Fórum da Rádio
Estações de radiodifusão => História da Rádio => Tópico iniciado por: Nuno Brito em Abril 25, 2019, 10:08:13 pm
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Quem viveu há 30, 40 anos no Grande Porto, como eu sempre vivi, lembra-se das emissões da Rádio Placard, principalmente aos Domingos à tarde, quando ainda nem se quer se falava em rádios piratas. Estávamos em plena década de 70.
Esta rádio, inicialmente vocacionada para o desporto sobretudo futebolÃstico, emitia precisamente ao Domingo à tarde um programa denominado "Panorama", inicialmente divulgando apenas notÃcias dos campeonatos distritais de futebol da zona Norte e chegando mais tarde, também a fazer os relatos de futebol da equipa do velhinho Salgueiros ( Sport Comércio e Salgueiros ), que à data jogava no escalão principal do futebol português, na altura, salvo erro, designada Primeira Divisão.
A Rádio Placard emitia em FM-Estéreo, na frequência de 96.0 MHz, com perÃodo de emissão exclusivo, inicialmente, apenas ao Domingo à tarde, preenchendo o tempo de antena integralmente com este programa que referi, que era apresentado por um senhor que passou também pela Rádio Renascença, que se chamava António Paulus. Penso que, pela sua idade, já terá falecido. Os estúdios e sede da estação, com departamento comercial, para os anunciantes, ficavam no centro do Porto, na Rua de Camões, próximo da Lapa e do viaduto de Gonçalo Cristóvão, num prédio, em que o emissor estava instalado no terraço do último andar.
A Rádio era dirigida por dois senhores que se chamavam, se não me engano, Teles de Menezes e Ferreira Maia.
No lendário programa desportivo das tardes de Domingo, as notÃcias e os relatos eram intercalados com boa música nacional e internacional e com anúncios publicitários, tudo em som estereofónico de grande qualidade ( o que naquela altura, por ser uma tecnologia relativamente recente em Portugal, era um privilégio para o ouvinte comum ).
Em meados dos anos 80, com a explosão das rádios piratas, a Placard manteve-se de pedra e cal. Dado que o perÃodo de emissão diário não abrangia as 24 horas, todos os dias, na abertura, era transmitido o hino nacional, à semelhança do que acontecia também com o Programa 2 da RDP, hoje Antena 2.
Em 1987, com a abolição das rádios piratas e inÃcio do processo de legalização a nÃvel nacional, as emissões foram suspensas e, em 1988, após conclusão daquele processo, foi atribuÃdo à Placard o alvará para instalação de um emissor de 1 KW de potência para a cidade do Porto, na frequência de 95.5 MHz. Nessa altura ficaram também com 1 KW as Rádios Festival e Activa ( já extinta ), a Rádio Press ( integrada mais tarde na rede TSF ) ficou com 3 KW e a Rádio Nova foi contemplada com a maior potência na Invicta, tendo obtido alvará para 5 KW. Após a legalização, os estúdios e emissor foram montados num centro comercial perto da Praça do Marquês, as Galerias Atlantis e posteriormente transferidos para um edifÃcio também ele localizado perto do Marquês, na Rua da Constituição.
No inÃcio da década de 90, a Placard após um perÃodo de crise finaceira, conseguiu garantir a sua sobrevivência, ao ser adquirida pela IURD.
E quando Paulo Portas foi nomeado Ministro de Estado no Governo de Pedro Santana Lopes, aquele ministro, na sequência de uma alegada utilização de potência excessiva pelo emissor da estação, após uma visita relâmpago de fiscalização à s instalações da mesma, foi apreendido todo o material de estúdio e selado o emissor, tendo a Placard ficado sem o alvará e silenciada durante um longo perÃodo, até a frequência ser ocupada pela Gaia FM ( ex-Rádio Manchete ), já na década de 2000, tendo depois adoptado novamente o nome Placard, por volta de 2013, até ser integrada na rede nacional de emissoras da Record FM, propriedade da IURD, situação que se mantém até ao dia de hoje.
