Autor Tópico: DAB+  (Lida 20779 vezes)

ruicleto

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Re: DAB+
« Responder #180 em: Fevereiro 09, 2024, 03:00:38 pm »

joao_s

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Re: DAB+
« Responder #181 em: Fevereiro 09, 2024, 10:22:52 pm »
“Radiofilo”, como rádio é feita de som, julgo que também será um audiófilo. Audiófilo é a pessoa que presta atenção à fidelidade da reprodução do som, com todos os detalhes e nuances que permitem reconstruir a realidade, ou seja, recriar com total fidelidade o ambiente onde foi registado o som, quer seja numa orquestra, concerto ao vivo, gravação de estúdio, locução de um radialista, etc. A Onda Média não tem fidelidade de áudio, o som é comprido, como uma chamada telefónica analógica, portanto são omitidas frequências áudio de graves e agudos, não há o efeito espacial da estereofonia, as emissões são sujeitas a todo o tipo de interferências eletrostáticas (eletrodomésticos, motores, descargas elétricas, etc.), portanto, é uma tecnologia obsoleta, ultrapassada e bastante limitada na qualidade do áudio.

Há cerca de 1 século, surge o FM para dar resposta às limitações do AM, nomeadamente na melhoria da qualidade do som e maior imunidade às interferências. O efeito espacial do som, ou seja, estereofonia apenas foi introduzido em 1961. No entanto, trata-se de uma tecnologia do passado, com limitações no áudio, definido até 15 kHz, ou seja, nos agudos, quando a audição humana vai até aos 20 kHz. Portanto, fidelidade total no áudio em FM não existe. O aproveitamento do espetro é outro problema, quando aumentaram o número de operadores. Cada emissão corresponde a uma frequência e cada frequência corresponde a 1 emissor. O DAB+ permite uma muito melhor gestão do espetro radioelétrico, porque uma frequência suporta várias emissões distintas, portanto, consequência positivas ao nível económico e ambiental, consubstanciado num menor consumo de energia. O DAB+ está especificado para uma resposta áudio que vai dos 20 Hz ~ 20 kHz, ou seja, toda a extensão da audição humana e tem maior imunidade a interferências que o FM.

O DAB+ foi desenvolvido na Europa, é um padrão de difusão europeu, ao qual quase todos os países deste espaço comum aderiram. Espanha é o próximo a encarar esta tecnologia a sério. Oxalá que os sinais cheguem até Portugal, a banda está vazia no nosso país, pode ser “navegada” à vontade, sem nenhum obstáculo. Os diferentes países deste bloco mundial implementam esta tecnologia, de forma planeada e faseada, a projetar a rádio do século XXI, é uma estratégia para o longo prazo, não um epifenómeno localizado. Portugal continua no velho FM que ainda por cima é condicionado por leis medievais, que não salvaguardam os interesses dos ouvintes, nem dos operadores.

Para terminar, não é nenhuma novidade existirem vários padrões de difusão distintos em diferentes blocos do mundo. Na televisão, tinha o padrão de difusão PAL para alguns países europeus, o SECAM para França e o NSTC para os Estados Unidos e Japão. Se levasse uma televisão de Portugal para França, via as emissões francesas a preto e branco, se levasse uma televisão de Portugal para os EUA não via nada, os formatos eram incompatíveis. Mesmo dentro do PAL, haviam especificações diferentes, se levasse uma televisão de Portugal (PAL B/G) para o Reino Unido (PAL I), ou sintonizava a imagem ou sintonizava o som, não os dois em simultâneo.

