Aviso - post parede!!!
Há um ponto em que o Atento tem toda a razão, pelo menos para mim, que também trabalho em ciência. Faz todo o sentido estudar e compreender porque razão é que o consumo em Portugal é tão, mas tão diferente, por exemplo, do dos nossos vizinhos espanhóis, que culturalmente são em tudo semelhantes a nós. Seja na palavra, na música Não é difícil fazer um estudo desses, com recursos a técnicas variadas, desde focus group, a entrevista por questionário, passando até por análise econométrica, com um modelo de regressão linear que não precisa de ser excessivamente complexo. É um estudo que, a meu ver, urge fazer, e que complementaria aquele que a ERC já divulgou sobre o futuro do setor. Parece-me que poderia ser uma iniciativa muito interessante, a desenvolver pelos grupos de rádios em parceria com a ERC, com vantagens evidentes para todos o meio, operadores, reguladores e público.
É como comparar, Real Madrid ao Benfica, o Barcelona ao Porto ou At. Madrid ao Sporting. Os orçamentos são quase iguais...
Certo. Mas não invalida que, tal como os nossos clubes conseguem fazer boas campanhas europeias com poucos meios, o serviço público nacional não possa fazer mais com o orçamento reduzido que tem. Já se sabe que apesar de Espanha ser tão ou menos desenvolvida que Portugal, pela dimensão do mercado espanhol, naturalmente tem outra pujança. É o preço que pagamos de sermos um país pequeno e absolutamente ultraperiférico na Europa.
Aqui are tendo concordar.
3stamos a falar no tal público nicho, que qyer outras coisas, nomeadamente palavra, o que lhe é oferecido podia e devia ser bem melhor e aqui nem estamos a falar de milhões, apenas de mais criatividade e mais arrojo. . É realmente se serviço fosse melhor, o tal nicho até podia ser maior.
Não acho que seja um público de nicho. Entendo que é um público que se refugiou na Comercial e na RFM porque nas musicais conseguimos ter mais qualidade, porque naturalmente são mais baratas, aí conseguimos alinhar pelos melhores padrões. Ter boa palavra, custa, evidentemente, mais dinheiro.
Para mim, empiricamente, diria que essa é a explicação, porque não vejo o português a ser culturalmente tão diferente assim de um Espanhol, por exemplo.
E depois os jovens que, afinal, parece que são menos jovens. São boas notícias porque, pelos vistos, a Antena 3, esta tarde, voltou a ser devolvida à malta jovem entre os 25 e os 45.
Este target é catch all, e está devidamente ocupado pela Comercial e pela RFM, particularmente na margem superior do intervalo. Parece-me evidente que faz falta uma rádio em Portugal que se dedique verdadeiramente ao público jovem, desde que sai da Universidade, ali pelos 23-24, até aos 35 anos, quando começam a surgir as crianças. A Mega vive uma crise de identidade, em que em não raras vezes até consegue trabalhar bem esse target, nomeadamente no Drive In, mas depois no demais horário, baixa à faixa dos adolescentes e jovens universitários, que é realmente o seu target. Parece-me que a 3 poderia ser a rádio que ocupasse e bem essa função de ser verdadeiramente de segmento de público – jovem. E em termos de playlist até nem precisaria de evoluir muito, apenas acrescentar um a três temas Top 40 por hora seria suficiente. Em abono da verdade, diga-se, reforçar o que já tem feito. Mantendo-se como rádio alternativa e urbana, seria suficiente ocupar a rede da África, e como já escrevi, acrescentar um emissor no Muro e na Arrábida e Montejunto. Desconfio que no interior, concelho a concelho, a atual 3 deve fazer menos que grande parte das locais.
Sim, o Voz de Cama já chegou a ser o 2º podcast mais ouvido em todas as plataformas.
Estava a falar apenas dos programas de autor da 3, o Bons Rapazes não está no horário mais fácil mas é uma lição para muitos outros.
Voz de Cama que é um exemplo muito bom daquilo que deve ser um programa de uma rádio de segmento de público jovem. Fica a pergunta. E porque não passa no FM? Ao fim-de-semana ou na noite tinha espaço. Censura?
Já reparei que as conclusões desse livro branco são um imenso tratado de lugares comuns bem intencionados.
Nada de concreto, nada do que aqui já não tenha sido falado...
Isto sem o ler, indo só por aquilo que o Atento aqui vai colocando...
Precisamente.
Lugares comuns, ideias vagas, um conjunto de boas intenções. Não obstante o que queremos saber é como se pode transformar um serviço publico que tem de cumprir com diversidade musical de "qualidade" e de outros conteudos relacionados com liberdade criativa, programas de autor, etc, mas ao mesmo tempo garanta liderança de mercado num pais em que as duas maiores rádios concentram a sua programacao 95% musical de fraca qualidade.
É óbvio que deveraim haver mais sinergias e campanhas internas e externas de publicitação na opiniao publica, mas isso não desfaz o "problema" de base.
Não é objetivo para amanhã, mas uma rádio de excelência de palavra, que vá, paulatinamente, habituando as pessoas a um novo estilo de rádio, vai fazendo o seu caminho. Repito, os portugueses são europeus, não nos devemos conformar, e nos compararmos com os sul-americanos. É curioso que até em Marrocos há rádios só de palavra.
"Para se chegar ao interesse das pessoas, tem que apostar numa linha mais alternativa, sem ser uma alternativa de nicho", afirma Felisbela Lopes, referindo-se à agenda da informação que deve ser definida pelo operador público.
Exatamente. Fazer diferente, mais em linha com o que é norma lá por fora. Apesar de, ao nível da informação, justiça seja feita, a Antena 1 já estar uns furos acima, da RR nem se fala, da TSF e mesmo da Observador ainda está. E repito, tenho dúvidas que tenha a melhor redação.
Para fechar, o comentário do Bigodes diz tudo aquilo que penso que deva ser o rumo da Antena 3. Não é preciso escrever mais. Com uma renovação dos animadores e aquele programa, era para bater os 6% ou mais, disso não tenho grandes dúvidas. E até tenho para mim que não era preciso investir rios de dinheiro. Que a RTP é uma casa difícil para inovar? Acho que já todos percebemos que sim. Curiosidade, esse spot do início do século XXI, tem locução no final do Augusto Seabra, hoje voz de estação da Mega que tem o mesmo exato slogan: “Mais música nova…”. E não haja dúvidas, a 3 tem de ter playlist, embora possa dar mais liberdade aos animadores do que o que existe no privado, em que praticamente nem podem mudar o alinhamento gerado pelo PC. Fim!