Autor Tópico: Grupo RTP  (Lida 103794 vezes)

radiokilledtheMTVstar

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Re: Grupo RTP
« Responder #180 em: Junho 20, 2024, 10:26:01 am »
Pedro Duarte, Ministro que tutela a RTP, muito preocupado com o público jovem que não pode ser abandonado pelo grupo. No novo contrato de concessão essa situação é para reverter.
Finalmente um olhar sério sobre isto, e acho que as mudanças na 3 podem ter sido uma jogada de antecipação.

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Atento

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Re: Grupo RTP
« Responder #181 em: Junho 20, 2024, 10:50:02 am »
Pedro Duarte, Ministro que tutela a RTP, muito preocupado com o público jovem que não pode ser abandonado pelo grupo. No novo contrato de concessão essa situação é para reverter.
Finalmente um olhar sério sobre isto, e acho que as mudanças na 3 podem ter sido uma jogada de antecipação.

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Creio que a aposta forte e substancial passará pelo digital.

O objetivo será dotar e preparar o grupo RTP para as décadas de 30 e 40 do século XXI.

O Bigode do Sala

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Re: Grupo RTP
« Responder #182 em: Junho 20, 2024, 11:29:24 am »
Pedro Duarte, Ministro que tutela a RTP, muito preocupado com o público jovem que não pode ser abandonado pelo grupo. No novo contrato de concessão essa situação é para reverter.
Finalmente um olhar sério sobre isto, e acho que as mudanças na 3 podem ter sido uma jogada de antecipação.

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Se a tutela dele conseguir mexer com a Antena 3 e com a RTP2, sem querer entregá-las de bandeja aos OPT, é só substituir o nome do protagonista por Pedro Duarte! =)

https://www.youtube.com/watch?v=eOpGCGtCVsE&t=49s

Toca a meter o grupo RTP relevante nas redes sociais! A roda está há muito inventada.
Privilegiar os directos e colocá-los em simultâneo no YouTube, Instagram, Facebook e criar TikTok's!

https://www.youtube.com/watch?v=ydVuJOO1bsM

Há que apostar na RTP3 e RTP Internacional nos serviços de televisão por cabo onde a nossa diáspora é mais representada.

A RTP deve cumprir o serviço público, não cair em facilitismos popularuchos das privadas, mas não deve ser irrelevante.

Não sou tão catastrofista em relação ao pelouro do Reis e NAS na RTP. A RTP Play cresceu imenso e trabalhou-se, como nunca mais se trabalhou, em ficção nacional de qualidade. Essa ficção deve  voltar e ser colocada no horário nobre da RTP2, por exemplo.

Aleluia, meus camaradas!!!!!
« Última modificação: Junho 20, 2024, 11:31:38 am por O Bigode do Sala »
«O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta! Inventor de algo que não havia no Mundo antes de eles nascerem!
E inteiramente individual: cada um poeta que é!»

Agostinho da Silva

Memorias da Radio

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Re: Grupo RTP
« Responder #183 em: Junho 20, 2024, 01:41:54 pm »
Já agora, uma curiosidade, se alguém me souber esclarecer: lembro-me de o Regiões ter emissão nacional com este genérico, era a Patrícia Gallo e o Daniel Catalão que o apresentavam. Porém, neste excerto, que se calhar até é do AG, pelas iniciais, vejo que existia emissão regional. Só passava em algumas partes do país?

https://www.youtube.com/watch?v=Mm9878rGLo8

Havia um bloco (como no País País) em directo de Lisboa, o qual noticiava os principais acontecimentos locais a todo o país e, de seguida, havia outro bloco (como no País Regiões) em que havia um desdobramento de emissão.
Na região de Lisboa, a emissão continuava no mesmo estúdio e com a mesma pivô (tenho remotas memórias que já era a Dina Aguiar, mas também a Fátima Campos Ferreira por lá passou).
Eu hoje estou com dúvidas se a minha região transmitia o desdobramento de Castelo Branco ou se era mesmo a emissão de Lisboa. Esse modelo de desdobramentos de emissão durou até à Hora da Mudança em Março de 2004. Nessa altura, o Regiões passou a ser transmitido, em simultâneo, em Lisboa (Dina Aguiar) e no Porto (Daniel Catalão), revezando as notícias entre si.

Entretanto, entre desdobramentos, a RTP1 emitia isto... que desbloqueador de memórias...

https://youtu.be/bTPXVnOt9LY?si=H5fY_qfRrDil01aq

Por fim, o Emídio Rangel, apesar de já ter convido pouco no seu auge, era um visionário e revolucionou, com as suas equipas, os média em Portugal. Com o que tudo o de bom e de mau isso acarreta...

Santarém transmitia a emissão de Lisboa, Castelo Branco tinha desdobramento próprio, e autenticamente depende... do emissor que escolhesses e fosse mais forte na tua zona, isto porque:

Lousã transmitia Coimbra (possivelmente com sinal fraco na tua zona)
Gardunha transmitia Castelo Branco e penso que alguns retransmissores do Pinhal Interior de Leiria também (era bom para perguntar à PT lol)
Montejunto transmitia Lisboa, muito por culpa dessa serra estar... em Lisboa

Por experiência própria: Grândola e Palmela retransmitiam Lisboa mas por vezes havia engano e retransmitiam Évora; a Setúbal chegavam Lisboa, Palmela, Grândola razoável, Montejunto com sinal fraco, Lousã em zonas altas e com sinal fraco, e Serra de Ossa com sinal vídeo muito fraco e quase ininteligível no som.

Há um episódio célebre em 2000/2001 em que o País Regiões falha no emissor de Palmela e retransmitiram... a RTP Madeira. Tenho viva memória também de problemas de comutação em que ias a mira técnica por segundos ou por vezes 1/2 minutos. Tornaram-se mais frequentes em 2002 por causa da pressão e das ordens do Emídio Rangel para emitir o Regiões às 14h, isto porque a emissão tinha que comutar do Porto para Lisboa e depois é que redistribuía de Lisboa para todo o lado - as regências de antena, figura que existira até Rangel, desapareceram todas e ficou só Lisboa a gerir tudo.

Esta é também a razão pela qual a locução de programação ficou mais fraca: passou a ser feita por quem estava na régie a comandar, não por locutores profissionais.

Penso que a Guarda retransmitia da Gardunha, não de Coimbra.


Emídio Rangel em 2001 assumiu a RTP e foi afastado por Almerindo Marques por ingerência política, quando a RTP1 estava a morder os calcanhares à TVI em muitos horários, numa altura em que a estação de Queluz de Baixo vivia o apogeu do Big Brother.

Em 2007, Sócrates decide afastar José Rodrigues dos Santos da direcção de informação do canal. A RTP1 estava no 2.º lugar das audiências, muito bem consolidada (daí o ódio ao PS por parte do JRS).

O modelo actual da RTP3 foi adoptado pela reforma na RTPN levada a cabo pelo, na minha opinião, melhor director de televisão em Portugal, Nuno Santos.
Quando, em pleno Relvismo, a RTP Informação se estava a aproximar da SIC Notícias e tinha mais audiências que a TVI24, o Governo do Passos Coelho afastou o Nuno Santos da direcção, arranjando aquele bode expiatório das imagens não concedidas da manifestação.
Em 2002, tal como no período anterior a Emídio Rangel na direcção do canal, a RTP1 estava longíssima da TVI e da SIC, excepto nas manhãs e início de tardes. Nesse ano subiu ligeiramente de audiências.
Rangel foi afastado porque ganhava um salário proibitivo e por ter posto o canal numa cruzada desesperada anti-governo (a fazer lembrar o que fez a Balsemão no ano anterior na SIC), quando este tomou posse.

A questão do JRS já foi esclarecida pelo Atento. Foi no governo de Santana Lopes.

Julgo que a RTP Informação estava atrás da TVI24 na altura em que o Nuno Santos foi afastado no final do ano de 2012, mas de qualquer forma o afastamento não fez sentido. A informação da RTP precisava de estabilidade pois tinham sido três figuras muito importantes (JAC e Judite Sousa), e isso só desestabilizou. Acho mesmo que só em 2015 é que se notou uma melhoria na informação do canal com a entrada de Paulo Dentinho, que ao contrário da opinião do Atento, fez um bom trabalho na minha opinião.