Nomes de locutores e jornalistas que deram voz a esta rádio emblemática da cidade do Porto, antes de esta ter sido adquirida pela IURD nos anos 90 ( além do António Paulus ):
Locutores: Isabel Silva, Isabel Guimarães, Maria João Costa, LuÃs Santos, Carlos Sobral, Filipe Figueiredo, Mário Andretti, Carlos Rui, José Carlos Castro ( este último também da TVI e CMTV ), etc.;
Jornalistas: VÃtor Hugo ( RTP ), LuÃs Henrique Pereira, Américo Maio, Carolina Duarte, Carlos Rico ( estes 4 também da RR ), Rosa Azevedo ( RDP ), etc.
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Falta referir a "fabulosa" (!!!???) gestão, e não só, em certo perÃodo dessa rádio, de um tal de Alexandre Pinto da Costa que foi tudo menos a mais assertiva e correta, e que "se calhar" contribuÃram para a cassação do alvará...!!! Ou estou errado...?? E a "alegada" potência excessiva, se calhar, quem se lembrar das "prestações" do emissor, não foi "só" alegada...!!! E já agora o alvará actualmente usado pela Record em 95.5 é da extinta Manchente de Gaia. O alvará do Porto da Placard "original" cessou "for ever"...
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A Placard foi durante alguns anos, a responsável pela programação desportiva da RR, nomeadamente através dos relatos. António Paulus( também actor) foi locutor do Porto da RR, que também participava nessas emisoes, A Placard tinha também emissões, na programação do Porto da RR, onde pontificava um grande senhor da rádio, Manuel Fernandes. Nos relatos, sobressaia um narrador brasileiro, muito popular, Gomes Amaro.
O Paulus foi durante muito tempo o homem das madrugadas de fim de semana da RR.
Aquando da legalização das rádios, vivia no Porto e vi essa estação renascer, com outro homem da RR, Jorje Peixoto, isto até a IURD, adquirir a rádio...
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Ao ser adquirida pela IURD, à parte de qualquer questão religiosa ou ideológica, a Placard perdeu a sua identidade primitiva de rádio local da cidade, generalista, informativa, desportiva e musical.
Lembro-me que dava gosto ouvir até os spots publicitários e os jingles indicativos dos blocos noticiosos.
Faz falta uma rádio como esta na região.
Haja alguém que possa e faça renascer esse espÃrito.
Eu faria tudo o que fosse preciso se isso pudesse acontecer :-\.
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Recomendo que ouça a Radio Nova. É certo que não tem a pujança nem tão pouco os meios que teve na sua fundação no final dos anos 80, mas é uma excelente oferta, não apenas do ponto de vista local, mas também a nivel nacional.
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Eu não sabia que a Placard tinha sido um rádio autónoma com programação própria.
A memória que tenho foi a colaboração que eles mantinham com a RR, isto talvez entre 77 e 80 ou por aÃ...
Nesse altura,asseguravam a programação desportiva da RR e na programação local a partir do Porto, tinham um programa Claquete, salvo erro entre as 15 e as 16...Depois essa colaboração acabou e deixei de ouvir falar nesta, que eu julgava uma produtora de conteúdos radiofónicos.
E depois ouvi falar deles, na atribuição de rádios, onde ganharam uma frequência no Porto...
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Peço desculpa pelo esclarecimento à mensagem anterior sobre este tópico:
durante os anos 70 e princÃpios dos 80, à hora do almoço, de 2ª a 6ª feira, o tempo de emissão na Rádio Renascença era assim preenchido, entre as 13 e as 14 horas:
No FM-Estéreo ( rede de emissores Norte e Centro - no Porto em 93.7 MHz )
-das 13 Ã s 13.30: programa Claquete apresentado geralmente pelo Jorge Peixoto;
-das 13.30 às 14: programa Placard apresentado geralmente pelo António Paulus.
Na Onda Média ( emissor do Porto em 1251 KHz )
- das 13 Ã s 14: Programa Alvo apresentado geralmente pelo Trindade Guedes;
Os programas do FM-Estéreo, essencialmente musicais, julgo que eram produzidos nos estúdios da Rádio Claquete e Rádio Placard, respectivamente, rádios dos antigos Emissores do Norte Reunidos, que mais tarde renasceram, quando surgiram e se multiplicaram as rádios piratas.
