(...)
Esvaziando a M80 dessa franja de ouvintes, a solução que vejo para manutenção dos atuais Ãndices de audiência na estação mudando a base seria:
- uma mistura inteligente da playlist da SmoothFM, a cerca de 30-40%, com a M80 limitada aos êxitos dos late-60s, 70s e 80s mais "suportáveis" hoje em dia (não necessariamente os mais batidos), e com... a Foxx FM.
(...)
Ficavam três linhas bem definidas:
Comercial - a rádio de entretenimento, mais light e direta, entre os grandes clássicos e a música nova, fazendo "a sua cena";
M80 - rádio de upper-class, para um auditório mais exigente e mais atento, com um cariz informativo relevante e diferenciador;
SmoothFM - rádio elitista e revivalista, para um auditório mais clássico e mais velho, onde a qualidade está acima de tudo.
Coloco algumas “reservas†à diferenciação dos produtos que mencionou. Todos, no meu ponto de vista, devem ter uma “âncora†no presente, no contemporâneo, e alguns pontos em comum numa ou outra sonoridade, beneficiando de uma ligação e efeito de escala, que pode amplificar o impacto junto do(s) auditório(s).
‘Comercial’ – concordo com o seu ponto de vista. Produto contemporâneo, mainstream, de novidades e seleção flexÃvel para as massas. Possibilidade de integração dos sucessos até aos anos 90, à semelhança do que faziam nos anos 80 relativamente aos anos 60.
‘M80’ com outro nome – mais ou menos de acordo. Propõe um RCP, Versão 1 (com inÃcio em 2003) reinventado, com uma banda sonora ao estilo da ‘Nostalgia’ que vigorou até 2003. O problema da ‘Nostalgia’ esteve no modelo de Oldies que, findo algum tempo, soava a repetitivo. Deve haver, também, espaço para o que se faz no presente com critérios diferentes da ‘Comercial’ e noutra perspetiva. Filtragem intermédia.
‘SmoothFM’ – Não concordo que seja uma rádio para velhos e rotulada de elitista. É uma rádio para quem gosta de música, tem ouvido para a música e pretende ouvir algo que está no patamar acima dos temas pop rock comerciais (e banais) que pulverizam as restantes estações. A primeira vez que ouvi a ‘SmoothFM’ foi na Universidade de Coimbra, em 2011, quando fazia um mestrado, no bar de um Departamento frequentado por muitos estudantes e alguns professores. Digamos que não é propriamente um público velho, certo? Regra geral, as generalizações redundam em erros grosseiros, pois a ‘SmoothFM’ é feita para um público culto, não necessariamente velho. É isso que tenho constatado. De facto trata-se de um produto sereno, ideal para a descompressão de um dia de trabalho, no regresso a casa, um convite à ponderação, ao intelecto, à leitura, ao estudo, a viagens, ao som ambiente para famÃlia e amigos, etc. Tem um modelo que resulta muito bem, na minha perspetiva, junta os clássicos com os contemporâneos (intemporal em sentido lato). Seguramente, até mesmo à escala da Europa, tem uma das melhores bandas sonoras. Oiço várias rádios internacionais, a ‘SmoothFM’ portuguesa é única, não encontro paralelo. Há critérios interessantes de seleção musical, com filtros orientados à s melhores composições. Um produto Premium. Agora com Sofia Morais, Dora Isabel, Gonçalo Câmara e voz-off de João Vaz. Na era digital, temos um produto confinado a uma pequena faixa do território nacional, com uma cobertura exÃgua de uma mini-rede de emissores. Esta rádio devia ter uma cobertura nacional, universal e gratuita com a tecnologia DAB, um falhanço de Portugal, que está, pelo menos, 30 anos atrasado em relação aos restantes paÃses europeus. [NOTA: ‘StarFM’ não tem nada a ver, uma vez que a música dos adolescentes dos anos 50, 60, 70 não interessa ao público de hoje.]
‘CidadeFM’ – rádio para o público infantil/juvenil até aos 17.