Fórum da Rádio
Fórum da Rádio => Música => Tópico iniciado por: O Bigode do Sala em Julho 01, 2024, 10:23:02 am
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Apesar deste espaço no nosso forum ser maioritariamente um santuário para aqueles que, com mestria, ornamentam, com mestria, as emissões da nossa rádio, não poderia deixar em branco o desaparecimento do grande Fausto!
Músico multi-facetado, soube como ninguém ligar as nossas raízes históricas com sonoridades contemporâneas, oriundas de sítios por onde a portugalidade passou e estreitou laços.
É um pouco redutor, no meio de uma carreira repleta, mencionar apenas um álbum e, logo, o seu maior sucesso. Contudo, eu tenho a plena consciência que, se fôssemos britânicos ou hispânicos, «Por Este Rio Acima» seria um trabalho reconhecido à escala mundial.
Agora, é escutar a Antena 1. Logo à noite, Chico Mateus na TSF.
«Diz-me agora o teu nome, se já dissemos que sim
Pelo olhar que demora, por que me olhas assim?
Por que me rondas assim?
Toda a luz da avenida se desdobra em paixão
Magias de druida pelo teu toque de mão
Soam ventos amenos p'los mares morenos do meu coração
Espelhando as vitrinas da cidade sem fim
Tu surgiste divina, por que me abeiras assim?
Por que me tocas assim?
E trocamos pendentes, velhas palavras tontas
Com sotaques diferentes, nossa prosa está pronta
Dobrando esquinas e gretas pelo caminho das letras
Que todo o resto não conta
E lá fomos audazes por passeios tardios
Vadiando o asfalto, cruzando outras pontes de mares que são rios
E num bar fora de horas, se eu chorar, perdoa
Ó, meu bem, é que eu canto por dentro, sonhando que estou em Lisboa
Dizes-me então que sou teu, que tu és toda p'ra mim
Que me pões no apogeu, por que me abraças assim?
Por que me beijas assim?
Por esta noite adiante, se tu me pedes enfim
Num céu de anúncios brilhantes, vamos casar em Berlim
À luz vã dos faróis são de seda os lençóis
Porque me amas assim
E lá fomos audazes por passeios tardios
Vadiando o asfalto, cruzando outras pontes de mares que são rios
E num bar fora de horas, se eu chorar, perdoa
Ó, meu bem, é que eu canto por dentro sonhando que estou em Lisboa»
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"Por este rio acima" é, sem dúvida, um álbum marcante na obra do Fausto. Mas, não é o único. Toda a sua obra, desde os discos mais políticos do início da sua carreira até ao seu mais recente trabalho de originais, creio que de 2011, são importantes.
Recordo com saudade as três ocasiões em que o vi ao vivo (Torre de Belém, Almada e CCB). Esta última em concerto transmitido em directo, na altura, pela Antena 1.
Descanse em paz!
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"Por este rio acima" é, sem dúvida, um álbum marcante na obra do Fausto. Mas, não é o único. Toda a sua obra, desde os discos mais políticos do início da sua carreira até ao seu mais recente trabalho de originais, creio que de 2011, são importantes.
Recordo com saudade as três ocasiões em que o vi ao vivo (Torre de Belém, Almada e CCB). Esta última em concerto transmitido em directo, na altura, pela Antena 1.
Descanse em paz!
Tenho por norma, ir a concertos como viver experiências.
Por razões de idade, não pude estar presente em muito tempo da sua obra. Contudo, tive a sorte de o poder ver, de forma intimista, no Teatro Virgínia em Torres Novas (2019, creio).
Dos Três Cantos, infelizmente não consegui ver o José Mário Branco.
Segundo o próprio JMB, mas também o Pedro Abrunhosa o escreveu, Fausto era o melhor dos cantautores portugueses. Eu como leigo e mero ouvinte, sinto isso em relação ao Jorge Palma, estando num patamar em que carinhosamente lhe chamo de Mestre (tal como na rádio, apelido gente como o Fernando Alves ou o Fernando Correia).
Confesso que não sou ávido conhecedor de toda a sua obra, nem consumidor assíduo da sua música, mas é sempre bom escutá-lo, nem que seja pela imprevisibilidade do Francisco Mateus o colocar em antena. E é tão boa a doçura da imprevisibilidade em rádio...
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Por acaso, dos "três cantos", consegui vê-los aos três, mas, em separado, nunca em conjunto.
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Fausto foi dos últimos grandes cantautores portugueses do século XX ainda vivos. Depois de Adriano Correia de Oliveira Afonso, José Mário Branco, Fausto, sobra Sérgio Godinho e pouco mais. Que o Fausto descanse em paz.
