De acordo “R4”, o momento é o presente e há sempre o gosto pela descoberta das tendências atuais, do que de novo se vai fazendo. Há qualidade, embora, muitas vezes, misturada com o banal, ao ponto de se confundirem. A rádio de hoje não tem programas de autor que se dediquem a filtrar, contextualizar e enquadrar, no propósito de apurar estilos, sons e ambientes. Mas… o presente não existe sem o passado. O que se faz hoje não surge de forma espontânea, vindo do vazio. Trata-se de um processo cumulativo.
Ao contrário do caro ‘R4’, ouvir temas clássicos, obviamente, com critérios de filtragem, é algo que me deixa satisfeito, desde que não seja em excesso. Prefiro os produtos intemporais que se distendem presente do até ao passado e vice-versa, a bem do conhecimento e da cultura geral. Também devo dizer que acho a História uma área muito interessante, sempre que posso leio sobre o assunto ou vejo documentários, nos canais habituais da TV Cabo e na televisão francesa, incluindo o canal ‘ARTE’. A História da Europa, nas diversas vertentes, é, no meu ponto de vista, de elevado interesse. Basta ouvir, sem grande contextualização da parte do radialista, certos temas para perceber que tipo de sociedade estava a surgir ou modelo vigente em determinado período, movimentos sociais, culturais que mobilizavam/mobilizam os cidadãos e que estão na base do que somos hoje, como coletivo. Outro aspeto cultural que me parece relevante é a forma como, por exemplo, os britânicos encaram a população sénior e idosa, com o reconhecimento geral da experiência e do legado que deixaram às gerações vindouras. Há uma espécie de orgulho, gratidão da sociedade para com os mais velhos. Isso não acontece por cá, diria que é uma questão cultural. Tal é espelhado nas estações públicas de rádio e de televisão da BBC, nas quais várias figuras públicas têm mais de 70 anos ou até 80. A ‘BBC Radio 2’ tem vários radialistas dessa faixa etária, o que acho de grande nível. Os mais velhos trabalham em conjunto com os mais novos, a Escola é transmitida de geração em geração.
Em termos de rádio, já tivemos estações com este perfil e desiderato em Portugal. Na génese da ‘RFM’ dos anos 80 era este o modelo que vigorava e veja o sucesso e reconhecimento que obteve. Ao contrário do que fazem os britânicos, por exemplo da BBC, o modelo foi descontinuado, por lá os modelos são aperfeiçoados e adaptados ao tempo presente, mantendo-se os mesmos propósitos. Este pode ser um caminho para alguma estação da RTP, o campo está livre, não há concorrentes.