Que grande discussão que para aqui vai... desculpem, em primeiro lugar à Antena 3 e sua equipa, não era minha intenção diminuir nenhuma rádio. A expressão "pequenos" usei-a em analogia à nossa Liga de Futebol, em que temos dois clubes sistematicamente a lutar por Champions e outros dois pela Liga Europa. Se pensarmos em termos de rádios, a verdade é que não andamos muito longe disso, Comercial e RFM a lutar pela liderança das audiências, RR e M80 depois, pelo 3º e 4º lugar. Para baixo disso, é tudo muito próximo entre os 1.5 e os 5%, há margem para variações na tabela.
Dito isto, o Luís Carvalho toca no ponto que para mim é o mais relevante, do ponto de vista de uma análise que não se resuma à fotografia do momento atual: uma rádio é grande quando marca o panorama radiofónico nacional, de alguma forma, independentemente da qualidade ou posicionamento, que vão sempre agradar mais a uns do que a outros. Temos um exemplo recente, a rádio Observador, amada por uns, odiada por outros, mas à qual ninguém é indiferente. Talvez ainda não seja uma rádio grande pelo critério de audiências, e pela cobertura limitada, mas já marcou de alguma forma o panorama.
Dito isto, parece óbvio que há vários critérios para que se possa considerar um produto grande, desde logo a rede nacional de emissores, uma vez que uma rádio pode ser um produto de excelência mas se não tiver como ser escutada, de pouco serve. Por outro lado, o produto tem de ser apetecível, mas não sendo facilitista. Há claro, naturalmente, toda a dimensão histórica e impacto que têm muito peso, pelo menos para mim.
Nunca tive qualquer ambição de fazer radio, não sou da área, muito menos voz para isso, mas se me dissessem que tinha essa oportunidade, não tenho dúvidas que a minha escolha primordial seria a Antena 1, para mim é ainda a "rádio" nacional, a maior, seguida obviamente da RR e da TSF, e qualquer uma destas estão longe de liderar as audiências. A história obviamente pesa, o conteúdo e produto que apresentam também, independentemente do rumo que a dado momento uma dada estação segue.
Depois há as estações que acabaram e ninguém se lembra delas, como sejam o caso da Vodafone FM ou a rádio Estádio. O mesmo não se pode dizer de uma SIM ou de um Rádio Clube Português ou mesmo a Energia, sendo que já lá vão imensos anos desde que findaram as transmissões.
Posto isto, rádios como a RFM e a Comercial e a MegaHits e a Cidade FM também têm o seu lugar. Aliás, no caso das duas primeiras, que efetivamente hoje são rádios mais de massas e "simplistas", têm o seu mérito, o de criar ligação do público com o meio. Pergunto, com genuinidade, alguém acha que se não existissem RFM e Comercial, esse público fugiria para outras rádios? De todo! Não me acredito minimamente nessa hipótese. Independentemente do quarteto de palavra ter muito que pedalar. Há porventura algum país da Europa que não tenha rádios com o respetivo perfil que não figurem no top 5 das audiências? Em que difere uma Los 40 ou uma Cadena 100 de RFM e Comercial, por exemplo?
Quanto à Antena 3, há efetivamente esse acantonamento que já foi bem explorado pelo pdf e também pelo Atento. No que toca à Antena 2, naturalmente é uma rádio grande, mas que de nicho. Nunca uma Antena 2 será uma rádio para ter mais que 1.5%, na melhor das hipótese 2%, num país tão pouco culto quanto Portugal. O mesmo raciocínio se pode aplicar por inerência à Smooth FM.
As locais, com todo o respeito que me merecem, é outro campeonato, impossível de comparar devido às diferenças brutais de orçamentos.
Nota de rodapé: independentemente do que possámos achar sobre qualquer uma das estações, nunca confundir a qualidade da mesma com a dos profissionais que a fazem. Tal como cada um de nós, nos nossos empregos, fazemos o que nos mandam.