Autor Tópico: Lei da Rádio  (Lida 17665 vezes)

modernices

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Re: Lei da Rádio
« Responder #90 em: Março 22, 2022, 11:21:24 am »
Concordo!
Excelente post pdnf.
Por trás de cada rádio há uma empresa e como qualquer empresa tem de ser rentável para sobreviver e pagar contas. Ao meu redor só há rádios locais moribundas, sem qualidade, desinteressantes e é por isso que bons projetos nessas rádios seriam sempre bem vindos. Pelo pluralismo e pela variedade.

Defender o local apenas para ter lá um debitador de mp3's a sair do código postal da terrinha não me parece caminho. Nem assunto.

PS. Também não sou de Lisboa

ruicleto

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Re: Lei da Rádio
« Responder #91 em: Março 22, 2022, 06:19:55 pm »
Penso que a mudança tecnológica para o DAB, mais cedo ou mais tarde a ocorrer, virá trazer um panorama mais arrumado para todos e onde todos terão lugar - nacionais regionais ou locais. É necessário não perder esta oportunidade e começar, o mais breve possível, o esboço das redes MUX.

pdnf

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Re: Lei da Rádio
« Responder #92 em: Março 22, 2022, 08:30:17 pm »
Penso que a mudança tecnológica para o DAB, mais cedo ou mais tarde a ocorrer, virá trazer um panorama mais arrumado para todos e onde todos terão lugar - nacionais regionais ou locais. É necessário não perder esta oportunidade e começar, o mais breve possível, o esboço das redes MUX.

Pois, mas sem PRR e sem P2030 será difícil. Antes do próximo quadro comunitário será muito difícil conseguir operacionalizar isso. A mudança tem de ser financiada pelo Estado, doutro modo é impossível.
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

Memorias da Radio

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Re: Lei da Rádio
« Responder #93 em: Março 22, 2022, 10:42:01 pm »
Concordo!
Excelente post pdnf.
Por trás de cada rádio há uma empresa e como qualquer empresa tem de ser rentável para sobreviver e pagar contas. Ao meu redor só há rádios locais moribundas, sem qualidade, desinteressantes e é por isso que bons projetos nessas rádios seriam sempre bem vindos. Pelo pluralismo e pela variedade.

Defender o local apenas para ter lá um debitador de mp3's a sair do código postal da terrinha não me parece caminho. Nem assunto.

PS. Também não sou de Lisboa

Infelizmente a zona de Coimbra já viu muito melhores dias no que a rádio diz respeito e é pena, porque há duas instituições de ensino superior a formar na área, e muita muita gente com muita qualidade em Coimbra que não consegue fazer nada graças ao centralismo e à maneira como os proprietários que sobram de alvarás na região gerem a coisa. E não é particularizar: é a verdade. E vou-me debruçar nisso (penso que é a primeira vez que a temática desta região é trazida a lume!).

Eu chego a Coimbra e se não quiser escolher nenhuma das nacionais ou das cadeias de regionais a dar mais do mesmo  estou lixado - a 92.6 tem boa música mas por vezes é demasiado generalista e previsível e faltam-lhe ligações a Coimbra e imensa locução, a Regional do Centro faz ainda algum bom serviço no que sobra dela mas é demasiado popularucha  e cristalizada no tempo, e nem vou entrar sequer na Mundial FM que tem alguém à frente que podia fazer outro tipo de rádio generalista completamente diferente e opta também pelo modelo popular e mal.

Há simplesmente demasiadas rádios pimba na região de Coimbra e não há uma única! que seja que tenha uma playlist diferenciadora, interessante, equilibrada e com boa informação e locução no processo. Esse espaço existe e foi deixado vago! Em tempos a TSF-RJC fazia isso, depois a 90FM fazia esse serviço, depois a Mega até 2007, e desde aí para a frente acabou-se. Não há uma única que represente a cidade de Coimbra e quem se reveja nesta forma de estar em condições, porque se cometeu o grave erro de vender todos os alvarás emitidos aos grandes grupos. Sobra uma por vezes algo amadora, demasiado encaixotada RUC, com um emissor mais fraco e que a 15kms apenas do centro de Coimbra já não se pode ouvir em termos porque forçam o piloto de estéreo na estação.