O DAB+ é um padrão europeu, para a Europa. Como Europeu, não quero saber dos outros blocos do mundo, estou interessado no que se faz neste espaço comum. Os autorrádios têm integrados de série recetores DAB+ que, em Portugal, não servem para nada. Estamos, nesta matéria, orgulhosamente sós e desligados da restante Europa, a começar por Espanha.

ruicleto

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Re: DAB+
« Responder #182 em: Fevereiro 10, 2024, 12:36:36 pm »
“Radiofilo”, como rádio é feita de som, julgo que também será um audiófilo. Audiófilo é a pessoa que presta atenção à fidelidade da reprodução do som, com todos os detalhes e nuances que permitem reconstruir a realidade, ou seja, recriar com total fidelidade o ambiente onde foi registado o som, quer seja numa orquestra, concerto ao vivo, gravação de estúdio, locução de um radialista, etc. A Onda Média não tem fidelidade de áudio, o som é comprido, como uma chamada telefónica analógica, portanto são omitidas frequências áudio de graves e agudos, não há o efeito espacial da estereofonia, as emissões são sujeitas a todo o tipo de interferências eletrostáticas (eletrodomésticos, motores, descargas elétricas, etc.), portanto, é uma tecnologia obsoleta, ultrapassada e bastante limitada na qualidade do áudio.

Há cerca de 1 século, surge o FM para dar resposta às limitações do AM, nomeadamente na melhoria da qualidade do som e maior imunidade às interferências. O efeito espacial do som, ou seja, estereofonia apenas foi introduzido em 1961. No entanto, trata-se de uma tecnologia do passado, com limitações no áudio, definido até 15 kHz, ou seja, nos agudos, quando a audição humana vai até aos 20 kHz. Portanto, fidelidade total no áudio em FM não existe. O aproveitamento do espetro é outro problema, quando aumentaram o número de operadores. Cada emissão corresponde a uma frequência e cada frequência corresponde a 1 emissor. O DAB+ permite uma muito melhor gestão do espetro radioelétrico, porque uma frequência suporta várias emissões distintas, portanto, consequência positivas ao nível económico e ambiental, consubstanciado num menor consumo de energia. O DAB+ está especificado para uma resposta áudio que vai dos 20 Hz ~ 20 kHz, ou seja, toda a extensão da audição humana e tem maior imunidade a interferências que o FM.

O DAB+ foi desenvolvido na Europa, é um padrão de difusão europeu, ao qual quase todos os países deste espaço comum aderiram. Espanha é o próximo a encarar esta tecnologia a sério. Oxalá que os sinais cheguem até Portugal, a banda está vazia no nosso país, pode ser “navegada” à vontade, sem nenhum obstáculo. Os diferentes países deste bloco mundial implementam esta tecnologia, de forma planeada e faseada, a projetar a rádio do século XXI, é uma estratégia para o longo prazo, não um epifenómeno localizado. Portugal continua no velho FM que ainda por cima é condicionado por leis medievais, que não salvaguardam os interesses dos ouvintes, nem dos operadores.

Para terminar, não é nenhuma novidade existirem vários padrões de difusão distintos em diferentes blocos do mundo. Na televisão, tinha o padrão de difusão PAL para alguns países europeus, o SECAM para França e o NSTC para os Estados Unidos e Japão. Se levasse uma televisão de Portugal para França, via as emissões francesas a preto e branco, se levasse uma televisão de Portugal para os EUA não via nada, os formatos eram incompatíveis. Mesmo dentro do PAL, haviam especificações diferentes, se levasse uma televisão de Portugal (PAL B/G) para o Reino Unido (PAL I), ou sintonizava a imagem ou sintonizava o som, não os dois em simultâneo.

O DAB+ é um padrão europeu, para a Europa. Como Europeu, não quero saber dos outros blocos do mundo, estou interessado no que se faz neste espaço comum. Os autorrádios têm integrados de série recetores DAB+ que, em Portugal, não servem para nada. Estamos, nesta matéria, orgulhosamente sós e desligados da restante Europa, a começar por Espanha.