Sobre o Emídio Rangel na RTP, creio que o «principal mal dele» foi ter sido uma escolha socialista, numa altura em que Portugal alegadamente «estava de tanga», além de acarretar o facto de, claramente, este ter um pendor político mais próximo do PS.
Agora, quer a nível gráfico, quer a nível de organização de grelha, o pouco tempo que teve na RTP foi uma autêntica pedrada no charco. A RTP, segundo leio, estava num estado calamitoso, não só em audiências, como em contas.
Exemplos como o Bom Dia Portugal, o qual foi uma marca que ele soube resgatar dos idos anos 80, tendo inovações que, à época, estavam em linha com o que melhor se fazia na Europa.
Era um espaço muito mais completo (e caro, é certo) que o actual.
Além disso, foi o primeiro jornal matutino no pós-início das privadas em Portugal. Também chegou com nomes de peso da ainda líder SIC (apesar desta estar a perder o fôlego com o início do Big Brother em Setembro de 2000).
O Preço Certo em Euros às 19h00 é outra marca do Rangel, na altura, apresentado pelo Jorge Gabriel, ganhando a importância que tem quando este migrou para a Praça da Alegria, substituindo o Manuel Luís Goucha, dando lugar ao Fernando Mendes... até hoje!
As privadas foram atrás, como o Atento referiu.
Com essa leva, veio também algo do «pior» que as televisões privadas faziam e aí foi um pecado mortal. Programas como o Gregos & Troianos não se podia coadunar com um serviço público.
Além de que já se notava que era necessário mais que telenovelas enlatadas da América Latina nas tardes e isso Rangel não conseguiu cortar.

Ainda me lembro disto passar nas tardes da RTP1, numa bela dobragem em português do Brasil, antes da repetição dos Riscos e dos desenhos animados. xD

https://www.youtube.com/watch?v=OrPlZDlD7mA&list=PLa5DLqsgytIY56wnpMqydgTMCF-3AjPaP&index=2

Era criança, mas lembro-me bem melhor da programação da televisão que da rádio nessa era.


Sobre o JRS, sim, foi lapso meu. Sabia que tinha havido uma celeuma no tempo do Sócrates a qual foi alvo da sátira dos Gato Fedorento, mas pensava que tinha sido nessa altura em que ele saiu da direcção de informação.


Sobre a RTP Informação, é difícil arranjar dados esquematizados das audiências no cabo, mas consegui arranjar isto.
https://www.atelevisao.com/geral/audiencias-de-6a-feira-02-03-2012/

A SIC Notícias era rainha e senhora, o canal mais visto no cabo, tendo quase o dobro da concorrência na informação. Mas a RTP Informação estava à frente da TVI24 que, com a quebra da estação pública mencionada pelo Atento, é que conseguiu chegar ao 2.º lugar nos canais de informação (não conto a CMTV nesses cálculos). Por fim, esta só conseguiu ser líder constante já como CNN Portugal, trono que duvido muito que o NewsNow ou a SIC Notícias consiga ocupar tão depressa.
Quando tiver mais tempo vou ver se obtenho mais dados da RTP Informação em 2012 para tirar isso a limpo.

Quanto à passagem do Emídio Rangel pela RTP até concordo contigo. De facto a renovação gráfica efectuada nos dois canais principais e também na informação foi uma boa pedrada no charco que os seus sucessores souberam manter até à mudança de sede da empresa em 2004.

Bom Dia Portugal foi uma aposta mais que justificada, mau grado alguns exageros (caros) como a utilização de helicópteros para o trânsito e uns 3 ou 4 pivots. Claro que isso teria mais cedo ou mais tarde que ser cortado porque a situação financeira da empresa - e aqui por grande responsabilidade do governo de Guterres - era calamitosa.

O Preço Certo Em Euros também foi uma boa aposta (assim como o concurso Elo Mais Fraco); ao contrário de outras apostas e que fugiam muito do que devia ser um serviço público (Gregos e Troianos, Fábrica de Anedotas). Apesar de tudo, a RTP1 estava num rumo mais ou menos certo como o futuro o iria demonstrar. Bastava reequilibrar o canal com uma maior aposta na informação e recuperar alguma sobriedade na restante grelha, o que foi feito com a dupla Luís Andrade e Nuno Santos na direção. Os resultados apareceram logo, de uns 20/21% em 2002 a RTP passado um ano está nos 23/24% share diário.

Quanto às novelas latinas, Rangel precisamente - e bem - acabou com a sua transmissão nas tardes da RTP1. Tanto assim que quando ele saiu, a novela Carita de Anjo que tinha sido interrompida por sua ordem, teve de voltar a ser transmitida para que a RTP cumprisse o contrato.

Até um pouco mais que isso: a RTP consegue assegurar consistentemente shares de 29/30/31% entre 2006 e 2009 e manda a SIC de 1a para 3a em múltiplos momentos. Quando havia Dança Comigo era certinho a SIC ser terceira.

Carita de Anjo penso que foi relegada para as madrugadas, não foi?

Rangel foi polémico mas sabia fazer boa televisão. O Gregos e Troianos da época, ao pé de muita coisa que se fez depois, até era mais decente. O Telejornal é que estava muito desequilibrado no pico dessa era... e claro, meter Fábrica das Anedotas e Playboy no serviço público, vai lá vai.

Uma coisa que fez muita confusão na época foram as renovações de grafismo: a RTP muda os separadores em Setembro de 2000, mexe novamente em Setembro de 2001 já com Rangel à frente e uma imagem que não dura mais que 3/4 meses, e depois mexe novamente em 29 de janeiro de 2002. Tenho esta memória vivida de sairem críticas à RTP pelas mudanças de Setembro/01 e Janeiro/02 e muita falta de compreensão no processo, isto nas revistas da época (TV Mais/TV 7 Dias) que consumi mais nessa altura, mas penso que também no Público.

De qualquer forma foi uma época excelente que nunca mais voltou.
« Última modificação: Junho 20, 2024, 01:44:43 pm por Memorias da Radio »

Atento

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Re: Grupo RTP
« Responder #184 em: Junho 20, 2024, 01:50:57 pm »
Já agora, uma curiosidade, se alguém me souber esclarecer: lembro-me de o Regiões ter emissão nacional com este genérico, era a Patrícia Gallo e o Daniel Catalão que o apresentavam. Porém, neste excerto, que se calhar até é do AG, pelas iniciais, vejo que existia emissão regional. Só passava em algumas partes do país?

https://www.youtube.com/watch?v=Mm9878rGLo8

Havia um bloco (como no País País) em directo de Lisboa, o qual noticiava os principais acontecimentos locais a todo o país e, de seguida, havia outro bloco (como no País Regiões) em que havia um desdobramento de emissão.
Na região de Lisboa, a emissão continuava no mesmo estúdio e com a mesma pivô (tenho remotas memórias que já era a Dina Aguiar, mas também a Fátima Campos Ferreira por lá passou).
Eu hoje estou com dúvidas se a minha região transmitia o desdobramento de Castelo Branco ou se era mesmo a emissão de Lisboa. Esse modelo de desdobramentos de emissão durou até à Hora da Mudança em Março de 2004. Nessa altura, o Regiões passou a ser transmitido, em simultâneo, em Lisboa (Dina Aguiar) e no Porto (Daniel Catalão), revezando as notícias entre si.

Entretanto, entre desdobramentos, a RTP1 emitia isto... que desbloqueador de memórias...

https://youtu.be/bTPXVnOt9LY?si=H5fY_qfRrDil01aq

Por fim, o Emídio Rangel, apesar de já ter convido pouco no seu auge, era um visionário e revolucionou, com as suas equipas, os média em Portugal. Com o que tudo o de bom e de mau isso acarreta...

Santarém transmitia a emissão de Lisboa, Castelo Branco tinha desdobramento próprio, e autenticamente depende... do emissor que escolhesses e fosse mais forte na tua zona, isto porque:

Lousã transmitia Coimbra (possivelmente com sinal fraco na tua zona)
Gardunha transmitia Castelo Branco e penso que alguns retransmissores do Pinhal Interior de Leiria também (era bom para perguntar à PT lol)
Montejunto transmitia Lisboa, muito por culpa dessa serra estar... em Lisboa

Por experiência própria: Grândola e Palmela retransmitiam Lisboa mas por vezes havia engano e retransmitiam Évora; a Setúbal chegavam Lisboa, Palmela, Grândola razoável, Montejunto com sinal fraco, Lousã em zonas altas e com sinal fraco, e Serra de Ossa com sinal vídeo muito fraco e quase ininteligível no som.

