Essa leitura de que a animação parece a das rádios mais velhas só vai de encontro ao que disse mais acima sobre a estação: não há um único animador abaixo dos 30 anos e muitos já andam pelos 40/50... numa rádio destas. Eu sou do tempo em que ouvia diretores de rádio dizer "o target fala para o target".
Quanto à playlist, está basicamente pensada para Lisboa, e é a única diferença que faz no Porto.
Caminho temos animadores de andarilho a falar do Timmy Trumpet, já faltou mais...
E gente tão boa para rádio que anda por ali meio perdida em algo que já pouca razão tem de ser. Para quê?...
Se é para isto façam regressar a Rádio Capital.
volta Capital. saudades imensas.
Isto lido em 2023 e comparando com o produto miserável que é a MEO SW, não tem qualquer ponta de ironia.
A Capital, apesar de tudo, era um produto agradável de ouvir.
Sem dúvida! E tinha uma playlist bastante variada dando seguimento, alias, à dos tempos da Rede A (se a memória não me atraiçoa), uma antiga local de Almada. Era das minhas preferidas sempre que passava por Lisboa naquela altura.
Dava efetivamente seguimento, e nos tempos do slogan "A melhor informação de trânsito" a playlister/programadora era a Margarida Pressler, extremamente competente no que fazia. Em tempos estive com ela e chegou-me a confidenciar que de repente dava-lhe na veneta e
alinhava semanas inteiras na playlist. Literalmente música a música para ficar tudo mais harmonioso, diverso e apelativo. Ela até para escalões e listas se borrifava, se uma música ficasse melhor proveniente de uma lista que de outra. E a animação era sempre em direto, viva, mesmo que houvesse enganos não havia mal. Era rádio com gente dentro, numa onda mais mainstream claro, mas era. Só havia gravados em férias, normalmente do Luís Talete ou do Orlando Azevedo. Ela recusava-se a gravar.
Nesses tempos a Capital aparecia com 4 e 5% de audiência na zona de Lisboa, segundo consta (também vinha num contexto em que as locais foram bastante mortas em combate lol), com menções pontuais num tempo em que não se fazia menção a locais. A última vez que esse bloco foi relevante foi no início da SWTMN mas já com menos cotação (3%), já sob a égide de Paulo Jorge, e daí para diante a rádio esteve fora do mapa de audiências durante bastante tempo... até há pouco.
Eu quando mais novo, nos idos de 2008/9, era viciado em 2 estações: Rádio Capital e TSF. Por causa da diversidade musical e da ótima informação (no tempo em que a TSF pelo menos aparentava ser muito mais viva e menos canastrona que hoje, em que se demitiu criminalmente desse papel de vivacidade), e no caso da Capital pelas várias músicas completamente diferentes das líderes que regularmente iam aparecendo, mais aquele frenesim das horas de ponta com trânsito a cada 10-15 minutos e uma plástica até razoavelmente apelativa. Cocteau Twins ouvi pela 1ª vez na Capital por exemplo, numa furada que a Margarida trouxe no regresso a casa. Há 14 anos.
Aturava a pressão da Voz de Setúbal em 100.6 e por vezes a da RFM em 100.9 num rádio Hi-Fi Pioneer do início da década de 90 sem RDS, mas com medidor de sinal, mais uma antena amplificada adaptada de rádio, e conseguia 5 em 6 níveis em indoor no centro da cidade na generalidade dos dias. Num mau dia de propagação 3 a 4, mas estéreo dava sempre, o raio do sintonizador dava luta. Mesmo a andar pela cidade com o MP3 escolhia a Capital e escolhia deliberadamente ruas que sabia que não me iam dar interferências da Voz de Setúbal - o MP3 barato apesar de tudo filtrava até bem frequências e portanto a coisa até era estável à conta de trocas constantes Stereo / Mono.
Muita da cultura musical que adquiri nessa época vem de apenas 3 estações: Rádio Capital/SWtmn, TSF e Rádio Clube Português. E depois disso, Antena 3 e Vodafone, onde comecei a "partir pedra" mais a sério há 11-12 anos. O resto são coisas que sabia que estavam nos tops mas que verdadeiramente não trazem nem retiram.