Já se nota alguma diferença na Antena 3 quando o novo trabalho dos Deftones é o Disco da Semana.
Escolha arrojada!
https://www.instagram.com/p/DNyR9CrUE-1/?img_index=1&igsh=MTZhb21ucDNjeHI4aw==
Os Deftones tiveram alguma proeminência em Portugal este verão entre a comunidade alternativa e entre os 35+ que ainda estão nos registos pré-2003 de punk rock e derivados que vigoraram durante muito tempo mano a mano com o pop.
Isto é apenas a 3 a ir atrás desses públicos - e muito bem, devo dizer.
Este Paredes de Coura deve ter causado uma mudança de mentalidades para muita gente, com certeza.
Aposto que nem o Luís Oliveira acharia que haveria tanto pessoal Gen Z a vibrar com Franz Ferdinand.
Agora é não voltar atrás.
É verdade que em Portugal existe um deficit de oferta de música alternativa, incluindo aqui a designação, tudo aquilo que não cabe nas comerciais e respetivas irmãs mais novas. E, obviamente, que o serviço público não pode negligenciar esse público. O meu ponto não é esse.
Provavelmente o meu raciocínio quebra-se em parte no dia em que o DAB+ for generalizado e se conseguir ter uma oferta nacional mais abrangente, nomeadamente das duas jovens. Contudo, ainda assim, acho que a MegaHits e CidadeFM não cobrem o que se pretende de uma rádio jovem, dado que, grosso modo, apenas rodam música, falta tudo o resto que se espera de um produto direcionado a um público jovem, nomeadamente em termos de conteúdos de palavra.
É por isso que acho difícl que que uma Antena 3 muito focada no alternativo consiga subir além dos 2%, e deva ""canibalizar"" uma rede nacional nesse registo. Uma rádio jovem com rede nacional, mesmo não sendo de consumo tão fácil quanto a Mega ou a Cidade, a meu ver, conseguiria fazer pelo menos 4%, e a rede da 3 é muito interessante para esse efeito. Não nego que o grupo populacional que gosta de outras sonoridades tem direito a ouvir na rádio a música que gosta, e o fim da SBSR e da Vodafone nos moldes do projeto inicial deram um golpe duro nisso, mas estamos a falar de 1,5% a 2% de auditório, na melhor das hipóteses.
Também acredito que a sua larga maioria esteja situada na faixa litoral, por isso defendo que o atual modelo da 3 deveria estar numa rede da RTP Africa quitada, provavelmente, onde faltam frequências, até há capacidade para as meter, sem serem emissores com a mesma pujança da 3, mesmo no interior, pelo que, se calhar, até podemos estar a discutir mais a criação de um quarto canal, em vez de uma questão de ter de escolher entre dois modelos, mesmo no saturado FM.
Enfim, mas mantendo o cenário que temos, não sei se afunilar mais a 3, em lugar de a aproximar mais das rádios mais comerciais, a vai fazer aumentar audiência. Tenho para mim que não, e penso que essa tenha sido a maior falha da liderança da rádio, não ter percebido que se quer chegar às massas, tem de se tornar menos eclética.
Sobre o consumo em festivais versus rádio, a sensação que tenho é que o tipo de música mais alternativo, nomeadamente o Indie, cola muito bem em concertos ao vivo, mas para ouvir gravado, não sei se é a primeira opção. Não quero com isto dizer que não se possam ter apostas mais fora de pé, e não é passar um tema de Muse, da Lana ou de Red Hot, no meio da popalândia, como fazem as privadas. Se calhar é não ter medo de passar aquilo que é mais comercial, mas as privadas não passam. Rock pesado, em horário nobre, acho que vai dar asneira. Podem ter esse tipo de espaços no pós 22h ou 23h, antes disso, acho que não saímos da cepa torta. E, claro está, reforçar o consumo de RTP Play, onde podes e deves ter oferta muito diferenciada, afinal, todos pagamos impostos.
O meu receio é que as rádios da RTP se acantonem a nichos, e vejo esse risco pairar demasiadas vezes sobre a cabeça de todas elas.