Há um episódio célebre em 2000/2001 em que o País Regiões falha no emissor de Palmela e retransmitiram... a RTP Madeira. Tenho viva memória também de problemas de comutação em que ias a mira técnica por segundos ou por vezes 1/2 minutos. Tornaram-se mais frequentes em 2002 por causa da pressão e das ordens do Emídio Rangel para emitir o Regiões às 14h, isto porque a emissão tinha que comutar do Porto para Lisboa e depois é que redistribuía de Lisboa para todo o lado - as regências de antena, figura que existira até Rangel, desapareceram todas e ficou só Lisboa a gerir tudo.

Esta é também a razão pela qual a locução de programação ficou mais fraca: passou a ser feita por quem estava na régie a comandar, não por locutores profissionais.

Penso que a Guarda retransmitia da Gardunha, não de Coimbra.


Emídio Rangel em 2001 assumiu a RTP e foi afastado por Almerindo Marques por ingerência política, quando a RTP1 estava a morder os calcanhares à TVI em muitos horários, numa altura em que a estação de Queluz de Baixo vivia o apogeu do Big Brother.

Em 2007, Sócrates decide afastar José Rodrigues dos Santos da direcção de informação do canal. A RTP1 estava no 2.º lugar das audiências, muito bem consolidada (daí o ódio ao PS por parte do JRS).

O modelo actual da RTP3 foi adoptado pela reforma na RTPN levada a cabo pelo, na minha opinião, melhor director de televisão em Portugal, Nuno Santos.
Quando, em pleno Relvismo, a RTP Informação se estava a aproximar da SIC Notícias e tinha mais audiências que a TVI24, o Governo do Passos Coelho afastou o Nuno Santos da direcção, arranjando aquele bode expiatório das imagens não concedidas da manifestação.
Em 2002, tal como no período anterior a Emídio Rangel na direcção do canal, a RTP1 estava longíssima da TVI e da SIC, excepto nas manhãs e início de tardes. Nesse ano subiu ligeiramente de audiências.
Rangel foi afastado porque ganhava um salário proibitivo e por ter posto o canal numa cruzada desesperada anti-governo (a fazer lembrar o que fez a Balsemão no ano anterior na SIC), quando este tomou posse.

A questão do JRS já foi esclarecida pelo Atento. Foi no governo de Santana Lopes.

Julgo que a RTP Informação estava atrás da TVI24 na altura em que o Nuno Santos foi afastado no final do ano de 2012, mas de qualquer forma o afastamento não fez sentido. A informação da RTP precisava de estabilidade pois tinham sido três figuras muito importantes (JAC e Judite Sousa), e isso só desestabilizou. Acho mesmo que só em 2015 é que se notou uma melhoria na informação do canal com a entrada de Paulo Dentinho, que ao contrário da opinião do Atento, fez um bom trabalho na minha opinião.

Sobre o Emídio Rangel na RTP, creio que o «principal mal dele» foi ter sido uma escolha socialista, numa altura em que Portugal alegadamente «estava de tanga», além de acarretar o facto de, claramente, este ter um pendor político mais próximo do PS.
Agora, quer a nível gráfico, quer a nível de organização de grelha, o pouco tempo que teve na RTP foi uma autêntica pedrada no charco. A RTP, segundo leio, estava num estado calamitoso, não só em audiências, como em contas.
Exemplos como o Bom Dia Portugal, o qual foi uma marca que ele soube resgatar dos idos anos 80, tendo inovações que, à época, estavam em linha com o que melhor se fazia na Europa.
Era um espaço muito mais completo (e caro, é certo) que o actual.
Além disso, foi o primeiro jornal matutino no pós-início das privadas em Portugal. Também chegou com nomes de peso da ainda líder SIC (apesar desta estar a perder o fôlego com o início do Big Brother em Setembro de 2000).
O Preço Certo em Euros às 19h00 é outra marca do Rangel, na altura, apresentado pelo Jorge Gabriel, ganhando a importância que tem quando este migrou para a Praça da Alegria, substituindo o Manuel Luís Goucha, dando lugar ao Fernando Mendes... até hoje!
As privadas foram atrás, como o Atento referiu.
Com essa leva, veio também algo do «pior» que as televisões privadas faziam e aí foi um pecado mortal. Programas como o Gregos & Troianos não se podia coadunar com um serviço público.
Além de que já se notava que era necessário mais que telenovelas enlatadas da América Latina nas tardes e isso Rangel não conseguiu cortar.

Ainda me lembro disto passar nas tardes da RTP1, numa bela dobragem em português do Brasil, antes da repetição dos Riscos e dos desenhos animados. xD

https://www.youtube.com/watch?v=OrPlZDlD7mA&list=PLa5DLqsgytIY56wnpMqydgTMCF-3AjPaP&index=2

Era criança, mas lembro-me bem melhor da programação da televisão que da rádio nessa era.


Sobre o JRS, sim, foi lapso meu. Sabia que tinha havido uma celeuma no tempo do Sócrates a qual foi alvo da sátira dos Gato Fedorento, mas pensava que tinha sido nessa altura em que ele saiu da direcção de informação.


Sobre a RTP Informação, é difícil arranjar dados esquematizados das audiências no cabo, mas consegui arranjar isto.
https://www.atelevisao.com/geral/audiencias-de-6a-feira-02-03-2012/

A SIC Notícias era rainha e senhora, o canal mais visto no cabo, tendo quase o dobro da concorrência na informação. Mas a RTP Informação estava à frente da TVI24 que, com a quebra da estação pública mencionada pelo Atento, é que conseguiu chegar ao 2.º lugar nos canais de informação (não conto a CMTV nesses cálculos). Por fim, esta só conseguiu ser líder constante já como CNN Portugal, trono que duvido muito que o NewsNow ou a SIC Notícias consiga ocupar tão depressa.
Quando tiver mais tempo vou ver se obtenho mais dados da RTP Informação em 2012 para tirar isso a limpo.

Quanto à passagem do Emídio Rangel pela RTP até concordo contigo. De facto a renovação gráfica efectuada nos dois canais principais e também na informação foi uma boa pedrada no charco que os seus sucessores souberam manter até à mudança de sede da empresa em 2004.

Bom Dia Portugal foi uma aposta mais que justificada, mau grado alguns exageros (caros) como a utilização de helicópteros para o trânsito e uns 3 ou 4 pivots. Claro que isso teria mais cedo ou mais tarde que ser cortado porque a situação financeira da empresa - e aqui por grande responsabilidade do governo de Guterres - era calamitosa.

O Preço Certo Em Euros também foi uma boa aposta (assim como o concurso Elo Mais Fraco); ao contrário de outras apostas e que fugiam muito do que devia ser um serviço público (Gregos e Troianos, Fábrica de Anedotas). Apesar de tudo, a RTP1 estava num rumo mais ou menos certo como o futuro o iria demonstrar. Bastava reequilibrar o canal com uma maior aposta na informação e recuperar alguma sobriedade na restante grelha, o que foi feito com a dupla Luís Andrade e Nuno Santos na direção. Os resultados apareceram logo, de uns 20/21% em 2002 a RTP passado um ano está nos 23/24% share diário.

Quanto às novelas latinas, Rangel precisamente - e bem - acabou com a sua transmissão nas tardes da RTP1. Tanto assim que quando ele saiu, a novela Carita de Anjo que tinha sido interrompida por sua ordem, teve de voltar a ser transmitida para que a RTP cumprisse o contrato.

Até um pouco mais que isso: a RTP consegue assegurar consistentemente shares de 29/30/31% entre 2006 e 2009 e manda a SIC de 1a para 3a em múltiplos momentos. Quando havia Dança Comigo era certinho a SIC ser terceira.

Carita de Anjo penso que foi relegada para as madrugadas, não foi?

Rangel foi polémico mas sabia fazer boa televisão. O Gregos e Troianos da época, ao pé de muita coisa que se fez depois, até era mais decente. O Telejornal é que estava muito desequilibrado no pico dessa era... e claro, meter Fábrica das Anedotas e Playboy no serviço público, vai lá vai.