O programa da Onda Média era transmitido dos estúdios no Porto da RR e era um programa de cariz desportivo, apresentando notÃcias e curiosidades do mundo desportivo, com música e muita publicidade à mistura. Quem não se lembra? Este programa foi integrado na grelha de programas da Rádio Sim, quando esta foi lançada, mas por pouco tempo, tendo finadado as emissões do mesmo já há uma década ou mais.
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O programa era o Alvo Desportivo, produzido e apresentado pelo histórico Trindade Guedes, mas a ideia que tenho é que este programa nada tem a ver com a Placard. Era um programa produzido pelo próprio Trindade Guedes...
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O Alvo era um programa transmitido na OM da RR, em simultâneo com programa Placard, no FM-Estéreo, à hora de almoço, de 2ª. a 6ª. feira.
O Placard é que era produzido e realizado nos antigos estúdios da Rádio Placard, que nessa altura só tinha tempo de emissão próprio ( através do seu emissor ), como já referi, no Domingo à Tarde, com o seu programa "Panorama".
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Mas o Panorama também era do Trindade Guedes...
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O "Panorama" era um programa da Rádio Placard e, que eu tenha conhecimento, o Sr. Trindade Guedes nunca passou por esta rádio.
Também não foram colaboradores da mesma, nem o Jorge Peixoto, nem o Gomes Amaro, como alguém já sugeriu no fórum.
Trindade Guedes: apenas RR / OM;
Jorge Peixoto: RR e mais tarde Rádio Press;
Gomes Amaro: RDP Rádio Porto, mais tarde Rádio Press e após a extinção desta passou para a Rádio Manchete de Gaia e depois Gaia FM, sempre nos relatos de futebol num programa denominado "Quadrante Norte". Se bem se lembram o slogan principal deste programa era "Quadrante Norte: o som global", programa este que era realizado pelas Produções IlÃdio Inácio. Quem não se recorda?
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sim, sempre com o patrocÃnio dom pazzolini (?). Radio Porto depois rebatizada como Radio Comercial Norte. Essa frequência 100.4 iria depois fazer parte da rede RDP FM (Porto, Lisboa e Braga), e mais tarde integrada na rede nacional da Antena 3.
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Localização exacta do antigo emissor (e último) da Rádio Placard: https://goo.gl/maps/veUpqpUeX5Vgp5Ea6
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sim, sempre com o patrocÃnio dom pazzolini (?). Radio Porto depois rebatizada como Radio Comercial Norte. Essa frequência 100.4 iria depois fazer parte da rede RDP FM (Porto, Lisboa e Braga), e mais tarde integrada na rede nacional da Antena 3.
Essa frequência em FM já existia no tempo dos Emissores do Norte Reunidos? (que ou foram nacionalizados em 1975 ou adiquiridos pela Emissora Nacional em 1973, já li as duas versões)
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Localização exacta do antigo emissor (e último) da Rádio Placard: https://goo.gl/maps/veUpqpUeX5Vgp5Ea6
Exatamente aÃ!
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A localização do emissor não confirmo nem desminto, mas acredito na palavra na palavra do 'pdf '
O que confirmo, com toda a certeza é que quando a rádio foi vendida à IURD, os estúdios eram, sim, na R. da Constituição, mas no nº 656, num edifÃcio de escritórios.
Eu próprio, cheguei a visitar esses estúdios para participar num casting para admissão de novos locutores.
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Quanto aos Emissores do Norte Reunidos, não tenho a noção exacta do que aconteceu nessa altura para poder responder ao 'AG', porque ainda não era nascido quando estes foram extintos. Só fazendo uma pesquisa aprofundada.
Sei que alguns dos colaboradores saÃdos desses emissores foram integrados na RR, EN e RCP.
E penso também que alguns desses emissores ( caso da Rádio Placard ) continuaram com produção independente, realizando programas que eram vendidos e depois emitidos nas rádios nacionais.
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A localização do emissor não confirmo nem desminto, mas acredito na palavra na palavra do 'pdf '
O que confirmo, com toda a certeza é que quando a rádio foi vendida à IURD, os estúdios eram, sim, na R. da Constituição, mas no nº 656, num edifÃcio de escritórios.
Eu próprio, cheguei a visitar esses estúdios para participar num casting para admissão de novos locutores.