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Porque vale a pena conhecer a obra de Fausto além do "Por Este Rio Acima", deixo; em jeito de homenagem, uma das canções do primeiro LP do cantautor, que chegou a fazer parte da lista das canções proibidas na Emissora Nacional: "Quando Um Homem Quer Partir".
https://youtu.be/UxHHyfUYkko?si=6T4CSSfpLeFJIGKN
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"Por este rio acima" é, sem dúvida, um álbum marcante na obra do Fausto. Mas, não é o único. Toda a sua obra, desde os discos mais políticos do início da sua carreira até ao seu mais recente trabalho de originais, creio que de 2011, são importantes.
Recordo com saudade as três ocasiões em que o vi ao vivo (Torre de Belém, Almada e CCB). Esta última em concerto transmitido em directo, na altura, pela Antena 1.
Descanse em paz!
Suponho que o caro "Bigode do Sala" seja mais ou menos da idade do Tiago Ribeiro.
Vale bem a pena ler este escrito desta manhã que ele publicou na sua página de facebook. Que belíssima homenagem!
https://www.facebook.com/tiagoribeirona3/posts/pfbid02qVsSkCA9aKUX8KB6vJGrh5NNSAKt1FHhAEuEWsnFxBXNsPLeHzBoMJbySgUTqneLl
Tenho por norma, ir a concertos como viver experiências.
Por razões de idade, não pude estar presente em muito tempo da sua obra. Contudo, tive a sorte de o poder ver, de forma intimista, no Teatro Virgínia em Torres Novas (2019, creio).
Dos Três Cantos, infelizmente não consegui ver o José Mário Branco.
Segundo o próprio JMB, mas também o Pedro Abrunhosa o escreveu, Fausto era o melhor dos cantautores portugueses. Eu como leigo e mero ouvinte, sinto isso em relação ao Jorge Palma, estando num patamar em que carinhosamente lhe chamo de Mestre (tal como na rádio, apelido gente como o Fernando Alves ou o Fernando Correia).
Confesso que não sou ávido conhecedor de toda a sua obra, nem consumidor assíduo da sua música, mas é sempre bom escutá-lo, nem que seja pela imprevisibilidade do Francisco Mateus o colocar em antena. E é tão boa a doçura da imprevisibilidade em rádio...
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"Por este rio acima" é, sem dúvida, um álbum marcante na obra do Fausto. Mas, não é o único. Toda a sua obra, desde os discos mais políticos do início da sua carreira até ao seu mais recente trabalho de originais, creio que de 2011, são importantes.
Recordo com saudade as três ocasiões em que o vi ao vivo (Torre de Belém, Almada e CCB). Esta última em concerto transmitido em directo, na altura, pela Antena 1.
Descanse em paz!
Suponho que o caro "Bigode do Sala" seja mais ou menos da idade do Tiago Ribeiro.
Vale bem a pena ler este escrito desta manhã que ele publicou na sua página de facebook. Que belíssima homenagem!
https://www.facebook.com/tiagoribeirona3/posts/pfbid02qVsSkCA9aKUX8KB6vJGrh5NNSAKt1FHhAEuEWsnFxBXNsPLeHzBoMJbySgUTqneLl
Tenho por norma, ir a concertos como viver experiências.
Por razões de idade, não pude estar presente em muito tempo da sua obra. Contudo, tive a sorte de o poder ver, de forma intimista, no Teatro Virgínia em Torres Novas (2019, creio).
Dos Três Cantos, infelizmente não consegui ver o José Mário Branco.
Segundo o próprio JMB, mas também o Pedro Abrunhosa o escreveu, Fausto era o melhor dos cantautores portugueses. Eu como leigo e mero ouvinte, sinto isso em relação ao Jorge Palma, estando num patamar em que carinhosamente lhe chamo de Mestre (tal como na rádio, apelido gente como o Fernando Alves ou o Fernando Correia).
Confesso que não sou ávido conhecedor de toda a sua obra, nem consumidor assíduo da sua música, mas é sempre bom escutá-lo, nem que seja pela imprevisibilidade do Francisco Mateus o colocar em antena. E é tão boa a doçura da imprevisibilidade em rádio...
Sou uma meia-dúzia de anos mais novo que o Tiago, mas isso pouco importa. :)
O que importa são as canções, as experiências que Fausto nos deixou. O cheiro a canela e cravinho. As tormentas e os amores espelhados na sua lírica... A herança que fica e que tão, mas tão bem é descrita pelo Tiago Ribeiro.
O Tiago, certamente, chegará ao Olímpio dos Mestres da Rádio, não só pela sua qualidade na condução de emissões, mas muito pela paixão que emprega naquilo que faz, a qual está tão patente em textos como o que partilhou.
