Já que o tema da relevância da Antena 3 ser tão recorrente neste amável fórum, deixo aqui uma recordação que o algoritmo do YouTube me brindou.
https://youtu.be/FyGUg9u_psU
Em 2011 era possível trazer uma banda «semi-mainstream» no panorama musical anglófono para dar um concerto acústico nos estúdios da 3.
Os resultados são expressivos: mais de 1 700 000 de visualizações.
Muito se tem discutido sobre o futuro da estação.
Não concordo com a visão de ser uma rádio jovem de massas, como foi o seu propósito inicial.
Se em 1994, conseguiram uma grande equipa agregando os jovens que saíram da recém-defunta RDP-Rádio Comercial com a dreamteam da NRJ, hoje tal agregação de estrelas seria mais difícil. Para além de que, na minha opinião, a principal razão é que há 27 anos não existia nenhuma rádio nacional dita jovem.
Existiam sim, nos grandes centros urbanos a NRJ Rádio Energia, a Nova Era no Grande Porto e a Cidade em Lisboa, deixando órfãos os jovens portugueses do Interior do país.
Hoje em dia esse cenário não se verifica, com uma cobertura eficaz da Cidade FM em grande parte do território continental e a expansão da Mega Hits com a ocupação do parque emissor da malgorada Rádio SIM.
Na minha óptica, o vídeo que aqui deixo é um bom tónico para o que deveria ser a Antena 3.
Uma verdadeira «Alternativa Pop»!
Uma rádio que temperasse bem o popular de qualidade com o melhor da música alternativa.
Que, tal como no passado, estivesse sempre em busca de novas bandas/artistas nacionais.
Sem amiguismos ou elitismos.
Que fosse uma academia de novos comunicadores, renovando a equipa existente, deixando alguns históricos de qualidade como o Alvim, o Calado, o Álvaro Costa, o Henrique Amaro ou o Freitas como formadores.
Que fomentassem debates e fossem às escolas e universidades tomar o pulso de como é ser-se jovem nos dias hoje.
Que fosse ágil e que percebesse que a rádio hoje em dia só sobrevive com uma forte presença no digital e de que o Facebook não pode ser a principal ferramenta de divulgação (quando a há).
Os programas de autor podem e devem continuar, aos fins-de-semana, se possível em directo.
Ah, e por falar em directo, que hajam emissões de fim-de-semana e nocturnas e não meros enlatados e mal sincronizados.
Por fim, também penso que a 3 deveria ter uma redacção jornalística própria, editando jornais e tendo dois ou três repórteres na rua.
É um investimento avultado? Talvez! Mas quanto custa à RTP/TV certos apresentadores e a sucessiva aposta em produtos televisivos de fraca qualidade, sendo eles meros franchising a preço d'ouro?
Saudações bigodeanas!
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Concordo parcialmente com o que referes Bigodes. Numa coisa estamos todos de acordo: a Antena 3 pior do que o que está não fica. Neste momento o que é não é nada.
Uma rádio jovem não tem de ser uma cópia em serviço público da MegaHits ou da Cidade FM, ou seja de programas de "palhaçada" e música a metro. Pelo contrário, pode ser e fazer muito mais, reaproximando verdadeiramente os ouvintes que se pretende alcançar da rádio. Dando mais tempo a palavra de qualidade e passando o que é comercial e o que não o é, mas que tem potencial para ser e a quem o serviço público tem obrigação de deitar a mão. Desbloqueando-se os problemas que elenquei no tópico da irmã mais velha, a propósito da nova provedora, ou seja, havendo mais dinheiro, a Antena 3 poderia verdadeiramente vir a tornar-se na grande rádio jovem popular e nacional. Tem uma rede nacional de emissores, que convém não esquecer, foi atribuída com esse propósito, não o de ser uma rádio alternativa e elitista. Permite-me discordar, mas a Cidade FM e a MegaHits não têm de todo uma cobertura que seja aceitável. É o que se pode arranjar, mas longe de ser aceitável, basta ver os problemas que ambas as rádios apresentam na cidade do Porto e arredores, a segunda maior do país e onde estão imensos jovens potenciais ouvintes. A Antena 3 não padece desse problema. Para além disso, tudo somado, da rádio a muitas outras coisas bem mais impactantes, o desinvestimento que se tem feito no interior, que assumimos que é para os velhos, levam a que a desertificação do mesmo seja cada vez maior. E não sabemos se com a pandemia essa tendência não se virá a inverter. Portanto, uma rede nacional para uma rádio deste tipo seria mais que justificada.
Havendo dinheiro a RTP conseguiria montar um projeto ganhador no horizonte de um ano. Como? Lembro sempre o exemplo da SIC nos anos 90, os jovens de 20/30 que puseram no ar a primeira TV privada em Portugal, um projeto ganhador. Temos imenso talento na rádio portuguesa, under 35, dreams teams desta época.
Primeiramente, terias de encostar para funções diretivas, comunicaão, etc. ou outras Antenas, ou mesmo para o desemprego tudo o que seja 40 para cima. O target fala para o target isso é óbvio.
Posteriormente, secando a concorrência/olhando para dentro de portas. De repente, só vejo com potencial no grupo a Joana Perez e a Andreia Rocha da Internacional que também está ali escondida e não é de todo má. Mas na Concorrência não faltariam nomes que aliciados para um projeto novo, diferenciador, com liberdade e autonomia dariam o salto. Masculinos: Ricardo Lomar, Diogo Pires, Alexandre Guimarães e o Simões. Femininos: Catarina Palma, Teresa Oliveira, Inês Nogueira, Inês Silva, Laura Ferreira, Débora Zenha, Filipa Galrão, João Paulo Sousa. Nem precisavas de dar um tiro no porta aviões estilo Mafalda Castro. Aí era quase sucesso instantâneo. Tens quase um cardápio, até podias ter animadores com créditos firmados no Porto, sem quaisquer problemas.
A partir daqui, caminho lado a lado contigo nas propostas.
Tudo isto aliado com um marketing extremamente agressivo, nas redes sociais, no traseiro dos autocarros, outdores, associações académicas, influencers era uma mina para fazer o projeto disparar no momento. Com uma rádio próxima das pessoas, feita nas Escolas, na Universidade, em espaços de animação noturna, no Metro e nas principais ruas, nos espetáculos, no desporto, com ideias disruptivas, como envolver o ouvinte através de participação em grupos de estudo e de apoio à preparação de programas temáticos de tempos a tempos, tudo em direto com muita iteração, umas boas galas de prémios com artistas internacionais, muita entrevista a ilustres e menos, muito na senda deste projeto da Diana Duarte, jornais editados por uma redação também jovem e desempoeirada na forma de comunicar, com um programa de estágios de elevada qualidade, tudo isto custa dinheiro, mas continuo a dizer, é para isto que serve a CAV e o Orçamento do Estado.
Na música, esta rádio poderia tornar-se uma verdadeira plataforma de lançamento do bom alternativo em comercial, nomeadamente aproveitando os países da CPLP e, sendo mais ambicioso, também o Brasil, mas também não descurando o olho da Europa e particularmente Espanha, onde acho que não promovemos a nossa música tão bem quanto eles fazem comnosco.