Texto surpreendente pela qualidade e objetividade. PARABÉNS!  :)
Para quem quiser saber algo mais sobre as emissões DAB+ (pirata) na proximidade a Vila Real de Santo António, no bloco 7B - Isla Cristina-Ayamonte, indico o sítio da internet: https://miamigoradio.es/

Luisf662

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Re: DAB+
« Responder #183 em: Fevereiro 10, 2024, 03:29:50 pm »
“Radiofilo”, como rádio é feita de som, julgo que também será um audiófilo. Audiófilo é a pessoa que presta atenção à fidelidade da reprodução do som, com todos os detalhes e nuances que permitem reconstruir a realidade, ou seja, recriar com total fidelidade o ambiente onde foi registado o som, quer seja numa orquestra, concerto ao vivo, gravação de estúdio, locução de um radialista, etc. A Onda Média não tem fidelidade de áudio, o som é comprido, como uma chamada telefónica analógica, portanto são omitidas frequências áudio de graves e agudos, não há o efeito espacial da estereofonia, as emissões são sujeitas a todo o tipo de interferências eletrostáticas (eletrodomésticos, motores, descargas elétricas, etc.), portanto, é uma tecnologia obsoleta, ultrapassada e bastante limitada na qualidade do áudio.

Há cerca de 1 século, surge o FM para dar resposta às limitações do AM, nomeadamente na melhoria da qualidade do som e maior imunidade às interferências. O efeito espacial do som, ou seja, estereofonia apenas foi introduzido em 1961. No entanto, trata-se de uma tecnologia do passado, com limitações no áudio, definido até 15 kHz, ou seja, nos agudos, quando a audição humana vai até aos 20 kHz. Portanto, fidelidade total no áudio em FM não existe. O aproveitamento do espetro é outro problema, quando aumentaram o número de operadores. Cada emissão corresponde a uma frequência e cada frequência corresponde a 1 emissor. O DAB+ permite uma muito melhor gestão do espetro radioelétrico, porque uma frequência suporta várias emissões distintas, portanto, consequência positivas ao nível económico e ambiental, consubstanciado num menor consumo de energia. O DAB+ está especificado para uma resposta áudio que vai dos 20 Hz ~ 20 kHz, ou seja, toda a extensão da audição humana e tem maior imunidade a interferências que o FM.

O DAB+ foi desenvolvido na Europa, é um padrão de difusão europeu, ao qual quase todos os países deste espaço comum aderiram. Espanha é o próximo a encarar esta tecnologia a sério. Oxalá que os sinais cheguem até Portugal, a banda está vazia no nosso país, pode ser “navegada” à vontade, sem nenhum obstáculo. Os diferentes países deste bloco mundial implementam esta tecnologia, de forma planeada e faseada, a projetar a rádio do século XXI, é uma estratégia para o longo prazo, não um epifenómeno localizado. Portugal continua no velho FM que ainda por cima é condicionado por leis medievais, que não salvaguardam os interesses dos ouvintes, nem dos operadores.

Para terminar, não é nenhuma novidade existirem vários padrões de difusão distintos em diferentes blocos do mundo. Na televisão, tinha o padrão de difusão PAL para alguns países europeus, o SECAM para França e o NSTC para os Estados Unidos e Japão. Se levasse uma televisão de Portugal para França, via as emissões francesas a preto e branco, se levasse uma televisão de Portugal para os EUA não via nada, os formatos eram incompatíveis. Mesmo dentro do PAL, haviam especificações diferentes, se levasse uma televisão de Portugal (PAL B/G) para o Reino Unido (PAL I), ou sintonizava a imagem ou sintonizava o som, não os dois em simultâneo.

O DAB+ é um padrão europeu, para a Europa. Como Europeu, não quero saber dos outros blocos do mundo, estou interessado no que se faz neste espaço comum. Os autorrádios têm integrados de série recetores DAB+ que, em Portugal, não servem para nada. Estamos, nesta matéria, orgulhosamente sós e desligados da restante Europa, a começar por Espanha.

Texto surpreendente pela qualidade e objetividade. PARABÉNS!  :)
Para quem quiser saber algo mais sobre as emissões DAB+ (pirata) na proximidade a Vila Real de Santo António, no bloco 7B - Isla Cristina-Ayamonte, indico o sítio da internet: https://miamigoradio.es/
As emissões em DAB+ só funcionam em VHF/UHF as emissões em DRM podem funcionar em qualquer banda desde o AM, SW, VHF e UHF.