Muito obrigado Radiofilo! ;)
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Porque vale a pena conhecer a obra de Fausto além do "Por Este Rio Acima", deixo; em jeito de homenagem, uma das canções do primeiro LP do cantautor, que chegou a fazer parte da lista das canções proibidas na Emissora Nacional: "Quando Um Homem Quer Partir".
https://youtu.be/UxHHyfUYkko?si=6T4CSSfpLeFJIGKN
Já agora, deixo aqui mais três temas do Fausto:
"P´ro Que Der e Vier" (1974), uma canção marcadamente política que espelha bem as incertezas da época (foi gravada pouco antes do 25 de Abril); cito o site "altamont.pt": "Em P’ró Que Der e Vier, um clássico injustamente mal-amado, pede que se olhe em frente com esperança, e que não se olhe para trás a não ser para manter presente a memória dos erros do passado, para que não se repitam. Cinquenta anos volvidos, é boa ideia voltar a escutar as palavras de Fausto e dos seus camaradas, para que sejamos sempre muitos."
https://youtu.be/3RDHOsjP7Kg?si=6sg2p11bqZ_hcQs1
"Rosalinda" (1977), mais uma canção com mensagem política, na sequência da previsível construção, que se falava na época, de uma central nuclear na zona de Peniche, mais concretamente em Ferrel, contra a qual a população local e não só lutou. <Um clássico intem+poral!
https://youtu.be/tm8RJaL1A_M
Por último, "Querida Europa" (1987), lírismo, história e p+olítica bem presentes nesta letra bem actual, principalmente pelos trilhos que a nossa Europa tem percorrido nos últimos anos...
https://youtu.be/aXVenMBPMRE?si=luZDa8bY5uKoGG3X
Uma pequena nota: este último vídeo foi de, precisamente o concerto do Fausto no CCB mencionado por mim num post lá mais atrás; foi, na altura, transmitido em directo pela Antena 1 e gravado pela SIC para posterior transmissão. Que belíssimo e memorável espectáculo!
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"Por este rio acima" é, sem dúvida, um álbum marcante na obra do Fausto. Mas, não é o único. Toda a sua obra, desde os discos mais políticos do início da sua carreira até ao seu mais recente trabalho de originais, creio que de 2011, são importantes.
Recordo com saudade as três ocasiões em que o vi ao vivo (Torre de Belém, Almada e CCB). Esta última em concerto transmitido em directo, na altura, pela Antena 1.
Descanse em paz!
Suponho que o caro "Bigode do Sala" seja mais ou menos da idade do Tiago Ribeiro.
Vale bem a pena ler este escrito desta manhã que ele publicou na sua página de facebook. Que belíssima homenagem!
https://www.facebook.com/tiagoribeirona3/posts/pfbid02qVsSkCA9aKUX8KB6vJGrh5NNSAKt1FHhAEuEWsnFxBXNsPLeHzBoMJbySgUTqneLl
Tenho por norma, ir a concertos como viver experiências.
Por razões de idade, não pude estar presente em muito tempo da sua obra. Contudo, tive a sorte de o poder ver, de forma intimista, no Teatro Virgínia em Torres Novas (2019, creio).
Dos Três Cantos, infelizmente não consegui ver o José Mário Branco.
Segundo o próprio JMB, mas também o Pedro Abrunhosa o escreveu, Fausto era o melhor dos cantautores portugueses. Eu como leigo e mero ouvinte, sinto isso em relação ao Jorge Palma, estando num patamar em que carinhosamente lhe chamo de Mestre (tal como na rádio, apelido gente como o Fernando Alves ou o Fernando Correia).
Confesso que não sou ávido conhecedor de toda a sua obra, nem consumidor assíduo da sua música, mas é sempre bom escutá-lo, nem que seja pela imprevisibilidade do Francisco Mateus o colocar em antena. E é tão boa a doçura da imprevisibilidade em rádio...
Sou uma meia-dúzia de anos mais novo que o Tiago, mas isso pouco importa. :)
O que importa são as canções, as experiências que Fausto nos deixou. O cheiro a canela e cravinho. As tormentas e os amores espelhados na sua lírica... A herança que fica e que tão, mas tão bem é descrita pelo Tiago Ribeiro.
O Tiago, certamente, chegará ao Olímpio dos Mestres da Rádio, não só pela sua qualidade na condução de emissões, mas muito pela paixão que emprega naquilo que faz, a qual está tão patente em textos como o que partilhou.
Muito obrigado Radiofilo! ;)
Desculpem a dupla publicação, mas aqui está a razão de achar o Tiago Ribeiro especial.
https://www.instagram.com/reel/C84rWc2M39n/?igsh=enN1ZnBpa2kwOW10
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Entrevista à antena1 em 1999
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/entrevista-a-fausto-bordalo-dias/