Uma coisa que fez muita confusão na época foram as renovações de grafismo: a RTP muda os separadores em Setembro de 2000, mexe novamente em Setembro de 2001 já com Rangel à frente e uma imagem que não dura mais que 3/4 meses, e depois mexe novamente em 29 de janeiro de 2002. Tenho esta memória vivida de sairem críticas à RTP pelas mudanças de Setembro/01 e Janeiro/02 e muita falta de compreensão no processo, isto nas revistas da época (TV Mais/TV 7 Dias) que consumi mais nessa altura, mas penso que também no Público.

De qualquer forma foi uma época excelente que nunca mais voltou.


A RTP válida com

Com Nuno Santos e Andrade pai na direção de programas

Com Marinho na direção de informação

Com JRS , JAC e JAF (fim de semana no Telejornal)

Com Judite Sousa a fazer entrevistas à quinta.


E mais havia para dizer...

AG

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Re: Grupo RTP
« Responder #185 em: Junho 20, 2024, 02:00:43 pm »
Já agora, uma curiosidade, se alguém me souber esclarecer: lembro-me de o Regiões ter emissão nacional com este genérico, era a Patrícia Gallo e o Daniel Catalão que o apresentavam. Porém, neste excerto, que se calhar até é do AG, pelas iniciais, vejo que existia emissão regional. Só passava em algumas partes do país?

https://www.youtube.com/watch?v=Mm9878rGLo8

Havia um bloco (como no País País) em directo de Lisboa, o qual noticiava os principais acontecimentos locais a todo o país e, de seguida, havia outro bloco (como no País Regiões) em que havia um desdobramento de emissão.
Na região de Lisboa, a emissão continuava no mesmo estúdio e com a mesma pivô (tenho remotas memórias que já era a Dina Aguiar, mas também a Fátima Campos Ferreira por lá passou).
Eu hoje estou com dúvidas se a minha região transmitia o desdobramento de Castelo Branco ou se era mesmo a emissão de Lisboa. Esse modelo de desdobramentos de emissão durou até à Hora da Mudança em Março de 2004. Nessa altura, o Regiões passou a ser transmitido, em simultâneo, em Lisboa (Dina Aguiar) e no Porto (Daniel Catalão), revezando as notícias entre si.

Entretanto, entre desdobramentos, a RTP1 emitia isto... que desbloqueador de memórias...

https://youtu.be/bTPXVnOt9LY?si=H5fY_qfRrDil01aq

Por fim, o Emídio Rangel, apesar de já ter convido pouco no seu auge, era um visionário e revolucionou, com as suas equipas, os média em Portugal. Com o que tudo o de bom e de mau isso acarreta...
Os desdobramentos regionais acabaram no final de 2002, em que o formato foi substituído por esse Regiões com a Dina em Lisboa e o Daniel no Porto.

@Memórias, a Carita de Anjo deu toda à tarde, em dose dupla para despachar o produto. E o Rangel só entra na RTP em Outubro de 2001 quando tinham estreado esses separadores há um mês, ainda no tempo do Jaime Fernandes.

O Bigode do Sala

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Re: Grupo RTP
« Responder #186 em: Junho 20, 2024, 03:38:13 pm »
Já agora, uma curiosidade, se alguém me souber esclarecer: lembro-me de o Regiões ter emissão nacional com este genérico, era a Patrícia Gallo e o Daniel Catalão que o apresentavam. Porém, neste excerto, que se calhar até é do AG, pelas iniciais, vejo que existia emissão regional. Só passava em algumas partes do país?

https://www.youtube.com/watch?v=Mm9878rGLo8

Havia um bloco (como no País País) em directo de Lisboa, o qual noticiava os principais acontecimentos locais a todo o país e, de seguida, havia outro bloco (como no País Regiões) em que havia um desdobramento de emissão.
Na região de Lisboa, a emissão continuava no mesmo estúdio e com a mesma pivô (tenho remotas memórias que já era a Dina Aguiar, mas também a Fátima Campos Ferreira por lá passou).
Eu hoje estou com dúvidas se a minha região transmitia o desdobramento de Castelo Branco ou se era mesmo a emissão de Lisboa. Esse modelo de desdobramentos de emissão durou até à Hora da Mudança em Março de 2004. Nessa altura, o Regiões passou a ser transmitido, em simultâneo, em Lisboa (Dina Aguiar) e no Porto (Daniel Catalão), revezando as notícias entre si.

Entretanto, entre desdobramentos, a RTP1 emitia isto... que desbloqueador de memórias...

https://youtu.be/bTPXVnOt9LY?si=H5fY_qfRrDil01aq

Por fim, o Emídio Rangel, apesar de já ter convido pouco no seu auge, era um visionário e revolucionou, com as suas equipas, os média em Portugal. Com o que tudo o de bom e de mau isso acarreta...

Santarém transmitia a emissão de Lisboa, Castelo Branco tinha desdobramento próprio, e autenticamente depende... do emissor que escolhesses e fosse mais forte na tua zona, isto porque:

Lousã transmitia Coimbra (possivelmente com sinal fraco na tua zona)
Gardunha transmitia Castelo Branco e penso que alguns retransmissores do Pinhal Interior de Leiria também (era bom para perguntar à PT lol)
Montejunto transmitia Lisboa, muito por culpa dessa serra estar... em Lisboa

Por experiência própria: Grândola e Palmela retransmitiam Lisboa mas por vezes havia engano e retransmitiam Évora; a Setúbal chegavam Lisboa, Palmela, Grândola razoável, Montejunto com sinal fraco, Lousã em zonas altas e com sinal fraco, e Serra de Ossa com sinal vídeo muito fraco e quase ininteligível no som.

Há um episódio célebre em 2000/2001 em que o País Regiões falha no emissor de Palmela e retransmitiram... a RTP Madeira. Tenho viva memória também de problemas de comutação em que ias a mira técnica por segundos ou por vezes 1/2 minutos. Tornaram-se mais frequentes em 2002 por causa da pressão e das ordens do Emídio Rangel para emitir o Regiões às 14h, isto porque a emissão tinha que comutar do Porto para Lisboa e depois é que redistribuía de Lisboa para todo o lado - as regências de antena, figura que existira até Rangel, desapareceram todas e ficou só Lisboa a gerir tudo.

Esta é também a razão pela qual a locução de programação ficou mais fraca: passou a ser feita por quem estava na régie a comandar, não por locutores profissionais.

Penso que a Guarda retransmitia da Gardunha, não de Coimbra.


Emídio Rangel em 2001 assumiu a RTP e foi afastado por Almerindo Marques por ingerência política, quando a RTP1 estava a morder os calcanhares à TVI em muitos horários, numa altura em que a estação de Queluz de Baixo vivia o apogeu do Big Brother.

Em 2007, Sócrates decide afastar José Rodrigues dos Santos da direcção de informação do canal. A RTP1 estava no 2.º lugar das audiências, muito bem consolidada (daí o ódio ao PS por parte do JRS).

O modelo actual da RTP3 foi adoptado pela reforma na RTPN levada a cabo pelo, na minha opinião, melhor director de televisão em Portugal, Nuno Santos.
Quando, em pleno Relvismo, a RTP Informação se estava a aproximar da SIC Notícias e tinha mais audiências que a TVI24, o Governo do Passos Coelho afastou o Nuno Santos da direcção, arranjando aquele bode expiatório das imagens não concedidas da manifestação.
Em 2002, tal como no período anterior a Emídio Rangel na direcção do canal, a RTP1 estava longíssima da TVI e da SIC, excepto nas manhãs e início de tardes. Nesse ano subiu ligeiramente de audiências.
Rangel foi afastado porque ganhava um salário proibitivo e por ter posto o canal numa cruzada desesperada anti-governo (a fazer lembrar o que fez a Balsemão no ano anterior na SIC), quando este tomou posse.

A questão do JRS já foi esclarecida pelo Atento. Foi no governo de Santana Lopes.

Julgo que a RTP Informação estava atrás da TVI24 na altura em que o Nuno Santos foi afastado no final do ano de 2012, mas de qualquer forma o afastamento não fez sentido. A informação da RTP precisava de estabilidade pois tinham sido três figuras muito importantes (JAC e Judite Sousa), e isso só desestabilizou. Acho mesmo que só em 2015 é que se notou uma melhoria na informação do canal com a entrada de Paulo Dentinho, que ao contrário da opinião do Atento, fez um bom trabalho na minha opinião.

