Todos os canais da Rádio France transmitem a partir de Paris.
O que importa é a riqueza dos conteúdos.
Que os conteúdos importam, disso não tenho dúvidas. Mas aí dou razão ao Zeca, o facto de não existir diversificação geográfica só faz uma única coisa: todas as pessoas que gravitam à volta do meio, sejam colaboradores da rádio, a opinion makers, acabando nos artistas vão ter a sua visão nacional enviesada pela perspectiva regional. Ora, uma rádio nacional não é uma rádio de Lisboa. Como já disse, redação principal em Lisboa pela proximidade ao poder político, mas tem de existir uma presença forte noutras regiões, permitindo uma visão global do país e tornar o meio acessível. E repito, não vejo como possa isso custar (muito) mais dinheiro ou gerar quebras de produtividade que resultem em diminuição da qualidade.
Mas não estamos em França estamos em Portugal e em Portugal temos 6 rádios nacionais (RR, RFM, Comercial, Antena 1, 2 e 3, 2 regionais (TSF e M80) e as restantes são Rádios Locais e para isso é que foram licenciadas. O resto são projectos que contornaram a lei e passaram a fazer das rádios locais transmissores ilegais, muitas vezes sem cumprir o que a lei obriga e onde a fiscalização não atua.
São opiniões mas continuo a acreditar nos trabalho que muitas rádios fazem para o desenvolvimento das suas regiões.
Mas até por isso, não acha que uma rádio "local" restrita à dimensão concelhia, porque se passarmos para os municípios vizinhos a escuta muitas vezes já é difícil, não teria muito mais pujança e força se tivesse dimensão regional. Fora das Áreas Metropolitanas, quantas pessoas tem um concelho, 15k, 10k, por vezes menos que 5k? Fará sentido mantermos essa realidade. 1989 já foi há mais de 30 anos, as coisas não ficam iguais para todo o sempre.
Também não é uma inverdade. Ainda hoje vinha a ouvir a Rádio Valdevez que tem um programa chamado "Trocas & Baldrocas" (sim, é mesmo assim) onde os ouvintes podem anunciar serviços e bens que queiram prestar/vender. A locutora elencava a venda de máquinas agrícolas, mobiliário e até um quadro da Última Ceia... obviamente não vamos comparar uma Rádio Valdevez, que presta um papel louvável, a uma Rádio 5 à deriva e a passar programas de seitas religiosas...
Certo, a Valdevez não sendo uma rádio excecional, diria que está na tipologia "popular" tem alguns programas que são úteis para uma camada da população mais idosa. Há um em que cheguei a parar dois ou três sábados de tarde que também me parecia muito útil, punha pessoas emigrantes em contacto na rádio com pessoas da terra que já não se viam há anos. Mas mesmo programas desse tipo, não seriam mais úteis numa rádio regional, do que num emissor local que se escuta aos soluços?
Não tenhamos vistas curtas. Um emissor local, por muito bom que seja, é quase o equivalente a uma microcobertura de uma rádio nacional/regional. Por outro lado, e isto é deveras importante, o mercado evoluiu. Se em 1989 não existiam mais rádios com potencial "expansionista" hoje isso não é assim, e como em qualquer setor de atividade, é importante que as empresas cresçam e ganhem escala, até para permitir outro mercado para os profissionais e garantir qualidade aos ouvintes.