Aveiro pelo menos sempre tem a Terra Nova a fazer bom serviço, a 105.6 a imitar a Nova Era e por aí vai.

Falha enorme, enorme! de mercado na região centro, e o pior é que eu sei e conheço gente com vistas mais largas que queria e podia perfeitamente executar isto e não pode, porque foi forçado a ficar de parte por outras gentes ou simplesmente não tem acesso. Tenho pena, porque gostava de executar isso com essas pessoas, mas para isso precisávamos de ter acesso a uma frequência.

Quando é que se vai ganhar consciência que a pluralidade no meio radiofónico enriquece a todos? Quando é que se vai deixar este caciquismo e esta política de falso secretismo que abunda no meio rádio português? Quando é que se vai deixar de ter vistas curtas na gestão de um ativo local de muito mais longo alcance que o município?

Se vier um aeroporto para a região de Coimbra, que raio de incentivo vão os turistas ter para ouvir rádio fora das nacionais que represente a cidade e a região? Que raio de incentivo existe já hoje para uma região com 2 milhões de dormidas, com património histórico  da UNESCO e uma riqueza humana invejável com que outras regiões só podem sonhar?

Quando é que os donos das rádios vão acordar para a vida em Coimbra?!
« Última modificação: Março 22, 2022, 10:44:35 pm por Memorias da Radio »

pdnf

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Re: Lei da Rádio
« Responder #94 em: Março 23, 2022, 10:52:45 am »
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Por trás de cada rádio há uma empresa e como qualquer empresa tem de ser rentável para sobreviver e pagar contas. Ao meu redor só há rádios locais moribundas, sem qualidade, desinteressantes e é por isso que bons projetos nessas rádios seriam sempre bem vindos. Pelo pluralismo e pela variedade.

Defender o local apenas para ter lá um debitador de mp3's a sair do código postal da terrinha não me parece caminho. Nem assunto.

PS. Também não sou de Lisboa

Infelizmente a zona de Coimbra já viu muito melhores dias no que a rádio diz respeito e é pena, porque há duas instituições de ensino superior a formar na área, e muita muita gente com muita qualidade em Coimbra que não consegue fazer nada graças ao centralismo e à maneira como os proprietários que sobram de alvarás na região gerem a coisa. E não é particularizar: é a verdade. E vou-me debruçar nisso (penso que é a primeira vez que a temática desta região é trazida a lume!).

Eu chego a Coimbra e se não quiser escolher nenhuma das nacionais ou das cadeias de regionais a dar mais do mesmo  estou lixado - a 92.6 tem boa música mas por vezes é demasiado generalista e previsível e faltam-lhe ligações a Coimbra e imensa locução, a Regional do Centro faz ainda algum bom serviço no que sobra dela mas é demasiado popularucha  e cristalizada no tempo, e nem vou entrar sequer na Mundial FM que tem alguém à frente que podia fazer outro tipo de rádio generalista completamente diferente e opta também pelo modelo popular e mal.

Há simplesmente demasiadas rádios pimba na região de Coimbra e não há uma única! que seja que tenha uma playlist diferenciadora, interessante, equilibrada e com boa informação e locução no processo. Esse espaço existe e foi deixado vago! Em tempos a TSF-RJC fazia isso, depois a 90FM fazia esse serviço, depois a Mega até 2007, e desde aí para a frente acabou-se. Não há uma única que represente a cidade de Coimbra e quem se reveja nesta forma de estar em condições, porque se cometeu o grave erro de vender todos os alvarás emitidos aos grandes grupos. Sobra uma por vezes algo amadora, demasiado encaixotada RUC, com um emissor mais fraco e que a 15kms apenas do centro de Coimbra já não se pode ouvir em termos porque forçam o piloto de estéreo na estação.

Aveiro pelo menos sempre tem a Terra Nova a fazer bom serviço, a 105.6 a imitar a Nova Era e por aí vai.

Falha enorme, enorme! de mercado na região centro, e o pior é que eu sei e conheço gente com vistas mais largas que queria e podia perfeitamente executar isto e não pode, porque foi forçado a ficar de parte por outras gentes ou simplesmente não tem acesso. Tenho pena, porque gostava de executar isso com essas pessoas, mas para isso precisávamos de ter acesso a uma frequência.