Sobre o Emídio Rangel na RTP, creio que o «principal mal dele» foi ter sido uma escolha socialista, numa altura em que Portugal alegadamente «estava de tanga», além de acarretar o facto de, claramente, este ter um pendor político mais próximo do PS.
Agora, quer a nível gráfico, quer a nível de organização de grelha, o pouco tempo que teve na RTP foi uma autêntica pedrada no charco. A RTP, segundo leio, estava num estado calamitoso, não só em audiências, como em contas.
Exemplos como o Bom Dia Portugal, o qual foi uma marca que ele soube resgatar dos idos anos 80, tendo inovações que, à época, estavam em linha com o que melhor se fazia na Europa.
Era um espaço muito mais completo (e caro, é certo) que o actual.
Além disso, foi o primeiro jornal matutino no pós-início das privadas em Portugal. Também chegou com nomes de peso da ainda líder SIC (apesar desta estar a perder o fôlego com o início do Big Brother em Setembro de 2000).
O Preço Certo em Euros às 19h00 é outra marca do Rangel, na altura, apresentado pelo Jorge Gabriel, ganhando a importância que tem quando este migrou para a Praça da Alegria, substituindo o Manuel Luís Goucha, dando lugar ao Fernando Mendes... até hoje!
As privadas foram atrás, como o Atento referiu.
Com essa leva, veio também algo do «pior» que as televisões privadas faziam e aí foi um pecado mortal. Programas como o Gregos & Troianos não se podia coadunar com um serviço público.
Além de que já se notava que era necessário mais que telenovelas enlatadas da América Latina nas tardes e isso Rangel não conseguiu cortar.

Ainda me lembro disto passar nas tardes da RTP1, numa bela dobragem em português do Brasil, antes da repetição dos Riscos e dos desenhos animados. xD

https://www.youtube.com/watch?v=OrPlZDlD7mA&list=PLa5DLqsgytIY56wnpMqydgTMCF-3AjPaP&index=2

Era criança, mas lembro-me bem melhor da programação da televisão que da rádio nessa era.


Sobre o JRS, sim, foi lapso meu. Sabia que tinha havido uma celeuma no tempo do Sócrates a qual foi alvo da sátira dos Gato Fedorento, mas pensava que tinha sido nessa altura em que ele saiu da direcção de informação.


Sobre a RTP Informação, é difícil arranjar dados esquematizados das audiências no cabo, mas consegui arranjar isto.
https://www.atelevisao.com/geral/audiencias-de-6a-feira-02-03-2012/

A SIC Notícias era rainha e senhora, o canal mais visto no cabo, tendo quase o dobro da concorrência na informação. Mas a RTP Informação estava à frente da TVI24 que, com a quebra da estação pública mencionada pelo Atento, é que conseguiu chegar ao 2.º lugar nos canais de informação (não conto a CMTV nesses cálculos). Por fim, esta só conseguiu ser líder constante já como CNN Portugal, trono que duvido muito que o NewsNow ou a SIC Notícias consiga ocupar tão depressa.
Quando tiver mais tempo vou ver se obtenho mais dados da RTP Informação em 2012 para tirar isso a limpo.

Quanto à passagem do Emídio Rangel pela RTP até concordo contigo. De facto a renovação gráfica efectuada nos dois canais principais e também na informação foi uma boa pedrada no charco que os seus sucessores souberam manter até à mudança de sede da empresa em 2004.

Bom Dia Portugal foi uma aposta mais que justificada, mau grado alguns exageros (caros) como a utilização de helicópteros para o trânsito e uns 3 ou 4 pivots. Claro que isso teria mais cedo ou mais tarde que ser cortado porque a situação financeira da empresa - e aqui por grande responsabilidade do governo de Guterres - era calamitosa.

O Preço Certo Em Euros também foi uma boa aposta (assim como o concurso Elo Mais Fraco); ao contrário de outras apostas e que fugiam muito do que devia ser um serviço público (Gregos e Troianos, Fábrica de Anedotas). Apesar de tudo, a RTP1 estava num rumo mais ou menos certo como o futuro o iria demonstrar. Bastava reequilibrar o canal com uma maior aposta na informação e recuperar alguma sobriedade na restante grelha, o que foi feito com a dupla Luís Andrade e Nuno Santos na direção. Os resultados apareceram logo, de uns 20/21% em 2002 a RTP passado um ano está nos 23/24% share diário.

Quanto às novelas latinas, Rangel precisamente - e bem - acabou com a sua transmissão nas tardes da RTP1. Tanto assim que quando ele saiu, a novela Carita de Anjo que tinha sido interrompida por sua ordem, teve de voltar a ser transmitida para que a RTP cumprisse o contrato.

Até um pouco mais que isso: a RTP consegue assegurar consistentemente shares de 29/30/31% entre 2006 e 2009 e manda a SIC de 1a para 3a em múltiplos momentos. Quando havia Dança Comigo era certinho a SIC ser terceira.

Carita de Anjo penso que foi relegada para as madrugadas, não foi?

Rangel foi polémico mas sabia fazer boa televisão. O Gregos e Troianos da época, ao pé de muita coisa que se fez depois, até era mais decente. O Telejornal é que estava muito desequilibrado no pico dessa era... e claro, meter Fábrica das Anedotas e Playboy no serviço público, vai lá vai.

Uma coisa que fez muita confusão na época foram as renovações de grafismo: a RTP muda os separadores em Setembro de 2000, mexe novamente em Setembro de 2001 já com Rangel à frente e uma imagem que não dura mais que 3/4 meses, e depois mexe novamente em 29 de janeiro de 2002. Tenho esta memória vivida de sairem críticas à RTP pelas mudanças de Setembro/01 e Janeiro/02 e muita falta de compreensão no processo, isto nas revistas da época (TV Mais/TV 7 Dias) que consumi mais nessa altura, mas penso que também no Público.

De qualquer forma foi uma época excelente que nunca mais voltou.

Tenho 99,9 % de certezas que a antena da casa dos meus avós estava apontada para o retransmissor de Abrantes, daí a minha dúvida entre Castelo Branco e Lisboa. Apesar da cidade da palha ser ainda distrito de Santarém, devido a sermos uma região de transição, temos muitas convivências com o Alto Alentejo (Portalegre) e com a Beira Baixa.

https://www.flickr.com/photos/vitor107/7226944282


Quanto ao grafismo... A RTP até à unificação com a RDP, tinha uma panca em alterar grafismos e DOG's em muito pouco tempo.
Ora, em Outubro de 1998, a Maria Elisa encomenda à norte-americana Novocom um pacote gráfico novo. Reformam-se jingles, trilhas, temas e aquela irritante música da Célia Lawson a cantar «RTP1» e todo o pacote gráfico da RTP1 e RTP2 (salvo algumas vinhetas como a das Televendas, que ainda hoje é emitida) do Edson Athaíde de Abril de 1996 é reformado, passando a barra azul com o lettring RTP por debaixo dos DOG's para branca (e, talvez, os DOG's mais bonitos da história da RTP, mantendo uma coerência gráfica com todos os canais).
Ora, em Outubro de 2000, já com o saudoso Jaime Fernandes na direcção de programas e o «amigo» do Atento como um dos principais produtores de programas da estação, a RTP meteu uma outra linha gráfica encomendada à BBC. Contudo, mantiveram as trilhas da Novocom e essa linha apenas entrou na RTP1, tendo a RTP2 ficado apenas com as auto-promoções alteradas. Coincidiu também com a queda do hino de Portugal e da RTP nos fins/inícios de emissão.

Em Setembro de 2001, como o AG e bem referiu, entrou outro pacote gráfico que durou 3 meses, encolhendo o DOG da RTP1 a um tamanho mínimo.

Em Janeiro de 2002, já com Rangel como director-geral de antena (todo o universo RTP estava sob a sua égide), entrou aquele para muitos, foi o melhor pacote gráfico de sempre da RTP, o qual foi rapidamente substituído em Fevereiro de 2003 (precisamente no dia da estreia da Operação Triunfo), já com a dupla Luís Andrade e Nuno Santos na direcção de programas, o qual durou até Março de 2004.

