“Boxxâ€, o ‘FM Estéreo da Rádio Comercial’ foi aquilo que deve ser uma rádio pública bem-sucedida: feita a pensar nas massas,
mas culta. Criativa e também sofisticada para cativar públicos mais exigentes. No ‘FM Estéreo da Rádio Comercial’ a sonoridade e estilo de dinamização mudava de uns programas para os outros, dependendo da equipa de produção, é como se tivesse vários rádios dentro de uma. No ‘FM Estéreo da Rádio Comercial’ a trilha sonora servia para reforçar a mensagem do radialista, sendo este o principal foco de interesse do programa, o que tinha para dizer, o que tinha pesquisado ou lido, e que partilhava com o auditório. Nesses programas temáticos (ou de autor, como lhe queira chamar) a música era a guarnição, não o personagem principal. Por exemplo, se um programa tivesse como tema a exploração espacial, músicas como esta faziam parte da banda sonora
Alan Parsons Project – Sirius (foi nesta rádio que conheci este grupo musical, já em matéria televisiva os vÃdeos passavam na TVE1, em programas de culto musicais, nos quais dissecavam as influências sonoras, enquadravam o estilo cultural, etc.).
No ‘FM Estéreo da Rádio Comercial’ tinha, por exemplo, o programa “Discotecaâ€, passava à hora de almoço, com o conhecido Adelino Gonçalves (“Rádio Nova†e voz-off dos documentários do canal “National Geographicâ€), um vozeirão da rádio em Portugal. Era o único da grelha destinado à dance-music. Os outros programas tinham diferentes estilos de dinamização e de conteúdos.
Em Portugal a mediocridade falada e de conteúdos passou a ser a norma, quer seja público, quer seja privado. Dá trabalho produzir programas com patamares qualitativos mais exigentes, e isso afasta, progressivamente, o público da rádio.
Atualmente, a rádio pública é sugadouro de recursos financeiros, sem a devida contrapartida para os cidadãos/ouvintes. Estagnou.
A forma supracitada de fazer rádio acabou. Hoje, nem uma pálida amostra.