Quando é que se vai ganhar consciência que a pluralidade no meio radiofónico enriquece a todos? Quando é que se vai deixar este caciquismo e esta política de falso secretismo que abunda no meio rádio português? Quando é que se vai deixar de ter vistas curtas na gestão de um ativo local de muito mais longo alcance que o município?

Se vier um aeroporto para a região de Coimbra, que raio de incentivo vão os turistas ter para ouvir rádio fora das nacionais que represente a cidade e a região? Que raio de incentivo existe já hoje para uma região com 2 milhões de dormidas, com património histórico  da UNESCO e uma riqueza humana invejável com que outras regiões só podem sonhar?

Quando é que os donos das rádios vão acordar para a vida em Coimbra?!

Excelente post, que me vem dar razão. É preciso recolher e dar de novo, ou seja, não renovar alvarás e abrir novo concurso com um caderno de encargos bem definido que não seja só a popularuchice que fica mais barato às locais fazer.
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modernices

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Re: Lei da Rádio
« Responder #95 em: Março 23, 2022, 02:06:33 pm »
Concordo!
Excelente post pdnf.
Por trás de cada rádio há uma empresa e como qualquer empresa tem de ser rentável para sobreviver e pagar contas. Ao meu redor só há rádios locais moribundas, sem qualidade, desinteressantes e é por isso que bons projetos nessas rádios seriam sempre bem vindos. Pelo pluralismo e pela variedade.

Defender o local apenas para ter lá um debitador de mp3's a sair do código postal da terrinha não me parece caminho. Nem assunto.

PS. Também não sou de Lisboa

Infelizmente a zona de Coimbra já viu muito melhores dias no que a rádio diz respeito e é pena, porque há duas instituições de ensino superior a formar na área, e muita muita gente com muita qualidade em Coimbra que não consegue fazer nada graças ao centralismo e à maneira como os proprietários que sobram de alvarás na região gerem a coisa. E não é particularizar: é a verdade. E vou-me debruçar nisso (penso que é a primeira vez que a temática desta região é trazida a lume!).

Eu chego a Coimbra e se não quiser escolher nenhuma das nacionais ou das cadeias de regionais a dar mais do mesmo  estou lixado - a 92.6 tem boa música mas por vezes é demasiado generalista e previsível e faltam-lhe ligações a Coimbra e imensa locução, a Regional do Centro faz ainda algum bom serviço no que sobra dela mas é demasiado popularucha  e cristalizada no tempo, e nem vou entrar sequer na Mundial FM que tem alguém à frente que podia fazer outro tipo de rádio generalista completamente diferente e opta também pelo modelo popular e mal.

Há simplesmente demasiadas rádios pimba na região de Coimbra e não há uma única! que seja que tenha uma playlist diferenciadora, interessante, equilibrada e com boa informação e locução no processo. Esse espaço existe e foi deixado vago! Em tempos a TSF-RJC fazia isso, depois a 90FM fazia esse serviço, depois a Mega até 2007, e desde aí para a frente acabou-se. Não há uma única que represente a cidade de Coimbra e quem se reveja nesta forma de estar em condições, porque se cometeu o grave erro de vender todos os alvarás emitidos aos grandes grupos. Sobra uma por vezes algo amadora, demasiado encaixotada RUC, com um emissor mais fraco e que a 15kms apenas do centro de Coimbra já não se pode ouvir em termos porque forçam o piloto de estéreo na estação.

Aveiro pelo menos sempre tem a Terra Nova a fazer bom serviço, a 105.6 a imitar a Nova Era e por aí vai.

Falha enorme, enorme! de mercado na região centro, e o pior é que eu sei e conheço gente com vistas mais largas que queria e podia perfeitamente executar isto e não pode, porque foi forçado a ficar de parte por outras gentes ou simplesmente não tem acesso. Tenho pena, porque gostava de executar isso com essas pessoas, mas para isso precisávamos de ter acesso a uma frequência.

Quando é que se vai ganhar consciência que a pluralidade no meio radiofónico enriquece a todos? Quando é que se vai deixar este caciquismo e esta política de falso secretismo que abunda no meio rádio português? Quando é que se vai deixar de ter vistas curtas na gestão de um ativo local de muito mais longo alcance que o município?