De referir que o grafismo de 2002 foi elaborado pela própria RTP, com o Nicolau Tudela como principal responsável. Deve ter saído bem mais barato que os seus antecessores e, sobretudo face ao da BBC, era bem melhor. Talvez o melhor da BBC tivesse sido o dos noticiários, que eram muito bons.

https://www.youtube.com/watch?v=ldQ5AaN3Pds

https://www.youtube.com/watch?v=Gjd6-U5_v7I

https://www.youtube.com/watch?v=ROEPdZTjG-A&t=7s

https://www.youtube.com/watch?v=ROEPdZTjG-A&t=7s
« Última modificação: Junho 20, 2024, 03:44:58 pm por O Bigode do Sala »
«O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta! Inventor de algo que não havia no Mundo antes de eles nascerem!
E inteiramente individual: cada um poeta que é!»

Agostinho da Silva

Atento

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Re: Grupo RTP
« Responder #187 em: Junho 22, 2024, 06:47:58 pm »
Muito bem hoje Pedro Duarte,  Ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutela o grupo RTP, em entrevita à RTP1/3 a destacar a importância do desporto e do futebol para todos, incluindo nas escolas e no serviço público de rádio e televisão.


Lamentavelmente somos dos poucos países europeus a não ter o Euro totalmente em canal aberto quer na tv, quer na Rádio.

Estou convencido que o responsável ou responsáveis que tombaram a Rádio Euro serão chamados a prestar contas.

Um dos países amantes do futebol não pode nem deve limitar a população a essa limitação.
« Última modificação: Junho 22, 2024, 06:51:31 pm por Atento »

Atento

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Re: Grupo RTP
« Responder #188 em: Junho 22, 2024, 09:47:01 pm »
https://eco.sapo.pt/2024/06/22/taxas-publicidade-ou-dinheiros-publicos-como-sao-financiados-os-servicos-publicos-de-radio-e-televisao/


O modelo espanhol é dantesco, perigoso e, pelo que se vê,  sendo Espanha um país latino, amplamente suscetível de interferência governamental e política.

Por isso, no grupo RTP,  o modelo, do meu ponto de vista, terá de ser sempre misto até para evitar agudizar a verborreia do chavão "serviço público " que rapidamente alguns inteligentes transformariam e aprofundariam em serviço estatal de nicho...

Memorias da Radio

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Re: Grupo RTP
« Responder #189 em: Junho 22, 2024, 11:24:40 pm »

Os desdobramentos regionais acabaram no final de 2002, em que o formato foi substituído por esse Regiões com a Dina em Lisboa e o Daniel no Porto.

@Memórias, a Carita de Anjo deu toda à tarde, em dose dupla para despachar o produto. E o Rangel só entra na RTP em Outubro de 2001 quando tinham estreado esses separadores há um mês, ainda no tempo do Jaime Fernandes.

A sério??

Uma vida inteira a achar que ele tinha entrado em Julho de 2001, acreditas? Há *anos* que tenho isso mal lol

A Carita de Anjo dar à tarde deve ter feito um share lindíssimo...

Mas bem... nesse caso mal o Jaime Fernandes, que deve ter encomendado essa mudança de imagem já em algum desespero por causa da TVI (como se mudar de imagem resolvesse o problema estrutural que existia naquela casa...).

Tenho 99,9 % de certezas que a antena da casa dos meus avós estava apontada para o retransmissor de Abrantes, daí a minha dúvida entre Castelo Branco e Lisboa. Apesar da cidade da palha ser ainda distrito de Santarém, devido a sermos uma região de transição, temos muitas convivências com o Alto Alentejo (Portalegre) e com a Beira Baixa.

https://www.flickr.com/photos/vitor107/7226944282


Quanto ao grafismo... A RTP até à unificação com a RDP, tinha uma panca em alterar grafismos e DOG's em muito pouco tempo.
Ora, em Outubro de 1998, a Maria Elisa encomenda à norte-americana Novocom um pacote gráfico novo. Reformam-se jingles, trilhas, temas e aquela irritante música da Célia Lawson a cantar «RTP1» e todo o pacote gráfico da RTP1 e RTP2 (salvo algumas vinhetas como a das Televendas, que ainda hoje é emitida) do Edson Athaíde de Abril de 1996 é reformado, passando a barra azul com o lettring RTP por debaixo dos DOG's para branca (e, talvez, os DOG's mais bonitos da história da RTP, mantendo uma coerência gráfica com todos os canais).
Ora, em Outubro de 2000, já com o saudoso Jaime Fernandes na direcção de programas e o «amigo» do Atento como um dos principais produtores de programas da estação, a RTP meteu uma outra linha gráfica encomendada à BBC. Contudo, mantiveram as trilhas da Novocom e essa linha apenas entrou na RTP1, tendo a RTP2 ficado apenas com as auto-promoções alteradas. Coincidiu também com a queda do hino de Portugal e da RTP nos fins/inícios de emissão.

Em Setembro de 2001, como o AG e bem referiu, entrou outro pacote gráfico que durou 3 meses, encolhendo o DOG da RTP1 a um tamanho mínimo.

Em Janeiro de 2002, já com Rangel como director-geral de antena (todo o universo RTP estava sob a sua égide), entrou aquele para muitos, foi o melhor pacote gráfico de sempre da RTP, o qual foi rapidamente substituído em Fevereiro de 2003 (precisamente no dia da estreia da Operação Triunfo), já com a dupla Luís Andrade e Nuno Santos na direcção de programas, o qual durou até Março de 2004.

De referir que o grafismo de 2002 foi elaborado pela própria RTP, com o Nicolau Tudela como principal responsável. Deve ter saído bem mais barato que os seus antecessores e, sobretudo face ao da BBC, era bem melhor. Talvez o melhor da BBC tivesse sido o dos noticiários, que eram muito bons.

https://www.youtube.com/watch?v=ldQ5AaN3Pds

https://www.youtube.com/watch?v=Gjd6-U5_v7I

https://www.youtube.com/watch?v=ROEPdZTjG-A&t=7s

https://www.youtube.com/watch?v=ROEPdZTjG-A&t=7s

Dado o meu parquíssimo conhecimento regional à época (tinha... 7 anos lol), não te sei mesmo dizer essa. Para piorar: Abrantes recebe tão bem Montejunto como Gardunha, e onde há sombra numas chega uma e noutras chega outra, sendo que chega a haver sombra *na própria cidade*...

Mas se tivesse que apostar, recebias de Castelo Branco, não de Lisboa. Tudo depende do que a PT tenha decidido na altura, que era a gestora da rede analógica de sinal aberto e do transporte da RTP. E isto via antena, porque pelo cabo recebias sempre Lisboa... salvo se o teu headend da TVCabo estivesse noutro sítio que tivesse essa emissão regional, que seria objeto de transporte próprio até 2002. Nesse aspeto sou curiosíssimo do que Aveiro e Viseu receberiam em várias zonas.

Notar-te apenas que a RTP2 vem a mudar de imagem à mesma, só que muito mais tarde que a RTP1 e em modo meio-bolo: as primeiras imagens de autopromoções que existem no Youtube predatam apenas a Março de 2001, e tendo que recorrer à minha memória, garanto-te que os separadores gerais mudaram, porque era espetador diário da RTP2 nessa altura, embora talvez no mês a seguir ou já em Maio de 2001. Não que tudo tenha mudado: base de programação e separadores infantis mantiveram-se rigorosamente na mesma até ao fim. A renovação de Setembro da 1 nem a viu, foi direta para a imagem do Emídio Rangel de 2002.

Concordo totalmente contigo: são mesmo os DOGs mais bonitos da história da RTP e uns que eu ainda hoje, se mandasse lá, implementaria de imediato. Pequenos, simples, lineares e bem bonitos - acho-os mesmo mais humanos que o atual dog "seco" de RTP1, RTP2 e RTP3, que depois não ficou coerente com o encarrilamento de RTP Memória e da RTP África. E trazem-me uma forte nostalgia - televisão na RTP e rádio noutros canais faziam-me muita companhia. (Pareço um velhinho a falar)

Esse separador da RTP1 de 2003 fazia-me muita comichão: não só porque era mais fraco que toda a base do ano anterior, como porque a parte final do "RTP" ficava constantemente cortada num separador de 3 segundos, por sistema, nas emissões do Porto. E nas de Lisboa não era melhor, aparecia meio segundo e ia-se embora. Penso que só já perto da renovação de Natal de 2003 é que acertaram os tempos do separador em todo o lado, talvez na mesma altura em que renovaram também os sistemas internos.