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Luis Carvalho

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Re: DAB+
« Responder #184 em: Fevereiro 12, 2024, 08:29:24 am »
Entretanto, no país vizinho, a Rádio Nacional de Espanha vai iniciar amanhã, dia ,13 de Fevereiro, emissões no sistema DAB+.

https://bandaancha.eu/articulos/fin-fm-mas-cerca-rtve-dara-salto-radio-10775
Cumprimentos,
Luís Carvalho

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ruicleto

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Re: DAB+
« Responder #185 em: Fevereiro 12, 2024, 03:54:02 pm »
Amanhã, apresentação em direto desde a RTVE, a seguir em:  https://twitter.com/RTVE_Com/status/1756641091141423377

joao_s

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Re: DAB+
« Responder #186 em: Fevereiro 12, 2024, 04:43:21 pm »
Começo com retificações ao post anterior, errata (escrever à pressa sem rever texto, dá nisto):

Onde se lê, “… o som é comprido…”, deve ler-se “… o som é comprimido…”. Na tecnologia digital, temos formatos de compressão com perda de dados e formatos de compressão sem perda de dados. Por exemplo, o formato de áudio *.mp3 tem perda de dados, quando maior a taxa de compressão, menor a qualidade de som e menor o tamanho do ficheiro. Baseia-se em algoritmos que retiram frequências de áudio não percecionadas diretamente pelo ouvinte (algoritmos de psico-acústica). No caso das emissões de rádio, ao referir o som comprimido, significa que, na reprodução do som, há frequência de áudio não representadas pela tecnologia analógica e não existe efeito espacial de som (estereofonia) e isto, no caso da AM, traduz-se em desconforto de escuta. Quanto maior a resolução de som, maior será a perceção de todo o detalhe do registo original (em estúdio, sala de espetáculos, no exterior, etc).

Onde se lê, “…NSTC para os Estados Unidos e Japão…”, deve ler-se, “…NTSC para os Estados Unidos e Japão…”.  A norma NTSC, 525 linhas, teve origem nos Estados Unidos em 1953 (CBS, NBC) e foi o primeiro padrão de TV a cores, significa “National Television Standard Committee” (na década de 80, em tom de brincadeira, dizia-se Never Twice the Same Color”, porque a fidelidade de reprodução da cor tinha alguns problemas). Na Europa esse standard foi melhorado com dois padrões difusão da cor. A norma PAL, 625 linhas, padrão de parte da Europa, foi desenvolvida pelo Reino Unido e Alemanha, e finalizada em 1967 (ARD, ZDF, BBC TWO). SECAM, 625 linhas, foi desenvolvido em França e finalizado em 1967 (FRANCE 2). Mapa com 3 normas de difusão de emissões a cores, de 1990.

Onde se lê, “…sem nenhum obstáculo…” deve ler-se “…sem qualquer entrave…”. Para captar as emissões do país vizinho, existem sempre os obstáculos orográficos (serras, montanhas, terreno irregular, etc.). Com a banda DAB+ livre em Portugal, sem qualquer utilização, os emissores próximos da fronteira podem ouvir-se várias dezenas/centenas de km em território nacional, o que é positivo. No tempo da TV analógica, antes da reorganização de emissores advinda da chegada da TV privada, víamos as emissões da TVE aqui no Ribatejo e havia relatos de as mesmas chegarem a algumas partes de Lisboa. Por exemplo, em Vila Franca de Xira também viam, embora as antenas tivessem de ser maiores e o sinal amplificado.