Se vier um aeroporto para a região de Coimbra, que raio de incentivo vão os turistas ter para ouvir rádio fora das nacionais que represente a cidade e a região? Que raio de incentivo existe já hoje para uma região com 2 milhões de dormidas, com património histórico  da UNESCO e uma riqueza humana invejável com que outras regiões só podem sonhar?

Quando é que os donos das rádios vão acordar para a vida em Coimbra?!

Por isso é que defendi a vinda de projetos interessantes para aqui.
O que se ouve por estas bandas no FM não lembra a ninguém. O disco pedido onde os ouvintes participam à vez numa e noutra rádio, sempre os mesmos.. eternos tocadores de MP3 a imitar (mal) as nacionais. enfim

Também não sei se novos concursos resolveriam isto. Iriam voltar os mesmos ou aparecer curiosos sem sustentabilidade financeira que ao fim de pouco tempo iriam cair no marasmo ou abandono.

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Re: Lei da Rádio
« Responder #96 em: Março 23, 2022, 02:26:05 pm »
Eu defendo a liberalização/racionalização do setor: não há alvarás para ninguém, são empresas como quaisquer outras, e assim acaba-se a mama dos intermediários como Acacio Marinho e outros similares que se encheram nos últimos 20 anos à conta disso e retorna-se o exercício da rádio em Portugal a quem a possa e queira fazer, tenha ideias e dinheiro para elas e não para as margens de lucro dos revendedores de alvarás; os municípios têm frequências fixas associadas; um início de emissão num município que não tenha rádio ou que tenha, mas vá a empresa à falência, dependeria  de autorização da ANACOM (ou seja, haver frequência disponível e definir-se a potência associada) e da análise à grelha de programas e modelo de negócio da ERC. Tendo ambas luz verde, era lançar.

Deixar de se ter a visão de que a rádio pertence ao município: a rádio pertence ao distrito onde está e representa o município *nesse* distrito e é essa região, é o porta-estandarte. Dependendo do projeto e alcance, autorização de aumentos de potência até 5kW.

Obrigar todos os grupos que usam frequências locais a emitir, não interessa de onde nem como, apenas 4 horas de emissão local MAS com locução que não pode ter as mesmas pessoas da emissão nacional, deve ter notícias e no mínimo um conteúdo ou programa de âmbito local ou distrital. Para quem tenha a Rede Regional Norte/Sul, pelo menos 6 horas tem que ser emitidas dessa região. Obrigar os operadores locais a cinco boletins informativos regionais diários no período das 07 às 20 horas, e não três. Fiscalização das grelhas a cada 24 meses a assegurar o rigoroso cumprimento de todos os intervenientes.

Isto para mim são os mínimos olímpicos para se repor algum nível de salubridade nas coisas e se dar alguma relevância a haver rádios locais. E se mesmo assim não der, é mandar abaixo e fazer de novo: fecha-se tudo de uma vez, deixa-se correr em novo concurso e recomeça tudo da estaca zero mas desta vez bem feito…

modernices

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Re: Lei da Rádio
« Responder #97 em: Março 23, 2022, 02:42:11 pm »
É isso é financeiramente viável?
Uma coisa que tenho reparado é que as rádios amarradas aos seu locais ficam (na maioria dos casos) asfixiadas financeiramente. Não sobrevivem se ficarem dependentes do talho da esquina ou da mercearia da dona Josefina e muitas vezes acabam por ficar reféns do maior empregador do concelho, que muitas vezes é a câmara. E acho que ninguém quer o cenário do financiamento do estado central ou local para se fazer uma coisa destas.

Memorias da Radio

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Re: Lei da Rádio
« Responder #98 em: Março 23, 2022, 02:55:12 pm »
É isso é financeiramente viável?
Uma coisa que tenho reparado é que as rádios amarradas aos seu locais ficam (na maioria dos casos) asfixiadas financeiramente. Não sobrevivem se ficarem dependentes do talho da esquina ou da mercearia da dona Josefina e muitas vezes acabam por ficar reféns do maior empregador do concelho, que muitas vezes é a câmara. E acho que ninguém quer o cenário do financiamento do estado central ou local para se fazer uma coisa destas.