Acredito piamente que se a RTP regressasse a essa imagem beneficiaria de maior audiência. Para muita gente, ainda hoje é a última imagem de relevo que têm da RTP, apesar desta nova ter existido em 2004.

Ao pé dela, o que veio a aparecer em 2004 era para mim muito mais fraco e desenxabido.

Muito bem hoje Pedro Duarte,  Ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutela o grupo RTP, em entrevita à RTP1/3 a destacar a importância do desporto e do futebol para todos, incluindo nas escolas e no serviço público de rádio e televisão.


Lamentavelmente somos dos poucos países europeus a não ter o Euro totalmente em canal aberto quer na tv, quer na Rádio.

Estou convencido que o responsável ou responsáveis que tombaram a Rádio Euro serão chamados a prestar contas.

Um dos países amantes do futebol não pode nem deve limitar a população a essa limitação.

Foi uma das coisas que caiu com a renovação e o Grupo de Trabalho de 2003 que na minha opinião nunca devia ter caído. E devia ter-se dotado a RTP de meios para ir a jogo nisto.

https://eco.sapo.pt/2024/06/22/taxas-publicidade-ou-dinheiros-publicos-como-sao-financiados-os-servicos-publicos-de-radio-e-televisao/


O modelo espanhol é dantesco, perigoso e, pelo que se vê,  sendo Espanha um país latino, amplamente suscetível de interferência governamental e política.

Por isso, no grupo RTP,  o modelo, do meu ponto de vista, terá de ser sempre misto até para evitar agudizar a verborreia do chavão "serviço público " que rapidamente alguns inteligentes transformariam e aprofundariam em serviço estatal de nicho...

Infelizmente, o estado atual do serviço público espanhol é muito pouco atrativo. Eu consigo ter acesso às TVE1 e TVE2 e a programação da TVE1 não tem quase qualquer interesse fora do Telediario, do Saber y Ganar e de bons filmes que passam. Nem a da Cuatro ou da Telecinco, já agora (poker ilegal patrocinado às 00h? A sério?). Talvez só a da Antena 3 seja minimamente razoável. A da TVE2 é bastante mais interessante, mas passa a horas desadequadas. Teledeporte atualmente é quase decorativo fora alguns diretos interessantes, definitivamente não tão bom como era. O melhor do lote ainda é o Clan, lol.

A tendência da RTVE para a parte política não é nada, nada boa, e nota-se claramente como afeta o grupo.

Luis Carvalho

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Re: Grupo RTP
« Responder #190 em: Junho 23, 2024, 10:08:03 am »
Já agora, uma curiosidade, se alguém me souber esclarecer: lembro-me de o Regiões ter emissão nacional com este genérico, era a Patrícia Gallo e o Daniel Catalão que o apresentavam. Porém, neste excerto, que se calhar até é do AG, pelas iniciais, vejo que existia emissão regional. Só passava em algumas partes do país?

https://www.youtube.com/watch?v=Mm9878rGLo8

Havia um bloco (como no País País) em directo de Lisboa, o qual noticiava os principais acontecimentos locais a todo o país e, de seguida, havia outro bloco (como no País Regiões) em que havia um desdobramento de emissão.
Na região de Lisboa, a emissão continuava no mesmo estúdio e com a mesma pivô (tenho remotas memórias que já era a Dina Aguiar, mas também a Fátima Campos Ferreira por lá passou).
Eu hoje estou com dúvidas se a minha região transmitia o desdobramento de Castelo Branco ou se era mesmo a emissão de Lisboa. Esse modelo de desdobramentos de emissão durou até à Hora da Mudança em Março de 2004. Nessa altura, o Regiões passou a ser transmitido, em simultâneo, em Lisboa (Dina Aguiar) e no Porto (Daniel Catalão), revezando as notícias entre si.

Entretanto, entre desdobramentos, a RTP1 emitia isto... que desbloqueador de memórias...

https://youtu.be/bTPXVnOt9LY?si=H5fY_qfRrDil01aq

Por fim, o Emídio Rangel, apesar de já ter convido pouco no seu auge, era um visionário e revolucionou, com as suas equipas, os média em Portugal. Com o que tudo o de bom e de mau isso acarreta...

Santarém transmitia a emissão de Lisboa, Castelo Branco tinha desdobramento próprio, e autenticamente depende... do emissor que escolhesses e fosse mais forte na tua zona, isto porque:

Lousã transmitia Coimbra (possivelmente com sinal fraco na tua zona)
Gardunha transmitia Castelo Branco e penso que alguns retransmissores do Pinhal Interior de Leiria também (era bom para perguntar à PT lol)
Montejunto transmitia Lisboa, muito por culpa dessa serra estar... em Lisboa

Por experiência própria: Grândola e Palmela retransmitiam Lisboa mas por vezes havia engano e retransmitiam Évora; a Setúbal chegavam Lisboa, Palmela, Grândola razoável, Montejunto com sinal fraco, Lousã em zonas altas e com sinal fraco, e Serra de Ossa com sinal vídeo muito fraco e quase ininteligível no som.

Há um episódio célebre em 2000/2001 em que o País Regiões falha no emissor de Palmela e retransmitiram... a RTP Madeira. Tenho viva memória também de problemas de comutação em que ias a mira técnica por segundos ou por vezes 1/2 minutos. Tornaram-se mais frequentes em 2002 por causa da pressão e das ordens do Emídio Rangel para emitir o Regiões às 14h, isto porque a emissão tinha que comutar do Porto para Lisboa e depois é que redistribuía de Lisboa para todo o lado - as regências de antena, figura que existira até Rangel, desapareceram todas e ficou só Lisboa a gerir tudo.

Esta é também a razão pela qual a locução de programação ficou mais fraca: passou a ser feita por quem estava na régie a comandar, não por locutores profissionais.

Penso que a Guarda retransmitia da Gardunha, não de Coimbra.


Emídio Rangel em 2001 assumiu a RTP e foi afastado por Almerindo Marques por ingerência política, quando a RTP1 estava a morder os calcanhares à TVI em muitos horários, numa altura em que a estação de Queluz de Baixo vivia o apogeu do Big Brother.

Em 2007, Sócrates decide afastar José Rodrigues dos Santos da direcção de informação do canal. A RTP1 estava no 2.º lugar das audiências, muito bem consolidada (daí o ódio ao PS por parte do JRS).

O modelo actual da RTP3 foi adoptado pela reforma na RTPN levada a cabo pelo, na minha opinião, melhor director de televisão em Portugal, Nuno Santos.
Quando, em pleno Relvismo, a RTP Informação se estava a aproximar da SIC Notícias e tinha mais audiências que a TVI24, o Governo do Passos Coelho afastou o Nuno Santos da direcção, arranjando aquele bode expiatório das imagens não concedidas da manifestação.
Em 2002, tal como no período anterior a Emídio Rangel na direcção do canal, a RTP1 estava longíssima da TVI e da SIC, excepto nas manhãs e início de tardes. Nesse ano subiu ligeiramente de audiências.
Rangel foi afastado porque ganhava um salário proibitivo e por ter posto o canal numa cruzada desesperada anti-governo (a fazer lembrar o que fez a Balsemão no ano anterior na SIC), quando este tomou posse.

A questão do JRS já foi esclarecida pelo Atento. Foi no governo de Santana Lopes.

Julgo que a RTP Informação estava atrás da TVI24 na altura em que o Nuno Santos foi afastado no final do ano de 2012, mas de qualquer forma o afastamento não fez sentido. A informação da RTP precisava de estabilidade pois tinham sido três figuras muito importantes (JAC e Judite Sousa), e isso só desestabilizou. Acho mesmo que só em 2015 é que se notou uma melhoria na informação do canal com a entrada de Paulo Dentinho, que ao contrário da opinião do Atento, fez um bom trabalho na minha opinião.