Há pelo menos seis anos que isto é debatido aqui no fórum, uns achavam que o DAB+ não tinha hipóteses de vingar, o futuro estaria no streaming, exclusivamente no software consubstanciado em apps de fácil utilização, num deslumbramento terceiro mundista que o 5G tudo iria definir e resolver. Isto ia contra todas as evidências, cada vez mais países estavam a aderir ao DAB+ e a preparar o futuro da rádio. Quando França anunciou que estava a projetar a rádio do futuro e a desenhar a rede DAB+ para todo o território nacional, com dois multiplexadores e 25 canais, estava-se mesmo a ver que Espanha seria o próximo país a seguir o exemplo. Portugal é aquele país em que nada se planeia atempadamente, não há estratégias delineadas a antecipar o futuro, navega-se à vista, nada se decide no devido tempo, tomando como referência o que países congéneres estão a fazer. Depois, faz-se tudo à pressa, muitas vezes sem ponderar bem a evolução futura. Isto está à vista de toda a gente, perspetivar o futuro da rádio como apenas mais um serviço da Internet, desmaterializado no ciberespaço, faz com que a rádio como a conhecemos acabe. A rádio tem de ter um meio autónomo de chegar até aos ouvintes, materializado numa tecnologia de difusão autónoma. A Europa diz-nos que o futuro está no DAB+, com serviços de Internet adicionais, e nós o que temos a dizer? Vamos assistir a toda esta evolução como espetadores, de fora, sem participar? 

ruicleto

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Re: DAB+
« Responder #187 em: Fevereiro 12, 2024, 06:05:51 pm »
Começo com retificações ao post anterior, errata (escrever à pressa sem rever texto, dá nisto):

Onde se lê, “… o som é comprido…”, deve ler-se “… o som é comprimido…”. Na tecnologia digital, temos formatos de compressão com perda de dados e formatos de compressão sem perda de dados. Por exemplo, o formato de áudio *.mp3 tem perda de dados, quando maior a taxa de compressão, menor a qualidade de som e menor o tamanho do ficheiro. Baseia-se em algoritmos que retiram frequências de áudio não percecionadas diretamente pelo ouvinte (algoritmos de psico-acústica). No caso das emissões de rádio, ao referir o som comprimido, significa que, na reprodução do som, há frequência de áudio não representadas pela tecnologia analógica e não existe efeito espacial de som (estereofonia) e isto, no caso da AM, traduz-se em desconforto de escuta. Quanto maior a resolução de som, maior será a perceção de todo o detalhe do registo original (em estúdio, sala de espetáculos, no exterior, etc).

Onde se lê, “…NSTC para os Estados Unidos e Japão…”, deve ler-se, “…NTSC para os Estados Unidos e Japão…”.  A norma NTSC, 525 linhas, teve origem nos Estados Unidos em 1953 (CBS, NBC) e foi o primeiro padrão de TV a cores, significa “National Television Standard Committee” (na década de 80, em tom de brincadeira, dizia-se Never Twice the Same Color”, porque a fidelidade de reprodução da cor tinha alguns problemas). Na Europa esse standard foi melhorado com dois padrões difusão da cor. A norma PAL, 625 linhas, padrão de parte da Europa, foi desenvolvida pelo Reino Unido e Alemanha, e finalizada em 1967 (ARD, ZDF, BBC TWO). SECAM, 625 linhas, foi desenvolvido em França e finalizado em 1967 (FRANCE 2). Mapa com 3 normas de difusão de emissões a cores, de 1990.

Onde se lê, “…sem nenhum obstáculo…” deve ler-se “…sem qualquer entrave…”. Para captar as emissões do país vizinho, existem sempre os obstáculos orográficos (serras, montanhas, terreno irregular, etc.). Com a banda DAB+ livre em Portugal, sem qualquer utilização, os emissores próximos da fronteira podem ouvir-se várias dezenas/centenas de km em território nacional, o que é positivo. No tempo da TV analógica, antes da reorganização de emissores advinda da chegada da TV privada, víamos as emissões da TVE aqui no Ribatejo e havia relatos de as mesmas chegarem a algumas partes de Lisboa. Por exemplo, em Vila Franca de Xira também viam, embora as antenas tivessem de ser maiores e o sinal amplificado.

