Compreendo que se queira uma emissão que relatasse como fazem em Espanha todos os jogos no mínimo da primeira divisão(as emissões chegam muitas vezes a ter 10h ou até mais horas seguidas), independentemente dos clubes em causa. O problema é que não estamos em Espanha e tirando talvez o Domingo pela tarde, não creio que existissem em Portugal muitos ouvintes, para estarem a ouvir uma emissão tão longa, mesmo quando existem 2 jogos dos 3 grandes seguidos, por vezes já fica cansativo.
Não concordo.
Há muitos ouvintes que ouviriam a tarde desportiva ao sábado, como ouvem ao domingo. O problema, às vezes, que pode fazer parecer que a emissão é cansativa, é a forma como o conteúdo da Tarde Desportiva é produzido. Recordo que em Espanha, é raro passarem enlatados no meio das Tardes Desportivas das mais variadas rádios (neste campo, posso estar suscetível a errar, pois oiço na esmagadora das vezes a SER e a COPE, e o que se defende aqui, é replicar na Antena 1 o que a RNE 1 faz).
Muitas vezes estou em casa ao domingo à tarde, sem nada para fazer, e penso para mim: Vou assistir a uma aula de rádio desportiva. E coloco na SER ou na COPE. Confesso que às vezes coloco na Antena 1, ou pelos motivos que me levam a acompanhar a liga portuguesa (o Farense, por fazer os seus relatos) ou então depende de quem esteja em estúdio, ou de quem faça o(s) relato(s) principais da Tarde Desportiva.
Mas muitas vezes, mesmo podendo ouvir, não oiço. Já as duas espanholas que citei, mesmo que oiça a Tarde Desportiva da Antena 1 de princípio ao fim, acabo sempre por ir bater numa dessas espanholas. E porquê? Porque acredito que tanto a Antena 1, como qualquer rádio que tenha pendor informativo em Portugal, se decidissem seguir o modelo espanhol, teriam muito mais a ganhar. A que está mais próxima desse modelo, na minha opinião, é a Observador. Mas depois, resume-se apenas ao acompanhamento dos 3 do costume. Acaba por se fixar totalmente na política, e não criar um verdadeiro departamento de desporto.
Outra questão, as rádios em Portugal deviam dar mais importância à pista. A Antena 1 é impecável nisso, a RR quando não relata pela TV na Madeira e nos Açores, ou quando não faz apenas para o site, também é impecável, mas a TSF e a Observador só se lembram da pista nos clássicos/dérbis/decisões/finais.
Em Espanha e em Itália, as rádios perderam definitivamente o acesso à pista. Estar na pista, é extremamente importante, porque muitas vezes as tribunas de imprensa não têm a localização devida para os narradores ou relatadores fazerem o seu trabalho. Tanto é, que a famosa marca Pastega (italiana) que fazia equipamentos de pista maioritariamente para as rádios italianas faliu, e a AEQ (espanhola) que produz muitos equipamentos de rádio, deixou de produzir equipamentos para reportagem de pista, quando as rádios espanholas viram vedado o acesso à pista. Valha-nos a Sennheiser, para as rádios portuguesas. Nem tudo é mau. Há coisas bem feitas, outras nem tanto. O problema para não se fazer melhor, na minha opinião, são os mesmos problemas de sempre: Recursos humanos e financeiros.