Para essss casos a lei já hoje prevê rádios em associação até ao limite de seis. E eu pessoalmente não vejo mal nenhum em haver financiamento do Estado para o serviço local. Se antigamente havia com a RDP… ainda poupam imenso dinheiro, a maioria dos meios sendo privado

radiokilledtheMTVstar

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Re: Lei da Rádio
« Responder #99 em: Março 23, 2022, 06:24:23 pm »

Para essss casos a lei já hoje prevê rádios em associação até ao limite de seis. E eu pessoalmente não vejo mal nenhum em haver financiamento do Estado para o serviço local. Se antigamente havia com a RDP… ainda poupam imenso dinheiro, a maioria dos meios sendo privado

Concordo, se a RDP deixou de ter sequer um único desdobramento regional no Portugal em Direto quem nos poderia garantir que tinha condições para tratar do futuro das rádios locais? Prefiro muito mais um modelo de parcerias público-privadas e apenas nas que estão em mais dificuldades, o que já é em parte o que acontece hoje só não é oficializado.

Acho mais importante da parte do estado haver uma reformulação total da ERC e ANACOM que já várias vezes mostraram a sua ineficácia para conseguirem fiscalizar as locais "fantasma".
« Última modificação: Março 23, 2022, 06:41:13 pm por radiokilledtheMTVstar »

pdnf

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Re: Lei da Rádio
« Responder #100 em: Março 23, 2022, 06:35:22 pm »
Por isso é que defendi a vinda de projetos interessantes para aqui.
O que se ouve por estas bandas no FM não lembra a ninguém. O disco pedido onde os ouvintes participam à vez numa e noutra rádio, sempre os mesmos.. eternos tocadores de MP3 a imitar (mal) as nacionais. enfim

Também não sei se novos concursos resolveriam isto. Iriam voltar os mesmos ou aparecer curiosos sem sustentabilidade financeira que ao fim de pouco tempo iriam cair no marasmo ou abandono.


Resolvia, apenas se existir um caderno de encargos forte e que, ao mínimo incumprimento, fosse alvo de sanções. Há formas de conseguires excluir os concorrentes que não interessam, nomeadamente através de rácios de autonomia financeira, como se faz, por exemplo, nos concursos de projetos do P2020/PRR.

Eu defendo a liberalização/racionalização do setor: não há alvarás para ninguém, são empresas como quaisquer outras, e assim acaba-se a mama dos intermediários como Acacio Marinho e outros similares que se encheram nos últimos 20 anos à conta disso e retorna-se o exercício da rádio em Portugal a quem a possa e queira fazer, tenha ideias e dinheiro para elas e não para as margens de lucro dos revendedores de alvarás; os municípios têm frequências fixas associadas; um início de emissão num município que não tenha rádio ou que tenha, mas vá a empresa à falência, dependeria  de autorização da ANACOM (ou seja, haver frequência disponível e definir-se a potência associada) e da análise à grelha de programas e modelo de negócio da ERC. Tendo ambas luz verde, era lançar.

Deixar de se ter a visão de que a rádio pertence ao município: a rádio pertence ao distrito onde está e representa o município *nesse* distrito e é essa região, é o porta-estandarte. Dependendo do projeto e alcance, autorização de aumentos de potência até 5kW.

Obrigar todos os grupos que usam frequências locais a emitir, não interessa de onde nem como, apenas 4 horas de emissão local MAS com locução que não pode ter as mesmas pessoas da emissão nacional, deve ter notícias e no mínimo um conteúdo ou programa de âmbito local ou distrital. Para quem tenha a Rede Regional Norte/Sul, pelo menos 6 horas tem que ser emitidas dessa região. Obrigar os operadores locais a cinco boletins informativos regionais diários no período das 07 às 20 horas, e não três. Fiscalização das grelhas a cada 24 meses a assegurar o rigoroso cumprimento de todos os intervenientes.

