È curioso ver o pensamento norma dos centralistas.
Se uma rádio nacional abre um noticiário com uma noticia de uma cidade fora de Lisboa, invocam a necessidade de emissões regionais. Mas se essa mesma rádio nacional abre um noticiário com uma noticia relativo à Capital nunca se questiona a necessidade de emissão regional.
O velho preconceito de quem está na capital.
Eu não me considero centralista e já aqui coloquei uma proposta concreta de alocação dos emissores da Antena 1 a redes regionais há algum tempo atrás, em determinadas faixas horárias. Isto porque, de facto, certas notícias sobre o Funchal, Bragança ou Lisboa não me interessam, e provavelmente preferiria ter alguma informação mais detalhada sobre a AMP, nos tais putativos noticiários regionais. Esqueçamos as locais, tanto em Porto como em Lisboa, e provavelmente com exceção do Minho, para pouco mais servem que passar música, o modelo de uma radio por concelho não tem sustentabilidade económica. Para além disso, como grande parte dos emissores das regiões vizinhas são passíveis de ser escutados noutra região, asseguraria a cobertura noticiosa das regiões limítrofes. Se é caro? Talvez. Mas ficávamos todos melhor servidos.
O foco não deverá estar numa guerra Lisboa-Porto, ou com qualquer outra região, mas sim em como podem os grupos de comunicação social servir melhor todo o território Português, reforço, particularmente o serviço público. No modelo atual, em que os noticiários são integralmente nacionais, discordo que se dê relevo a peças de interesse eminentemente com caráter regional, como sejam o incêndio de Gondomar, ou as obras do Saneamento em Lisboa, ou o pássaro que morre em Freixo de Espada à Cinta. Uma coisa é uma notícia de relevo nacional que ocorre no município X (exo: os casos de alegada corrupção na CM Espinho) outra é uma notícia sobre uma qualquer eventualidade ocorrida ontem na feira semanal do mesmo município. A dificuldade é que por vezes pode ser difícil distinguir onde começa a Estrada da Beira e onde acaba a beira da Estrada.
Falando novamente de critérios editoriais, edição das 15h de Frederico Moreno com duração de 15 minutos, só que os primeiros 7 são dedicados... às nomeações para os Óscares. Ok, ter uma curta portuguesa nomeada é notícia, igualmente discordo que seja para abertura da edição. Falar como se estivessem no programa do Mário Augusto sobre as nomeações, parece-me um pouco
too much.
Edit: Tendo a concordar com a proposta do Atento e acredito que será muito nessa linha que irá evoluir o futuro do meio, seja com o velhote FM ou com o DAB+. No entanto, preferiria uma Antena 5 notícias, com os tais desdobramentos regionais, tenderia a eliminar a música ao máximo na 1 para programas de palavra. A componente de música portuguesa deveria ser assegurada pela RR e pela M80 reformulada, não vejo necessidade, honestamente de a RDP estar a assegurar serviço musical, quando o setor privado faz isso melhor que o serviço público, basta ver as atuais audiências. Parece-me despropositado o desaparecimento da rede Smooth FM do portefólio da Comercial, e acredito que a Igreja Católica fosse fazer o chorinho para conseguir uma expansão significativa da Rádio Maria, à imagem do que ocorre noutros países, como por exemplo, a nossa vizinha Espanha.