A 3 tem que voltar ao que fez bem e a tornou relevante durante anos, conjugar o alternativo com o mainstream de qualidade criteriosamente seleccionado (...)
A antecessora da Antena 3, na esfera do serviço público de radiodifusão, foi o FM Estéreo da Radio Comercial. Com inÃcio de emissões em 1979 (como curiosidade, a RNE 3 foi inaugurada no mesmo ano), teve um impacto significativo junto do público, jovem e de meia-idade, no inÃcio dos anos 80, entrou em declÃnio na segunda metade dessa década e acabou com a privatização nos anos 90. A Rádio Comercial de hoje nada tem a ver com esse saudável e pertinente projeto, que filtrava o que de melhor de fazia na época/décadas precedentes, quer no paÃs, quer no ocidente.
Comparativamente, a Antena 3 não chegou a ter a importância, nem o impacto do FM Estéreo da Rádio Comercial, embora concorde que teve algum mérito no arranque e nos anos subsequentes. O FM Estéreo da Rádio Comercial ajudou a impulsionar o Rock e POP portugueses, que sem esse meio teriam maiores dificuldades em impor-se junto do público, dado que as restantes estações encontravam-se, à época, dominadas pela música ligeira (algo que nunca foi do meu agrado, hoje parece que as kimzombadas e latinadas ocupam esse espaço que classificaria de piroso).
Assim, o conceito transposto para os dias de hoje, julgo que faz sentido. Esse projeto devia ser atualizado, reinventado e reestruturado, mantendo a matriz inicial e não desinvestirem por completo dele, ao ponto de terminar ao abandono. Seguramente, se o caminho fosse outro, o “ouvido†dos ouvintes seria um pouco mais exigente, pelo que o lixo auditivo não teria a divulgação excessiva que se constata atualmente.