Vou aproveitar a minha primeira mensagem no fórum para, enquanto sub-30, dar a minha visão de como ouvimos rádio. E cumprimentar todos, claro. Leio-vos há anos.
Quem tem carro, por vezes ouve. Mas o Spotify, YouTube Music ou podcasts geralmente são mais rápidos, mais cómodos e dão a quem está ouvir total (ou quase) controlo sobre os conteúdos.
Outra coisa que vale a pena sublinhar é que os telemóveis atuais - que para muitos de nós, principalmente os mais novos, já substituíram em grande parte os computadores pessoais para casos que não sejam trabalhar - não têm recetor FM. Um dos principais chamarizes da rádio, a par de ser gratuita, era a facilidade de acesso: se o acesso já não está no bolso e é preciso ligar um recetor à parte, no caso do FM, ou ir a um site/app no caso dos PC ou telemóveis, porquê ir ouvir algo sobre o qual não se tem controlo?
Além disso, os conceitos de rádio e de podcast estão cada vez mais misturados. Caiu-se na facilidade (ou realidade?) de considerar que qualquer programa de rádio é - ou pode ser - também um podcast. Isto faz com que já ninguém tenha de esperar pela emissão linear para ouvir o que quer que seja. Abre-se a app de podcasts ou de música, escolhe-se o que se quer ouvir e ouve-se. E atenção que mesmo as "vozes da rádio" já não sobrevivem por si só: ou estão nas redes e a mostrar-se, ou o microfone para que se fala pode muito bem ser um vácuo, vai dar ao mesmo.
Antecipando já que me digam que comprar um recetor FM é fácil e barato, respondo que isso não basta para criar interesse.
Em suma: ouvir rádio está menos acessível (e o carro pode ser o último acesso universal diário), menos relevante (o que se ouve ou descobre na rádio circula mais rápido online) e menos interessante (porque na era dos algoritmos é possível ter um feed em qualquer rede social infinitamente mais interessante para cada um). E mesmo quem trabalha nela ouve-a menos em direto, aqui falando por experiência própria e de próximos.
Sobre os Deftones: confesso que fiquei muito feliz de saber que tiveram tamanho destaque numa nacional. De resto, gostos são gostos.