(continuando), “estvmktâ€, o FM Estéreo da Rádio Comercial também impulsionou a nova vaga de música portuguesa, chamada de música moderna portuguesa. O rock, pop, etc. cantado em português surge nessa época e com um forte apoio da estação. Quem não se lembra dos primeiros trabalhos de Rui Veloso, Lena d´Ãgua, Heróis do Mar, Jáfumega, Taxi, etc. Outra caracterÃstica é que os radialistas do FM da Comercial também tinham programas na RTP 1. Por exemplo, a versão televisiva do “TNTâ€, chamava-se “Vivámúsicaâ€, ambos apresentados pelo radialista Jorge Pêgo, indo a 1.ª temporada para o ar em 1981. A televisão chamou ouvintes para a rádio. Outra curiosidade, quando havia a emissão televisiva de um espetáculo que se enquadrasse nas caracterÃsticas musicais da Rádio Comercial, a rádio e televisão faziam o simultâneo do evento, podendo assim os telespetadores usufruir do som em Estéreo, bastando para tal ligar o rádio (as emissões televisivas apenas disponibilizavam áudio em monofonia).
Em meados da década de 80, foi a vez da Rádio Renascença reestruturar o seu portfólio de rádios. A Renascença, a mais ouvida em Portugal, exibia o programa mais popular de sempre da rádio portuguesa, o matutino “Despertarâ€, dinamizado por António de Sala, Olga Cardoso e o repórter Carneiro Gomes, por quem a generalidade portugueses nutriam simpatia. Só que as camadas jovens da população reviam-se no FM da Rádio Comercial, que começava a acusar algum desgaste, nem sempre acompanhando as tendências musicais do momento, na era dos canais de música difundidos por satélite e proliferação de discotecas um pouco por todo o lado. É neste contexto que foi criada a Renascença FM, que, à semelhança da Comercial, desdobrava as emissões a partir das 10 horas da manhã. O programa “Despertar†era emitido em simultâneo em Onda Média e FM, e a partir das 10 horas, a Onda Média (e alguns emissores FM) emitiam programação de cariz popular, os outros emissores FM emitiam uma programação mais sofisticada (a única rede FM foi dividida para difundir 2 rádios). As emissões FM da Renascença introduziram um novo conceito de playlist e abarcavam mais géneros/tendências musicais do que a Comercial, em perÃodo diurno (a Comercial compartimentava géneros de música em programas, mesmo em perÃodo diurno, isso não era assim com o FM da Renascença). A fasquia da seleção musical aumentava no perÃodo da noite, incluindo temas intemporais compostos nas décadas anteriores, inclusive dos anos 60. Programas como o “Oceano PacÃficoâ€, da autoria do radialista João Chaves, rapidamente se tornaram referências. A partir da hora de jantar a grelha do FM da Renascença era estruturada com programação de autor. Em 1987 começam as emissões regulares da RFM, 24 horas por dia, com uma "nova" rede de emissores. As emissões eram dinamizadas por equipas motivadas, criativas, com uma ideia concreta do que se propunham fazer, que imprimiam ritmo à emissão, com talento para comunicar e que mostravam entrega à causa, digamos assim. A RFM era considerada uma das melhores rádios da Europa no que respeita ao seu público-alvo, dizia-se cá em Portugal, e os estrangeiros (europeus) que nos visitavam confirmavam, diziam que não se fazia rádio assim no paÃs deles. Tal como referiu “Boxxâ€, o radialista LuÃs Loureiro foi um verdadeiro Senhor da Rádio, com um talento fora de série para comunicar e estruturar programas. Havia outros.
Para terminar, apenas para referir que a RFM deixou de ser a mesma com a saÃda do LuÃs Loureiro (e, eventualmente, outros). Nos anos 90, não era a mesma coisa, perdeu-se um certo carisma. Para mim, o perÃodo áureo do FM da Renascença esteve compreendido entre 1986 e 1990. Hoje não temos termos de comparação, essa forma de fazer rádio foi descontinuada.