Isto para mim são os mínimos olímpicos para se repor algum nível de salubridade nas coisas e se dar alguma relevância a haver rádios locais. E se mesmo assim não der, é mandar abaixo e fazer de novo: fecha-se tudo de uma vez, deixa-se correr em novo concurso e recomeça tudo da estaca zero mas desta vez bem feito…

O espectro é limitado, portanto, têm de existir alvarás. Senão, daqui a pouco tinhas 2 rádios a emitir em 88,4...espera já aconteceu!  ;D ;D Concordo com o que referes, mas os requisitos que colocaste já deveriam fazer parte do caderno do novo concurso total, embora ache que se poderia ir mais longe no número de redes nacionais (ou quase). Como já referi, e até por comparação com Espanha, penso que seria perfeitamente possível existir emissão em todo o território nacional das atuais seis nacionais, a que acrescentaria aquilo que diria ser o espaço para TSF, M80, MegaHits, Cidade FM, Smooth e Observador ou uma rádio de informação/palavra da RTP (isto indo a concurso, mas estou certo que seriam propostas vencedoras). Daí para a frente em lugar de rádios municipais, ou mesmo distritais, evoluiria para rádios regionais. Nas próprias redes nacionais, principalmente nas informativas, mas também no que respeita à locução nas musicais, incluir alguns pontos dos que referes, nomeadamente não concentrar tudo em Lisboa. As redes regionais não deveriam poder emitir em cadeia com as de outras regiões. Acabaria com o conceito de RRN/RRS.

É isso é financeiramente viável?
Uma coisa que tenho reparado é que as rádios amarradas aos seu locais ficam (na maioria dos casos) asfixiadas financeiramente. Não sobrevivem se ficarem dependentes do talho da esquina ou da mercearia da dona Josefina e muitas vezes acabam por ficar reféns do maior empregador do concelho, que muitas vezes é a câmara. E acho que ninguém quer o cenário do financiamento do estado central ou local para se fazer uma coisa destas.

Para essss casos a lei já hoje prevê rádios em associação até ao limite de seis. E eu pessoalmente não vejo mal nenhum em haver financiamento do Estado para o serviço local. Se antigamente havia com a RDP… ainda poupam imenso dinheiro, a maioria dos meios sendo privado

Financiamento das autarquias ou mesmo do Estado...de fugir! O que pagamos dá para a RDP funcionar mal. Querem mais?
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

modernices

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Re: Lei da Rádio
« Responder #101 em: Março 23, 2022, 09:31:16 pm »
É isso é financeiramente viável?
Uma coisa que tenho reparado é que as rádios amarradas aos seu locais ficam (na maioria dos casos) asfixiadas financeiramente. Não sobrevivem se ficarem dependentes do talho da esquina ou da mercearia da dona Josefina e muitas vezes acabam por ficar reféns do maior empregador do concelho, que muitas vezes é a câmara. E acho que ninguém quer o cenário do financiamento do estado central ou local para se fazer uma coisa destas.

Para essss casos a lei já hoje prevê rádios em associação até ao limite de seis. E eu pessoalmente não vejo mal nenhum em haver financiamento do Estado para o serviço local. Se antigamente havia com a RDP… ainda poupam imenso dinheiro, a maioria dos meios sendo privado

Mas assim voltamos a cair no que temos hoje. Com várias rádios a contornar o limite com artimanhas locais. Eu acho que se devia acabar com essa limitação e pronto.
Uma rádio local viável nunca venderá o seu espaço a outras. Se for rentável mantêm. Há alguns casos assim. Já outros devem estar desejosos que lhes batam a porta para pegar naquilo.
Isto porque tem de haver mercado. Se não houver mercado acham que alguém faz uma rádio investindo uma porrada de dinheiro? Isto depois vem em catadupa. Sem mercado não há publicidade bem remunerada, logo não há investimento tecnológico nem investimento nas pessoas. Isso do rádio clube da terrinha feito pelo pai, pela mãe e pelos amigos era em 1989 com muita carolice à mistura, com o Zé do bar a passar uns discos e a dona Amélia a falar com ouvintes. Isso já passou a história a meu ver. Agora as coisas tem de ser profissionais e o profissionalismo paga-se. Nenhum jornalista quer ganhar menos de 1000 euros (e bem!). E para ter a rádio da terra com informação local bem feita é preciso mais que um jornalista. Locutores a mesma coisa. Editores de áudio a mesma e por aí fora. É um custo grande que não pode ser sustentado com spots a 50 cêntimos ou 1 euro.

