(...)
Ouvi o inicio do programa 'Destacável' do Aurélio Gomes, e fiquei pelo inicio, quando ouvi o apresentador do programa dizer: ' Portanto'... 'Portanto' num programa, preparado, escrito, e por isso deveria ser cuidadoso na linguagem, bom português, e surge ali um 'Portanto'. Se tivesse sido numa conversa informal, sai um 'portanto', passa. Agora na apresentação de um programa que deve ser bem preparado, julgo que também é gravado, não há justificação para palavras rasteiras.
É por estas e por outras que gosto de ouvir as rubricas e os Programas do Fernando Alves, são sempre excelentes, dá gosto ouvir. Esse sim, um enorme profissional de Rádio.
Do Aurélio Gomes tenho como melhor referência o 'Eixo do Mal', uma boa prestação como mediador de conversa. No RCP apresentava o programa da tarde, um programa para donas de casa, com rubricas cor de rosa, banalidades, ele era o Pivot.
A Antena 1 tem profissionais que fariam muito bem o programa que o Aurélio Gomes está a fazer, até diria que se o diretor, João Paulo Baltazar se chegasse à frente, julgo que teriamos aí sim um programa excelente.
Também ouvi o início do programa “Destacável”, até procurei pilhas e um rádio portátil que não é ligado há anos, para acompanhar de perto a emissão antes de sair de casa. Primeiro, o horário, não é o mais adequado para um magazine radiofónico, uma vez que ao sábado de manhã muitos do público-alvo estão nos hipermercados e lojas a realizar as compras da semana. Ouvir, é de forma descontínua/parcelar quando se anda de carro de um lado para o outro. Também notei isso, a utilização do …”Portanto”…, dá a ideia que se está “aos papéis”, improvisação, alinhar as ideias em cima do acontecimento, mas não atribui importância a essa, digamos, pausa. Não me soou bem a utilização do verbo “farejar”, “farejar um livro”, foi dito. “Farejar” soa a algo do género, “farejar a vida alheia”, “meter-se onde não é chamado”, etc. Deu a impressão de um programa gravado, pois ao sábado de manhã não há vistas de estudo ao Museu do Teatro, os alunos do 11.º ano não têm aulas ao fim de semana. A cultura é muito vasta, cuidado com o bailado e afins que vão afastar potenciais ouvintes, já que esse género cultural não diz nada à maior parte do universo de potenciais ouvintes. Próximo das 12h, já no carro, parado num semáforo, captou a minha atenção a apreciação de cinema com um critico da 7.ª arte.
Também estou de acordo consigo acerca do programa da tarde do <R CLUB P>, versão 2, após a reformulação de 180 graus da primeira versão. Esse programa era, de facto, execrável. Já o programa da manhã do <R CLUB P>, versão 1, era excelente. O programa foi substituído por outro com um ritmo frenético de informação, conduzido pelo João Adelino Faria, atual pivot do “Telejornal” da ‘RTP1’, após reconfiguração do <R CLUB P> que gerou uma total descontinuidade com o que vinha a ser feito anteriormente, o que afastou muitos ouvintes. Relembra-se que o <R CLUB P>, versão 1, vinha em crescendo de audiência quando foi descontinuado, suponho a rondar os 4%. Não se compreende o porquê de interromper um projeto de rádio quando está em pleno crescimento, para substituir por outro que não tem nada a ver com na fórmula anterior.
O Aurélio Gomes, tal como qualquer outro profissional de qualquer área, necessita de tempo para se adaptar às novas funções e identidade do principal canal de uma estação pública. Como sabemos, por essa Europa fora, os diferentes canais públicos são muito relevantes para a maioria do população porque são diferenciadores e trazem substância para o éter.