A ideia de encerrar uma rede nacional de emissores entregando-a à TSF e à M80, e vou dizê-lo sem filtro, para mim é de uma perfeita estupidez. Especialmente a *esta* TSF e a *esta* M80. Especialmente no histórico que MCR e agora GMG vão tendo nos mais diversos campos.
A Antena 3 faz sim serviço público, só que tem uma encruzilhada trágica: nos centros urbanos é onde mais se interessam por música alternativa, e aà estão sempre servidos, seja pela Vodafone, SBSR, Radar, Oxigénio em certas vertentes e a Rádio Nova noutra, RUM, RUC e RUA; no interior, onde tem maior valência por ser uma alternativa musical às playlists comerciais de todas as outras estações nacionais e mesmo de muitas locais, é onde há menos interesse pelo tipo de música que passa...
Ou seja, a Antena 3 está a formatar para o pólo errado. Devia dar a conhecer e ser uma alternativa, em termos mais light, e um exemplo de se fazer rádio, incorporando uma componente regional, e está a apontar justamente ao público que já está mais que servido com a série de alternativas que existe. Ou seja, está numa encruzilhada. O resultado é o que está à vista.
Neste momento, a Antena 3 apenas serve a quem tem gostos diferenciados já por si, e aos de gostos cultivados mais urbanamente de pessoas que seguem para o interior do paÃs por esta ou aquela razão. Porque de resto, não serve a mais ninguém.
Enquanto isso, temos uma Antena 1 virada à música pop quando devia estar a formatar de uma outra forma, por exemplo ao jazz (e há soluções muito viáveis neste capÃtulo, é uma área muito pouco explorada!), sendo diferenciadora musicalmente no enquadramento nacional, mas não.
Este é o problema do serviço público: está refém de uma visão encaixotada, neste momento. Acham que o alternativo não pode ensinar e ser acessÃvel; acham que ser acessÃvel é ser básico musicalmente, não desafiar o ouvinte. No fundo está tudo a tentar proteger coisas que não é assim que se protegem...
E eu tenho saudades de rádios que me desafiem como ouvinte. Fora uns programas de autor na 3 e na 2 ainda a remar contra a maré, mais a seleção musical da Nova... não há muito mais.