Há pelo menos seis anos que isto é debatido aqui no fórum, uns achavam que o DAB+ não tinha hipóteses de vingar, o futuro estaria no streaming, exclusivamente no software consubstanciado em apps de fácil utilização, num deslumbramento terceiro mundista que o 5G tudo iria definir e resolver. Isto ia contra todas as evidências, cada vez mais países estavam a aderir ao DAB+ e a preparar o futuro da rádio. Quando França anunciou que estava a projetar a rádio do futuro e a desenhar a rede DAB+ para todo o território nacional, com dois multiplexadores e 25 canais, estava-se mesmo a ver que Espanha seria o próximo país a seguir o exemplo. Portugal é aquele país em que nada se planeia atempadamente, não há estratégias delineadas a antecipar o futuro, navega-se à vista, nada se decide no devido tempo, tomando como referência o que países congéneres estão a fazer. Depois, faz-se tudo à pressa, muitas vezes sem ponderar bem a evolução futura. Isto está à vista de toda a gente, perspetivar o futuro da rádio como apenas mais um serviço da Internet, desmaterializado no ciberespaço, faz com que a rádio como a conhecemos acabe. A rádio tem de ter um meio autónomo de chegar até aos ouvintes, materializado numa tecnologia de difusão autónoma. A Europa diz-nos que o futuro está no DAB+, com serviços de Internet adicionais, e nós o que temos a dizer? Vamos assistir a toda esta evolução como espetadores, de fora, sem participar?

Obrigado pelas correções.
Relativamente ao DAB+, é espantoso que Portugal já andou na vanguarda da tecnologia (aproveitando a realização da EXPO em Lisboa), mas, contrariamente ao que deve ser uma boa e racional gestão, não houve uma divulgação pública da tecnologia digital nem o mercado acompanhou a implementação da tecnologia, através da disponibilização de recetores adequados. Agora, temos que olhar em frente (e ontem já era tarde), tal como a nossa vizinha RTVE, aproveitando a melhoria nítida da tecnologia que evoluiu do DAB para o DAB+.
Julgo que a RTP deverá ser o timoneiro da implementação desta tecnologia, tal como o foi no início, aquando do DAB! Lamentavelmente, no último episódio do "em nome do ouvinte", nem uma única palavra para qualquer coisa nesta tecnologia, quanto mais não fosse um início de regime experimental da difusão em digital para os maiores centros urbanos (talvez Lisboa e Porto).

Luís Gonçalves

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Re: DAB+
« Responder #188 em: Fevereiro 12, 2024, 11:54:55 pm »
Começo com retificações ao post anterior, errata (escrever à pressa sem rever texto, dá nisto):

Onde se lê, “… o som é comprido…”, deve ler-se “… o som é comprimido…”. Na tecnologia digital, temos formatos de compressão com perda de dados e formatos de compressão sem perda de dados. Por exemplo, o formato de áudio *.mp3 tem perda de dados, quando maior a taxa de compressão, menor a qualidade de som e menor o tamanho do ficheiro. Baseia-se em algoritmos que retiram frequências de áudio não percecionadas diretamente pelo ouvinte (algoritmos de psico-acústica). No caso das emissões de rádio, ao referir o som comprimido, significa que, na reprodução do som, há frequência de áudio não representadas pela tecnologia analógica e não existe efeito espacial de som (estereofonia) e isto, no caso da AM, traduz-se em desconforto de escuta. Quanto maior a resolução de som, maior será a perceção de todo o detalhe do registo original (em estúdio, sala de espetáculos, no exterior, etc).