Era precisamente nesse prédio que se situava o emissor. O prédio do Geladinho e do Gato Preto, para quem é local e conhece. :)
Em tempos até teve uma bomba de gasolina...
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Bom dia. Infelizmente, não tenho tido a oportunidade de escrever no fórum, mas foi com agrado que li este post sobre alguns história da Rádio Placard mas há algumas imprecisões, acredito por desconhecimento ou confusão . A Placard originária nasceu na Rua de Santa Catarina, mais precisamente nas Galerias Atlantis e pode lá ficou até ser adquirida pela IURD, ou seja, pelas Galerias esteve mais de 10 anos. Só depois da aquisição se mudou para a Rua de Camões, embora já lá estivessem pouco tempo antes os escritórios da rádio. O emissor da Placard nasceu no terraço das Galerias e por lá ficou durante muito tempo. Aquando da mudança para a Rua de Camões, o emissor foi deslocado para o edifÃcio do Gato Preto, aproveitando a antena da extinta Rádio Claquete, que por lá tinha ficado uma vez que nesse edifÃcio coabitaram duas rádios piratas , a Claquete e a Activa no seu inÃcio. A Claquete tinha condições de excelência nesse edifÃcio das bombas de gasolina. Com a legalização, a Claquete fechou por não ter ficado com alvará e a Activa mudou-se para Costa Cabral
Quanto á Placard, o malogrado Antônio Paulus, fez esse espaço de desporto mas também foi o dinamizador de um excelente programa da manhã, com o apoio dos cafés Bicafe, slogan do programa da manhã da Placard. Nunca houve transmissão em simultâneo do espaço Alvo da Om da Renascença e Placard mas sim um programa semanal Alvo com apresentação do Jorge Peixoto e mais tarde o programa " Resenha Desportiva " que vinha da OM da Rádio Porto, mais tarde no FM da Rádio Comercial Norte. O Trindade Guedes não fez programa na Placard pois era o repórter de excelência de pista de rua da Bola Branca. Quanto ao Quadrante Norte, ele passou pela Placard mas sem o Gomes Amaro, saltando inclusive para a Rádio Festival sem o Gomes Amaro, sendo este ocupado por um outro relatador brasileiro, que tinha trabalhado na Rádio Cidade, quando está fazia relatos. O Gomes Amaro nessa altura abandonou o Quadrante Norte para estar a relatar na Rádio Metropolitana, em Valongo, ex Prisma - Rio Tinto, mais tarde NFM Porto e Valongo. Resta referir que o Quarteirão do Marquês de Pombal era a zona do paÃs na década de 80 com mais radios piratas por M2, a saber: Rádio Claquete, Rádio Activa, Rádio Clube Portuense, Rádio DelÃrio, Rádio Festival, Rádio Placard e Rádio Invicta
tudo, entre Rua da Alegria, Constituição e Costa Cabral. Se fosse anexar mais um quarteirão, o Porto foi a cidade do paÃs com mais radios piratas em apenas 5km2. Olhando para os dias de hoje, o Porto está morto. Nuno Brito, se gosta de rádio e se é do Porto, sempre pode contribuir para o renascer da Radio no Porto. Há hoje em dia três projectos de Radios On line, cada um no seu estilo com pernas para andar: Radio Portuense, Rádio Engenharia e Rádio Transforma, podendo associar cada um deles a uma espécie de ex piratas. A Rádio Transforma é constituÃda por ex elementos da Rádio DelÃrio, a melhor rádio pirata que o Porto teve, em termos técnicos. A Rádio Engenharia tenta recuperar o espÃrito da ex Rádio Universitária do Porto e a Portuense é um fenômeno nas redes sociais desde que se juntou ao Porto Canal, relatando o FCPorto, tendo actualmente mais de 60 000 seguidores no Facebook, sendo a Rádio do Porto com mais seguidores a seguir á Nova Era, tudo on line. É obra. Por aqui me fico. Espero que tenha contribuÃdo para alguns discussão sobre o tema. Muita coisa há a contar dos meandros da Rádio no Porto, dos negócios obscuros, da partidarite ao actual marasmo no FM, embora com novidades em breve com a pseudo rádio de desporto e quem sabe, de novidades na Nova. Mas, olhe para o on line... é por lá que tudo poderá renascer.