Estado a financiar é que está mais que provado que não resulta até porque já temos esse exemplo.
« Última modificação: Março 23, 2022, 09:41:42 pm por modernices »

augusto neto

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Re: Lei da Rádio
« Responder #102 em: Março 24, 2022, 02:24:36 am »
Eu vejo aqui ideias verdadeiramente alucinantes.
As frequências de rádio (televisão, banda larga, radio comunicações etc) são bens finitos e pertencentes ao Estado.
Quando se fala de Estado fala-se do país de todos nós. Quando esse bem é colocado a concurso com alvarás isso não se deve transformar num "mercado". Deve ter regras e bem definidas. Agora também não pode ser espartilhado e impedir o seu funcionamento e renovação.
Dito isto e tal como na mensagem anterior que aqui deixei, o "mercado" em Portugal é igual ao de Inglaterra, ao dos EUA, ao de França etc no sentido em que as locais estão a ser vampirizadas em favor de redes privadas.
O que não há lá fora é aberrações do género criadas no governo do Cavaco Silva de aquando da decisão de se colocar a concurso uma rede nacional de rádio ter-se dividido essa rede em rede regional sul RRS e rede regional norte RRN para satisfazer os partidários e membros do PSD Carlos Barbosa vencedor do alvará da RRS e Luís Silva vencedor da RRN. Uma aberração de dividir um canal que se mantém mais de 30 anos depois.
Julgam que a rádio digital vai resolver estes problemas?
Não vai. A RDT (DAB) em Portugal quando apareceu veio com uma espécie de fórmula 1 com bitrates altíssimos o que permitiu na época só 6 canais nacionais. Nunca foi pensado ser um serviço com mais outros 6 canais nacionais por exemplo e resolver a aberração das redes "regionais" e nem a de criar outro modelo de rádios essas sim regionais e dimensionadas conforme a população e não conforme a dimensão territorial. É absurda a quantidade de rádios locais à volta de Lisboa por exemplo e ainda mais no Porto dado que há muitos mais municípios de menor dimensão ao seu redor e que provavelmente tem um dos espectros FM mais saturados do Mundo.
Tal como não fez sentido a potência atribuída às rádios locais. Em toda a Europa e resto do Mundo há vários tipos de rádios locais classificadas por categoria de potência e cá quase que se tentou que todas as locais tivessem a mesma potência. Se num concelho houver uma rádio com 2kw e outra com 0,5kw é óbvio que um grande grupo nunca vai querer adquirir a menos potente e com isso se salvava muitas rádios locais (que é o que se fazia lá fora).
Hoje em dia o modelo de RDT vem alterar tudo isto. Mas como é óbvio em Portugal terra das proezas políticas e como primeiro país do Mundo a fechar a RDT (DAB) agora vamos tentar reabrir e se calhar quando lá chegarmos já a DAB+ poderá ser a DAB++ ou outra tecnologia mais avançada.
Os decisores políticos e o papel completamente patético e inapto da ERC e da Anacom tornam este panorama ainda muito pior.
Posso dizer a quem ainda não sabe que o actual director da Anacom sugeriu enfiar a TDT no cabo para acabar com a TDT terrestre por antena. Nem nos Países Baixos se lembraram de tal idiotice. Em vez de pensar em alargar para o triplo os canais gratuitos disponíveis quer acabar com a TDT por antena. E é por estas e por outras que TDT e RDT em Portugal são discussões estéreis porque quem tem o poder nem sequer sabe o que está a fazer e do que está a falar.