Sobre o Emídio Rangel na RTP, creio que o «principal mal dele» foi ter sido uma escolha socialista, numa altura em que Portugal alegadamente «estava de tanga», além de acarretar o facto de, claramente, este ter um pendor político mais próximo do PS.
Agora, quer a nível gráfico, quer a nível de organização de grelha, o pouco tempo que teve na RTP foi uma autêntica pedrada no charco. A RTP, segundo leio, estava num estado calamitoso, não só em audiências, como em contas.
Exemplos como o Bom Dia Portugal, o qual foi uma marca que ele soube resgatar dos idos anos 80, tendo inovações que, à época, estavam em linha com o que melhor se fazia na Europa.
Era um espaço muito mais completo (e caro, é certo) que o actual.
Além disso, foi o primeiro jornal matutino no pós-início das privadas em Portugal. Também chegou com nomes de peso da ainda líder SIC (apesar desta estar a perder o fôlego com o início do Big Brother em Setembro de 2000).
O Preço Certo em Euros às 19h00 é outra marca do Rangel, na altura, apresentado pelo Jorge Gabriel, ganhando a importância que tem quando este migrou para a Praça da Alegria, substituindo o Manuel Luís Goucha, dando lugar ao Fernando Mendes... até hoje!
As privadas foram atrás, como o Atento referiu.
Com essa leva, veio também algo do «pior» que as televisões privadas faziam e aí foi um pecado mortal. Programas como o Gregos & Troianos não se podia coadunar com um serviço público.
Além de que já se notava que era necessário mais que telenovelas enlatadas da América Latina nas tardes e isso Rangel não conseguiu cortar.

Ainda me lembro disto passar nas tardes da RTP1, numa bela dobragem em português do Brasil, antes da repetição dos Riscos e dos desenhos animados. xD

https://www.youtube.com/watch?v=OrPlZDlD7mA&list=PLa5DLqsgytIY56wnpMqydgTMCF-3AjPaP&index=2

Era criança, mas lembro-me bem melhor da programação da televisão que da rádio nessa era.


Sobre o JRS, sim, foi lapso meu. Sabia que tinha havido uma celeuma no tempo do Sócrates a qual foi alvo da sátira dos Gato Fedorento, mas pensava que tinha sido nessa altura em que ele saiu da direcção de informação.


Sobre a RTP Informação, é difícil arranjar dados esquematizados das audiências no cabo, mas consegui arranjar isto.
https://www.atelevisao.com/geral/audiencias-de-6a-feira-02-03-2012/

A SIC Notícias era rainha e senhora, o canal mais visto no cabo, tendo quase o dobro da concorrência na informação. Mas a RTP Informação estava à frente da TVI24 que, com a quebra da estação pública mencionada pelo Atento, é que conseguiu chegar ao 2.º lugar nos canais de informação (não conto a CMTV nesses cálculos). Por fim, esta só conseguiu ser líder constante já como CNN Portugal, trono que duvido muito que o NewsNow ou a SIC Notícias consiga ocupar tão depressa.
Quando tiver mais tempo vou ver se obtenho mais dados da RTP Informação em 2012 para tirar isso a limpo.

Quanto à passagem do Emídio Rangel pela RTP até concordo contigo. De facto a renovação gráfica efectuada nos dois canais principais e também na informação foi uma boa pedrada no charco que os seus sucessores souberam manter até à mudança de sede da empresa em 2004.

Bom Dia Portugal foi uma aposta mais que justificada, mau grado alguns exageros (caros) como a utilização de helicópteros para o trânsito e uns 3 ou 4 pivots. Claro que isso teria mais cedo ou mais tarde que ser cortado porque a situação financeira da empresa - e aqui por grande responsabilidade do governo de Guterres - era calamitosa.

O Preço Certo Em Euros também foi uma boa aposta (assim como o concurso Elo Mais Fraco); ao contrário de outras apostas e que fugiam muito do que devia ser um serviço público (Gregos e Troianos, Fábrica de Anedotas). Apesar de tudo, a RTP1 estava num rumo mais ou menos certo como o futuro o iria demonstrar. Bastava reequilibrar o canal com uma maior aposta na informação e recuperar alguma sobriedade na restante grelha, o que foi feito com a dupla Luís Andrade e Nuno Santos na direção. Os resultados apareceram logo, de uns 20/21% em 2002 a RTP passado um ano está nos 23/24% share diário.

Quanto às novelas latinas, Rangel precisamente - e bem - acabou com a sua transmissão nas tardes da RTP1. Tanto assim que quando ele saiu, a novela Carita de Anjo que tinha sido interrompida por sua ordem, teve de voltar a ser transmitida para que a RTP cumprisse o contrato.

Até um pouco mais que isso: a RTP consegue assegurar consistentemente shares de 29/30/31% entre 2006 e 2009 e manda a SIC de 1a para 3a em múltiplos momentos. Quando havia Dança Comigo era certinho a SIC ser terceira.

Carita de Anjo penso que foi relegada para as madrugadas, não foi?

Rangel foi polémico mas sabia fazer boa televisão. O Gregos e Troianos da época, ao pé de muita coisa que se fez depois, até era mais decente. O Telejornal é que estava muito desequilibrado no pico dessa era... e claro, meter Fábrica das Anedotas e Playboy no serviço público, vai lá vai.

Uma coisa que fez muita confusão na época foram as renovações de grafismo: a RTP muda os separadores em Setembro de 2000, mexe novamente em Setembro de 2001 já com Rangel à frente e uma imagem que não dura mais que 3/4 meses, e depois mexe novamente em 29 de janeiro de 2002. Tenho esta memória vivida de sairem críticas à RTP pelas mudanças de Setembro/01 e Janeiro/02 e muita falta de compreensão no processo, isto nas revistas da época (TV Mais/TV 7 Dias) que consumi mais nessa altura, mas penso que também no Público.

De qualquer forma foi uma época excelente que nunca mais voltou.

Uma correcção: nunca existiu um emissor ou retransmissor de televisão na Serra de Ossa...
Cumprimentos,
Luís Carvalho

Administrador do "Fórum da Rádio"

Atento

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Re: Grupo RTP
« Responder #191 em: Junho 23, 2024, 12:54:44 pm »
https://rr.sapo.pt/video/novas-cronicas-da-idade-midia/2024/06/21/costa-o-reporter-otimista/393371/

Algumas notas sobre o Grupo RTP

António Luís Marinho rasga administração e direção de informação por deixarem chegar, sem fazer nada, a rtp 3  à
  sua morte.

Luís Marques afina pelo mesmo diapasão, acrescentando a lamentável situação da RTP2.

Oliveira e Silva já vai fazendo lobby com os privados para a RTP TV ficar sem publicidade e seguir o modelo da rádio.


Vamos ver se Montenegro vai ceder ao lobby privado..

Os socialistas esses, através do ex-assalariado de Balsemão Nuno Artur Silva, já tencionavam no novo contrato de concessão acabar com a publicidade no grupo RTP.

Há muito ex-assalariado de Balsemão a gravitar na RTP. Um deles chegou a diretor de informação da rtp tv que defendia, quando estava na sic, o fim da rtp3 - não acabou, mas simbolicamente foi como se tivesse acabado com Teixeira à frente.

Curiosidades que depois vão colando com a realidade...
« Última modificação: Junho 23, 2024, 12:56:21 pm por Atento »

Memorias da Radio

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Re: Grupo RTP
« Responder #192 em: Junho 23, 2024, 06:39:04 pm »

Uma correcção: nunca existiu um emissor ou retransmissor de televisão na Serra de Ossa...

Da tua experiência, o que poderia ser então? Mendro?

O Bigode do Sala

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Re: Grupo RTP
« Responder #193 em: Junho 23, 2024, 10:22:53 pm »

Uma correcção: nunca existiu um emissor ou retransmissor de televisão na Serra de Ossa...

Da tua experiência, o que poderia ser então? Mendro?

Provavelmente, o Luís via a RTP pela Serra de São Mamede.

Estaria para os lados do Monte Sete?

https://www.anacom.pt/render.jsp?categoryId=42732
«O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta! Inventor de algo que não havia no Mundo antes de eles nascerem!
E inteiramente individual: cada um poeta que é!»

Agostinho da Silva

Atento

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Re: Grupo RTP
« Responder #194 em: Junho 26, 2024, 01:05:40 am »
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/debate-sobre-o-acesso-da-igreja-a-televisao/


Os interesses sempre a tentar sacar algo da RTP

Ontem, hoje e amanhã...