pleno Relvismo, alegadamente, por não aceitar a entrega dos brutos de uma manifestação à porta do parlamento. A partir daí entrou o comentador económico Paulo Ferreira (que agora está na Rádio Observador) e o canal, bem como a informação da RTP, passou a cair a pique em audiências... Vicissitudes!
A lógica inicial da RTP3 não era totalmente descabida, caso Portugal tivesse o mercado e o público de outros países europeus. Contudo, temos um público propenso a sensacionalismo e aos filtros dos inúmeros paineleiros, além de haver a concorrência de mais 5 canais de informação.
Além disso, desde da saída do Paulo Dentinho que o canal está à deriva, sendo um mero repetidor de noticiários, havendo pouca informação regional e, neste momento, com o fim do Último Apaga a Luz e o Mundo Sem Muros, sem qualquer espaço de comentário político diferenciado.
Quando é que o Sr. Teixeira sai?
Por fim, sobre a rádio, há que apostar mais na promoção da mesma, no rigoroso directo nas rubricas da Antena 1 e seria interessante explorar mais os fluxos entre o diferido (RTP Play) e o linear (FM).
Creio que as transmissões dos principais programas de todas as antenas deveriam ser transmitidos no YouTube e na RTP Play, bem como nas principais redes sociais (Facebook, Instagram, TikTok). Nesse aspecto, deveriam aprender com os brasileiros.
Nem todos os programas seriam um sucesso de visualizações, mas levariam certamente a rádio pública a públicos diferentes.
Já viram os números dos videos que o Nuno Matos publica no Facebook?
E por falar em relatos... Como aqui escrevi, seria bom dar o mesmo veneno que a CMTV, a V+TVI e SportTV+ dá. Relatos em directo nas plataformas digitais e, se possível, tentar negociar com as operadoras, bem como na TDT, a possibilidade de colocar a Antena 1 sobre as imagens dos jogos.
Por fim, até porque a conversa já vai muito longa e já escrevemos muito sobre a estratégia das rádios, num mundo ideal, as rádios actuais da RTP deveriam seguir a seguinte lógica:
Antena 1: Rádio Generalista - Aposta maioritariamente na palavra de qualidade, no rigoroso directo, na informação dinâmica com espaço para as regiões e no desporto (com uma Tarde Desportiva aberta às modalidades e aos jogos da Liga 2 e a um jogo dos distritais por graça, bem como com convidados em estúdio, numa lógica de mistura entre o jornalismo e a animação). A música tem espaço, mas de forma condicionada (2/3 músicas por hora) e em programas de autor. Nos horários nobres, talvez onde vi melhor essa lógica foi no Rádio Clube com gente como João Adelino Faria ou Aurélio Gomes. Era bom que a Antena 1 adoptasse essa lógica e, ainda por cima, consegue conjugar esses nomes com outros de qualidade como uma Inês Menezes - Deveria criar sinergias com a RTP3.;
Antena 2 - Rádio Erudita - Música erudita (clássica, jazz e experimental) e palavra com conteúdo cultural (documentários e entrevistas). Poderia e deveria criar uma parceria boa com a RTP2!
Antena 3 - Rádio Jovem - Já escrevi tanto sobre a Antena 3...
Mas para matar o assunto, em 2021, lancei esta pérola aqui que continua actual. Já muito foi feito desde Abril para cá:
Uma verdadeira «Alternativa Pop»!
Uma rádio que temperasse bem o popular de qualidade com o melhor da música alternativa.
Que, tal como no passado, estivesse sempre em busca de novas bandas/artistas nacionais.
Sem amiguismos ou elitismos.
Que fosse uma academia de novos comunicadores, renovando a equipa existente, deixando alguns históricos de qualidade como o Alvim, o Calado, o Álvaro Costa, o Henrique Amaro ou o Freitas como formadores.
Que fomentassem debates e fossem às escolas e universidades tomar o pulso de como é ser-se jovem nos dias hoje.
Que fosse ágil e que percebesse que a rádio hoje em dia só sobrevive com uma forte presença no digital e de que o Facebook não pode ser a principal ferramenta de divulgação (quando a há).
Os programas de autor podem e devem continuar, aos fins-de-semana, se possível em directo.
Ah, e por falar em directo, que hajam emissões de fim-de-semana e nocturnas e não meros enlatados e mal sincronizados.
Por fim, também penso que a 3 deveria ter uma redacção jornalística própria, editando jornais e tendo dois ou três repórteres na rua.As regionais deveriam seguir a lógica das nacionais, com especial enfoque nas suas regiões (urge haver frequências para as regiões do continente) e deveria se tentar espalhar o sinal da RDP África e RDP Internacional FM/DAB+, pelo menos, nas capitais onde a diáspora tem maior peso.