ruicleto

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Re: Lei da Rádio
« Responder #103 em: Março 24, 2022, 10:35:55 am »
Eu vejo aqui ideias verdadeiramente alucinantes.
As frequências de rádio (televisão, banda larga, radio comunicações etc) são bens finitos e pertencentes ao Estado.
Quando se fala de Estado fala-se do país de todos nós. Quando esse bem é colocado a concurso com alvarás isso não se deve transformar num "mercado". Deve ter regras e bem definidas. Agora também não pode ser espartilhado e impedir o seu funcionamento e renovação.
Dito isto e tal como na mensagem anterior que aqui deixei, o "mercado" em Portugal é igual ao de Inglaterra, ao dos EUA, ao de França etc no sentido em que as locais estão a ser vampirizadas em favor de redes privadas.
O que não há lá fora é aberrações do género criadas no governo do Cavaco Silva de aquando da decisão de se colocar a concurso uma rede nacional de rádio ter-se dividido essa rede em rede regional sul RRS e rede regional norte RRN para satisfazer os partidários e membros do PSD Carlos Barbosa vencedor do alvará da RRS e Luís Silva vencedor da RRN. Uma aberração de dividir um canal que se mantém mais de 30 anos depois.
Julgam que a rádio digital vai resolver estes problemas?
Não vai. A RDT (DAB) em Portugal quando apareceu veio com uma espécie de fórmula 1 com bitrates altíssimos o que permitiu na época só 6 canais nacionais. Nunca foi pensado ser um serviço com mais outros 6 canais nacionais por exemplo e resolver a aberração das redes "regionais" e nem a de criar outro modelo de rádios essas sim regionais e dimensionadas conforme a população e não conforme a dimensão territorial. É absurda a quantidade de rádios locais à volta de Lisboa por exemplo e ainda mais no Porto dado que há muitos mais municípios de menor dimensão ao seu redor e que provavelmente tem um dos espectros FM mais saturados do Mundo.
Tal como não fez sentido a potência atribuída às rádios locais. Em toda a Europa e resto do Mundo há vários tipos de rádios locais classificadas por categoria de potência e cá quase que se tentou que todas as locais tivessem a mesma potência. Se num concelho houver uma rádio com 2kw e outra com 0,5kw é óbvio que um grande grupo nunca vai querer adquirir a menos potente e com isso se salvava muitas rádios locais (que é o que se fazia lá fora).
Hoje em dia o modelo de RDT vem alterar tudo isto. Mas como é óbvio em Portugal terra das proezas políticas e como primeiro país do Mundo a fechar a RDT (DAB) agora vamos tentar reabrir e se calhar quando lá chegarmos já a DAB+ poderá ser a DAB++ ou outra tecnologia mais avançada.
Os decisores políticos e o papel completamente patético e inapto da ERC e da Anacom tornam este panorama ainda muito pior.
Posso dizer a quem ainda não sabe que o actual director da Anacom sugeriu enfiar a TDT no cabo para acabar com a TDT terrestre por antena. Nem nos Países Baixos se lembraram de tal idiotice. Em vez de pensar em alargar para o triplo os canais gratuitos disponíveis quer acabar com a TDT por antena. E é por estas e por outras que TDT e RDT em Portugal são discussões estéreis porque quem tem o poder nem sequer sabe o que está a fazer e do que está a falar.
Excelente texto. Apenas discordo quando diz "Julgam que a rádio digital vai resolver estes problemas? Não vai", pois pessoalmente penso que vai resolver, face à capacidade que tem cada MUX e à possibilidade de existirem vários, os quais podem conter muitas rádios. Veja-se o exemplo de outros países, como a Bélgica, onde há lugares para todos.

Zeca 2021

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Re: Lei da Rádio
« Responder #104 em: Março 24, 2022, 03:54:39 pm »
Concordo!
Excelente post pdnf.
Por trás de cada rádio há uma empresa e como qualquer empresa tem de ser rentável para sobreviver e pagar contas. Ao meu redor só há rádios locais moribundas, sem qualidade, desinteressantes e é por isso que bons projetos nessas rádios seriam sempre bem vindos. Pelo pluralismo e pela variedade.

Defender o local apenas para ter lá um debitador de mp3's a sair do código postal da terrinha não me parece caminho. Nem assunto.

PS. Também não sou de Lisboa

"...Da terrinha...".
Assim se vê a forma como se olha e fala de localidades que não são Lisboa.
A "terrinha" significa um concelho que tem a mesma dignidade que o concelho de Lisboa, onde os portugueses são tão portugueses como os alfacinhas.
Tipo de linguagem que mostra bem as profundezas do regionalismo bacoco de alguns.
Assim se vê a forma como se olha para o país desde a Capital....." a terrinha..."
« Última modificação: Março 24, 2022, 04:09:19 pm por Zeca 2021 »