Onde se lê, “…NSTC para os Estados Unidos e Japão…”, deve ler-se, “…NTSC para os Estados Unidos e Japão…”.  A norma NTSC, 525 linhas, teve origem nos Estados Unidos em 1953 (CBS, NBC) e foi o primeiro padrão de TV a cores, significa “National Television Standard Committee” (na década de 80, em tom de brincadeira, dizia-se Never Twice the Same Color”, porque a fidelidade de reprodução da cor tinha alguns problemas). Na Europa esse standard foi melhorado com dois padrões difusão da cor. A norma PAL, 625 linhas, padrão de parte da Europa, foi desenvolvida pelo Reino Unido e Alemanha, e finalizada em 1967 (ARD, ZDF, BBC TWO). SECAM, 625 linhas, foi desenvolvido em França e finalizado em 1967 (FRANCE 2). Mapa com 3 normas de difusão de emissões a cores, de 1990.

Onde se lê, “…sem nenhum obstáculo…” deve ler-se “…sem qualquer entrave…”. Para captar as emissões do país vizinho, existem sempre os obstáculos orográficos (serras, montanhas, terreno irregular, etc.). Com a banda DAB+ livre em Portugal, sem qualquer utilização, os emissores próximos da fronteira podem ouvir-se várias dezenas/centenas de km em território nacional, o que é positivo. No tempo da TV analógica, antes da reorganização de emissores advinda da chegada da TV privada, víamos as emissões da TVE aqui no Ribatejo e havia relatos de as mesmas chegarem a algumas partes de Lisboa. Por exemplo, em Vila Franca de Xira também viam, embora as antenas tivessem de ser maiores e o sinal amplificado.

Há pelo menos seis anos que isto é debatido aqui no fórum, uns achavam que o DAB+ não tinha hipóteses de vingar, o futuro estaria no streaming, exclusivamente no software consubstanciado em apps de fácil utilização, num deslumbramento terceiro mundista que o 5G tudo iria definir e resolver. Isto ia contra todas as evidências, cada vez mais países estavam a aderir ao DAB+ e a preparar o futuro da rádio. Quando França anunciou que estava a projetar a rádio do futuro e a desenhar a rede DAB+ para todo o território nacional, com dois multiplexadores e 25 canais, estava-se mesmo a ver que Espanha seria o próximo país a seguir o exemplo. Portugal é aquele país em que nada se planeia atempadamente, não há estratégias delineadas a antecipar o futuro, navega-se à vista, nada se decide no devido tempo, tomando como referência o que países congéneres estão a fazer. Depois, faz-se tudo à pressa, muitas vezes sem ponderar bem a evolução futura. Isto está à vista de toda a gente, perspetivar o futuro da rádio como apenas mais um serviço da Internet, desmaterializado no ciberespaço, faz com que a rádio como a conhecemos acabe. A rádio tem de ter um meio autónomo de chegar até aos ouvintes, materializado numa tecnologia de difusão autónoma. A Europa diz-nos que o futuro está no DAB+, com serviços de Internet adicionais, e nós o que temos a dizer? Vamos assistir a toda esta evolução como espetadores, de fora, sem participar?

Obrigado pelas correções.
Relativamente ao DAB+, é espantoso que Portugal já andou na vanguarda da tecnologia (aproveitando a realização da EXPO em Lisboa), mas, contrariamente ao que deve ser uma boa e racional gestão, não houve uma divulgação pública da tecnologia digital nem o mercado acompanhou a implementação da tecnologia, através da disponibilização de recetores adequados. Agora, temos que olhar em frente (e ontem já era tarde), tal como a nossa vizinha RTVE, aproveitando a melhoria nítida da tecnologia que evoluiu do DAB para o DAB+.
Julgo que a RTP deverá ser o timoneiro da implementação desta tecnologia, tal como o foi no início, aquando do DAB! Lamentavelmente, no último episódio do "em nome do ouvinte", nem uma única palavra para qualquer coisa nesta tecnologia, quanto mais não fosse um início de regime experimental da difusão em digital para os maiores centros urbanos (talvez Lisboa e Porto).
Espere-se sentado, numa poltrona bem confortável. Deste país infelizmente já não espero nada.
Luís Gonçalves

ruicleto

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Re: DAB+
« Responder #189 em: Fevereiro 13, 2024, 11:29:13 am »