No Youtube, a música de Natal da Comercial já está no top das tendências (seguida da RFM, é certo) e já duplicou o número de visualizações da música de Natal da RFM. Mais uma vez prova a força da actual líder.
Vou dar uma de Carlos Antunes e, tal como o visado nas previsões sobre a pandemia e o aquecimento global que falham sempre, posso correr igual risco, mas estou convencido de que se não for nesta próxima vaga será na seguinte, a RFM vai regressar à liderança e acredito que por lá vá manter-se umas longas vagas. As tendências não enganam. A RFM está a crescer muito mais rápido do que a Comercial que aparenta estar a esgotar a capacidade de captar auditório. E não será tanto por mérito da RFM, que como por aqui já disse e alguns foristas corroboraram, que tem um pior produto com exceção do José Coimbra e do Wi-FI, mas sim por algum mérito a menos na Comercial. Cheira a fim de ciclo na Sampaio e Pina, o produto sendo melhor está a tornar-se cansativo, são muitos anos sem novidades por demais e a capacidade de inovar, aparentemente não chega.
Quais as razões para estas tendências: a Comercial, a meu ver, assenta muito num trio e numa liderança forte do Pedro Ribeiro, para mim o homem em quem se pensa de imediato ao falar de rádio em Portugal, e numas excepcionais prestações dele próprio, do Nuno Markl e do Vasco Palmeirim. O remanescente dos locutores, não me convence muito para ser sincero, particularmente a Rita e a Joana. Do Willson nem falo, tem uma voz que até aprecio, mas nota-se falta de esforço. A Vera Fernandes acho que não se enquadra de todo nesta estação, acho que é demasiado plástica para a Rádio, aliás não vejo um produto no panorama radiofónico português que tenha a cara dela. A saída do Rui Pego foi um golpe duro para a estação e para a rádio, perdeu-se uma das melhores vozes jovens nacionais. Comparo a saída dele à despromoção da Vanda Miranda ou à saída da Catarina com o mesmo nome. São nomes que não se substituem. Arranja-se alguém que faça o lugar, o que é diferente. Não acho que o João Paulo seja nada por aí além, então nas entrevistas... é mediano/bom. Para além disso, não me parece que a rádio seja para ele a prioridade, basta ver que entrou na Cidade tardiamente e com uma espécie de estatuto de "salvador da pátria". Vejo muito potencial no Diogo Beja, um homem sereno mas bem disposto e com boa voz, mas precisa de crescer, com uma boa parceria ou com outro tipo de programas a solo, pensando que é homem que mais ano menos ano terá as manhãs nas mãos. Entendo que poderia casar bem com a Ana Martins como parceira, substituindo uma Joana que tem dias em que parece que está a fazer um frete ao ir trabalhar. O retorno das cinz...da M80 do Miguel Simões nem merece destaque.
Por outro lado, e a meu ver isto é o mais preocupante, quando olhamos para dentro do grupo, e para a capacidade de fazer uma renovação com nomes de peso...o panorama assusta e acho que ninguém está a ver bem as nuvens no horizonte na Sampaio e Pina. Deram-se ao luxo de perder a Joana Perez e a Inês Andrade e de remeter a um papel absolutamente secundário na Smooth o Gonçalo Câmara. A Laura, se não for pelo mesmo caminho, há-de igualmente ficar engavetada algures nos serviços administrativos, o que contrasta muito com o leque de nomes que a RFM tem à disposição se quiser dar um refresh à estação. Com possibilidade real de subir, neste momento vejo a Inês (Tecas) que assentava que nem uma luva no painel das 14h e o Artur daqui por uns 4/5 anos.
Já a RFM é o simétrico em tudo. Começando pelo António Mendes que como diretor, deixa muito a desejar. Via com bons olhos o Coimbra ou o Nélson Cunha a desempenhar essas funções. Mantendo-se diretor, deveria fazer o mesmo que o Pedro e dar o corpo às balas num horário que precisa urgentemente de mexidas, apesar de não lhe reconhecer uma especial vocação por aí além, mas era um sinal forte, um selo de confiança no produto. O Café da Manhã é do mais fraco que existe. Tem demasiados humoristas, na verdade são 3,5 porque o Pedro Fernandes, minha opinião, é um misto de locutor com humorista. Seria, para mim, o rosto adequado a um painel das 20h vencedor. Dos outros 3, em comparação, por exemplo com a Joana Marques, nota-se a clara dificuldade dos mesmos em passar para o registo locutor acabando a rúbrica. O Duarte Pita Negrão, sinceramente ainda não percebi o que faz ali, talvez servir cafés, e o Salvador Martinha está gasto e por vezes com tiques de primadona. O Franco Bastos é genial, mas está subaproveitado. Da Mariana Alvim, é mesmo melhor nem falar... O Café da Manhã precisava mesmo de um refresh com nomes fortes. Talvez um José Coimbra com uma Carolina Camargo e Inês Andrade, ou só mesmo o José com a Catarina Figueiredo. A Filipa Galrão descer da RR para a RFM também seria bem pensado. As tardes deveriam começar mais cedo e o Fragoso tem de ir para a RR, estação de que até é a voz, ontem já era tarde, assim como o Marcos André. A Ana Colaço tem de assumir uma presença 5 dias semana na grelha, isto se até não se equacionar usa-la para voos mais altos, porque é das melhores vozes da geração dela. Penso que seria também interessante começar a pensar na passagem da Catarina Palma para a RFM. Contudo, diferentemente da MCR a R/Com terá, a meu ver, o problema inverso: nomes a mais com qualidade para subir, e lugares a menos. Por este motivo, acredito que a RFM poderá nos próximos anos suplantar a Comercial, porque nesta última colheram-se os ganhos de curto prazo e esqueceram-se de preparar o futuro. A instabilidade da estrutura acionista poderá não ajudar também.