"passagem de um Portugal militar para um Portugal Democrático e civil"? noto que a transição esteve sempre prevista e os únicos responsáveis pela sua concretização foram os próprios militares, que já previam nos documentos inerentes ao movimento dos capitães, tal transição para uma democracia com sufrágio universal.
Relevo que o título (posto militar), nos militares dos quadros permanentes, permanece até ao final das suas vidas, tal como as comendas e outros títulos, assim como também é verdade para os títulos concedidos pelo ensino superior (seja militar ou civil).
Um militar não se pode candidatar a PR, portanto, se está na corrida, não deve usar o título, e ele não esconde que até gosta dele. Nada contra que o use, mas não no contexto de um cargo que tem de ser ocupado por um civil.
Sobre a primeira parte, o @AG disse tudo. Acrescentaria apenas que é mais ao menos consensual entre os historiadores políticos e económicos que Portugal entra no pelotão das democracias liberais, de matriz totalmente ocidental, justamente com a governação de Francisco Pinto Balsemão, que começa a lançar que abrem caminho a que Mário Soares e Cavaco Silva, os dois pais fundadores da verdadeira democracia política, Parlamentar e Plural, devolvam o país a uma economia plenamente de mercado. Em bom rigor, eu nasci em 1991, e ainda me lembro, por exemplo, dos combustíveis tabelados pelo Estado, ou da falta de concorrência nas telecomunicações. Algumas reformas que vêm dos tempos da Revolução, e também do absolutamente planificador Estado Novo, só mesmo nos governos de Barroso e Sócrates é que ficaram concluídas.
(Também não deixa de ser verdade que continua a imperar uma lógica de cartelização, que na maioria dos países da Europa seria severamente sancionada, e aqui passa pelos pingos da chuva).
Não quero imaginar viver num país onde os órgãos de comunicação social eram dominados pelo duopólio Estado e Santa Sé, com a agravante que a Internet civil era uma mera obra ficção científica.
Pegando nas palavras do caro R4, o maior elogio que lhe posso tecer são as palavras escritas, em 1998, pelo director do Expresso aquando Balsemão era Primeiro Ministro: Augusto de Carvalho.
https://expresso.pt/actualidade/augusto-de-carvalho-e-os-25-anos-do-expresso=f749254
Pessoalmente e puxando a brasa à nossa sardinha radiofónica, questiono a razão de, dada a ligação do saudoso Emídio Rangel à TSF Rádio Jornal, o porquê da SoJornal não ter comprado o portefólio TSF, XFM e NRJ Rádio Energia aquando o desaparecimento da cooperativa e a venda à Lusocanal. À Impresa sempre lhe faltou a rádio para ser uma empresa plenamente multimédia.
Aliás, a SIC até há poucos anos mantinha uma ligação de cortesia com a TSF.
Outro tesourinho que aqui deixo é sobre o leilão da Rádio Comercial, onde FPB apoiou a família Botelho Moniz para a compra da RC, talvez com o intuito histórico de reaver para aquela família a marca Rádio Clube Português nacionalizada no pós-25 de Abril de 1974.
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/privatizacao-da-radio-comercial/
Certo. Foi uma perda o grupo TSF não ter ficado nas mãos da Impresa. Pessoalmente, tenho uma ideia de porque não terá acontecido, acho que na peça a jornalista deixa a nu, para bom entendedor. A TSF é, ainda hoje, uma rádio de esquerda. Provavelmente, se tivesse ido para a Impresa, provavelmente hoje não teríamos um tópico designado "Rádio Observador".
Sempre pensei que a relação de cortesia da SIC era com a R/Com...

Em relação à direção do Expresso, têm mesmo a certeza de que o atual Presidente não era diretor no período do Governo Balsemão? Ainda ontem ao ouvi-lo, ficava com essa ideia, e há vários CV's dele que o deixam subentendido:
https://gci.iscte-iul.pt/2022/univ/assets/bio/marcelo_rebelo_sousa.pdf?utm_source=chatgpt.com
Essa relação de cortesia com a R/Com é recente.
Relembro que era comum nos anos 90 e 2000 o intercâmbio de jornalistas entre a TSF e a SIC (o Fernando Alves, por exemplo, foi comentador na Noite da Má Língua, a Quadratura do Círculo era basicamente o Flashback da TSF e quando a Maria João Ruela foi baleada no Iraque (lembro-me de ver isso na TV) ela estava acompanhada por um repórter da TSF. Onde é que a Rádio Observador tem essa classe que a TSF tinha?
https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2003/11/printable/031114_portuguesjr
Sem nunca esquecer o "Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer", bem como a Grande Reportagem, creio.
O Governo Sombra foi, em tempos, uma parceria com a TVI24 quando o José Alberto Carvalho era director de informação do canal de Queluz de Baixo.
Após o divórcio de Carlos Vaz Marques com a TSF e, consequentemente, a venda da Média Capital pela PRISA, o Governo Sombra «acaba», nascendo exclusivamente nas madrugadas da SIC (generalista) como «Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer».