Por acaso pensei que a Cidade FM de Loulé se fizessse escutar razoavelmente em todo o Algarve, dado o território ser relativamente plano junto à costa.
A Los40 ouvi-a grande parte da tarde de segunda-feira e não a achei má de todo. A playlist pareceu-me muito equivalente à da Mega, com uma ou outra música espanhola pelo meio, onde estão as nossas portuguesas. As intervenções não são de segundos como as da MegaStar. Ouvi o painel da Cris Regatero e tirandos alguns segundos de silêncio entre músicas (devido às emissões locais, certamente) até gostei. As intervenções delas foram sempre pertinentes e tem uma voz bonita. O colega que entrou a seguir, um tal de Alex, também gostei.
Agora, a diferença de cobertura da Los40 para a Mega ou para a Cidade é substancial, isso sim.
Tenho a mesma opinião do A, no entanto penso que as rádios musicais em Espanha estão a começar um processo de mudança uma vez que estão a passar por uma grande crise de audiências, chegando a mÃnimos históricos:
https://prnoticias.com/2021/05/24/radios-musicales-descenso-oyentes-minimos-historicos/
Não era de admirar, em tempos de streaming é impossÃvel aguentar tanta repetição. Neste caso, as nossas rádios anteciparam-se bem em geral com o aumento de tempo de palavra.
A esto hay que sumar el auge de las generalistas ante un aumento de la demanda informativa que ha reducido a mÃnimos históricos los datos de las emisoras musicales, que solo en abril, perdieron más de 200.000 oyentes.
A chave está nesta frase: as generalistas tiveram procura como nunca. Ninguém estava, em março ou abril, ou janeiro e fevereiro de 2021, com disposição de ouvir música para dançar. Esta é que é a verdade. O outro disse que tivemos 1,5 anos de M***A e não mentiu. Por outro lado, as generalistas e temáticas informativas bombaram como nunca, porque o pessoal estava a todo o momento à espera de uma boa notÃcia ou de más notÃcias.
Eu próprio, posso dizer, que comecei a ouvir a Mega em maio de 2020, quando antes a tinha picado salvo erro, duas ou três vezes, porque enchi de ouvir o eixo OBS/RR/TSF/A1 que pareciam as carpideiras num velório. Pelo menos na Mega, que não tem noticiários, não ouvia falar de números, vacinas, epidemiologistas. Mas esse fenómeno foi uma situação particular, não aconteceu com a generalidade da população, bem pelo contrário.
Acresce ainda que as generalistas espanholas têm investimentos em todos os horários com profissionais de reconhecido mérito. Todos os programas são em rigoroso direto.
O jornalista que comanda as manhãs da COPE (06:00-13:00) e entrevistou recentemente o Papa tem um salário a rondar os 6 milhões de euros anuais...
Aqui o programa da manhã da Rensascença se custar 15k/mensais em salários já vamos com sorte... mas também me parece uma exurbitância, principalmente para uma rádio que é detida pela Igreja. Eu sou frontalmente contra salários principescos para vedetas!
As rádios de palavra têm de apresentar nomes fortes reconhecidos pelo público. Não podem ter um Zé qualquer...
Um profissional que ganhe 500 mil euros pode ser msis caro do que o tal que ganha 6 milhões de euros ...
O profissional que ocupa as manhãs da COPE atrai muitas marcas para a publicidade; aliás, há marcas em fila de espera para serem publicitadas.
É o profissional mais bem pago, mas justifica esse salário, pois, quando pegou nas manhãs , a COPE tinha cerca de 900 mil ouvintes diários, agora, de acordo com os estudos tem mais de 2 milhões diários.
Nas rádios de palavra em Espanha os mais bem pagos são as estrelas da manhã e os do desporto.
A Rádio Nacional de Espanha não entra neste campeonato, sobretudo por causa da instabilidade constante...
Os diretores de programas e de informação raramente conseguem manter-se mais do que dois anos no lugar.
Agora com a nova administração parece que o grupo rtve vai mesmo mudar de vida...o tempo o dirá...