Se tivesse que definir o que é a 3 diria: é uma rádio para melómanos dos 25 para cima e todos os que se identifiquem com uma forma não normativa de viver a vida. Isso é um segmento em si mesmo.
Mas faz sentido, num quadro de espectro limitado, num país extremamente envelhecido, uma rádio pública para segmento de público, ocupar uma rede nacional? No interior do país extremamente envelhecido, faz sentido ter esta rede alocada a este projeto? Para mim não, veria com muitos bons olhos a passagem da A3 para a rede da África reforçada em duas ou três cidades, permitindo a ligação Viana - Setúbal e seria suficiente. Esta eede pode ser mais útil em outros projetos nas mãos do Estado. Ou então, assume-se como a rádio jovem que deveria serde âmbito nacional, conjugando adequadamente os dois eixos que estão na génese da sua missão.
Isso seria o mesmo que perguntar se, dado que o interior esta envelhecido, tem pouca gente abrangida e num quadro de recursos limitados, fazem sentido:
- autoestradas
- fornecimento de recursos básicos
- existência de supermercados
- haver emissores de TDT gratuitos quando o cabo já conta 90% penetração (e no interior ainda há TDT espanhola!)
- existência de antenas móveis para telemóvel
- venda de serviços
- criação de empresas
- novas estruturas de fibra ótica ou cabo
Não vejo ninguém a questionar qualquer uma destas 8. Mas vejo toda a gente a questionar a Antena 3 a usar a mesma lógica. Se queremos fomentar a diversidade não pode ser só onde rende mais, tem que ser em todo o lado. Se não fosse a Antena 3 (e a Antena 2), uma catrefada de zonas do interior (e mesmo do centro) do país não tinha acesso a outros tipos de música que não a pop básica!!!
Temos que pensar nestas coisas!
Uma pessoa sai de Lisboa, Porto e vá, Coimbra, vai para por exemplo Leiria e sabes que oferta tens de música fora das Antenas nas radios? Eu digo-te:
- Comercial e RFM são cópia uma da outra, pop puro e não se pode contar com elas para rasgar pano. Aliás, a RFM cronicamente metia música nova com 2 meses de atraso face a todo o mundo nos anos 2000.
- A RR é uma M80 mais específica com algumas músicas.
- A TSF nao tem oferta musical em volume das 07 às 21h logo nem sequer conta para 80% da escuta rádio a esse título, fora que eu outro dia ainda ouvi aqui porque supostamente “ninguém ouve a TSF para música”;
- A 94 Leiria é uma Comercial só que mais trendy.
- A Record Leiria é uma RFM só que com 10% de música brasileira de longe a longe.
- A Rádio Clube da Marinha Grande é sobretudo de música portuguesa e às vezes a dar para o romântica, uma espécie de Comercial que só apanha um dos lados e é levemente mais vasta
- A M80 Leiria é atualmente uma espécie de RFM dos anos 2000
- A ABC Radio, Cardal FM, 97Pombal, CidadeFM Penacova e Alcanena, Mega Hits Coimbra e Rio Maior, RUC, Vodafone FM, SmoothFM Figueiró dos Vinhos, Nazaré FM e Cister FM não se fazem ouvir no centro da cidade de Leiria em condições.
120 mil pessoas em pleno litoral que se não fosse a Antena 1 na sua versão atual *e desde este ano*, a Antena 2 para música clássica e a Antena 3 para música mais em profundidade e para não-normativos, estavam era bem lixadas que não tinham oferta alguma de jeito na região, e com todo o bónus que é terem desporto, programas de autor (que luxo em 2022, alguma das outras tem em volume?!), conteúdos formativos e de educação, debate, entrevista e opinião.
Quem diz estas, diz a cidade de Aveiro que tem problemas muito parecidos e que, quando a Vodafone FM for à vida que já falta pouco, fica só com a Antena 3. A sorte de Aveiro é que ainda vai tendo algum tipo de sinal fraco da SmoothFM, uma verdadeira local (a Terra Nova), o que chega aos solavancos da Rádio Nova e uma 105.6 que parece a Nova Era mas que nem a RDS se deram ao trabalho de ter.
Vai-se por exemplo a Beja e não fosse a Voz da Planície, o que resta e vai chegando de Évora da Diana FM e da TSF que nem a todo o distrito chega e estavam completamente isolados!
Portalegre igual, Castelo Branco igual, Guarda quase igual, Viseu igual…
Mas brincamos?