Algumas considerações sobre o serviço público de radiodifusão:
i) Redutor: desfasado dos interesses da generalidade da população, traduzido em audiências demasiado baixas. Pasme-se, a audiência combinada das 3 rádios públicas é inferior à da M80, uma estação de entretenimento mediano, formatada, sempre igual, e que não dispõe de rede nacional de emissores. Os contribuintes são defraudados, pagam um serviço que não serve para nada, já que ninguém ouve.
ii) Estagnado: nem o futebol salva a <Antena 1>, os resultados ficam aquém das expetativas. Soa a produto ultrapassado, monocórdico, sem dinâmica e, por vezes, chato. Por outro lado, não se verifica a renovação de gerações, não há uma aposta inequÃvoca, comum dos congéneres europeus, quer em rádio, quer em televisão, da passagem de testemunho.
iii) Sem meritocracia: está instalada na sociedade a ideia que o recrutamento de recursos humanos é feito com base em influências, cunhas e amiguismos, não pelo mérito. Se não for assim, parece. Também se constata que muitos profissionais estão demasiado acomodados. Por outro lado, há anos que se fala que na RTP há demasiados conflitos internos, ou seja despendem tempo e energia com insignificâncias sem nenhuma produtividade.
iv) Ao abandono: a <Antena 3>, que não oiço há anos, faz-me lembrar o <FM Estéreo da Rádio Comercial> antes da privatização. Um produto à deriva, incapaz de se impor, sem uma estratégia de fundo vencedora.
v) Nem sempre foi assim: nos tempos áureos da primeira metade dos anos 80, esse <FM Estéreo da Rádio Comercial>, então na esfera pública, foi uma das melhores rádios produzidas neste paÃs. Com programação tÃpica de FM, nessa época alternativa à OM, diversificada, moderna, orientada aos interesses de diferentes camadas de público e, por conseguinte, capaz de captar e fidelizar audiência. Ainda hoje vou adquirindo CDs de bandas que ouvia com os meus 11 anos nessa estação e continuo a disfrutar desse som. De facto, formou os gostos musicais de toda uma geração e contribuiu para que o auditório distinguisse o que tinha qualidade daquilo que não tinha, já que havia a preocupação de filtrar o que de melhor se fazia no presente ou no passado.
vi) Pequenino: à mercê da incompetência e de interesses instalados, o serviço público de radiodifusão vai-se distanciando cada vez mais dos cidadãos, não responde aos seus interesses nas mais diversas áreas, não cativa diferentes gerações de público, não se consegue impor, nem sequer equilibrar todo o setor. Em suma, o serviço de radiodifusão afasta-se da tendência dos congéneres europeus, que fazem tudo para conquistar públicos, mantendo nÃveis qualitativos aceitáveis. Nesta matéria estamos a afastar-nos da prática comum da região geográfica em que nos situamos, a Europa, e mais próximos de Ãfrica, com serviços públicos deficitários e que funcionam mal.